2011 foi um ano interessantíssimo para quem acompanha a indústria de games. É claro que diversos acontecimentos e lançamentos de níveis similares também ocorreram em anos passados, mas podemos dizer que 2011 foi um grande ano. Aqui no XboxPlus, aliás, pude analisar 46 games durante 2011, e em cerca de 2 anos e meio de existência do site, já escrevi mais de 100 reviews. Isto dá uma média de cerca de 3 reviews por mês. Tive o privilégio, também, de analisar jogos desenvolvidos por grandes e pequenas empresas, e tive o enorme prazer de conhecer trabalhos fantásticos através do XboxPlus.

Posso dizer que, em 2011, também tive surpresas e decepções em relação aos jogos eletrônicos. Grande hype foi criado em cima de jogos que, na verdade, ofereceram pouca ou nenhuma diversão, inovação e valor enquanto trabalho artístico multimídia, digamos, enquanto verdadeiras obras primas foram lançadas e passaram despercebidas pelo grande público. Battlefield 3 conseguiu justificar todo o hype criado pela indústria e pelos jogadores, e durante a E3 2011, por exemplo, tivemos o anúncio de diversos títulos bacanas, como Hitman: Absolution, por exemplo.

Ainda durante a E3 2011, um promissor jogo free-to-play foi anunciado, e a Electronic Arts conseguiu aumentar ainda mais a ansiedade dos fãs de Mass Effect, com dois fenomenais trailers de Mass Effect 3. A  Nintendo anunciou o sucessor do Nintendo Wii, o Wii U, e o já lançado Assassin’s Creed: Revelations também marcou uma bela presença no maior evento anual com a participação da indústria de games. A Microsoft, infelizmente, me causou grande desânimo durante sua conferência de imprensa, ao dar enorme ênfase ao Kinect e seus jogos.

Podemos dizer que 2011 foi um ano muito eclético, em relação aos jogos eletrônicos. Diversos estilos fizeram grande sucesso e mostraram ao mundo que nem só de First Person Shooters e MMOs vive o mundo dos games. Jogos estilo tower defense como Anomaly: Warzone Earth, Sanctum, Orcs Must Die!, Defenders of ArdaniaUnstoppable Gorg (estes dois últimos ainda não lançados) também ajudaram bastante a revigorar a biblioteca de muitos jogadores, ao inserir elementos únicos e inovadores em jogos que, a princípio, nada teriam a ver com eles. Também tivemos bons puzzles em 2011, como EDGE e SpaceChem, por exemplo.

A Electronic Arts, por sua vez, foi uma das empresas que mais, digamos, “aprontou” em 2011. Ela lançou seu próprio serviço de distribuição digital, o Origin, e apesar da promessa de que já a partir de Novembro passado o novo serviço começaria a vender jogos de outras publishers, tudo o que temos até agora é um único game de terceiros: da Capcom. Além disso, a EA iniciou uma espécie de “briga” com a Valve e com o Steam, removendo Crysis 2 desta plataforma, o que é algo totalmente estranho.

Battlefield 3 também não foi lançado no Steam, apesar de ter sido lançado em outros sites de distribuição digital de games, o que denota que o problema é mesmo com o Steam e seus termos de serviço. De qualquer maneira, perdem os jogadores, que não podem mais contar com o Steam para comprarem títulos da EA, e a própria Electronic Arts, que não possui seu fantástico jogo na maior “vitrine virtual” de jogos eletrônicos do mundo.

Dead Island, um dos jogos mais aguardados de 2011, acabou de certa forma tendo grande parte de seu hype alavancado por um único e, certamente, fantástico trailer. Trailer este que, entretanto, enganou a muitos jogadores, pois transmite uma sensação e um estilo de jogo que não são condizentes com o título da polonesa Techland. Aliás, por falar em decepções, Brink, da Splash Damage / Bethesda Softworks, representou uma das maiores do ano, para mim.

Seus trailers eram fantásticos e enganadores. No final, Brink acabou se mostrando uma espécie de colcha de retalhos. Um jogo focado no multiplayer cuja “campanha” é revestida de uma espécie de capa que a faz parecer também com uma partida multiplayer. Brink é um jogo repleto de boas idéias. Idéias que, entretanto, não funcionaram como deveriam. Como disse em meu review do título, “Brink também mostra que, mais do que nunca, todo game deveria possuir uma demo“. Quanta gente não foi enganada por trailers, informações esparsas e imagens do jogo? Ainda na seção “decepção”, não poderia faltar o horrível Duke Nukem Forever, bomba que após mais de uma década acabou explodindo nas mãos da talentosa Gearbox.

Duke Nukem Forever é o típico jogo que jamais deveria ter sido lançado. Seria muito melhor permanecermos naquela espera e imaginarmos como seria um hipotético DNF, do que colocarmos as mãos nesta porcaria que já chegou a ser vendida por 5 dólares no Steam. Longe de mim afirmar, é claro, que o preço determina a qualidade de um jogo. Mas digamos que Duke Nukem Forever deveria ser um título através do qual os jogadores pudessem receber dinheiro para jogá-lo, tão terrível é a experiência.

A Paradox Interactive realizou um belo trabalho em 2011, também, com sua line-up focada em estratégia e similares. Sword of the Stars II: Lords of WinterMount & Blade: With Fire & SwordPirates of Black CoveCities in MotionSengokuSupreme Ruler: Cold WarPride of Nations e Magicka são alguns dos sensacionais títulos lançados este ano pela publisher sueca, a qual também conta com belos jogos já anunciados para 2012.

Dois estúdios não independentes responsáveis por games sensacionais também foram fechados este ano. A THQ fechou a Kaos Studios, empresa responsável por Homefront e Frontlines: Fuel of War, por exemplo, e já anunciou que a Crytek desenvolverá Homefront 2. Outro fechamento ocorrido este ano e que, pelo menos a mim, causou grande tristeza, foi o da Bizarre Creations, pela Activision. A Bizarre Creations criou dois jogos que adoro: PGR4 e Blur. Jogos de corrida arcade extremamente divertidos e bonitos, diga-se de passagem.

Este ano também tivemos, é claro, mais um lançamento anual da grande franquia Call of Duty. Modern Warfare 3 se mostrou um bom jogo, e talvez um dos motivos para que ele tenha vendido mais que seu oponente Battlefield 3, além do fator “tradição”, seja o fato deste último ser um jogo cujos gráficos maravilhosos somente podem ser vistos em PCs com configurações parrudas.

The Elder Scrolls V: Skyrim foi um dos maiores lançamentos de 2011, e ganhou o prêmio de “Game do Ano” no VGA 2011 muito merecidamente. O jogo continua surpreendendo, sua comunidade de jogadores cresce dia a dia, suas vendas continuam em alta, e todos sabemos que o jogo terá um longo tempo de vida.

A CD Projekt RED mostrou, com The Witcher 2: Assassins of Kings, que DRM não serve para nada e que o melhor caminho é cativar o jogador com extras, conteúdo exclusivo e gratuito, e muita gentileza. Aliás, belos exemplos de cuidado para com o cliente foram dados este ano pela empresa polonesa, exemplos que poderiam ser muito bem seguidos por outras empresas da área. Em 2011 também tivemos o lançamento de inúmeros games free-to-play, e muitos deles estão fazendo grande sucesso e dando lucros enormes a seus desenvolvedores, única e exclusivamente através das microtransações realizadas.

A Electronic Arts também deu a muitos jogadores um outro motivo de tristeza, este ano, ao adquirir a gigante dos games casuais PopCap. Mas, por outro lado, o lançamento de Portal 2 foi um evento fantástico, com a união da Valve e de diversos desenvolvedores independentes. Elementos de inúmeros jogos “invadiram” outros jogos e GLaDOS, na verdade, conseguiu causar grandes “estragos”. É claro que todos nós adoramos estas invasões, e a Valve acabou dando uma verdadeira lição de como cativar um cliente e lançar um game de forma extremamente criativa.

A Sony, com seu PlayStation Vita, já atiça a curiosidade dos jogadores, e a Microsoft mostrou que quer investir de forma pesada no mercado Brasileiro. Já temos a Xbox Live Brasil desde o final de 2010, e em 2011 a gigante de Redmond anunciou a fabricação de seu console em nosso país. Consequentemente, os preços do aparelho foram muito reduzidos. Tivemos também o lançamento de Gears of War 3 no Brasil, por R$ 129,00: um preço extremamente convidativo.

A Blizzard é outra empresa que aposta bastante no mercado nacional. Já temos World of Warcraft em português do Brasil, com valores de assinaturas muito mais baratos que os lá de fora, e a possibilidade de assinar o “Annual Pass” e ganhar Diablo III também foi aberta aos brasileiros.

É claro que nem só de felicidade vive o mercado de jogos eletrônicos. Este ano aconteceu o apagão da PSN, o ataque ao Steam e também aos servidores do MMORPG Rift, por exemplo, o que mostra que segurança online talvez seja uma utopia. Animando muito as coisas, entretanto, tivemos o anúncio de GTA V, pela Rockstar. Jogos eletrônicos também foram reconhecidos como arte, no Brasil, através de sua inclusão na  Lei Rouanet, e tivemos inúmeros outros motivos para considerar 2011 um bom ano para os games e para os jogadores.

Jogos baseados em navegadores dotados de belíssimos gráficos, como Heroes & Generals, por exemplo, mostram que plataformas para games “AAA” podem ser muito flexíveis, e também pudemos perceber, em 2011, que as grandes empresas também podem sofrer com bugs e problemas os mais diversos. Nem mesmo a  id Software e a Rocksteady conseguiram lançar títulos livres de grandes bugs, e ambas as empresas acabaram apresentando aos jogadores, pelo menos por enquanto, soluções nada “interessantes”.

2011 foi um ano muito bacana. Tivemos bons jogos, maus jogos, boas e más notícias, decepções e surpresas, e pudemos perceber que, claramente, a indústria de games está se transformando em algo grandioso. Hoje em dia temos, aliás, a distribuição digital, a qual facilita enormemente a aquisição de jogos, e muitos deles possuem inclusive diversas funções e integrações com redes sociais, além da própria socialização promovida pelas partidas multiplayer.

O mundo dos jogos eletrônicos se torna cada vez mais interessante, e acompanhá-lo é um verdadeiro exercício de paciência. Mas para quem gosta, trata-se de algo muito prazeroso, principalmente quando tomamos conhecimento de DRMs que não prejudicam o “jogador pagante”. 2012 vem aí, e junto com ele teremos outra leva de decepções, bons e maus lançamentos, surpresas, etc. Teremos BioShock: Infinite, por exemplo, primeiro título da franquia não ambientado na submersa e belíssima Rapture, Port Royale 3Transformers UniverseMechWarrior Online, o aparentemente fantástico novo Tomb RaiderDiablo IIITransformers: Fall of Cybertron, muito provavelmente, Darksiders II, e muitos outros.

O mundo dos jogos eletrônicos não pára. E você? Quais suas expectativas? O que você espera de 2012 em relação aos games?

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