Lançado no dia 27 de Outubro de 2017, para PC, PlayStation 4 e Xbox One, Assassin’s Creed Origins é, seguramente, o melhor jogo da franquia desde Assassin’s Creed II. Ele também nos apresenta ao melhor protagonista desde o florentino Ezio Auditore da Firenze. E, finalmente, tive a oportunidade e o prazer de jogá-lo. Para meu deleite.

E se eliminarmos determinados elementos relacionados à temática, à ambientação, aos personagens e às mecânicas de jogo, além de preferências pessoais, obviamente, podemos também dizer que estamos falando a respeito do melhor Assassin’s Creed já lançado pela Ubisoft, título cujo desenvolvimento, segundo a própria empresa, começou antes do lançamento de Assassin’s Creed Unity e de Assassin’s Creed Syndicate (ele também permaneceu em desenvolvimento por cerca de 4 anos). ACO chegou também após um hiato de um ano (Syndicate foi lançado em 2015), tempo este que certamente a desenvolvedora e publisher francesa utilizou para aprimorá-lo e transformá-lo em uma verdadeira obra prima.

OBS: gostaria de avisar que Assassin’s Creed Origins está custando atualmente R$ 72,00 no Green Man Gaming, enquanto no Steam seu preço é R$ 159,99. O DRM é Uplay, mas o jogo é o mesmo. Adquirindo o jogo através deste link, você ajuda imensamente o XboxPlus.

Assassin's Creed Origins

A história se inicia em 49 AC, durante o Reino Ptolemaico no Egito. Como faraó, temos Ptolemeu XIII, irmão da famosa Cleópatra (a qual também faz diversas aparições ao longo do jogo), e como protagonista temos Bayek de Siuá, um personagem extremamente carismático, forte e impactante. Bayek é casado com Aya, outro personagem de extrema importância em ACO, mulher de personalidade forte, guerreira e verdadeiramente interessante.

Bayek é natural de um vilarejo egípcio chamado Siuá (daí seu nome), local distante que, devido a tal fato, não respeita muito a cultura grega da Dinastia Ptolemaica. Tudo muda, entretanto, já nos momentos iniciais do game, com a chegada de Ptolemeu ao local e a inserção de um novo personagem na trama, o sacerdote egípcio Medunamun, o qual passa a servir no Templo de Ámon de Siuá. A partir daí, grandes mudanças acontecem em Siuá, incluindo o confisco de armas e a execução de rebeldes.

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Bayek, vale ressaltar, faz parte da Ordem dos Medjai, guerreiros poderosos e respeitados, os quais eram também os protetores oficiais do Faraó. Os Medjai, na verdade, representavam uma força de elite que deveria prezar não só pela segurança do Faraó, mas também pela proteção de todo o povo egípcio (como brasão, eles tinham o Olho de Hórus).

O protagonista realmente faz jus à ordem à qual pertence, pois é bravo, leal, firme em proteger os inocentes e sempre honesto. Bayek detesta injustiças, e faz de tudo para ajudar quem quer que seja: egípcios, romanos ou até mesmo gregos. Ele não possui preconceito algum, e chega a ter a seu lado aliados poderosos pertencentes às três nações.

Com a chegada de Medunamun a Siuá, o oásis passa por grandes mudanças, e o povo começa a passar por privações e grande opressão. É tarefa do grande protetor, então, dar um fim a tudo isto, sendo seu primeiro alvo, então, o corrompido e maldoso sacerdote.

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Uma grande tragédia assalta o personagem principal logo no início do jogo, também: seu filho, Khemu, é morto por um grupo de homens mascarados, os quais fazem parte de algo conhecido (tomamos conhecimento disto mais tarde) como Ordem dos Anciões. Trata-se, na verdade, dos primórdios dos Templários tão conhecidos e odiados por quem acompanha a franquia (salvo em Assassin’s Creed Rogue).

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Vale logo de início também destacar que estamos falando a respeito de um jogo que mostra, pouco a pouco, a formação da Irmandade dos Assassinos, bem como dos já citados Templários. Temos aqui um título que pode também ser jogado sem problemas até mesmo por quem nunca teve contato com a série.

Uma prequel, quem sabe? O fato é que Assassin’s Creed Origins também conta com diversas referências aos Assassinos que vieram depois: Bayek e Aya utilizam hidden blades, temos a ação furtiva característica da série, temos as cutscenes exibidas sempre após a morte de algum alvo/personagem importante, temos os pontos de sincronização, temos várias aparições de mecanismos e elementos criados pelos Precursores, etc.

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O jogo é profundo, intenso, dramático. Cheio de reviravoltas e de momentos de tensão. Bayek é intenso, também. Sua raiva pode ser sentida em suas palavras, em seu modo de lutar, na maneira como ele “recomenda” suas vítimas ao Duat (ou submundo). Bayek não poupa esforços em sua vingança, vingança esta que muito se assemelha àquela promovida por Ezio Auditore da Firenze, o famoso assassino italiano.

Assassin’s Creed Origins também marca o início de uma espécie de renascimento na série. Temos nele diversas mudanças em relação aos jogos anteriores. Esqueça, por exemplo, aquele sistema de combate meio que automatizado presente em diversos games da franquia, onde tínhamos inclusive a apresentação de prompts em tela indicando quais teclas deveriam ser pressionadas para aparar golpes, para assassinar, para atacar, etc. Aqui, o buraco é mais embaixo.

No mais recente título da famosa série, o combate se assemelha àquilo que podemos ver em um The Witcher 3, por exemplo, ou até mesmo em Dark Souls. O combate em ACO exige muito mais do jogador, ele requer muito mais tática, atenção e precisão. É possível (muitas vezes necessário) travar a mira nos inimigos, também, o que exige uma dose extra de atenção, obviamente.

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É preciso se esquivar, rolar, aparar golpes e flechas com o escudo, e também temos uma barra de adrenalina que vai sendo preenchida conforme agimos. Tão logo esta é preenchida, podemos desencadear um ataque realmente poderoso, capaz de quebrar até mesmo os mais duros escudos e matar os inimigos mais durões. Ele é conhecido como Ataque Avassalador (a habilidade deve ser desbloqueada previamente – veja mais abaixo), e acredite: você irá utilizá-lo com bastante frequência. O protagonista também pode desferir ataques rápidos e pesados, e caso mantenhamos o botão que desencadeia o ataque pesado pressionado por alguns segundos, um ataque mais poderoso é lançado, o qual é capaz de quebrar a defesa de inimigos que estão, por exemplo, empunhando escudos.

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O jogo agora também conta com elementos de RPG, e Bayek pode ser evoluído através da utilização de pontos de habilidade ganhos conforme completamos missões primárias e secundárias, além de outras atividades. Existem diversas habilidades em uma árvore, as quais podem ser desbloqueadas. Elas estão dividas em 3 categorias: “Caçador”, “Guerreiro” e “Vidente”. Dezenas de habilidades podem ser adquiridas conforme vamos progredindo, e algumas delas são realmente muitíssimo bem vindas. Existem habilidades passivas e habilidades ativas, além disso, é sempre bom lembrar.

No game, ganhamos XP ao realizarmos missões principais e secundárias, ao sincronizarmos, ao descobrirmos novos locais, durante o combate, quando atacamos fortes, casernas, arsenais, palácios, esconderijos, acampamentos e em mais uma série de outras atividades. É extremamente importante explorar, aliás: você ganha, dependendo do local, 20-30 XP, mas ao longo do tempo isto se mostra extremamente valioso. De maneira semelhante, não deixe de visitar os pontos de sincronização (e de realizar a respectiva sincronização) tão logo chegar em um novo local: assim, você desbloqueia a viagem rápida e evita perda de tempo.

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Vale também a pena mencionar que diversas habilidades também fazem com que o personagem ganhe mais XP. Existe uma, por exemplo, que fornece um percentual extra de pontos de experiência quando assassinamos inimigos. Existem outras habilidades, obviamente. Podemos destravar uma habilidade que garante mais XP por ataques de avassalamento. Podemos também desbloquear habilidades que aprimoram o uso do arco e flecha, e é possível até mesmo destravarmos uma habilidade bastante interessante que permite que controlemos o rumo da flecha após seu lançamento, tudo isto em primeira pessoa.

Também existem habilidades que liberam o uso de dardos tranquilizantes e de bombas, além de algumas outras que permitem aprimorar a utilização da Senu, fazendo com que ela atrapalhe inimigos durante cada combate.

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Ah, sim, vamos falar da Senu. Trata-se de uma águia, fiel companheira de Bayek, a qual substitui, em partes, a visão de águia. Sim, temos aqui outra mudança drástica em relação aos Assassin’s Creed anteriores, mas ela é muitíssimo bem vinda.

Ao invés da Visão de Águia, temos o pulso Animus, mais simples e que destaca pontos de interesse (como baús para serem saqueados, por exemplo) dentro de um certo perímetro. Já a Senu, a águia, é controlável pelo jogador, em terceira pessoa, e pode ser chamada à qualquer momento. Também existe uma habilidade que permite que a Senu marque inimigos e outra que faz com que ela indique o sentido em que os inimigos dentro de um forte, por exemplo, estão se movimentando.

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Senu representa uma adição e tanto à série. É com ela que devemos identificar nossos alvos, e ela é de grande valia quando precisamos invadir alguma fortificação. Com ela, é possível saber exatamente onde estão posicionados os inimigos, e no modo pairar ela oferece ainda mais precisão (para a identificação de alvos é preciso pairar).

Ainda falando a respeito da introdução de elementos de RPG na franquia, agora o personagem pode ser totalmente “montado”. Podemos equipar armas primárias e secundárias, bem como escudos, montaria, reforço para o peitoral, e mais uma série de itens. Tudo isto, aliás, pode ser aprimorado através de lojas espalhadas por diversos locais do mundo.

Podemos aprimorar armas, e existem diversos tipos delas, como por exemplo maças, espadas duplas, espadas normais, lanças, machados, etc. Também podemos equipar um máximo de dois arcos diferentes, e também existem diferentes categorias de arcos, cada um deles voltado a uma atividade em específico (caça, por exemplo). O crafting está presente, mais forte do que nunca, e agora precisamos caçar diversos tipos de animais para, com suas peles, reforçarmos nosso personagem de acordo. Até mesmo as hidden blades, as lâminas ocultas, podem ser gradualmente aprimoradas de maneira tal a se tornarem mais efetivas contra inimigos de níveis maiores.

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Armas também possuem níveis (existe até uma ferramenta que permite que comparemos a arma equipada com alguma outra presente no inventário), e é possível aprimorá-las nos ferreiros espalhados pelas diversas cidades pelas quais passamos. Armas também possuem níveis de qualidade, e existem as raras e as lendárias, melhores ainda. Também podemos conferir diversos atributos individuais de cada arma, como por exemplo DPS, XP adicional em caso de bloqueio (no caso de escudos, por exemplo), e assim por diante.

Vale também a pena lembrar que o loot é extremamente importante: saqueie tudo o que puder. Utilize o pulso Animus e saqueie. Não deixe nada para trás, até mesmo porque seu inventário não tem nenhum tipo de limite de armazenamento (você não ficará travado, como em Skyrim, por exemplo), e depois você poderá vender tudo o que quiser (inclusive armas não utilizadas) em diversas lojas, ganhando assim mais dinheiro para melhor equipar-se.

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E, sim, existem níveis de inimigos, da mesma forma que Bayek vai evoluindo e galgando posições. Atacar inimigos de nível muito maior do que o seu é praticamente suicídio, dependendo da diferença. Digamos que diferenças de 2 ou 3 níveis (ou até mesmo 4, dependendo de suas habilidades na esquiva, no bloqueio e nos ataques) não são muito problemáticas. Mas tente visitar uma região de nível 30 enquanto está no nível 10, por exemplo, e você perceberá que sua vida se transformará em um inferno (você morrerá facilmente nas mãos de qualquer inimigo, por mais simples que ele pareça).

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Isto pode se transformar em um grande problema, muitas vezes, e levar a um grinding capaz de se tornar um tanto quanto cansativo, dependendo do caso. Determinadas missões principais são apresentadas com a sugestão de determinado nível, e pode acontecer de você estar 4 ou 5 níveis abaixo. Tudo bem, você pode tentar prosseguir, e até conseguir terminá-las com sucesso, mas terá maiores dificuldades e deverá ser bastante cauteloso. Justamente devido a isto, quem sabe, Assassin’s Creed Origins também é o primeiro título na franquia que permite que o jogador ajuste o nível de dificuldade, à qualquer momento.

O grinding é problemático, muitas vezes, mas se você tiver um pouco de paciência, realizando missões secundárias, realizando sincronizações (lembre-se de sincronizar sempre que chegar a um local pela primeira vez para garantir o desbloqueio da viagem rápida), eliminando alvos, tudo transcorrerá até que tranquilamente.

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Fica aqui também uma menção honrosa para o cuidado que a Ubisoft teve com as atividades e missões secundárias, valendo também de antemão lembrar que agir furtivamente continua sendo importantíssimo. Temos missões secundárias que envolvem o resgate de cidadãos sequestrados, missões que exigem a eliminação de bandidos, missões que envolvem investigações a respeito da venda de artigos religiosos falsos em alguns templos, e missões onde você deve servir como guarda-costas. São dezenas e dezenas de missões secundárias, além das atividades extras que envolvem a infiltração em diversas áreas e a eliminação de figuras aí importantes.

Vale ressaltar que o mapa não é revelado através das sincronizações, como em outros Assassin’s Creed. O mapa é revelado, aqui, conforme exploramos. Portanto, fica aqui mais uma dica: não deixe de explorar. Visite as grandes pirâmides em Gizé, viaje bastante com seu camelo (ou cavalo), enverede-se por novos locais, etc: não deixe de perambular bastante, você não se arrependerá.

O sistema de orientação do personagem também mudou, em Assassin’s Creed Origins, e ao invés daquele mini mapa no canto inferior esquerdo, agora temos uma daquelas barras na parte superior central da tela, bastante comum, também, em RPGs.

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Temos em Assassin’s Creed Origins a primeira menção à Ordem dos Templários, aqui conhecida como Ordem dos Anciões. São eles os responsáveis pela morte do filho de Bayek, e os responsáveis pelo início de sua empreitada e de sua vingança sangrenta. Bayek não descansará enquanto não acabar com tal Ordem, e também temos aqui o início de tudo, o início da Irmandade dos Assassinos, sendo que no final do jogo é dado inclusive um panorama geral a respeito de tal organização, de como eles funcionarão, sempre ocultos nas sombras e defendendo a liberdade e os oprimidos.

No final de ACO, é fornecido uma espécie de resumo a respeito daquilo que um dia virá a ser conhecido como Irmandade dos Assassinos, e Aya, a esposa de Bayek, menciona em uma carta que eles por enquanto se autointitulam “Os Ocultos” (The Hidden Ones) – podemos até mesmo observar determinado recém chegado ao novo Credo amputando seu próprio dedo para ser capaz de utilizar as hidden blades, veja só que bacana.

Aya e Bayek, no final do jogo, também afirmam que permanecerão nas sombras, pois foi daí que vieram, e as animações finais exibem diversos assassinos praticando parkour pela cidade, em cenas parecidíssimas com aquelas que já vimos em títulos anteriores da franquia.

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Em Assassin’s Creed Origins, vale lembrar, algumas coisas não mudaram: o parkour continua existindo (e sendo extremamente bem vindo e necessário). Mas diversos botões (costumo jogar títulos como AC com um controle, por exemplo) e comandos mudaram (por exemplo, agora não assassinamos mais com o X, e sim com o Y). Também foi mantida toda a furtividade (ou necessidade dela) presente na série como um todo, e podemos nos esconder em meio a moitas, chamar inimigos com assovios e então assassiná-los sorrateiramente.

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O jogo também representa uma verdadeira aula de história, sem falar no modo “Discovery Tour”, o qual fornece uma turnê de descobrimento extremamente informativa através do Egito antigo. Podemos perceber claramente o ódio de alguns egípcios pela Dinastia Ptolemaica, bem como pelos novos e estranhos deuses que lhes são impingidos. Cleópatra também é presença marcante no jogo, e chega a trabalhar em conjunto com Aya e Bayek, além de possuir lá suas alianças com os romanos, os quais também marcam presença no jogo de forma magistral.

A atuação de Caio Júlio César também não pode deixar de ser mencionada, obviamente, bem como sua ligação com Cleópatra, rainha exilada do Egito que busca tomar o poder de seu irmão mais novo, Ptolemeu XIII, e assim se tornar a única Faraó (tudo isto com a ajuda de Bayek e Aya, que fique bem claro). A mescla entre história e ficção é marca registrada da série, e mais uma vez a Ubisoft deu um verdadeiro show.

Aya também é um personagem forte, interessante, impactante. Podemos controlá-la em diversos momentos, lutando com ela, sofrendo com ela. É com ela, também, que acontecem grande parte dos momentos em navios. Sim, também podemos controlar navios em Assassin’s Creed Origins, e participar de divertidas e impressionantes batalhas navais em alto mar (navios à remo, vale destacar).

Tais momentos representam algo bastante impressionante, uma vez que temos algo bem diferente dos outros jogos da série que utilizaram navios (como Assassin’s Creed IV: Black Flag, por exemplo): os navios aqui são diferentes, mais antigos, movidos à remo, e flechas em chamas são disparadas, ao invés de canhões (também contamos com uma catapulta, vale lembrar). E também vale a pena ressaltar que podemos nos movimentar através do Nilo, por exemplo, utilizando pequenos barcos a remo: são momentos realmente memoráveis, além de nos brindarem com paisagens simplesmente belíssimas.

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Mas Aya é digna de nota também por representar uma belíssima personagem feminina: ela é destemida, forte, guerreira, e também está em busca de vingança pela morte de seu amado filho. Ela e Bayek, aliás, protagonizam diversos momentos calorosos, e o jogador percebe claramente que há, ali, uma relação profunda e marcante (não se trata nem um pouco de personagens e relações rasos).

Bayek, por sua vez, tem uma sede de vingança irrefreável. Ele odeia a Ordem dos Anciões, da mesma forma que passa a amar seu novo Credo, o qual é o princípio de nossa adorada Irmandade dos Assassinos. Ele é verdadeiramente intenso. Vejo nele uma força e um carisma enormes, de maneira tão forte como vi em Ezio Auditore da Firenze.

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Bayek de Siuá consegue nos cativar desde o primeiro momento, com seu senso de dever, com seu amor por sua família, com seu cuidado por aqueles menos desprovidos, com o ódio que despeja sobre todos os inimigos que cruzam seu caminho.

Isto pode ser visto até mesmo naquelas cutscenes que são apresentadas quando o protagonista assassina algum alvo importante, as quais já são conhecidas pelos fãs da série. Aqui, entretanto, em ACO, temos cutscenes mais profundas, mais impactantes, mais impressionantes, com um Bayek (ou uma Aya, dependendo do momento) sempre cheio de ódio, sempre questionador, sempre mencionando as profundezas do Duat para seus inimigos mortos. Temos inclusive finalizações, em tais cutscenes, em um momento ou outro, com Bayek provocando de maneira deliberada o arrastamento do inimigo morto para as profundezas.

Bayek, além disso, respeita profundamente os deuses de sua terra natal, apesar de ser alguém totalmente desprovido de preconceitos. Ele possui uma mente aberta, e não se nega a ajudar ninguém, seja este alguém grego, romano ou egípcio. Trata-se, verdadeiramente, de um personagem tão carismático e impressionante quanto Ezio, que fique bem claro, mais uma vez.

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A trama também conta com grandes doses de traição, além de grandes reviravoltas. O jogador poderá ficar extremamente enraivecido com determinados acontecimentos, todos eles parte de uma história memorável, realmente impressionante e imersiva. E existem também diversos momentos em que podemos constatar a presença de dispositivos e elementos ligados aos Precursores.

A Ordem dos Anciões também deixa bem claro suas intenções, desde cedo. O desejo pelo poder, pelo controle absoluto, sendo que tudo isto em Assassin’s Creed Origins se traduz em mais opressão sobre o povo já bastante sofrido, em mais sofrimento, em mais dor (tudo isto também motiva bastante Bayek e seu Credo, obviamente).

Os gráficos do jogo são impressionantes. Lindos mesmo. Há uma habilidade que, tão logo desbloqueada, permite que o tempo seja avançado, para que possamos experimentar/jogar de dia ou de noite: o resultado é impressionante. Temos também um ciclo de dia e noite dinâmico, ou seja, podemos iniciar determinada jornada de dia e finalizá-la somente ao entardecer, por exemplo.

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A água continua muito bonita, e temos efeitos de iluminação de cair o queixo. As partículas também são um show à parte, e no deserto, muitas vezes, nos surpreendemos bastante com a poeira, com os rastros deixados pelos cavalos, ou enquanto caminhamos. Existem também tempestades de areia, que acontecem sempre do nada, e passar por elas pode ser um verdadeiro tormento (mas a beleza de observá-las chegando é enorme).

Às sombras também foi dada uma atenção bastante especial, e a lua pode nos brindar com belíssimos efeitos enquanto passeamos com nosso cavalo próximo às belíssimas pirâmides do velho Egito, ou rente às águas. E existe agora um “modo fotografia”, bastante semelhante àquele da série Shadow of Mordor: você pode capturar belas screenshots e ainda brincar com diversos parâmetros fotográficos, além de ser capaz de aplicar diversos filtros.

Existem problemas, é claro. Missões cujo prompt para finalização não é ativado (certa vez, eu tinha de entregar determinado objeto a determinado NPC e o Y, para falar com ele, não surtia efeito algum). Existem também texturas que demoram para carregar, e há uma certa queda de frame rates, em alguns momentos, dependendo da situação e da localização (em áreas mais densas o efeito é mais fortemente sentido). Há também problemas com itens de missões secundárias que são “perdidos” pelo caminho, sem que você saiba como nem por que (e você terá de coletá-los novamente), e existem problemas com o sistema de colisão, sem falar em cavalos e outros objetos flutuando misteriosamente no ar. Mas tudo bem.

O mapa também é um dos maiores, senão o maior, já visto em um jogo da série. O mundo do jogo é realmente enorme, e ao abrirmos o mapa podemos até mesmo nos assustarmos com a vastidão dos territórios exploráveis, os quais continuam plenamente acessíveis mesmo após a finalização da missão final (são 26 missões principais, além de dezenas de missões secundárias e atividades diversas).

Assassin’s Creed Origins é um jogo que deve ser jogado por todo fã da franquia. Eu vou mais além, aqui, e digo que mesmo quem nunca se aventurou pela franquia deveria experimentá-lo, uma vez que estamos vendo ali o nascimento de tudo, dos Templários, da Irmandade dos Assassinos, de tudo aquilo que fez da franquia o sucesso que ela é hoje.

A história é tensa, belíssima, repleta de momentos emocionantes e de profundidade. O protagonista, ou melhor, os protagonistas, são cheios de carisma. Ambos, Bayek e Aya, são muito bem construídos, cheios de peculiaridades, com personalidades fortes que merecem ser apreciadas.

Assassin's Creed Origins

Se você já jogou algum AC na vida mas deixou Origins de lado, faça este favor a si mesmo: jogue-o o quanto antes. E se você é novo na série, pode aproveitá-lo sem medo: você não se arrependerá.

Assassin's Creed Origins

Vale lembrar que o mundo do jogo permanece aberto após a conclusão da missão final: você continua livre para explorá-lo, para realizar missões secundárias ainda inexploradas, para tomar fortes, para perambular à vontade. O mundo é seu. Divirta-se. E vamos aguardar por Assassin’s Creed Odyssey. O hype está no ar.

Ficha técnica

Título: Assassin’s Creed Origins

Gênero: ação, terceira pessoa, RPG

Desenvolvedora: Ubisoft Montreal

Publisher: Ubisoft

Data de lançamento: 27 de Outubro de 2017

Plataformas: Xbox One, PlayStation 4, PC

Versão analisada: PC

Confira mais algumas screenshots do jogo:

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