(A Fila Anda) Qbeh-1: The Atlas Cube

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Olá pessoal! Depois do bem humorado Quantum Conundrum e o arrepiante Amnesia: The Dark Descent, me aventurei em um puzzle mais “neutro”. Se trata de Qbeh-1: The Atlas Cube. Também na perspectiva em Primeira Pessoa, o jogo desenvolvido pela Liquid Flower talvez agrade aos fãs do gênero.

Basicamente, o jogo não possui história. Não temos textos, diálogos ou monólogos. Tudo é passado de forma visual e, mesmo no final do jogo, podemos tentar criar hipóteses, mas tudo é bem subjetivo. É o tipo de jogo que se baseia totalmente no gameplay. Existe apenas um título para cada fase, que talvez remeta à sua concepção (como no ótimo EDGE).

Ficha Técnica

Título: Qbeh-1: The Atlas Cube
Gênero: Puzzle em Primeira Pessoa
Desenvolvedora: Liquid Flower
Publisher: Digital Tribe
Data de lançamento: 15 de Maio de 2014
Plataformas: PC
Versão analisada: PC

Obviamente, é fácil notar neste jogo semelhanças com Portal ou Q.U.B.E., entre outros. Neste ponto de vista, Qbeh-1: The Atlas Cube não traz grandes inovações ou sacadas. Mas ainda assim, é muito divertido. Sua mecânica é composta por cubos que carregamos, que podem ter diferentes cores e quantidades. A chave de ligação está nos ladrilhos amarelos do cenário. Uma vez feita esta ligação inicial, podemos unir os cubos uns aos outros e montar estruturas verticais, horizontais (pontes) e até em diagonais (escadas).

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Os cubos, geralmente, podem ser reutilizados. Desta forma, mesmo depois de usá-los para chegar a determinado ponto do mapa, podemos pegá-los de volta e usá-los mais à frente. Depois de pegar o jeito, o mais legal é tentar avançar no cenário de forma rápida e intuitiva, colocando e retirando os blocos “sem parar”, sem contar que o jogo dá uma certa liberdade e existem várias soluções para o mesmo puzzle.

Esse modo de jogar me remete aos primeiros jogos da franquia Tony Hawk’s para PSX, onde havia um modo chamado Street, e o objetivo consistia em seguir pela pista, sem trajeto definido, utilizando todo o cenário (corrimões, mesas, bancos, etc.) à seu favor para fazer manobras. Jogar com esse conceito em mente tornou minha experiência mais dinâmica e divertida.

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Mas em alguns momentos fica difícil pensar rápido e temos que planejar melhor o que vamos fazer. Os cubos especiais de gravidade (roxo) e o móvel (verde) trazem uma combinação mais complexa de ações, ao mesmo tempo em que trazem grandes momentos, já que proporcionam escaladas e movimentos mais “radicais”.

Geralmente, as portas se abrem ao nos aproximarmos, exceto quando há uma inscrição (igual a do cubo azul), necessitando assim, de ativação por um ou mais cubos. Muitas vezes vemos portas desse tipo logo no início da fase, mas só conseguimos abri-la depois de vasculhar toda a fase e coletando a quantidade de cubos azuis necessários.

No cenário encontramos muitos totens, o que dá um ar místico ao jogo. Nos levam a pensar: “Que tipo de civilização ou entidade fez estas construções?” Alguns deles, geralmente mais altos, são apenas enfeites ou servem de plataforma. Já outros, são Checkpoints, brilham e fazem um pequeno movimento quando você se aproxima deles.

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Existem também alguns cubos móveis grandes (estes não são carregados, mas usados como plataforma), geralmente são ativados em algum local próximo, usando o cubo azul. As hélices também podem ser ativadas e desativadas, suas correntes de ar horizontais ou verticais nos ajudam a chegar no objetivo… ou nos atiram num “precipício sem fim”.

Outro fator complicador é uma matéria de cor roxa escura, que não pode ser tocada, caso contrário, você ouvirá um som bem agudo, lembrando sonoplastia de filmes como 2001, e morrerá. É um som bem desconcertante que, com certeza, fará você evitar ao máximo tocar nela!

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O jogo possui 5 mundos. Cada um é representado pela forma de um cubo gigante, de forma que cada face do cubo é uma fase diferente. Em cada fase, existe uma pirâmide dourada, geralmente bem escondida. Se você coletar todas, será desbloqueado um mundo extra. Uma coisa que ajuda a contrastar com o ambiente estéril das construções é a presença de árvores no cenário. É interessante notar que, a medida que passamos de “mundo”, elas vão sendo alteradas: folhas verdes, folhas amarelas caindo, etc.

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As paisagens, apesar de bem repetitivas, são muito agradáveis. Existem algumas variações, como: céu azul, crepúsculo, noite, etc. Apesar de não existir variedade de cenários, cada mundo possui cores e efeitos de luz diferentes, passando a impressão temporal de dia/noite e diferentes estações do ano.

Os gráficos do jogo me agradaram bastante. Ainda assim, tem um contraste ou outro que incomoda um pouco, como a água. O ponto alto realmente é o céu, muito bem feito, principalmente as nuvens. As perspectivas criadas pelas construções são bem interessantes também, principalmente quando subimos bem alto e olhamos para baixo, podendo ver todo o trajeto que fizemos desde o início da fase e vice-versa.

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A parte sonora do jogo é bem meticulosa, é possível perceber até os sons diferentes que cada cubo faz. O Azul, por exemplo, faz um barulho mais cristalino, lembrando vidro ou gelo. Os sons de arrastar de portas e algumas partes do cenário também chamam atenção e ajudam a criar uma atmosfera de mistério (como nos filmes da série “Indiana Jones”). O ponto fraco ficou na trilha sonora que, apesar de contar com excelentes arranjos em alguns momentos, parece conter músicas muito curtas. Isso acaba deixando os “loops” bem evidentes e um pouco irritantes, às vezes.

Foram cerca de 12 horas para chegar ao fim do jogo, mas o tempo médio está entre 7 e 8 horas. Infelizmente, não coletei todas as pirâmides douradas. Não sou muito persistente para fazer 100% nos jogos, seja por falta de tempo (pois tenho muitos jogos na fila), seja por falta de paciência / habilidade.

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No final das contas, Qbeh-1: The Atlas Cube é um jogo que merece ser jogado. Em meio a tantos títulos com jogabilidade e enredo complexos, é bom relaxar com um título como este, focado totalmente em seu gameplay, que podemos começar a jogar de imediato, sem a necessidade de tutoriais ou introduções longas.

Residente (e natural) da Cidade de Osasco há 29 anos. Já passou por blogs como Super Mundo Robô e Projeto Jogatina. Colaborador dos sites Positrôniko e Cosmic Effect. Para que suas ideias e pensamentos não sejam perdidos, gosta de manter registro escrito deles, de forma privada ou pública. Apesar de gostar de games, cada vez mais joga menos. Sua fila no Xbox 360, PC (e SNES!) é bem grande. Pretende reduzir seu tamanho em doses homeopáticas de jogatina e ainda espera ver Half-Life 3 lançado.

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