O governo norte-americano talvez coloque 50 agentes do FBI para combater a pirataria de softwares, incluindo games. O pedido foi feito ao governo dos Estados Unidos por um tipo de associação que pretende combater este mal que, infelizmente, possui muito mais mentes envolvidas em suas “frentes de trabalho” do que os próprios desenvolvedores.

A ação, caso levada a cabo, terá como objetivo combater a distribuição online de softwares e games, e a iniciativa conta com o apoio do vice presidente Joe Biden. O grupo também tentará convencer o governo dos EUA a direcionar seus esforços contra sites que distribuem conteúdo de forma ilegal.

Segundo Michael D. Gallagher, presidente e CEO da Entertainment Software Association (ESA),”O roubo da propriedade intelectual frustra a criatividade, mata empregos, e reduz a atividade econômica em todo o nosso (deles) país“. Não só lá, mas aqui, e em qualquer outro lugar do mundo, a pirataria é danosa.

Nada justifica

É notório o fato de que temos em circulação muito mais cópias piratas de games e softwares do que cópias originais. A ocorrência deste fato, em países como os Estados Unidos, por exemplo, é ainda mais estranha e inaceitável, pois lá fora não existem os diversos “problemas” que existem aqui no Brasil, os quais resultam em games sendo vendidos a preços absurdos e afrontantes.

É claro que mesmo este fator não justifica a pirataria, e é notório que grande parcela dos usuários pretende obter seu jogo ou aplicativo de forma ilegal, ao invés de comprá-lo, mesmo se uma fantástica oferta estiver disponível. Basta olharmos para o The Humble Indie Bundle, iniciativa através da qual qualquer pessoa podia comprar um pacote com 6 ótimos games e pagar o quanto quisesse.

1 dólar era aceito, e acredito que até menos do que isso. Mas mesmo assim, um quarto dos downloads do pacote foi pirateado, ou seja, isto significa que pessoas compraram o bundle e depois o jogaram em redes P2P, torrent, sites de armazanemento de arquivos, etc, para que outros pudessem baixar os games sem pagar nenhum tostão. Ou seja, é uma questão cultural, também.

Muitas pessoas não têm apreço pelo trabalho alheio, e não estou falando só de softwares e games não. Muita gente não dá a mínima se um pedreiro, por exemplo, perde horas e horas de seu dia, além de um grande esforço físico, para cimentar uma calçada, e vai lá e pisa com tudo sobre o cimento ainda fresco, mesmo existindo alternativas de passagem e mesmo existindo avisos escritos ou placas.

É aquela coisa do “vamos dar um jeitinho”, e não é só no Brasil que isto ocorre, não, apesar do Brasil, além do Canadá (pasmem) e do México (dentro de uma lista com 35 países) ter sido colocado na lista de prioridades para a possível ação do FBI. Infelizmente, voltando agora aos games e softwares, estes muitas vezes não são vistos como algo digno de valor, talvez (dentre outros fatores) por serem algo não muito “tangível”. Ou seja, é válido pagar-se R$ 2.000,00 por um Xbox 360, um produto no qual se pode tocar, mudar de lugar (e até estragar, isto se ele não der 3 RL’s antes), mas não é válido pagar-se valores bem menores do que o do console em um game ou software, simplesmente devido ao já batido argumento de que “é apenas um CD ou DVD”?

Games e softwares são arte e produto

O que os tais CD’s e/ou DVD’s contêm é, sim, um trabalho digno de respeito e repleto de valor. Desenvolvedores gastam muitas vezes anos em um projeto. Gastam centenas, milhares, milhões de dólares para criar um game ou software. Vivem de seu trabalho. Amam seu trabalho. E depois, são obrigados a conviverem com o fato de que, por mais proteção que incluam, pouco tempo depois do lançamento seu trabalho estará nos torrents da vida ou, aqui no Brasil, ali na barraquinha do camelô na Santa Ifigênia, sendo vendido por, digamos, 10 reais. Triste, não? E até em relação às grandes empresas possuo a mesma opinião: elas gastam, pagam funcionários, investem em tecnologia, etc. Então, é mais do que justo que seu trabalho seja valorizado e não pirateado.

Trabalho com softwares, e sei o quanto isto é pesado. Não somente financeiramente, mas emocionalmente. Ver o seu trabalho jogado na lama é triste, mesmo que você não esteja diretamente ligado ao deenvolvimento em si. Mas, além de repressão, tanto o governo norte-americano quanto o brasileiro, por exemplo, devem também ter em mente a conscientização, no sentido de fazer as pessoas enxergarem o que realmente é um software ou game, e o que define seu valor (financeiro e artístico). Repressão, somente, não ajuda em nada, só complica mais as coisas.

Acho extremamente válida esta iniciativa nos Estados Unidos, desde que ela seja acompanhada por campanhas de conscientização e informação com muito bom senso, e não “aquilo” que somos obrigados a assistir quando alugamos um filme ou compramos um DVD original. A pirataria é um mal enorme, isto é fato. Gamers perdem com ela, apesar de muitos acharem o contrário, pois de certa forma ela aumenta o custo dos produtos, pois os desenvolvedores tentam aumentar seus lucros de forma a tentar reduzir um pouco suas perdas, e além disso, ela também prejudica aqueles que compram games originais, pois as empresas muitas vezes incluem DRM’s assombrosos em seus títulos, como o da Ubisoft, por exemplo, prejudicando quem anda na linha. E tudo isto, como se sabe provoca inúmeras reações em cadeia, sempre negativas.

São muitos os fatores e pontos de vista, em relação a este assunto, e gostaria de saber a opinião de vocês, caríssimos leitores do XboxPlus.

Uma pequena nota, entretanto: já tive muitos problemas no passado quanto toquei em assuntos relacionado à utilização de cópias ilegais de games. Não escondo de ninguém que sou contrário à pirataria, e pessoas apareciam por aqui apenas para me ofender e/ou divulgar links pra downloads ilegais,dentre outras coisas.

Assim sendo, se alguma pessoa porventura ofender alguém ou fizer apologia à pirataria nos comentários deste post (como já fizeram comigo, em um post no qual tive de apagar comentários e, quando não aguentei mais, fechar os comentários), eu deletarei o comentário sem qualquer resposta. 🙂

(Via: gamesindustry.biz)

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