Xbox One & PS4

Com o anúncio do lançamento do Xbox One para Novembro deste ano e do PS4 possivelmente ainda em 2013, estamos às portas da nova geração de consoles. Após uma guerra ideológica travada nas conferências da E3, a Sony conquistou a preferência do público gamer em geral, basicamente usando falhas da  Microsoft como escada. Mas além disso, quando os consoles chegarem as prateleiras, o que podemos esperar desta nova geração de consoles? É exatamente sobre isso que irei especular a seguir.

Espelho Retrovisor
Acho que devemos olhar o passado para compreender o presente e analisar o presente para ter uma visão de futuro. Será uma retrospectiva bem longa, mas necessária para o entendimento de como será esta nova geração e quais são suas tendências.

No início da geração atual, houve um período de transição para adoção de um novo formato de mídia ótica (HD DVD e Blu-Ray), o disco que recebe o raio azul saiu vitorioso e, com isso, o PS3 passou a contar com um grande trunfo: além de um video game, era também um excelente Blu-Ray Player. O famoso pague 1, leve 2! No início, os Blu-Ray Players eram muito caros e, acreditem, mesmo a galera que não era lá muito ligada em games, adotou o console da Sony para assistir seus filmes em alta resolução como uma das melhores opções disponíveis, fazendo frente a aparelhos 100% dedicados ao home video.

Por outro lado, a Microsoft tinha uma postura estranha com seu console: seus jogos usam mídias de DVD tradicionais e existia um trambolho acessório para rodar filmes em alta resolução, o drive externo de HD DVD. Até hoje, é algo que não entra na minha cabeça: por qual motivo usar um recurso desse de forma externa e não adotá-lo como drive padrão do console? Algo que poderia até contribuir para evitar jogos com vários discos. Sinceramente, não sei. Passado um tempo, com a adoção do Blu-Ray para filmes em alta resolução, o HD DVD foi descontinuado e quem investiu no formato, deve ter ficado bem chateado.

Gregos e Troianos
Como dito anteriormente, parte do público comprou o PS3 para outros fins, tendo a parte video game como um bônus. Além dos que o compraram para rodar seus filmes e séries favoritos, temos também entusiastas que o usavam para rodar o sistema operacional Linux. Universidades e orgãos do governo foram além: usando o PS3 em grande quantidade para formar “clusters”! E não se tratava apenas de entusiasmo: o custo do PS3 para este fim se mostrou muito mais em conta em relação aos equipamentos habituais.

Se por um lado o Xbox 360 era “ultrapassado” em seu hardware (por usar DVD), a parte de software era o fiel da balança. A técnica usada na compactação de dados fazia “milagres” e, apenas no final da geração, está se tornando comum jogos dispostos em 2 ou mais discos.

Enquanto o hardware do PS3 era um ótimo custo x benefício para outros fins, nos games ele deixou muito a desejar no início, sofrendo muitas críticas por possuir poucos jogos e por sua parte de software não ser bem resolvida, sobretudo com seus updates lentos que causavam (e talvez ainda causem) muito desgosto aos jogadores. Sua rede online (PSN) que, apesar de gratuita, tinha muitas limitações na parte de interação entre os jogadores. Sem contar a grande falha de segurança que deixou dados confidenciais de usuários cair em mãos erradas e, por consequência, deixou a PSN fora do ar por um bom tempo, impossibilitando a jogatina online.  E muitos desenvolvedores, criticavam muito a Sony pela sua arquitetura, se por um lado o hardware era ótimo, a parte de programação era um verdadeiro inferno para os programadores, Gabe Newell que o diga (antes dele ter “virado a casaca” e se aliado a Sony)

Inversão de valores
Depois de abandonar o HD DVD, a Microsoft foi melhorando cada vez mais seus serviços de streaming de vídeos, como o Netflix, com a ascensão deste formato e a decadência das locadoras (ao menos no Brasil), muita gente começou a usar o Xbox 360 (e os outros consoles) como player da Netflix, já que é mais comum ter um console a um PC ligado na TV da sala. Por outro lado, vários títulos exclusivos agora estavam sendo disponibilizados também para PC e até mesmo para PS3.

A Sony, por sua vez, fez a lição de casa e com o serviço pago da PSN Plus começou a disponibilizar jogos em formato digital para seus assinantes de forma gratuita. A medida que o tempo passou, vieram vários lançamentos de jogos exclusivos e parece que os desenvolvedores começaram a se familiarizar melhor com a arquitetura do console, ainda que continuasse sendo bem mais difícil em relação a do Xbox 360.

Com a chegada do Kinect, a Microsoft começou a tomar novos rumos, apresentando um formato mais direcionado a família e depois focando bastante na parte de entretenimento fora dos games, basicamente serviços de streaming com conteúdo de filmes, séries, esportes, música, etc. É fato que ela acertou em cheio: o streaming de vídeos, em minha opinião, decretou o fim das locadoras e trouxe a praticidade deste formato de pagar um valor fixo mensal e ter acesso a um acervo online. A Sony, apesar de também contar com recursos de controle de movimento e serviços online, manteve o seu foco nos jogos.

Com tudo isso, o que podemos esperar do futuro?
Essa decisão da Microsoft de fazer do Xbox One um media center com video game integrado, pode desagradar muita gente. Mas para quem consome todos esses formatos, não há como negar que se trata de uma opção bem conveniente ter: receptor de TV, console, player de Blu-ray, webcam e um pseudo “PC” agrupados apenas em um aparelho, com apenas um controle remoto (ou até usando apenas a voz e movimentos). No Brasil, creio que não seja tanta vantagem, por conta de muito conteúdo ficar indisponível ou não ser compatível.

Para quem não é entusiasta de toda essa integração e quer apenas o foco nos games o PS4, até o momento, mostrou-se uma excelente opção por trazer vários benefícios voltados totalmente aos jogos. Obviamente, franquias exclusivas podem, como sempre, influenciar muito nessa escolha também, deixando vários aspectos técnicos de lado e partindo mais para o lado passional do jogador.

Nova Geracao

Sobre a polêmica envolvendo DRM, obrigatoriedade de conexão e bloqueio de jogos usados, a essa altura, todos já devem saber que a Microsoft voltou atrás em sua decisão e, aparentemente, deixará as coisas como são hoje. Mas até quando? Em minha opinião, essa nova geração será um “beta” para a mídia 100% digital nos consoles. Sinceramente, eu já esperava que os novos consoles não contassem mais com mídia física. A Microsoft quis dar um passo muito grande nesse rumo e acabou batendo de frente com o público que não recebeu nada bem essa decisão. Hoje, no PS3, geralmente os lançamentos são feitos simultaneamente em mídia física e digital (download). No Xbox 360, pelo que sei, demora um pouco para que o jogo entre no formato digital (Games On Demand).

Acredito que na próxima geração, teremos essa forma mista de obter jogos e, com o amadurecimento da mesma, o formato digital será cada vez mais incentivado, principalmente com preços mais baixos e outras vantagens. Haverá um certo atrito com as revendas de jogos em mídia física e também com o grupo de pessoas mais “isoladas” a exemplo de: militares, funcionários de plataformas petrolíferas, etc. Acredito que no final da 8ª geração, a mídia digital estará consolidada nos consoles, assim como ela é hoje nos PCs e numa 9ª geração, se existir, seremos apresentados a consoles sem drive ótico e portando HDs de alta capacidade.

Se isso será algo bom ou ruim, não posso dizer ainda. Mas garanto que o conceito de Mídia Digital e Nuvem são uma tendência muito forte hoje que já nos trouxe grandes benefícios. Usando mídia 100% digital, com certeza, serão quebradas várias barreiras em direção ao dinamismo.

Deixo claro que isto é uma especulação baseada na minha experiência atual e, de forma alguma, estou pregando o fim da mídia física. Mas acho que é inegável que o seu fim como conhecemos hoje, está cada vez mais próximo. Estejam à vontade para fazer comentários, correções ou debater o assunto.

Residente (e natural) da Cidade de Osasco há 29 anos. Já passou por blogs como Super Mundo Robô e Projeto Jogatina. Colaborador dos sites Positrôniko e Cosmic Effect. Para que suas ideias e pensamentos não sejam perdidos, gosta de manter registro escrito deles, de forma privada ou pública. Apesar de gostar de games, cada vez mais joga menos. Sua fila no Xbox 360, PC (e SNES!) é bem grande. Pretende reduzir seu tamanho em doses homeopáticas de jogatina e ainda espera ver Half-Life 3 lançado.

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