Estou jogando AMY. Dizendo melhor, estava sofrendo um pouco e agora decidi parar. Um dos jogos que pareciam mais promissores em 2012, criado por ninguém menos que Paul Cuisset, criador de Flashback, pode ser agora candidato à lista dos piores jogos de 2012. Não escondo de ninguém que eu estava muito empolgado com o game da VectorCell. Desenvolvedora e publisher exibiam, antes do lançamento, trailers, screenshots e informações que realmente nos faziam acreditar que o jogo seria algo fantástico.

Percebi que o que tinha em mãos era algo no mínimo “um pouco” ruim quando um funcionário do trem chega à cabine da protagonista, Lana, para solicitar seu ticket de embarque. AMY possui gráficos que simplesmente não condizem com o nível dos jogos atuais. A animação facial dos personagens beira o ridículo, e a pobre garotinha, então, muitas vezes assusta mais do que os zumbis do jogo.

Muita coisa não se encaixa logo de início, também. E não se trata de algo que irá melhorar. Lana já conta com seringas anti-infecção no início do jogo, sem que nada nos diga que ela está infectada (sabemos disso, mas não através do jogo, até aquele momento). O impacto do cometa pode ser visto através da janela da cabine de Lana, e esta já topa com um zumbi logo após o trem chegar com tudo em uma estação.

Concordo com muito do que Dan Whitehead, do site Eurogamer, disse em seu review de AMY. É realmente lamentável como a indústria de jogos eletrônicos pode causar grandes decepções, e nestes momentos perguntamos a nós mesmos: para que convidar jogadores a ajudarem a decidir o preço do game? Por que tentar induzir os jogadores ao erro, dizendo que AMY é um projeto muito ambicioso, como fez José Sanchis, CEO da publisher Lexis Numérique?

Bom, talvez AMY tenha sido realmente um projeto muito ambicioso. Mas algo de errado aconteceu, e qualquer coisa boa que talvez pudéssemos dizer sobre o título foi perdida em meio a um emaranhado de idéias estranhas, gráficos tenebrosos (nos dois sentidos), mecânica de jogo pobre e uma narrativa nada empolgante.

É claro que a indústria de jogos eletrônicos é enorme e conta não somente com desenvolvedoras e publishers. Sites de games também dela fazem parte, e muitas vezes, de forma intencional ou não, acabam induzindo o jogador ao erro, também. O site IGN, durante a E3 2011, disse o seguinte: “Amy é Ico com zumbis, e é totalmente brilhante“. No mesmo artigo, Michael Thomsen disse que os modelos em AMY eram “maravilhosamente detalhados“.

Não se sabe o que o pessoal do IGN viu durante a E3 2011, mas o pessoal do site certamente teve oportunidade de jogar um pouco do game. E, no entanto, a IGN deu nota 2.0 para AMY, em seu review. A lógica nos diz que o produto final deveria ser melhor do que uma versão beta, por exemplo. Qual o problema, então? Sabemos agora que o último trabalho de Paul Cuisset é um jogo sofrível. Teria sido a IGN, por exemplo, vítima do mesmo processo que levou grande parte de nós a imaginarmos que teríamos um ótimo game saindo das mãos de Paul Cuisset: a exibição somente daquilo que interessa, de cenas selecionadas com extremo cuidado?

Isto não é algo de todo ruim, é claro, desde que o produto final acompanhe o que foi anteriormente mostrado. Mas com AMY tivemos uma certa sucessão de lançamentos de trailers e screenshots que infelizmente nos levaram a errar. Bom, pelo menos eu errei ao acreditar que estava esperando por um bom jogo. E se você der uma olhada nas imagens do jogo que constam na Xbox Live (6), poderá até mesmo pensar, como eu, que elas sofreram algum tipo de tratamento. Lana, por exemplo, não é bonita daquele jeito, no jogo.

Ao invés de diversão, sentimos raiva, ao jogá-lo. A maneira como os zumbis morrem é totalmente esquisita. Eles se transformam em um líquido vermelho que desaparece rapidamente, algo que não condiz com aquilo que eu, pelo menos, esperava deste jogo. Rostos sem expressão alguma que mais se parecem com borrões transformam a protagonista e os NPCs em motivo de piada.

Isto tudo, aliás, me leva a pensar em algo em que sempre falo: que importância devemos dar a reviews? Jamais me baseei totalmente em reviews para me decidir pela compra ou não de um game, e justamente por este motivo creio que demos deveriam ser algo obrigatório. Recomendo você a pensar e a agir da mesma forma, aliás. Creio que não existe ninguém melhor que o próprio jogador para avaliar se irá gostar de um jogo ou não.

Para mim, reviews representam a opinião de um jogador e/ou de um jornalista. Nada mais. A opinião destas pessoas tanto pode se afinar com a minha quanto pode ser totalmente divergente. Trato meus próprios reviews desta mesma forma, e somente resolvi adicionar notas a eles a pedido de uma das publishers que apoiam o trabalho do XboxPlus. Gostar ou não de um jogo eletrônico é algo muito variável. Gostos são variáveis. Eu posso adorar determinado título enquanto diversos reviews o “malham”. O inverso também pode ocorrer, e isto é totalmente natural.

Unanimidade é algo bem difícil, principalmente quando se trata de jogos eletrônicos, e podemos consultar diversos reviews, de diversos games, publicados nos mais diversos sites, com notas e opiniões diferentes. É por isso que nunca me baseei apenas em reviews no momento de comprar um jogo ou não. A opinião de um amigo, aliás, conta muito mais, para mim.

Quando escrevo meus reviews, procuro passar detalhes, situações e elementos que me chamaram a atenção no jogo, mas jamais sugiro a alguém que os utilize para se decidir ou não pela compra do título em questão. Leia mais reviews. Baixe a demo, se disponível. Veja vídeos de gameplay. Assista a trailers. O caso de AMY não é o único e nem será o último. É triste devido ao hype que o jogo trazia consigo, e também devido ao nome do criador de Flashback estar envolvido. Mas opinião é algo extremamente variável. E jogos eletrônicos não fogem desta regra.

Infelizmente, AMY não merece ocupar o HD de um console. Pelo menos, não o do meu Xbox 360. Felizmente, neste caso, a grande maioria dos reviews condiz com a verdade. Bem, com aquilo que penso a respeito deste jogo.

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