Aliens: Colonial Marines, Gearbox, terceirizações e rumores

Infelizmente, não. Aliens: Colonial Marines não é aquilo que esperávamos. Pelo menos, não aquilo que eu esperava. Temos aqui mais um caso de um jogo que nos enganou com trailers espetaculares. A famosa e competente Gearbox, responsável por Borderlands, fica a partir de agora envolvida no desenvolvimento e no lançamento de mais um jogo ruim (como se Duke Nukem Forever não fosse o suficiente).

Aquele Aliens: Colonial Marines que os fãs da série Aliens (quem não se lembra de Aliens: o 8º Passageiro, ou Aliens: O Resgate?) esperavam, infelizmente, pode ser esquecido. Ele é um jogo ruim. Um jogo que ostenta médias bem ruins no Metacritic, além de análises e artigos extremamente desanimadores (Edge, Destructoid, Eurogamer, etc).

Obviamente, dizer que um jogo é ruim é algo muito vago. Um jogo eletrônico pode ter mecânicas ruins e um enredo espetacular (e vice-versa). Diversos elementos podem ser levados em consideração no momento de, por exemplo, dar notas a um título. No momento de classificá-lo como bom ou ruim.

Além disso, um game pode ser ótimo para mim e você pode dele desgostar completamente. Aliens: Colonial Marines, entretanto, parece um jogo deslocado. Algo fora de seu tempo. Tivesse ele sido lançado há alguns anos atrás (a Sega adquiriu os direitos da 20th Century Fox em 2006, e o jogo foi anunciado em 2008) e talvez algumas coisas fossem diferentes. Talvez alguns problemas passassem até mesmo despercebidos.

Rumores mencionando o fato de que a Gearbox desenvolveu apenas a parcela multiplayer do título já surgiram, falando nisso. Segundo tais rumores, a empresa de Randy Pitchford ficou apenas com o multiplayer, e a TimeGate Studios (Section 8, Section 8: Prejudice e alguns DLCs para F.E.A.R.) foi quem criou a maior parte do game. Ou seja, o desenvolvimento foi terceirizado.

Nerve Software e Demiurge Studios também fazem parte da lista de contratadas, e o comentário de um suposto ex-funcionário da Gearbox durante o ano passado faz tudo ficar mais complicado ainda. O suposto ex-funcionário fala em um “desastre total”, e afirma que a criadora da franquia Borderlands desenvolveu apenas o multiplayer do shooter. A TimeGate, segundo tal pessoa, foi quem desenvolveu a maior parte do jogo.

Aliens: Colonial Marines

Aliens Playmobil – ou boneca(o) inflável

A Sega nega a tal terceirização, e Matthew J. Powers, produtor na empresa, diz que estas outras empresas “simplesmente ajudaram a Gearbox com a produção“. Powers ainda diz que “Absolutamente não, o jogo foi desenvolvido pela Gearbox Software“, e não deixa de ser estranho nos depararmos com Randy Pitchford dizendo que 80% do jogo foi feito por sua empresa. Me pergunto, até, como podemos tentar entender a participação destas empresas todas no projeto, e qual o nível de envolvimento de todas elas.

Tudo fica mais esquisito ainda quando Randy Pitchford diz à IGN que a desenvolvedora responsável por Section 8 é responsável por cerca de 20 – 25% do jogo, e que a Nerve Software criou mapas para o multiplayer do “FPS com aliens que está se saindo mal”. “É um jogo grande, ambicioso“, ainda diz o chefão da Gearbox (o que também me assusta – mas não deveria).

É claro que no “mundo dos rumores” tudo pode ser verdade e tudo pode ser mentira. Mas onde há fumaça geralmente há fogo, e o próprio jogo é capaz de confirmar até mesmo ao jogador mais desatento senão todas, pelo menos uma boa parte dos rumores negativos a seu respeito. Os gráficos de Aliens: Colonial Marines lembram bastante os de F.E.A.R. 2, talvez como algo herdado de seus supostos segundos pais.

Existe uma diferença aqui, porém: F.E.A.R. 2 é um jogo bonito, interessante e empolgante até hoje, mesmo passados 4 anos de seu lançamento. Aliens: Colonial Marines nos faz perder o interesse logo no início. Ele é (ou deveria ser) algo recente, infelizmente, e muitos jogadores poderão com ele se decepcionar bastante e rapidamente ao perceberem que têm em mãos um produto que passou tempo demais na estufa.

Texturas horríveis, animação facial e sincronia labial mais horríveis ainda e, infelizmente, modelos que se parecem com bonecos playmobil “retirados de seu habitat” e distorcidos. Aliás, percebi semelhanças com F.E.A.R. assim que o “assistente in-game” me ensinou a utilizar a lanterna. É praticamente igual, e o efeito de iluminação resultante, bem como a escuridão que se enxerga à volta, nos lembram do jogo de Alma Wade.

Até mesmo o Motion Tracker, uma espécie de scanner, algo à princípio interessante e, por que não, que tem tudo a ver com o jogo, perde seu encanto quando nos deparamos com uma falha grotesca. Ocorre que o Motion Tracker permite a detecção de Xenos, dentre outros elementos. Ok, até aí tudo bem. Mas, ele praticamente só os exibe quando deles estamos muito próximos, e esta proximidade muitas vezes é letal.

A inteligência artificial dos aliens também não é lá essas coisas, e chega a ser hilário disparar contra eles e matá-los. Ao invés de medo e sustos, pelo menos até agora (cerca de uma hora e meia de jogo), tive motivos de sobra para risadas e raiva. Além de tristeza, é claro, pois minhas expectativas em relação a este jogo eram altíssimas.

Nestas horas sempre me lembro de quão mentirosos podem ser trailers e screenshots que têm por objetivo divulgar um jogo, antes de seu lançamento. Minha decepção com este novo Aliens foi ainda maior que minha decepção com Brink, tanto devido ao nome dos envolvidos quanto devido à franquia a respeito da qual estamos falando. Isto sem falar no hype, é claro.

Jogar Aliens: Colonial Marines é uma espécie de viagem no tempo. Mas é uma viagem enfadonha e diferente, porém. É como jogar um título do passado nos dias atuais sabendo de antemão que aquilo tudo poderia ser bem melhor. Ou, antes disso: é como jogar um título antigo que foi lançado muito tempo após sua finalização, após passar bastante tempo guardado. É como jogar algo velho com a nítida impressão de que aquilo tudo foi desenvolvido “nas coxas” e guardado em algum cofre escondido equipado com um timer programado para abri-lo após alguns anos.

Aliens Playmobil

Não duvido nem um pouco que a TimeGate Studios tenha desenvolvido grande parte deste título. Não considero os shooters desta empresa ruins. Entretanto, tenho sérias dúvidas quanto à sua capacidade de desenvolver um jogo deste porte. Caso estes rumores sejam verdadeiros, é até mesmo triste pensar em quais possíveis motivos levaram Sega e/ou Gearbox a considerarem tal terceirização, uma vez que esta última é muito bem conceituada, além de competente enquanto estúdio.

Ficamos assim com a dúvida: até que ponto foi o trabalho da TimeGate, e o que realmente a Gearbox fez em Aliens: Colonial Marines? Uma coisa eu tenho certeza, entretanto: este é um jogo ruim, e acabamos de presenciar o lançamento de mais um “pacote decepcionante”. Não. Neste caso, infelizmente, não tivemos análises massacrando um jogo sem motivos.

Pobre Gearbox (ou não?). Aliás, pensei a mesma coisa na época de DNF. E vamos que vamos. Mais decepções nos aguardam (pelo menos a mim).

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8 Comments

  1. Engraçado isso. Agora que o jogo se provou ser um dos maiores desastres da indústria de jogos recente, ninguém quer assumir a responsabilidade. É aquela hora clássica de “jogar m*rda no ventilador” e ficar culpando os outros.

    Coisa feia, Gearbox. A SEGA deveria definir exatamente quem fez o quê nessa aberração e punir os estúdios devidamente. Já já vão sentir no bolso as consequências do que fizeram.

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    • @Artur Carsten,

      Vai saber. Achei um negócio feio pra caramba. Definir quem fez o quê a Sega não vai. Duvido muito, Artur. E espero que todos os envolvidos sintam no bolso, mesmo. Pior que era um jogo muito esperado (por mim mesmo). Complicado. 🙁

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  2. pois é artur, old republic e brink feelings

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  3. é so comigo ou alguem tambem lembrou de tropas estelares????????

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  4. cara, eu joguei ele e prefiro o tropas, ele ta muito fácil, mesmo no hard é fácil, tenta encarar um exercito de inimigos no tropas no hard….

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