COD Ghosts

As circunstâncias do momento finalmente forçaram a Activision a um ponto que eu achei que ela jamais chegaria. Como sempre acontece há quase meia década, tivemos um novo Call of Duty lançado em novembro. Ghosts, porém, enfrentou problemas que seus antecessores anuais ainda não haviam topado: vendas instáveis e críticas. Eric Hirshberg, CEO da Activision, foi obrigado a sair em defesa da sua galinha de ovos de ouro.

“Nós fomos transparentes durante o ano ao pensar que, por causa dos desafios da transição de consoles, [as vendas instáveis e críticas] seriam prováveis em curto prazo”, disse Hirshberg culpando as turbulências provocadas pela transição entre a sétima e a oitava geração de consoles. “Eu acho que seria um erro confundir os desafios do ano de transição de consoles com quaisquer indicações sobre a saúde da franquia”.

O agregador Metacritic exibe médias preocupantes de 66/100 para PC e e 78/100 para Xbox One. A crítica parece (finalmente) polarizada ao indicar um cansaço na franquia, que repete a mesma fórmula, visuais, mecânicas e modelos há anos – e ainda assim consegue repetir o estouro de vendas ano após ano, graças ao ciclo de revezamento da produção dos jogos entre Treyarch e Infinity Ward.

Será que o chefão da Activision vê algum problema nesse padrão de lançamento de novos Call of Duty? “Óbvio que não”, diz ele. “Eu não concordo com a crítica. Eu sei que a franquia Call of Duty é polarizada por alguns críticos, e está claro pra mim que nem toda a imprensa gosta da nossa estratégia de fazer um jogo por ano, mas felizmente nossos fãs gostam”, diz Hirshberg.

“Também está claro pra mim que a avaliação da crítica não reflete a apreciação dos fãs pelo jogo”, completa ele fazendo referência ao fato de Call of Duty: Ghosts ser o jogo com mais reservas em 2013 e já ter alcançado o topo da lista dos títulos mais jogados na Xbox Live. “Nós estamos confiantes que estamos indo bem pelo critério que mais importa [a apreciação dos fãs]. Nós lemos os comentários da crítica e levamos tudo isso em consideração durante o processo de criação, mas nós não podemos nos avaliar com base em apenas esse critério”.

Para alguém que viu uma de suas franquias favoritas sendo lentamente destruída por pura ganância, é uma notícia boa ver que o sinal vermelho finalmente andou piscando nos escritórios da Activision. Outra ótima notícia é saber que estou longe de ser o único a reprovar o péssimo rumo que a franquia tomou nos últimos anos: no PC, berço da série, o novo Call of Duty: Ghosts parece enfrentar dura resistência dos jogadores.

Um levantamento feito no Steam pelo site PCGamesN indicou que, no dia do lançamento de Ghosts, o modo singleplayer obteve um pico de 14 mil jogadores simultâneos, enquanto o multiplayer atingiu 35 mil. Nada mal. Entretanto, a situação fica feia quando tais números são comparados com aqueles obtidos pelos antecessores, Black Ops I, II e Modern Warfare 3. O último COD da Treyarch teve um pico de 18 mil jogadores no seu modo campanha, enquanto o multiplayer quebrou a barreira dos 50 mil. Ainda dá pra incluir mais 7 mil jogadores se o modo zumbi for considerado.

Já Modern Warfare 3, de 2011, obteve picos impressionantes de 35 mil jogadores no modo campanha e de 80 mil em seu multiplayer. Voltando mais ainda, o primeiro Black Ops, de 2010, bateu na casa dos 100 mil jogadores simultâneos.

A conclusão está se tornando cada vez mais óbvia: ninguém mais aguenta jogar a mesma porcaria todo o ano. Enquanto cada novo título da série for um “maior lançamento de todos os tempos”, não haverá qualquer incentivo para a Activision mudar suas políticas. Ainda bem que isso parece estar próximo de mudar.

COD Ghosts

Via VG24/7.

Artur Carsten

Catarinense, amante da música eletrônica, estudante de medicina e jogador nas inexistentes horas vagas. Ocasionalmente, escreve artigos e coloca em dia a pilha interminável de jogos comprados em promoção no Steam. Já passou pelo Campo Minado, Continue, Guia do PC, Gemind e Oxygen e-Sports.

Twitter  

Poderá gostar também

Pin It on Pinterest