Assassin’s Creed: Rogue foi lançado em 11 de Novembro de 2014, inicialmente para Xbox 360 e PlayStation 3. O título da Ubisoft posteriormente chegou aos consoles da nova geração e também ao PC, plataforma esta na qual o joguei. Trata-se de um título lançado, aliás, no mesmo ano em que Assassin’s Creed Unity, este para PC, PlayStation 4 e Xbox One, e também do último AC lançado para os consoles da velha geração.

Talvez a proximidade com o lançamento de Assassin’s Creed Unity tenha feito com que Rogue não tenha feito lá muito sucesso e/ou tenha sido meio que esquecido por fãs da série e crítica especializada. Não sei bem ao certo. O que sei é que trata-se de um jogo que vale a pena ser jogado, principalmente por quem é fã da franquia, como eu.

O game é uma espécie de sequência de Assassin’s Creed IV: Black Flag (título que adorei), e exibe acontecimentos anteriores àqueles vistos em Assassin’s Creed III, de 2012.

Assassin’s Creed: Rogue

Rogue estava na minha fila há algum tempo. Há bem mais tempo do que eu gostaria, aliás, e finalmente pude reservar um tempinho para ele. Gostei do que vi, e abaixo você poderá conferir minhas impressões a respeito, valendo ressaltar, entretanto, que me foquei quase que totalmente em sua campanha principal, deixando de lado a maioria das atividades secundárias, side quests e coisas do tipo (ataques a fortes, invasão de QGs de gangues, caças a tesouro, pesca, etc). Este será um texto no qual falarei quase que totalmente a respeito do enredo do título.

Gostaria também de antecipar que ainda não se trata do Assassin’s Creed que suplantará a trilogia Ezio (Assassin’s Creed II, Assassin’s Creed: Brotherhood e Assassin’s Creed: Revelations) em minha lista de favoritos. Também não encontrei em nenhum outro AC, até o momento, personagem tão carismático e profundo quanto Ezio Auditore da Firenze.

Mas vamos lá. Assassin’s Creed: Rogue dá ao jogador a oportunidade de jogar na pele de um Templário. Sim, isto mesmo: você jogará uma parte do tempo como membro da organização ancestral combatida pelos Assassinos em todos os títulos da série. A história acontece em meados do século XVIII, durante a Guerra dos Sete Anos, e uma série de estúdios da Ubisoft trabalhou no jogo, incluindo Ubisoft Sofia e Ubisoft Kiev.

Assassin’s Creed: Rogue

A propaganda dizia que Rogue seria “o capítulo mais sombrio da franquia Assassin’s Creed já produzido“. Mas, bem, eu não iria tão longe. Temos traição, de certo modo, e temos um Assassino que se vira contra seus companheiros e passa a fazer parte do grupo daqueles que um dia foram seus inimigos. Vale lembrar também a atuação do templário Haytham Kenway, pai de Connor, de Assassin’s Creed III, o qual atua ao lado do protagonista em vários momentos do gameplay, aliás.

Como protagonista temos Shay Patrick Cormac, Assassino habilidoso e inteligente, sempre questionador e destemido. Shay não aceita ordens pura e simplesmente, ele questiona o porquê das coisas, ele tem sempre um ponto de vista diferente sobre os acontecimentos ao seu redor (e deixa sempre isto bem claro, até mesmo indo contra membros superiores de sua Ordem). Shay não tem medo de opinar, de contrariar, de expor os pontos positivos e negativos nas mais variadas abordagens e situações, e talvez esteja aí um dos motivos de seus futuros problemas.

Assassin’s Creed: Rogue

Em Rogue, os Assassinos estão em busca de mecanismos e construções perdidos dos Precursores, ou “Aqueles Que Vieram Antes”. Eles têm lá seu objetivo e suas motivações, e não podemos dizer bem ao certo se eles estão totalmente certos ou errados.

Aliás, neste jogo, fica bem claro que nem Templários nem Assassinos podem ser considerados como totalmente mocinhos ou totalmente vilões. Ambos possuem seus métodos, suas motivações e sua própria história, e aqui podemos observar, talvez pela primeira vez na franquia, Templários agindo de maneira tal que com eles acabamos simpatizando (o oposto também é verdadeiro: acabamos olhando para os Assassinos, em Rogue, com grande antipatia).

A propaganda do jogo alardeou uma traição. Shay teria sido traído pelos Assassinos e então se juntou àqueles que outrora combateu. Mas as coisas não são tão simples assim. Shay acabou provocando, em uma de suas missões, uma grande tragédia. Um mecanismo dos Precursores, com o qual ele entrou em contato, acabou resultando em tal acontecimento, e o personagem principal ficou então profundamente abalado. Revoltado talvez seja a palavra correta, aqui.

Assassin’s Creed: Rogue

Seus superiores na Ordem dos Assassinos não concordaram com seu ponto de vista em relação ao acontecimento, nem tampouco concordaram com ele no que diz respeito a cessar toda e qualquer futura interação com tais mecanismos, com os possíveis riscos, obviamente, de que mais inocentes morressem. Esta foi, então, a tal “traição”: Shay acabou por desobedecer ordens, conspirou contra seus companheiros para evitar que mais tragédias acontecessem e acabou, então, banido da Ordem.

É triste, entretanto, que justamente um dos grandes motes do jogo, a vida de Shay como um Templário, comece somente lá pela sequência 4, sendo que o jogo tem 6 (vale lembrar que cada sequência tem entre 3 a 6 memórias/capítulos). Levei cerca de 18 horas para finalizá-lo, lembrando mais uma vez que me foquei quase que totalmente nas missões principais, mas há muita coisa para ser feita, muitas side quests, muitas, mas muitas atividades extras mesmo. Muitas brincadeiras, muitas caçadas, muitas oportunidades para experimentar e brincar com ação furtiva, etc.

Assassin’s Creed: Rogue

Na verdade, Shay passa pelo rito formal que o transforma realmente em um Templário um pouco depois, na sequência 4 é quando ele passa a atuar ao lado dos inimigos dos Assassinos. E, não, ele não se transforma no tal “mais temido caçador de Assassinos da história“. Ele mata os Assassinos que se colocam no seu caminho e aqueles que impedem que seus objetivos sejam alcançados. Nada mais além disto. Ele não sai por aí atrás de Assassinos famosos, habilidosos, perigosos, e as mortes destes, quando acontecem pelas mãos de Shay, são quase sempre desprovidas de grandes emoções.

Shay sente na verdade ódio pelas ações dos Assassinos, os quais aqui parecem se preocupar com seus próprios objetivos sem se importarem com possíveis efeitos colaterais que possam colocar em risco a vida de pessoas inocentes. Seja dita a verdade, também: em Rogue, os Templários são frequentemente vistos protegendo inocentes, e várias missões têm por objetivo impedir que os Assassinos e seus aliados franceses (no jogo, Shay e os Templários são aliados dos ingleses) desenvolvam armas e as utilizem contra a população.

Assassin’s Creed: Rogue

Vale mencionar mais uma vez aqui o fato de que, afinal de contas, não existe um lado totalmente bom nem tampouco um lado totalmente ruim. Os Templários, que acreditam na ordem e no controle acima do livre arbítrio, mas ainda assim buscando pelo bem da humanidade, não podem ser desmerecidos em relação a seus rivais Assassinos, que acreditam no livre arbítrio, no pensamento livre, no tal do “nada é verdade, tudo é permitido”. Ambas as facções cometem erros, atrocidades. Ambas matam. Ambas corrompem. Ambas causam mortes inocentes quando em busca de seus objetivos. Gostei bastante de ter percebido isto com bastante clareza ao jogar Assassin’s Creed: Rogue.

Shay acaba combatendo seus antigos irmãos. Ele acaba caçando e matando, por força das circunstâncias (mais uma vez, esqueça, ele não se transforma em um “exterminador de assassinos”), vários de seus antigos aliados. É uma pena, entretanto, que quando tais mortes ocorram, elas estejam atreladas a missões simples e sem graça baseadas em “fique furtivo e assassine o alvo”. Mas talvez esta seja mesmo uma marca registrada da franquia, marca registrada esta que já está na hora de ser renovada, diga-se de passagem. Bem, pode acontecer também do alvo descobrir você e você ter de persegui-lo por longos trechos, o que acaba cansando um pouco.

Assassin’s Creed: Rogue

Em Assassin’s Creed: Rogue, Shay Patrick Cormac, ao lado de Haytham Kenway e de alguns outros ilustres templários, acaba por causar grandes problemas à Ordem dos Assassinos. Ele acaba por desmantelar grande parte de suas operações, e até mesmo seu outrora mentor, Achilles Davenport, acaba por se dar muito mal.

O enredo do jogo é interessante, vale ressaltar, e você vai gostar, creia, de jogar na pele de um Templário. Talvez a campanha de Rogue seja um tanto quanto curta, e talvez a Ubisoft tenha desejado esconder este fato com o enorme mundo aberto e com a grande quantidade de coisas extras que podem ser feitas. O mapa pulula de atividades e brincadeiras. Você é avisado à todos os instantes de que atividades secundárias estão ali pertinho, prontas para serem exploradas, e temos até mesmo o reaproveitamento de algo que era muito legal em Assassin’s Creed: Brotherhood – a renovação de áreas da cidade.

Explicando melhor: você pode, através da utilização de recursos captados pelo Morrigan, renovar áreas e construções da cidade (lojas, por exemplo), as quais então passam a lhe render dividendos de tempos em tempos, os quais podem ser coletados em qualquer banco ou então na cabine do capitão.

Uma das coisas mais bacanas no jogo é o navio de Shay, o Morrigan, e as batalhas navais das quais podemos participar. Tudo bem que muito aqui foi reaproveitado de Assassin’s Creed IV: Black Flag, mas ainda assim é tudo bastante interessante. Vale a pena aproveitar.

Assassin’s Creed: Rogue

Batalhas navais são sempre divertidas, e você pode pilhar navios à vontade e utilizar os recursos que coleta para melhorar seu próprio navio, a fim de torná-lo mais forte e assim poder abordar navios maiores e mais poderosos, obtendo então pilhagens mais suculentas.

Mas não se preocupe: você não precisará aprimorar o Morrigan ao máximo para finalizar a campanha, se é isto o que deseja, apenas. Basta um casco nível 3 e algumas melhorias nos canhões, além de morteiros e armas defensivas, e está tudo OK.

Assassin’s Creed: Rogue

Toda a ação do jogo acontece no Atlântico Norte, em Nova Iorque e na região dos montes Apalaches, além de uma ou outra missão (à partir de sequências fragmentadas) em Paris. É muito bacana navegar por mares gelados e perceber que o navio conta agora com um quebra gelo em sua proa. É muito legal também perceber que, ao contrário do que acontecia em Black Flag, agora nós também podemos ser abordados, tendo então de lidar com a situação, matando os invasores antes que nossa tripulação toda pereça.

As missões e batalhas navais de Black Flag também continuam. Você pode abordar navios, derrotar sua tripulação e então adicioná-los à sua frota. À partir daí, uma espécie de mini game na cabine do capitão permite que você envie tais navios em missões as mais diversas, incluindo ataques e comércio: e tudo isto resulta em coisas boas. Mais dinheiro, mais recursos para aprimorar o Morrigan, mais reputação. Mais diversão.

Há também em Rogue uma novidade muito bacana em relação a Black Flag: uma arma poderosa que pode ser empunhada pelo protagonista, uma espécie de “canhão” que dispara granadas, sendo capaz de causar grandes estragos aos inimigos. Isto sem falar no rifle de precisão capaz de disparar dardos furiosos (que colocam os inimigos uns contra os outros), soníferos, etc.

Navegar, no jogo, continua sendo muito bacana. Tempestades nos brindam com suas belezas de tempos em tempos, e agora, navegando também por mares gelados, lidamos com neve, com pequenos icebergs (que podem ser destruídos e resultarem em ondas capazes de causarem problemas aos inimigos, quando em batalha), e com trechos de mar congelados.

Acontece que, se você já jogou Black Flag, navegar pode também acabar cansando, e você pode se ver utilizando a viagem rápida com bastante frequência (desde que tenha desbloqueado os locais para tanto). As mecânicas aqui não mudaram muito, manobrar o navio continua sendo intuitivo, mas existem viagens longas, viagens cujo tempo você talvez deseje economizar, principalmente se jogou (ou vai jogar) como eu, focado mais na história principal.

Existem outros problemas, entretanto: o tal do freerun falha, por diversas vezes, e você acaba caindo de árvores bem no meio de inimigos sedentos por seu sangue (ou então, algumas vezes, o protagonista simplesmente para sozinho, do nada, sem que haja obstáculos à frente).

Assassin’s Creed: Rogue

Em alguns momentos, também, estamos perfeitamente escondidos em meio a moitas. Assoviamos para chamar a atenção de inimigos que passam por perto e eles caminham em nossa direção, como deveria ser, mas ao invés de sermos capazes de matá-los furtivamente, somos descobertos “por mágica”, situação que pode chamar mais inimigos e nos colocar em grandes apuros (isto quando a missão não é abortada, dependendo do caso).

Outra coisa: em algumas situações, a habilitação do V-Sync provoca o aparecimento daquelas indesejadas tarjas pretas horizontais. O mapa do jogo, além disso, é totalmente “bagunçado”, não exibindo a posição de Shay quando em níveis mais altos de zoom e fazendo com que percamos aí totalmente a noção de localização e objetivos.

Continuam sendo bastante chatos, também (apesar de eu entender a necessidade de tais situações), os momentos em que saímos do Animus e perambulamos pelas instalações da organização Abstergo. A ação aí (bem como os diálogos – salvo um pós-créditos), costuma ser chata, bastante enfadonha, inclusive com a necessidade de resolução de puzzles também chatos e facílimos demais. Acredite: você não verá a hora de retornar ao seu Animus e continuar revivendo as memórias de Shay.

Assassin’s Creed: Rogue

É uma pena que o lado Templário de Shay tenha começado tão tarde, entretanto, e é triste também observar que a transformação do protagonista não tenha ocorrido de maneira tal a deixá-lo sinistro, conforme propagandeado. Ele não é nem um pouco sombrio, e mesmo no final, ele ainda olha para o futuro com esperança e ardor, repetindo o juramento que fez quando foi transformado em um membro da Ordem dos Templários.

De qualquer forma, vale muito a pena jogar Assassin’s Creed Rogue, o qual estava sendo vendido por meros 16 Reais no Steam, durante a grande sale que acabou hoje. O jogo nos apresenta um lado da franquia desconhecido, até então, e nos coloca na pele de um personagem forte e interessante, além de contar com diversos elementos já bastante conhecidos por todos aqueles que jogaram Assassin’s Creed IV: Black Flag.

Obs: este artigo faz parte da série “A fila anda“, na qual eu e meus antigos colaboradores relatamos nossas experiências ao jogarmos títulos parados em nossas bibliotecas há algum tempo.

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