Não são muitos os jogos capazes de me causar angústia, medo, paralisia, terror quase que irracional dos elementos, terror mediante a simples visão de criaturas minúsculas e gosmentas. Green Hell, do estúdio polonês Creepy Jar, é um deles, assim como Subnautica (jogos diferentes, propostas diferentes, ambientações diferentes, mas ainda assim, a insegurança e o medo persistem).

O título, desenvolvido em parceria com especialistas na área de sobrevivência (estou tentando obter maiores informações a respeito, e caso venha a obtê-las, atualizarei este artigo), é brutal. Ele nos coloca no meio de uma floresta luxuriante e ameaçadora, gigantesca, cheia de animais selvagens e outros tipos de perigos, como por exemplo parasitas os mais diversos.

Green Hell

Green Hell não é apenas um jogo de sobrevivência, ele é na verdade um simulador de sobrevivência. Na pele do protagonista Jake e após o breve tutorial, acordamos em meio à vegetação densa, sem saber o que aconteceu nem tampouco como sua companheira, Mia, desapareceu.

Tudo o que sabemos é que ela estava em busca de uma tribo fictícia, os Yabahuacas, grupo que conta com membros totalmente contrários ao contato com o mundo externo e com outros que desejam um pouco mais de contato. Jake, aliás, escreveu um livro que trouxe atenção indesejada à tribo, incluindo a presença de jornalistas e equipes de televisão, o que os assustou bastante.

Em Green Hell, não espere por facilidades. Não espere por nada nem ninguém que te pegue pela mão e que te diga o que fazer a seguir. O máximo que temos são entradas em uma espécie de caderno que vão sendo introduzidas conforme entramos em contato com elementos novos, como por exemplo folhas, frutos, madeira, ossos, animais, etc. Tais entradas funcionam como receitas para que sejamos capazes, então, de criar itens capazes de nos ajudar durante nosso (duro) período na selva cruel e sufocante.

Green Hell

Como em um bom jogo de sobrevivência, ou melhor, como em um bom simulador de sobrevivência, temos de nos preocupar frequentemente com elementos como alimentação, hidratação, ferimentos, presença de parasitas, etc.

O jogo conta até mesmo com um recurso que permite que inspecionemos ambas as pernas e ambos os braços, em busca de feridas, sanguessugas (as quais devem ser removidas, sob pena de vermos nossa energia e nossa saúde se esvaírem), vermes e outros problemas, como alergias, por exemplo.

Tudo deve ser tratado, vale ressaltar. Sanguessugas devem ser removidas com as mãos, feridas devem ser envolvidas com ataduras feitas à partir de plantas específicas, vermes devem ser removidos com agulhas feitas à partir de ossos, através de um procedimento dolorido, e assim por diante.

Green Hell

Vale lembrar que o título da Creepy Jar também dá grande enfoque à sanidade do protagonista (existe até mesmo um medidor de sanidade). Sendo assim, a presença de parasitas causa redução gradual em nosso nível de sanidade, por exemplo, o que acaba resultando em alucinações, muitas das quais são auditivas. Durante tais momentos, não é raro ouvirmos frases repetidas à exaustão, dizendo o quão fracos somos frente àquela imensidão verde, frente àquele verdadeiro inferno verde.

Podemos confeccionar armas e outros utensílios à partir de elementos básicos, como pedaços de madeira obtidos de árvores (além de pedras), e também podemos (ou melhor, somos obrigados) a fazer fogo do “jeito antigo”: friccionando gravetos e utilizando algum tipo de elemento seco que possa abrigar a brasa, a qual deve então ser transferida aos galhos (também secos, obviamente) para o início da fogueira.

Green Hell

Aliás, enquanto problemas, doenças e infestações reduzem nosso nível de sanidade, repousar por alguns minutos frente a uma fogueira ardente ajuda a recuperar alguns pontos neste quesito, o que é sempre bem vindo.

Podemos caçar e pescar, também, utilizando lanças rudimentares criadas à partir de elementos coletados em meio à selva (crafting é uma necessidade, sempre), além de arcos. Porém, o consumo de carne crua é perigoso, pois pode trazer consigo a presença indesejável de parasitas, os quais também afetarão nosso nível de sanidade, sem falar em quedas constantes em nossa barra de saúde.

Green Hell

O mesmo pode ser dito a respeito da água, a qual é abundante em meio à floresta. Entretanto, consumi-la do jeito em que ela se encontra, sem ferve-la, é um risco e tanto, pois podemos estar ingerindo parasitas invisíveis os quais resultarão nos problemas já acima descritos.

Bem rapidamente você conseguirá criar um machado básico e uma lança, a qual pode então ser lançada contra pequenos animais para que possamos coletar, após sua morte, sua pele, sua carne e seus ossos. Mas cuidado: jamais ingira a carne crua, pelos mesmos motivos já expostos acima. Além disso, é importante ressaltar que itens orgânicos armazenados em nossa mochila possuem variados tempos de validade, ou seja, com bastante frequência você poderá se deparar com carne apodrecida e totalmente imprópria para consumo (jogue-a fora, nestes casos).

Green Hell

Cocos são ótimas fontes de gordura e carboidratos (polpa), enquanto sua água pode ser bebida para a hidratação do personagem. Suas cascas, além disso, também podem ser posicionadas corretamente durante as várias chuvas torrenciais que caem na floresta amazônica do jogo, armazenando água valiosíssima e limpa que pode então ser bebida pelo personagem principal.

Tudo isto (níveis de sede, gorduras, carboidratos, etc) pode ser consultado em um prático smartwatch que o protagonista possui, o qual foi o único elemento restante após os problemas que o separaram de sua companheira (acordamos com seu pedido de ajuda via rádio). Tal relógio, além disso, também exibe a data e a hora, além de contar com uma extremamente útil bússola.

Mas não se engane: você constantemente se perderá. Você morrerá com bastante frequência, e quando isto acontece, um rápido relatório é exibido, contendo o número de dias que você sobreviveu e também a distância percorrida em meio à selva.

Green Hell

A floresta amazônica em Green Hell é realmente um inferno. Chuvas torrenciais caem com bastante frequência, e se você não construir um abrigo, por mais rudimentar que seja, será (obviamente) incapaz até mesmo de manter uma fogueira acesa, a qual, como já dissemos acima, garante um certo incremento gradual no nível de sanidade do protagonista. O jogo também conta com ciclo de dia e noite, e justamente à noite você será ainda mais atormentado por fantasmas diversos.

Galhos e árvores se transformam em monstros aterradores que parecem avançar contra nosso personagem. Sob chuva, então, a experiência é ainda mais assustadora, e o barulho constante de animais (cobras são uma constante, lembre-se), insetos e galhos se quebrando faz com que olhemos assustados para todos os lados, constantemente, em busca do próximo perigo, do próximo portador de nossa morte.

É um verdadeiro alívio quando os primeiros raios de sol aparecem entre as árvores, banhando riachos e córregos com sua pálida luz amarelada e nos fazendo perceber que temos mais um dia pela frente, cheio de problemas, repleto de dificuldades. Um dia, verdade seja dita, cujo final não sabemos se iremos presenciar.

Green Hell

Green Hell conta com gráficos lindíssimos. A floresta é realmente crível, e temos iluminação, reflexos, sombras e texturas de primeiríssima qualidade. Tudo isto, ao mesmo tempo que nos deixa embevecidos, também serve para aumentar ainda mais o nível de imersão, e aí você já sabe: teremos mais horrores para enfrentar, mais medos para domar.

O isolamento, além disso, pode afetar negativamente o protagonista, e de vez em quando nos perguntamos se aquilo que vemos em nossa frente é realmente uma onça ou fruto de nossa imaginação (de qualquer forma, não espere para ter certeza).

Isto sem falar em membros da tribo dos Yabahuacas que perambulam ao nosso redor e que nos atacam tão logo nos aproximemos. De vez em quando estamos andando (muitas vezes à esmo) e nos deparamos com seus cânticos. Podemos perceber a direção de onde os tais cânticos vem, claramente (fones de ouvido são altamente recomendáveis), mas se nos aproximarmos, eles atacarão com flechas e nos perseguirão implacavelmente (a menos que você tenha meios de se defender, se afaste deles).

Green Hell

Sobreviver é o principal, em Green Hell. Aprendendo a duras penas em meio à selva inclemente, somos colocados em contato com um mundo cruel e que nada perdoa. Obter comida e água apropriadas para consumo pode não ser tão simples como parece a princípio, e a criação de uma simples fogueira pode representar um processo bastante complicado, principalmente devido à necessidade de obtenção dos materiais necessários, principalmente daqueles necessários à obtenção da primeira brasa.

É importante também controlarmos nosso tempo de sono, pois quanto mais sonolentos mais fracos ficamos. Podemos dormir em qualquer lugar, até mesmo no chão, mas dê preferência a abrigos ou a redes encontrados em velhos e abandonados acampamentos indígenas. Dormir, além disso, também recupera nossa sanidade, portanto, fique atento.

Green Hell

Green Hell foi lançado através do programa Early Access do Steam no dia 29 de Agosto de 2018. O jogo é bastante promissor, além de contar com mecânicas interessantíssimas e gráficos lindíssimos. Mas mais uma vez fica o aviso: você poderá morrer. Muitas e muitas vezes, dependendo da velocidade com a qual aprende os princípios básicos do jogo, da velocidade com a qual consegue construir os elementos básicos para sua sobrevivência, e principalmente dependendo de sua vontade de seguir adiante.

O jogo custa R$ 38,00 no Steam, e conta com legendas e interface em português do Brasil.

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