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(Review) Homefront

Confesso que, ao jogar e finalizar Homefront, pude sentir que o game possui enorme potencial, potencial este, infelizmente, não totalmente explorado. Ainda. Isto não significa, entretanto, que o novo título desenvolvido pela Kaos Studios, empresa também responsável pelo ótimo Frontlines: Fuel of War, título de 2008 que também possui em seu enredo o elemento “futuro desastroso”, não seja bom. Pelo contrário: ele é um ótimo jogo. Possui falhas e acertos, é claro, e desde o seu lançamento, em 15 de Março de 2011, vem dando mostras de que muito do que foi dito (negativamente) a seu respeito não tem lá muita razão de ser.

É claro que escrevo reviews pensando não só nas “tecnicidades” que fazem parte de um game, mas também na experiência que este pode proporcionar ao gamer. Homefront vem demonstrando ao longo das últimas semanas que é um FPS que, apesar dos receios iniciais, apesar das ações da THQ terem sofrido queda de 25%, apesar da recepção não tão calorosa por parte da crítica especializada, etc, vai, de certa forma, se firmar como mais um jogo que será lembrado por bastante tempo. Já falaram até em um Homefront 2, aliás, e o fato do game ter sido lançado com um preço abaixo dos valores dos atuais lançamentos é muito bom, pois ao mesmo tempo em que dá um “tapa com luva de pelica” em muita gente, também ajuda nas vendas e, é claro, faz um carinho no nosso bolso.

Homefront é um FPS diferente. Seja devido à sua temática, seja devido à jogabilidade, seja devido aos gráficos: você sente o impacto que a novidade “oferece” logo nos primeiros minutos de gameplay. Ele é diferente dos games da série Call of Duty, Battlefield, Medal of Honor (o mais recente). Você percebe isto muito claramente ao começar a jogar. Seu enredo, aliás, faz com que ele se torne algo um tanto quanto único nos tempos atuais, no campo dos First Person Shooters.

Nada de segunda guerra mundial, batalhas tendo como “pano de fundo” acontecimentos de certa forma plausíveis atualmente, Afeganistão, missões e agentes secretos, etc. A história do mais recente título da Kaos Studios é bem diferente. Ele se passa em 2027, em um mundo muito diferente, e muito mais caótico. A Coréia do Norte sai do campo das hipóteses e parte para o “vamos ver”. Após a morte de Kim Jong-il, seu filho, Kim Jong-un, assume o poder. Mais perigoso que o pai, digamos, e com idéias megalomaníacas na cabeça, ele consegue unir a Coréia do Norte e a Coréia do Sul, formando uma grande e nuclearmente armada nação coreana, portanto.

Um satélite coreano “repleto de boas intenções” lança um ataque EMP (Electromagnetic pulse, ou pulso eletromagnético) sobre os Estados Unidos, o qual causa estragos sem precedentes no país. A infra-estrutura energética é posta em frangalhos, eletrônicos param de funcionar, e o país se transforma em um verdadeiro caos, com seu exército sendo literalmente arrasado. Os coreanos invadem os Estados Unidos da América e iniciam uma “cavalgada” rumo à dominação mundial, também. Até o Japão é obrigado a se render.

Os Estados Unidos, e seu próprio povo, sofrem bastante. No início do jogo você observa algumas cenas bem chocantes, as quais mostram a crueldade dos coreanos. Sua sorte muda quando você é resgatado por um membro da Resistência, chamado Connor. A partir daí, você passa a lutar juntamente com a resistência, e passa por situações muitas vezes desesperadoras, tendo de conviver até mesmo com erros por parte da resistência que causam a morte de muitos inocentes.

Algo muito interessante em Homefront é a “Voice of Freedom”. Trata-se de uma rádio clandestina que transmite mensagens de esperança ao povo norte americano, além de funcionar como uma espécie de canal de notícias, divulgando inclusive algumas notícias a respeito da Resistência. Muitas vezes, o papel da “Voice of Freedom” é essencial.

Seu nome é Jacobs, e você é um piloto. Juntamente com seus companheiros de equipe, Connor, Hooper e Rianna, você enfrentará então os invasores asiáticos. Mais à frente lutará também ao lado do exercito. Terá de lidar com a morte de companheiros caros à Resistência, tendo de acompanhar inclusive o choro da pobre Rianna. Após um ataque massivo contra as forças coreanas, o qual causou grandes danos às mesmas, a Resistência tem de assistir à consequente retaliação. Massacres de inocentes, bombardeios de áreas residenciais e coisas do tipo. Os coreanos são retratados em Homefront como um povo duro, cruel e que não pensa duas vezes em disparar uma arma, seja contra quem for. Constroem muros de isolamento, oprimem a população, matam quem bem entendem, e o povo é obrigado a apenas sobreviver.

Os Estados Unidos estão em frangalhos, é claro. A população vive isolada em guetos ou em espécies de campos de concentração onde os coreanos promovem, muitas vezes, verdadeiros shows de horrores. Em um dos momentos do gameplay, você é obrigado a se esconder entre os mortos, em uma vala comum aberta pelos membros da “Grande Nação Coreana”.

O título da Kaos Studios passa uma sensação de desolação extrema. Uma noção muito forte de perigo sempre à espreita e de que não há nada o que se possa fazer, uma vez que a nação mais poderosa do mundo já está de joelhos. O jogo é repleto de ação. Dificilmente passam-se alguns minutos sem que você não tenha de disparar alguns tiros. Existe uma certa variedade de armas (não muito grande), desde metralhadoras, passando por rifles de assalto e de precisão, até shotguns. Você poderá também utilizar lança-foguetes e até mesmo controlar um veículo armado de forma remota.

Durante o jogo, você pode encontrar alguns jornais espalhados pelos mais diversos cantos, os quais fornecem um aprofundamento maior no enredo do jogo. Encontrá-los todos, entretanto, requer um pouco de exploração, e você muito dificilmente terá tempo para isto. Mas alguns são facilmente encontrados.

Em uma das fases, onde você pilota um helicóptero e deve destruir veículos que escoltam caminhões tanque repletos de combustível, é possível que você se sinta um tanto quanto frustrado. Não que seja difícil a pilotagem: difícil é se desviar dos foguetes constantemente lançados pela escolta. Estes veículos possuem um papel importante junto ao exército norte americano, vale ressaltar.

Traição, grupos de norte americanos que não fazem parte da resistência e que até mesmo lutam contra ela, cenas chocantes e morte de inocentes: tudo isto faz parte do “pacote” que Homefront entrega ao gamer. Mas é um FPS diferente, este novo desenvolvido pela desenvolvedora de Frontlines: Fuel of War. No início, cheguei a estranhar a jogabilidade, os gráficos, o “esquema de jogo”, etc. Mas é questão de tempo até você se acostumar com os controles e passar a apreciar cada momento do game. Todos os tiroteios são muito frenéticos, vale ressaltar, e utilizar a mira de sua arma é uma necessidade muito frequente.

A inteligência artificial dos inimigos é muito boa, e os inimigos não se distraem facilmente, nem são pegos de surpresa. Seus aliados também contam com tal inteligência artificial poderosa, apesar de, em alguns momentos, eles parecerem burros. Sinceramente, isto é algo que não entendi. Em alguns momentos eles atiram, atiram, atiram e não conseguem atingir um alvo sequer, enquanto você leva uma saraivada de balas atrás da outra, senão tomar cuidado, e tem de praticamente realizar todo o trabalho sozinho.

Momentos de ação furtiva também fazem parte do gameplay de Homefront, incluindo a utilização de rifles de precisão no alto de torres, com indicação de alvos via rádio pelos soldados que se encontram no campo de batalha. Estes momentos, tanto com o Sniper quanto sem ele, aliás, são fantásticos, diga-se de passagem. Homefront não possui a “loucura insana” que grassa nos campos de batalha de muitos FPS’s por aí. Você deve agir com cautela, estratégia, e, muitas vezes, atirar com extrema precisão.

Não há um sistema de cobertura, é claro. Há momentos, aliás, em que você percebe, por parte do Connor, um certo prazer mórbido quando vê coreanos sendo mortos, principalmente de maneiras horríveis, como queimados, por exemplo. Particularmente, eu mesmo agiria como ele, nestes momentos, dada a situação. Já a Rianna sempre o censura, nestes momentos.

Vale ressaltar que você sente nitidamente o peso de cada arma, e o impacto que isto representa em sua movimentação. Você pode, aliás, se agachar e até mesmo rastejar, o que é uma vantagem e tanto quando “o bicho pega”. As armas EMP continuam sendo utilizadas pelos coreanos, em menor escala, e no decorrer da história, você deverá eliminar alguns destes inimigos que atrapalham a ação de sua equipe e dos eletrônicos em sua posse, como quando você tenta controlar o veículo (Humvee) remotamente, por exemplo.

Os gráficos de Homefront são belíssimos, isto não se pode negar. A vegetação possui um aspecto fantástico, e vale lembrar que a Kaos Studios utilizou o sistema SpeedTree, da Interactive Data Visualization (também utilizado em Trainz Sim 2010, por exemplo), justamente para aumentar o realismo de árvores, folhagens e similares. Efeitos de iluminação estão muito bonitos, e cada explosão é um show à parte. A desenvolvedora também teve um cuidado especial com a fumaça e com as partículas no game, as quais impressionam. A água, entretanto, me decepcionou. Pouquíssimo reflexiva, opaca e nada bonita: não possui beleza alguma. E eu sou o tipo de gamer que observa a água nos games com muito atenção.

Infelizmente, Homefront conta com algumas falhas em seu enredo. A magnitude das ações coreanas não são totalmente visualizadas. O final do game, em São Francisco, mostra que existe muito espaço para um Homefront 2, como já mencionei. O final de Homefront é apenas, “dentro do enredo do game”, digamos, o início de uma grande guerra. Isto pode, é claro, ser tomado como uma falha ou como um gancho para o início de uma franquia e, posteriormente, para o lançamento de novos games dentro da mesma.

Infelizmente, também, a campanha de Homefront é muito curta. É uma campanha desafiadora, é claro, e é muito provável que você, mesmo no nível mais fácil de dificuldade, dependendo de sua experiência com FPS’s, leve bem mais do que as cerca de 4 horas que dizem por aí durar o gameplay. Isto pode ou não deixar felizes os mais diversos tipos de jogadores.

Já o multiplayer do game me proporcionou alguns bons momentos de diversão. Aliás, foi uma das parcelas do título que foi muito elogiada em diversos reviews. Existem 6 mapas e 4 modos de jogo. É possível jogar online ou via LAN, e você acha partidas disponíveis muito rapidamente. É claro: espere pelos jogadores que passam o dia inteiro jogando e que irão te matar, pelo menos no início, inúmeras vezes.

Outra falha, em minha opinião, é o fato de nada sobre você “enquanto piloto Jacobs” ser revelado”. Você é apenas um soldado da Resistência participando das ações da mesma. Sem um passado, sem história, sem nada neste sentido. Existe um certo tipo de interação emocional entre você, o Connor e a Rianna, mas não se trata de nada muito forte. Este é outro fator que a Kaos Studios poderia ter explorado muito mais, tendo em vista que criou uma nova IP pertencente a um nicho de games que sofre constantemente com muita “mesmice”.

A possibilidade de pilotar helicópteros, controlar a metralhadora de um deles e de controlar o armamento de um blindado são fatores muito bacanas, que incrementam a experiência do jogador, é claro. O lado “stealth” de algumas missões também é muito bacana, e até mesmo a Rianna mata alguns soldados inimigos “na surdina”. :)

De uma forma geral, Homefront representa um ótimo game com falhas que podem até fazer com que ele seja detestado por algumas pessoas. É necessário, porém, não se deixar levar pela opinião alheia e conferir o game com seus próprios olhos. Pena não haver uma demo disponível. Mas em minha opinião, o game vale os US$ 49,99 por ele cobrados, sem sombra de dúvidas.

Conclusão

Homefront representa o início de uma nova IP no “nicho” dos FPS’s. Trata-se de um game de tiro em primeira pessoa muito diferente daqueles aos quais estamos acostumados, o qual pode provocar um estranhamento inicial e temporário. Homefront conta com belíssimos gráficos e uma história que, entretanto, não foi (pelo menos por enquanto) totalmente explorada. Talvez isto aconteça em um próximo e hipotético Homefront 2.

Ficha Técnica

Título: Homefront
Gênero: FPS / Ação
Desenvolvedora: Kaos Studios
Distribuidora: THQ
Data de lançamento: 15 de Março de 2011
Plataformas: Xbox 360, Playstation 3 e PC
Versão analisada: PC

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12 Comentários

  1. Pela análise, trata-se de um ótimo jogo, porém, fui seduzido pelos 25% de desconto que a Steam aplicou no CoD: Black Ops, um jogo que eu estava aguardando há tempos.

    Quem sabe em outra oportunidade ou no sorteio do dia 28 eu não tenha mais sorte que nas vezes anteriores…

  2. Bom Review, não sabia que o jogo tinha essa variedade toda
    agora é só esperar ganhar ele no sorteio pra conferir pessoalmente ;)

  3. @Hideki,

    Realmente, é um ótimo jogo. Opa, comprou o Black Ops? Bela compra! Ótimo game. Vai se divertir muito. :)

  4. @Mateus Massa,

    Opa, valeu, Mateus. :)

    É muito bom. Vale a pena, viu. E o multiplayer, principalmente para quem gosta bastante, é ótimo. :)

  5. Parabéns, gostei muito da análise, estou jogando e quero fecha-lo.

  6. @CARLOX,

    Opa, fico feliz, Carlos! :)

    E aí, o que está achando do game?

    Eu gostei, apesar das falhas. Acho que um hipotético Homefront 2 será fantástico.

  7. Eu gostei bastante,percebi que tem pocuo ammo(cartuchos de balas), mais acredito que seja para que o player possa usar armas sempre diferentes.

    Ontem fiz a missão da qual você falou acima, de se esconder nos corpos, achei bem feito, porém na hora que que os soldados atiram nos corpos, acho que poderia ter matado não o connor mais o outro amigo que estavam com eles, gerando assim uma realidade maior sabe? mais é só uma visão pessoal.

    Ei Marcos, é difícil acha um site com reviews prórios brasileiros, tem como você se dedicar mais aos reviews? eu gostei do trabalho, gostaria de ler um sobre o crysis 2(game que também estou tentando fechar no momento).

  8. @CARLOX,

    Com certeza, e, de certa forma, até que encontramos armas em abundância, não é? É, essa de se esconder nos corpos ficou realmente estranho. Algum deles poderia ter sido morto, e se pensarmos bem, até mesmo o Jacobs…rsrsrsrs Se um deles tivesse sido morto, como você falou, sem ser o Jacobs, seria mais real e interessante. Além de dramático.

    Opa, realmente, amigo. Eu procuro me dedicar bastante a reviews. Vou tentar intensificar esta parte do trabalho, incluindo o Crysis 2. E aí, o que está achando dele? :)

  9. Eu não gostava de console, até comprar um xbox 360.O único problema dele em relação ao PC é não possuir AA(anti-alising),só que em uma TV grande ( a minha é de 42”) e nao muito perto da TV, não da para perceber.O crysis 1, foi o melhor jogo de FPS que eu já joguei, na época eu tinha uma 8800 Ultra só para jogar ele.Dessa vez eu resolvi não jogar ele no PC e sim no xbox e estou espantado de como o Crysis 2 é lindo.
    Os gráficos, acredito que ninguém jamais viu algo parecido em um console.

    Ah uma enorme variedade de armas no jogo, uma total interatividade com o cenário,explosões muito lindas, estranhei muito as explosões do homefront por que só depois que joguei o Crysis que peguei no homefront.
    A história também é muito boa, você encarna mesmo o personagem que está lutando para tentar acabar com a praga alienígena que infestou NY.
    Pode parecer bajulação, mais não vejo um ponto negativo no game.

  10. @CARLOX,

    Olha, Carlos, realmente, tem o problema do AA, nos consoles, realmente. Mas eles também têm suas vantagens. Jogar no PC, também, pode sair muito mais caro do que nos consoles, devido a upgrades, etc, mas por outro lado, os games para PC são sempre mais baratos…rsrsrsrs É fogo… :)

    O Crysis 1 realmente é fantástico. O 2, estou louco para conferir, e lendo suas palavras, a ansiedade só aumenta. Acho que não vai ter jeito. :)

  11. Então aproveita o embalo e adquire ele logo e faz 1 review, que estou louco para ver a visão de outras pessoas ^^

  12. @CARLOX,

    Pode deixar…rsrsrsrsrsrsrs :)

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