Não consigo esconder: me encantei profundamente com Assassin’s Creed Origins. Tanto é que continuo retornando a seu vasto mundo aberto, pilhando, assassinando, realizando missões secundárias que ficaram para trás, apreciando os belos visuais e já planejando ir a locais não visitados durante minha aventura inicial.

O jogo não é novo, sei disso. Foi lançado em 27 de Outubro de 2017 (mas também não é velho – é o último AC lançado), e Assassin’s Creed Odyssey está a caminho, já parecendo extremamente promissor. Neste meio tempo, preparei esta lista com 9 (nove) motivos para você jogar Assassin’s Creed Origins, se é que ainda não o fez. Acredite: vale cada minuto.

1) Mapa

O mapa do jogo é enorme, e inclui belos oásis, desertos, diversos vilarejos, muitos deles pobres e decadentes, mas muitos deles abrigando um certo nível de progresso e estabilidade. Existem também diversas cidades famosas e importantes espalhadas pelo mapa de Assassin’s Creed Origins, o qual é enorme, incluindo Alexandria e Mênfis, dentre outras. Também visitamos Roma, vale ressaltar, e é possível até mesmo participarmos de batalhas em arenas de gladiadores (sem falar nas corridas de bigas).

Assassin's Creed Origins

O mapa do jogo esconde muitas belezas. Muitos perigos, também. Trilhas tortuosas em meio às montanhas, vez ou outra tomadas por bandidos que podem dar início a ataques extremamente violentos. O mapa é gigantesco, realmente, e terminada a aventura principal, podem restar diversas áreas ainda inexploradas, as quais você pode sempre visitar (tomando sempre o devido cuidado com os níveis de personagem sugeridos) a fim de realizar missões secundárias, ataques a fortificações e arsenais, e mais uma série de outras coisas.

No meu caso, mesmo após o final da história, ainda existem 8 vastas regiões inexploradas, as quais somente serão “desbloqueadas” caso eu viaje até elas, do modo tradicional, mesmo, uma vez que é apenas desta maneira que o mapa é revelado em ACO.

2) História

A história de Assassin’s Creed Origins é fenomenal. Repleta de momentos tensos e ricos em drama, além de referências à franquia como um todo, à Irmandade dos Assassinos, aos Templários, aos Precursores, etc. A história não é nem um pouco rasa, e você consegue a ela se prender facilmente.

A mistura entre ficção e fatos históricos sempre ajudou a franquia, e com Origins não é diferente. O jogo também inclui momentos verdadeiramente impactantes, reviravoltas e tragédias com as quais conseguimos nos importar facilmente. A trama é profunda, e o jogador pode ficar preso a ela de maneira bem forte. Trata-se, em minha opinião, do Assassin’s Creed com a melhor história desde Assassin’s Creed II – há profundidade, existe riqueza de detalhes narrativos, existe sangue, existem lágrimas, existem recompensas. Existe dor, mas também existe vingança. Existem diálogos, mas também existem momentos em que as palavras se fazem desnecessárias.

3) Personagens

Os personagens do jogo também são muitíssimo bem construídos. Quase todos, principalmente os principais, possuem enorme carisma. Como não se encantar com a sedutora Cleópatra? Como não se encantar com o protagonista Bayek de Siuá e sua esposa, Aya? Aliás, também aqui faço outra menção a Assassin’s Creed II: Bayek é, em minha opinião, o melhor protagonista desde Ezio Auditore da Firenze.

Nos importamos com ele e com tudo o que com ele acontece. Com seus dramas, com suas lágrimas, com seu sofrimento intenso quando perde o filho. Bayek está em busca de vingança, e ele a obterá a qualquer custo, não importando quem ficar em seu caminho.

Também temos César, personagem marcante e forte que representa um dos pontos altos da trama, bem como os irmãos gauleses que tiveram papel importantíssimo nos eventos que levaram à morte de Khemu, filho de Bayek. Aliás, os inimigos são também odiosos, incluindo aqueles pertencentes à Ordem dos Anciões (precursora dos Templários modernos), e Bayek (e o jogador também) percebe logo de cara que os cinco alvos iniciais representavam apenas o começo de algo muito maior. De uma intrincada trama repleta de dor e morte.

Assassin's Creed Origins - Bayek

Existem negros tentáculos se espalhando pelo Egito. A Ordem dos Anciões oprime, devasta, toma para si tudo aquilo que acha necessário, e aqui vemos “Templários” em busca de poder, de destruição, de opressão, sem se importarem com quem ou o que estiver no caminho.

Também temos doses de traição na trama de Assassin’s Creed Origins, e o jogador certamente sentirá ódio ao presenciá-los. É impossível passar incólume através de um enredo tão rico e denso, tendo contato com personagens tão interessantes e cativantes, começando logo no início, com o grande amigo de Bayek, Hepzefa, o qual também vem a protagonizar um momento bastante intenso mais adiante.

As aparições dos templários também são sempre odiosas, e as cutscenes que aparecem logo após cada morte de um alvo importante são repletas de ódio. Bayek, por um lado, se mostra extremamente revoltado e cheio de ódio, grande parte das vezes, e os inimigos mortos muitas vezes dele desdenham e respondem com enorme raiva às suas acusações.

4) Combates

O sistema de combate em Assassin’s Creed Origins foi totalmente redesenhado. Esqueça aquela coisa toda meio que “automatizada” dos ACs anteriores: aqui, é necessário utilizar esquiva, escudo, rolamentos, etc. Existem também ataques fortes e ataques leves.

Esqueça, também, o uso de remédios: sua saúde se regenera pouco a pouco, conforme você se mantém livre de danos e ataques, e há também uma barra de adrenalina que é preenchida conforme sua atuação (ataques, por exemplo).

Obs: também existem habilidades especiais que podem ser destravadas e que fazem com que Bayek inicie um combate com tal barra preenchida pela metade ou então já totalmente preenchida. Uma vez preenchida tal barra, o protagonista pode lançar um ataque realmente devastador contra os inimigos, o qual é capaz de dar cabo rapidamente, dependendo da nivelação dos personagens, dos mais fortes inimigos.

Em Assassin’s Creed Origins é preciso encarar cada combate com muita atenção, prestando atenção aos arredores e aos inimigos que estão à sua frente. É preciso também, muitas vezes, erguer o escudo para se proteger de flechas que vêm de cima, ao mesmo tempo em que brandimos nossa espada contra inimigos à nossa volta, e isto enquanto nos esquivamos de golpes que vêm das mais variadas direções. Esqueça também aquela “calmaria” presente em muitos Assassin’s Creed, onde inimigos aguardam até que outros terminem de nos atacar: aqui, podemos ser atacados por vários inimigos ao mesmo tempo, e isto exige mais do jogador.

Assassin's Creed Origins

É preciso pensar e analisar cada situação com muito mais atenção. É preciso pensar de forma estratégica antes de entrar em combate, utilizando a Senu, muitas vezes, de maneira tal a observar os ambientes, tentando prever de onde virão os ataques (muitos fortes, por exemplo, contam com vários níveis, com inimigos nos telhados, em torres, no subsolo, no chão, etc).

Além disso tudo, agora as armas e os equipamentos possuem atributos únicos, e isto se assemelha bastante ao que vemos em diversos RPGs por aí. Alguns deles rendem XP conforme utilizamos os respectivos itens, outros provocam dano crítico respeitados alguns pré-requisitos, e alguns atributos são bastante especiais. Por exemplo, minha espada atual, a qual se incendeia tão logo é desembainhada, causa dano extra nos inimigos devido ao fogo.

Existem níveis de armas e equipamentos, além disso, e você deve sempre aprimorá-los em ferreiros espalhados pelo mundo do jogo. Cada arma, além disso, possui seu respectivo nível de DPS, e escudos possuem também diferentes tipos de resistência, além de detalhes especiais no que diz respeito a diversas situações (ataques à distância, por exemplo).

5) Um novo começo

O jogo nos mostra o início dos Templários, aqui ainda autointitulados Ordem dos Anciões, e também o começo da Irmandade dos Assassinos. Trata-se de um título que pode ser seguramente jogado por iniciantes na franquia, por quem nunca teve contato com um AC na vida.

É muito bacana, também, observar como tudo começou, sendo que os momentos finais da história nos dão um panorama geral do novo Credo, de suas motivações, da maneira como ele irá agir, de como seus membros deverão atuar.

Assassin's Creed Origins

Trata-se de um Assassin’s Creed indispensável para quem aprecia a franquia, e aqui podemos observar a transformação de um Medjai, de um membro de uma unidade de elite do exército egípcio, em um Assassino. Pouco a pouco, paulatinamente conforme a trama se expande e a Ordem dos Anciões se mostra mais perigosa e atuante em diversos níveis da sociedade da época (eles atuavam até mesmo em Roma).

Podemos observar o nascimento de um Assassino poderoso e impiedoso, inicialmente motivado pela vingança, e pouco a pouco ampliando seus horizontes, enxergando mais além, expandindo suas necessidades e qualidades, passando a pensar cada vez mais naqueles que estão sob opressão.

6) Mundo aberto

Se você joga GTA V, por exemplo, sabe mais ou menos do que eu estou falando. Tudo bem que o mundo aberto de Assassin’s Creed Origins não é tão variado quanto o do título da Rockstar, mas nele também temos uma enorme variedade de coisas para fazer. São invasões, missões secundárias, resgates de prisioneiros, ajuda a cidadãos que estão sob ataque de bandidos, confronto com bandidos enquanto viajamos por lugares ermos, etc.

O mundo aberto deste mais recente Assassin’s Creed também nos brinda com verdadeiros espetáculos audiovisuais. Temos as pirâmides, temos templos, temos catacumbas, temos ruínas. Temos locais onde podemos nos aventurar em busca de tesouros e armas e equipamentos raros ou lendários.

Temos também a possibilidade de viajar para locais desconhecidos apenas para descobrir o que existe aí de interessante (lembrando sempre do quesito “nível do personagem”), valendo lembrar que durante tais viagens sempre surgem missões especiais, arsenais e fortificações para invadir, etc. Trata-se de um mundo enorme e bonito, cheio de oportunidades para aventuras e diversão.

7) Navios

Navios. Como me maravilhei com o modo como este elemento foi introduzido em Assassin’s Creed IV:  Black Flag. Tudo bem que em Assassin’s Creed Origins os momentos em navios são mais limitados. Não podemos assumir o controle de navios quando bem desejarmos. Estes momentos acontecem em partes específicas da narrativa, quase sempre quando estamos no controle da esposa de Bayek.

Mas mesmo assim tudo é impactante. Os navios são grandes, e disparamos flechas em chamas ao invés de canhões. Um marinheiro toca um tambor para fornecer o ritmo aos remadores, ritmo este que é acelerado ou reduzido conforme nós, no controle do navio, o pilotamos.

As batalhas navais em Origins são também muito divertidas, e enquanto navegamos em direção a Roma temos também de lidar com navios de elite inimigos, além de barcos em chamas espalhados justamente para atrapalhar o nosso caminho.

Assassin's Creed Origins

Assassin’s Creed Odyssey nos dará muito mais liberdade neste quesito, segundo a Ubisoft. Teremos algo mais parecido com Black Flag, sem as amarras impostas em Origins, e poderemos explorar o grande mundo aberto do jogo à vontade à bordo de nossos navios. Vamos aguardar.

8) Missões secundárias e atividades extras

São dezenas de missões secundárias. Missões dramáticas, missões divertidas, capazes de render boas gargalhadas, missões onde temos de nos embrenhar em tumbas escuras tendo tochas em nossas mãos, missões de resgate, missões de escolta, etc. A Ubisoft teve grande cuidado com as missões secundárias em Assassin’s Creed Origins, e temos também aqui a presença de personagens interessantes, com os quais nos importamos de verdade.

Você chega em determinado vilarejo e de repente descobre que aprisionaram o filho de alguma pobre mulher: é óbvio que você fará de tudo para libertá-lo. Isto sem falar em crianças que são postas para trabalhar à serviço de bandidos, além disso, serviço este que Bayek fará de tudo para que cesse de uma vez de todas.

Assassin's Creed Origins

Temos também as invasões a estruturas diversas, em posse de bandidos ou de outras facções. Aqui, são inúmeras as oportunidades para ação furtiva (altamente recomendável no jogo como um todo), e liberado o local ganhamos XP valioso (sem falar em todo o loot durante a invasão).

9) Aya – Esposa de Bayek

Personagens femininos já deram motivo a muitas polêmicas. Também já foram subutilizados em diversos jogos e franquias. Mas aqui, em Assassin’s Creed Origins, temos um personagem feminino realmente importante, forte, impactante, indispensável.

Aya, a esposa de Bayek, é sensacional. Uma mulher guerreira e apaixonada por Bayek (aliás, não faltam momentos calientes entre marido e mulher), que também faz de tudo para vingar a morte de seu filho. Podemos controlá-la em diversos momentos, os quais são muito bacanas. E não, não estou falando apenas dos momentos em navios: também podemos controlar Aya durante algumas missões normais, e com ela participar de várias lutas (incluindo combate contra chefes importantes).

Assassin's Creed Origins - Aya

Aya, além disso, parece divergir um pouco de Bayek, o qual a princípio não entende sua devoção a Cleópatra. Aya também possui papel importantíssimo na criação do novo credo, daquilo que um dia virá a ser conhecido como Irmandade dos Assassinos. É ela, também, quem ajuda Bayek em momentos de desespero, sempre com palavras de incentivo, sempre amiga, porém nunca perdendo seu brilho, sua força, suas crenças e sua vontade própria.

Aya poderia muito bem funcionar como a Evie Frye de Assassin’s Creed Syndicate. Ela representa, aliás, um personagem muito mais forte e interessante que a irmã gêmea de Jacob Frye. Aya é intensa, carismática, essencial à trama, e é interessantíssimo observar sua evolução ao longo do jogo.

Assassin’s Creed Origins é realmente um jogo e tanto. Aliás, se você ainda não viu, confira meu vídeo de gameplay, gravado ontem, no qual invado um esconderijo quase furtivamente:

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