Finalizei Rise of the Tomb Raider ontem à noite, bastante emocionado (bacana quando um jogo nos deixa assim, não é?). O título da Crystal Dynamics, lançado em 10 de Novembro de 2015, é uma enorme carta de amor à todos os fãs de Lara Croft. Trata-se de uma aventura verdadeiramente imperdível. Mais: ele é melhor e maior que o reboot de 2013, a respeito do qual também já escrevi aqui no XboxPlus. Eu estava devendo, aliás, a publicação desta análise de Rise of the Tomb Raider.

E já estou com Shadow of the Tomb Raider “engatilhado”, pronto para ser degustado (e analisado), me perguntando sem parar o que está por vir, tendo como base tudo de bom que tive o prazer de experimentar em Rise e também minha enorme ansiedade, além da boa recepção do mesmo pelo público.

Rise of the Tomb Raider

Em Rise of the Tomb Raider, somos apresentados a uma Lara Croft mais experiente que no Tomb Raider de 2013. A uma heroína mais forte, mais complexa, mais profunda, e capaz de realizar feitos ainda maiores do que aqueles já realizados no reboot. Ela é, em todos os sentidos, um personagem muito melhor e maior do que aquele que vimos há 5 anos. E que delícia é observá-la conversando, caminhando, correndo, lutando, divagando, matando.

Rise of the Tomb Raider

Grande parte da ação acontece na Sibéria (saímos, portanto, da ilha de Yamatai do jogo de 2013), em meio a belíssimos cenários gelados, em meio a tumbas, cavernas, lagos, perigosas florestas, velhas construções e instalações soviéticas, além de antigos templos. Lara meio que deseja continuar o trabalho de seu pai, e está em busca de uma cidade perdida chamada Kitej, a qual conteria um artefato que concederia o dom da imortalidade a quem para ele olhasse.

Tal artefato, aliás, tem a ver também com um profeta bizantino imortal, o qual devido a seus ensinamentos e ao tal artefato, considerado uma espécie de fonte de heresia (a Fonte Divina), foi perseguido pela Igreja Católica e também por uma organização ancestral chamada Trindade. Foi tal profeta, também, quem fundou a Cidade Perdida de Kitej, a qual jaz sobre o gelo da Sibéria, sendo então objeto de busca da senhorita Croft.

Rise of the Tomb Raider

A Fonte Divina na verdade é o verdadeiro desejo de Lara Croft, algo já perseguido por seu pai, anteriormente, sem sucesso. É fantástico observar a personalidade da protagonista em meio a sentimentos mistos de culpa, raiva e medo, principalmente nos momentos em que ela manifesta pesar por não ter acreditado em seu pai. Lara sofre, de maneira similar ao título que deu início a esta série maravilhosa de reboots. Ela sente medo, frio, cansaço. Pode morrer, também, de maneiras horríveis e verdadeiramente cruéis, mas também é capaz de matar impiedosamente e sem remorso quando necessário: temos aqui até uma certa distância da Lara Croft hesitante e mais amedrontada de 2013.

A organização conhecida como Trindade também está em busca da Fonte Divina, porém seus objetivos podem colocar em risco a segurança do mundo todo, além de de contarem com uma grande dose de egoísmo por parte de um de seus membros. Tal organização, além disso, tem como um de seus tenentes um soldado experiente conhecido como Konstantin, o qual em mais de um momento ameaça a vida da personagem principal sem pestanejar.

Rise of the Tomb Raider

O jogo como um todo está maior e melhor que seu antecessor. Os puzzles, dos quais sentimos tanta falta no título anterior, aqui estão presentes em grande forma. Temos que pensar em como solucioná-los adequadamente de maneira tal a fazer com que a protagonista avance, a fazer com que ela alcance pontos inacessíveis do cenário. Os puzzles em Rise of the Tomb Raider são geralmente bem complexos e divertidos, capazes de colocar o jogador para queimar neurônios com muito gosto.

O mapa do jogo também está maior. Mais amplo, com muito mais espaço para exploração, e temos até mesmo a sensação de estarmos em um jogo de mundo aberto. Existem muitas coisas para fazer, incluindo tumbas, artefatos para coletar, animais para caçar, missões secundárias (sim, agora elas estão presentes, e sempre em grande estilo), e tradução. Lara deve adquirir proficiência em três idiomas: grego, mongol e russo. Tudo isto a fim de que seja capaz de decifrar inscrições espalhadas pelos quatro cantos do mundo do jogo, as quais revelam um pouco mais do enredo e dos personagens envolvidos.

E ainda sobre o mapa, vale ressaltar que ele deixa o jogador à vontade para explorar e retornar a pontos já visitados, a fim de buscar itens coletáveis, relíquias, mapas, objetos os mais diversos e tumbas, sem falar em NPCs com os quais podemos conversar a fim de iniciar missões secundárias.

Rise of the Tomb Raider

A jogabilidade continua fluida, e agora temos mais armas, mais opções no tocante a modos secundários de tiro, mais tipos de munições, e também a possibilidade de utilizarmos objetos espalhados pelos ambientes para criarmos coquetéis molotov e granadas de estilhaços (desde que tenhamos em mãos os ingredientes necessários, obviamente).

Também somos capazes de utilizar itens espalhados pelo cenário como distração, e podemos nos esconder em meio a folhagens diversas, o que acaba resultando em ótimas oportunidades para ação furtiva. Agir furtivamente, aliás, pode ser extremamente benéfico em vários momentos, principalmente quando estamos cercados por um grande número de inimigos fortemente armados e protegidos.

Rise of the Tomb Raider

O arco de Lara continua sendo uma de suas principais armas, capaz de acomodar diferentes tipos de flechas, incluindo flechas explosivas, flechas venenosas e também flechas capazes de se prenderem a diversos elementos e superfícies e funcionarem de diversas maneiras.

Podemos com elas puxar objetos e abrir caminho, podemos interligar dois pontos para que possamos atravessá-los pendurados na corda, e podemos também interligar objetos de maneira tal a que um interaja com o outro, principalmente no momento da resolução de alguns puzzles.

Rise of the Tomb Raider

Rise of the Tomb Raider também conta com os já conhecidos acampamentos, os quais, além de servirem para que o jogo seja salvo (valendo também a pena lembrar que os checkpoints são bastante próximos um do outro), servem para que apliquemos os pontos de habilidade ganhos durante o gameplay, para que criemos tipos diferentes de munição, e também para que sejam realizadas modificações nas armas e nos equipamentos. Existem diversos itens que podem ser coletados durante o jogo, e muitos deles servem para tais modificações e upgrades, vale ressaltar. Vale também a pena lembrar que temos 3 seções distintas na árvore de habilidades: “combatente”, “caçadora” e “sobrevivente”.

O crafting aqui é bem mais aprimorado que no título anterior. Temos mais opções, mais ingredientes à disposição (todos devem ser coletados), temos mais níveis, e também somos capazes de criar mais elementos, tudo isto de maneira extremamente simples e prática, sem entrave algum no que diz respeito à jogabilidade.

Utilizar todo este equipamento posteriormente é também bastante simples e fluido: em pouco tempo todas as diferentes mecânicas são dominadas, e o jogador utilizará itens distintos com enorme naturalidade. Não é difícil, aliás, enxergarmos alguns elementos de RPG no game, os quais são muitíssimo bem vindos, é claro.

Rise of the Tomb Raider

A história, além disso, é ainda mais profunda, contando com uma série de reviravoltas e algumas traições, as quais chegam a calar fundo no coração da pobre heroína. Seu passado é revivido em diversos momentos, principalmente no que diz respeito a seu pai, e um destes momentos em especial é especialmente tocante e chocante, ao mesmo tempo. Parece que a Crystal Dynamics resolveu não mexer muito na fórmula desenvolvida em 2013, mas tão apenas acrescentar novos ingredientes, e com enorme maestria.

Rise of the Tomb Raider

O resultado é um jogo delicioso de ser jogado. Uma aventura verdadeiramente épica, capaz de emocionar muito marmanjo por aí (eu incluso). ROTTR deve obrigatoriamente ser experimentado por todos aqueles que adoraram a experiência do primeiro reboot, principalmente agora que temos em mãos uma trilogia completa. Seu final, aliás, deixa um belíssimo gancho (além de mais um drama para a “pobre” protagonista) para uma continuação, continuação esta, é claro, que todos já sabem que é Shadow of the Tomb Raider, o qual foi anunciado poucos meses atrás, em Março.

Em Rise of the Tomb Raider não falta ação. Não falta exploração. Não faltam momentos para fazer com que o jogador perca o fôlego, tamanho é o impacto causado por tudo o que experimenta. Não faltam, também, momentos de ação quase que cinematográfica, com Lara correndo em meio a tiros, desabamentos, saltando de uma plataforma a outra enquanto tudo desaba ao seu redor. Tais momentos são verdadeiramente grandiloquentes, e fazem com que o jogador, apesar de ter o controle em suas mãos, se transforme também em uma espécie de espectador ativo, enquanto vê e ouve toda aquela maravilha audiovisual.

Rise of the Tomb Raider

Eu diria até que trata-se de “cutscenes jogáveis”, belíssimas, embaladas por uma trilha sonora majestosa, durante as quais temos até mesmo a impressão de estarmos assistindo a algum grande blockbuster de ação e aventura. Lara corre, salta, se arrasta, grita, cai de alturas inimagináveis para se agarrar em beiradas perigosas, afunda em lagos repletos de resquícios de povos antigos, nada rapidamente para chegar à superfície antes de perder completamente o fôlego. Lara, aqui, é humana acima de tudo, mais ainda do que no reboot de 2013 e bem diferente daqueles Tomb Raiders mais tradicionais e antigos.

Rise of the Tomb Raider

Ela é um personagem profundo, em ROTTR, muito mais do que no título de 2013. Ela demonstra, em vários momentos, enorme espanto, dependendo da situação, bem como demonstra enorme determinação e força. Lara, aqui, reforça mais do que nunca que os fãs da “velha” franquia, que começou lá em meados da década de 90, não estão órfãos.

Após alguns altos e baixos, a Crystal Dynamics conseguiu colocar tudo nos eixos e colocar em nossas mãos personagens e situações muito mais críveis e incríveis, muito mais de acordo com a moderna geração de jogos eletrônicos. Semelhanças com Uncharted também não podem ser descartadas, e se a desenvolvedora bebeu desta fonte, ninguém pode culpá-la, afinal de contas, acima de tudo, o resultado que temos em mãos é soberbo.

Os cenários congelados são arrepiantes, e os gráficos do jogo são realmente lindíssimos, principalmente se você, como eu, jogar no PC e colocar todos os ajustes e filtros no máximo. O HBAO+, aliás, é capaz de melhorar a definição absurdamente, apresentando melhorias impactantes na exibição de sombras, vegetação, superfícies rochosas e partículas. Detalhes, aliás, como os pés de Lara afundando no gelo alto e deixando para trás aqueles já conhecidos rastros são lindos demais, além de fornecerem ainda mais credibilidade ao espetáculo audiovisual como um todo.

Rise of the Tomb Raider

A animação facial também está fantástica. Conseguimos perceber claramente quando Lara Croft está decepcionada, feliz, emocionada, triste, apavorada, etc. Suas expressões são espetaculares, suas sobrancelhas, bochechas e lábios se movem harmoniosamente, conforme ela fala ou escuta outros personagens, sem falar que o sincronismo labial é verdadeiramente perfeito. Quando exposta ao frio intenso da Sibéria em ambientes mais abertos, aliás, os lábios da heroína tremem de frio, e o jogador pode até mesmo observar a névoa que sai de sua boca quando ela a abre. É simplesmente fantástico, e olhe que estamos falando a respeito de um jogo de 2015!

Quando Lara sai da água, também podemos perceber seus cabelos molhados e a água pingando dos mesmo e de suas roupas, também molhadas (tudo isto leva um certo tempo para secar, obviamente – tempo este durante o qual observamos o espetáculo). Lara também treme de frio, encolhendo os braços, em uma clara demonstração de reação ao ambiente hostil que a cerca, e flocos de neve ficam presos em seu cabelo e em sua roupa, desaparecendo então aos poucos, conforme ela se movimenta e/ou se aquece.

Na verdade, o enredo todo de Rise of the Tomb Raider gira em torno da busca de Lara por Kitej, a Cidade Perdida do profeta, e pelo artefato conhecido como Fonte Divina. Ela, obviamente, tem seus próprios motivos para estar em busca de tal artefato, motivos estes muitíssimo nobres, ao contrário do que acontece com o pessoal da Trindade.

A personagem principal não é motivada por nada egoístico, e não visa o mal como seus opositores, os quais chegaram ao cúmulo de oprimir (e matar) vários membros de um antigo povo que vive ali bem próximo às ruínas, protegendo tudo com unhas e dentes. Os soviéticos também passaram por ali, e não são raros os momentos em que nos deparamos com gravações, instalações e equipamentos dos mesmos, os quais foram deixados para trás.

Rise of the Tomb Raider

A presença da Trindade, entretanto, é o que mais preocupa Lara e o povo do vale, os quais fazem então de tudo para correr contra o tempo e impedir que a nefasta organização coloque suas mãos na Fonte Divina.

A aventura de Lara Croft em Rise of the Tomb Raider é majestosa. A protagonista atua de maneira soberba. Os puzzles são espetaculares e sempre inseridos no contexto da situação em questão. O enredo é profundo e rico, e os personagens são muitíssimo bem construídos. Ao jogarmos, temos a sensação de estarmos participando de uma espécie de filme interativo, e o resultado disto tudo é um só: embevecimento.

Rise of the Tomb Raider

Eu poderia até deixar passar batido, mas existem, sim, alguns pequenos probleminhas no jogo. Existe, por exemplo, um sistema de cobertura, mas este é bastante falho. Lara se agacha automaticamente ao se aproximar de algum ponto propício, mas não são raros os momentos em que o movimento falha e ela leva tiros à toa. Também existe um botão específico para que a protagonista troque de pontos de cobertura rapidamente, mas em vários momentos a ação falha e ela é deixada em campo aberto, em meio a saraivadas de balas.

Há também um problema em relação ao sistema de colisão no título. Foram raros os momentos em que me deparei com ele, mas cheguei a ver personagens com metade do corpo dentro de paredes ou no chão. E, infelizmente, em alguns momentos, existe falta de sincronia entre o que é dito e entre as legendas. Mas, obviamente, tudo isto não representa muita coisa quando observamos a majestosa obra como um todo. Você acaba se esquecendo destes probleminhas, pode acreditar.

E, finalizando, fica aqui uma sugestão: se você ainda não jogou, faça este favor a si mesmo e jogue Rise of the Tomb Raider o quanto antes, mas sempre começando pelo reboot de 2013. Trata-se de jogos realmente imperdíveis, principalmente para fãs de longa data da heroína. E que venha Shadow of the Tomb Raider (aguarde pela análise aqui no XboxPlus)!

Ficha técnica

Título: Rise of the Tomb Raider

Gênero: aventura, ação

Desenvolvedora: Crystal Dynamics

Publisher: Square Enix

Data de lançamento: 10 de Novembro de 2015

Plataformas: PC, PlayStation 4, Xbox One

Versão analisada: PC

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