TerraTech (link para a página do jogo no Steam) é um jogo que teria tudo para me cativar. Construção. Blocos. Possibilidade de criar veículos terrestres e aéreos de diversos tipos, além de robôs. Talvez ele fosse (ou seja ainda, quem sabe), capaz de me proporcionar o mesmo nível de diversão que Space Engineers. Quem sabe isto aconteça em seu modo criativo, o qual não testei ainda. Neste texto comentarei, é importante destacar de antemão, a respeito de sua difícil campanha, uma campanha que pune o jogador implacavelmente desde o começo.

Mas vamos partir pelo princípio. TerraTech começou através de uma campanha muito bem sucedida no Kickstarter. O jogo foi então lançado no Steam, através do programa Early Access, no final de 2014, e aí permaneceu até o dia dez do presente mês. E o jogo finalmente foi lançado, completo, com uma legião de fãs ardorosos que lotaram o Steam Workshop com criações malucas, divertidas, impressionantes e funcionais.

Todas estas criações, aliás, são possíveis através do modo criativo do jogo, o qual eu ainda não testei. Testei por enquanto seu modo campanha, como disse acima, e confesso que fiquei bastante assustado com o que vi. Mais: fiquei bastante frustrado. Eu, que consegui criar algumas bases até que interessantes em Space Engineers, não tendo aí encontrado dificuldade alguma com controles, IA, interface, etc, fui incapaz de criar um veículo poderoso em TerraTech. Fui incapaz de enfrentar a maioria dos inimigos que me eram apresentados, fui incapaz de prosseguir além do tutorial.

TerraTech

Imagem retirada do presskit do jogo

Talvez a culpa seja minha, obviamente, um jogador “velho” que não possui lá as skills necessárias para encarar uma aventura de tal magnitude (na campanha, verdadeiros colossos são enviados contra você). Ou, talvez, a culpa seja da desenvolvedora Payload Studios, que desenvolveu um modo singleplayer desbalanceado e extremamente hostil aos recém chegados. Talvez, também, o foco do título seja o modo criativo, e daí vem o desbalanceamento e a falta de cuidado com o modo campanha.

Como o Carlos, no Retina Desgastada, não tive boas experiências com TerraTech, por enquanto. No jogo, temos um planeta enorme para explorar, planeta este repleto de recursos que podem ser minerados e então vendidos em estações de comércio espalhadas pelos quatro campos do mapa. Tudo isto rende dinheiro, é claro, dinheiro este que pode então ser utilizado na compra de novas peças e módulos para criarmos veículos cada vez maiores, armados e protegidos.

A premissa do jogo é bastante interessante, e creio mesmo que ela deve se desenvolver melhor no creative mode. Temos um bloco central, o qual funciona como uma espécie de cérebro do nosso veículo. Ele é o cerne de nossas criações, é quem comanda tudo, é o primeiro bloco que deve fazer parte de nossa criação. Este bloco, este cubo, deve ser protegido a qualquer custo, e temos de levar isto em consideração quando estamos construindo nossos veículos, pois uma vez que tal elemento é destruído por nossos inimigos, a brincadeira acaba.

TerraTech

Imagem retirada do presskit do jogo

Durante os combates, você poderá continuar atirando e se movimentando mesmo com uma roda só, mesmo que já tenha perdido vários blocos, mesmo que já tenha perdido seu radar e seu gerador solar. Mas destruído seu bloco principal, seu cubo central, é game over.

Os problemas, ou um deles, começam aí, então. Você terá duas opções: retornar à ação utilizando seu veículo previamente construído/utilizado ou então utilizando um veículo gratuito fornecido pelo próprio jogo. Acontece que para reaver aquele veículo no qual você passou bons minutos (ou horas) trabalhando, é necessário pagar uma certa quantia em dinheiro, a qual pode ir além daquilo que você tem em caixa no momento, dependendo do tamanho do veículo, da quantidade de blocos e módulos utilizados, etc. O que resta, então, é recomeçar utilizando o veículo gratuito fornecido pelo jogo, o qual é realmente bastante básico e conta apenas com uma metralhadora em sua parte frontal.

Qualquer inimigo destruído deixa peças que você pode coletar para então rearranjar seu próprio veículo. Isto é bastante interessante, pois você pode desmontá-lo bem rapidamente e adicionar novos blocos e módulos, incluindo armas, para deixá-lo ainda melhor. O grande problema na campanha é que você nunca está seguro. Sempre aparecem veículos maiores e muito melhor armados, poderosos mesmo, capazes de destruir seu pobre “carrinho” em questão de segundos.

TerraTech

Imagem retirada do presskit do jogo

A Payload Studios deveria, creio eu, ter criado uma campanha mais amigável, uma vez que ela é a porta de entrada para o game. Muita gente (eu incluso) aprecia dar uma olhadinha na campanha para ver como as coisas funcionam antes de encarar os quase sempre áridos (porém repletos de opções, como é o caso em TerraTech) modos criativos, os quais geralmente possuem curvas de aprendizado capazes de afugentar muitos jogadores.

Tive dificuldades até mesmo em resgatar um presente que caiu dos céus, uma espécie de supply box que continha novos blocos, armas e módulos. Fazia parte de tal missão derrotar os inimigos que a rodeavam, e eu posso dizer que o trabalho foi quase impossível, pois eles eram muito maiores que eu, muito mais bem armados, muito mais defensivos.

TerraTech

Outro de meus modestos veículos

Confesso que acabei conseguindo coletar os tais itens após derrotar alguns deles (morrendo algumas vezes, retornando com o veículo básico, indo para outros locais do mapa em busca de mais blocos e módulos para melhorias, etc). Mas tive uma certa ajudinha do próprio jogo, o qual fez com que alguns dos tais inimigos extremamente opressores sumissem do mapa.

TerraTech está repleto de boas ideias, e talvez tenhamos aqui um caso onde elas funcionem melhor no modo criativo. Talvez, também, ou quase com certeza, o modo criativo seja o foco da desenvolvedora.

TerraTech

Obs: acima o melhor veículo que consegui criar, antes de ser massacrado pela IA extremamente agressiva e impiedosa.

Sei que o editor do jogo (pela experiência que tive na campanha) é poderoso, embora um tanto quanto confuso e com uma interface não lá muito amigável. Na campanha, por exemplo, tudo custa dinheiro: cada simples bloco, por mais básico que seja, custa uma certa soma, e se você não tiver nada em caixa, deve então partir para a coleta e a venda de recursos nas trading stations. Já no creative mode não temos tais limitações: tudo está liberado, não temos de pagar por bloco ou módulo algum, e os limites são ditados penas pela habilidade e pela imaginação do construtor.

Mas a campanha do jogo é algo quase que impossível. Ela é capaz de afugentar qualquer jogador, por mais perseverante que este seja. Mesmo o tutorial, e isto é simplesmente terrível. Inimigos grandes e bem armados despejam sobre nossos pobres veículos rajadas de balas terríveis. Somos atingidos ao mesmo tempo por feixes de lasers que literalmente fritam nossas peças.

Eles também se lançam contra nós causando dano enorme com perfuratrizes localizadas em seus narizes. É algo verdadeiramente desbalanceado, cruel com os recém chegados, desanimador. Neste sentido, confesso que Trailmakers (cujo preview no XboxPlus pode ser conferido através deste link) é muito mais suave (incluindo a campanha), com uma curva de aprendizado mais tranquila e uma interface mais amigável.

Na campanha do título, é difícil avançar com um mesmo veículo por muito tempo, pois inimigos armados até os dentes sempre aparecem e te destroem. Assim, fica difícil adquirir novas peças e melhorar sua “arma sobre rodas”, pois você terá de recomeçar, quase sempre, do zero, derrotando inimigos menores (quando possível), resgatando seus blocos e remodelando seu “carrinho”, adquirindo peças novas em trading stations (quando dinheiro está disponível), e assim por diante. Trata-se de uma campanha de difícil progressão, verdadeiramente.

TerraTech

Meu pobre veículo em combate

Talvez, realmente, eu deva me focar no modo criativo. Talvez, ressaltando mais uma vez, o modo criativo seja o foco dos desenvolvedores e do próprio jogo em si. Me focar em tal modo é o que tentarei fazer, só não sei bem se conseguirei criar algo digno de nota por lá. Vamos ver. Existe também um modo multiplayer no game, o qual permite que jogadores lutem entre si colocando suas criações à prova. Deve realmente ser muito interessante, embora eu não creia que chegue um dia a me aventurar por ele.

De qualquer forma, dê uma olhada no Steam Workshop de TerraTech (link acima) e veja as criações por lá existentes. São milhares de itens, dos mais variados tipos e tamanhos, prova de que o jogo fez e faz enorme sucesso e possui uma comunidade envolvida que acreditou na ideia e vai fundo.

TerraTech está disponível para PC, Xbox One e PlayStation 4. Enquanto isso, fique com o trailer de lançamento do jogo:

 

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