(A Fila Anda) Amnesia: The Dark Descent

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Cuidado com o que deseja, você pode conseguir! Nunca fui grande fã de jogos survival horror, mas sei que eles têm um público cativo. Acabei passando batido por muitos títulos do gênero e, fã de FPS como sou, acabei esbarrando alguns anos atrás com F.E.AR. Foi uma experiência interessante e, a despeito de todo poder de fogo, em certos momentos o armamento não faria a menor diferença, a batalha tornava-se psicológica. Em Amnesia: The Dark Descent, o buraco é mais embaixo: nada de armas! Quando pensar de novo na sigla (FPS), troque o S de Shooter por S de Survival (Horror), adicione aqui um pouco de quebra cabeças de um adventure, apague a luz, coloque os headphones e mergulhe neste pesadelo!

Ficha Técnica

Título: Amnesia: The Dark Descent

Gênero: Survival horror em primeira pessoa

Desenvolvedora: Frictional Games

Publisher: Frictional Games

Data de lançamento: 08/09/2010

Plataformas: PC

Versão jogada: PC

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Apesar do jogo não ser tão famoso, sempre quando ouvia alguma opinião a respeito dele, era positiva. Acabei pegando num Humble Bundle e, depois de mais recomendações, comecei a jogá-lo: à noite, sozinho, com headphones e luzes apagadas. Quis encarar a proposta do jogo, ter uma boa imersão. Mal sabia eu, que seria um caminho sem volta!

Você começa num castelo, o clima lembra muito os contos de Edgar Allan Poe (mas talvez esteja mais para H.P. Lovecraft). A medida que vai encontrando cartas, trechos de diários e outros documentos (lembrando muito os antigos jogos da franquia Resident Evil), você começa a juntar as peças do quebra cabeça. Sim, como o nome do jogo sugere, o personagem que você controla sofre de perda de memória. Isso dá mais uma pitada de mistério.

No que se refere a movimentação, a jogabilidade é a padrão dos FPS. Sistema de combate? Sinto muito, não há! Quando se deparar com inimigos, fuja ou tente se esconder. Mas não se preocupe: o jogo não impõe penalidades quando você morre, o que é justo, pois com certeza seus nervos já estarão em frangalhos! 🙂 Você conta com um inventário bem característico de jogos adventure, onde é possível combinar itens para resolver puzzles. Estes, irão lhe acompanhar durante todo o jogo, e achei alguns deles bem difíceis (ao ponto de ter que pegar dicas, às vezes, admito).

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Mas como ficar pensando em resolução de puzzles, enquanto anda no escuro, ouve vozes e tem “visões”? E não fique observando os inimigos durante muito tempo, pois isto irá drenar a sua sanidade! Sim, além de danos físicos, seu personagem pode perder a sanidade aos poucos, causando alucinações como ver insetos (que parecem estar andando na tela do seu monitor), tela distorcida e chegando até mesmo a desmaiar! Tudo feito especialmente para lhe deixar psicologicamente abalado! 🙂 E não pense que são apenas aqueles sustos do tipo “jump scare“. Mesmo que você saiba do perigo, isso não será o suficiente para deixá-lo calmo.

Os gráficos são muito bons e cumprem bem seu papel. Há uma minúcia que gostaria de destacar: quando está com sua lanterna desligada (principalmente quando o óleo dela acaba, algo bem frequente), é uma baita escuridão. Isso dificulta muito a exploração mas, se você chegar perto de uma parede ou objeto notará que, depois de uns 2 segundos, a imagem ficará menos escura, lhe permitindo ver melhor somente aquele ponto à sua frente. Ou seja: o jogo lhe dá uma chance, mesmo que suas provisões tenham acabado. Mas a sensação de urgência continua, pois ficar no breu também resulta em perda de sanidade.

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Uma vez vi alguém comentando que Super Metroid era muito tenso e difícil. Porém, ao deixá-lo sem som, a dificuldade caía bruscamente! Algo que pude comprovar. A importância da trilha e efeitos sonoros em Amnesia não é menor. Da primeira vez que vemos um inimigo, nos assustamos com sua fisionomia. Mas em novos encontros, acabei percebendo que o que (sempre) me deixa extremamente tenso e assustado são os sons agudos que são emitidos quando estamos perto dele. São de arrepiar, literalmente.

Outra característica que faz de Amnesia um título de destaque, é toda a temática envolvida. A arte do jogo é bem original, temos também muitos elementos históricos, como instrumentos de tortura da antiguidade, a exemplo do perturbador Brazen Bull.

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Se recomendo o jogo? Depende. Se você gosta de ou está disposto a encarar um jogo bem tenso e perturbador, sim. Caso contrário, acho melhor passar bem longe. Alguns pontos negativos que talvez tenha visto, se referem aos puzzles. Acho que todos tem uma boa lógica, mas talvez o level design pudesse ser um pouquinho melhor em alguns momentos. No mais, gostei muito de Amnesia: The Dark Descent e talvez, algum dia, jogue sua continuação (mas não sei se meu coração aguenta!).

Residente (e natural) da Cidade de Osasco há 29 anos. Já passou por blogs como Super Mundo Robô e Projeto Jogatina. Colaborador dos sites Positrôniko e Cosmic Effect. Para que suas ideias e pensamentos não sejam perdidos, gosta de manter registro escrito deles, de forma privada ou pública. Apesar de gostar de games, cada vez mais joga menos. Sua fila no Xbox 360, PC (e SNES!) é bem grande. Pretende reduzir seu tamanho em doses homeopáticas de jogatina e ainda espera ver Half-Life 3 lançado.

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1 Comment

  1. Faltou coragem!

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  1. (A Fila Anda) Qbeh-1: The Atlas Cube - […] pessoal! Depois do bem humorado Quantum Conundrum e o arrepiante Amnesia: The Dark Descent, me aventurei em um puzzle…

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