Update #1 (19/12, 17h10): The War Z foi retirado do Steam.
Update #2 (19/12, 19h): O site Kotaku publicou um anúncio oficial da Valve a respeito da retirada do The War Z do Steam. Veja abaixo.

De tempos em tempos, enganos podem ser cometidos e um deles foi colocar a venda prematuramente uma cópia de War Z no Steam. Nós pedimos desculpa por isso e temporariamente removemos o jogo da loja até que haja tempo para trabalhar com a desenvolvedora e tenhamos confiança na nova versão. Aqueles que compraram o jogo e desejam continuar jogando via Steam, [ainda] podem fazê-lo. Aqueles que compraram o jogo pelo Steam e estão insatisfeitos com o que receberam, podem pedir um reembolso criando um ticket em nosso site de suporte aqui. 

Update #3 (19/12, 19h40): O produtor do jogo, Sergey Titov, divulgou uma nota, também publicada pelo site Kotaku. Veja abaixo.

Nós estamos nos assegurando que a nossa página da Loja [do Steam] esteja 100% correta, é por causa disso [que o jogo foi retirado do Steam]. Resumindo: nosso objetivo final é ter consumidores satisfeitos e não furiosos. Logo, isso é mais importante para nós do que qualquer outra coisa.

Texto original:

The War Z, shooter MMO de zumbis, desenvolvido pela Hammerpoint Interactive, chegou ontem, dia 18, ao Steam e, com uma rapidez vertiginosa, alcançou o primeiro lugar na lista de jogos mais vendidos do sistema de distribuição da Valve naquele momento. Para quem estava de olho no título, foi uma grata novidade, já que The War Z só estava disponível até então através do seu site oficial. Infelizmente, porém, a lista de benefícios encerra por aqui.

Rivalidades e plágio de DayZ à parte — modificação consagrada de Arma 2, que originalmente criou a ideia —, The War Z já vem acumulando uma série de polêmicas e gafes que, a essa altura, já teriam levado qualquer estúdio a graves processos e até mesmo ao encerramento das atividades. Entre as maiores furadas estão a cópia descarada dos termos de uso do League of Legends (um MOBA, que não tem nada a ver com War Z) e as graves revelações de um ex-moderador da comunidade do War Z, avisando que os desenvolvedores pretendem abandonar completamente o jogo caso eles não alcancem uma certa receita de lucros.

Adicionando à essa pilha de polêmicas e acusações ácidas — que, eu insisto, devem ser levadas com uma pitada de sal, pois nada disso foi realmente confirmado por seus acusados (e, logicamente, eles não iam dar um tiro no próprio pé) —, o mesmo ex-moderador também revelou que The War Z é, na verdade, um port do jogo War Inc. Battle Zone (shooter multiplayer gratuito em terceira pessoa).

Segundo ele, os desenvolvedores “literalmente pegaram o jogo [War Inc.] e adicionaram NPCs, fizeram um grande mapa, mudaram os ângulos da câmera e as características das armas, além de adicionar maiores funcionalidades e alterarem algumas coisas”. Em outras palavras: War Z foi construído em cima de outro jogo. Vale lembrar que o motor gráfico utilizado por War Z é o mesmo que War Inc. utiliza, o que dá sustentação a acusação. Note que é comum jogos utilizarem os mesmos engines, desde que eles sejam devidamente licenciados pela detentora original do motor gráfico, o que felizmente foi o caso aqui. Fica em dúvida apenas o que realmente foi mantido ou copiado do suposto jogo original. Pelo nível da acusação, é provável que os desenvolvedores tenham se apropriado ilegalmente de ideias que pertenciam a outro estúdio.

Outra acusação gravíssima é de que os desenvolvedores banem arbitrariamente jogadores por motivos fúteis, forçando-os a comprar o jogo novamente, para seguir jogando. “Eles banem contas aleatórias que possuem um certa quantidade de horas de jogo, sabendo que se [os donos] estão viciados eles acabariam comprando o jogo novamente”, disse o ex-moderador em seu post de desabafo, que ficou mundialmente conhecido, até por gente que nem conhecia o jogo.

Ainda de acordo com o post, enquanto contas são banidas injustamente, grande parte da base de jogadores é composta por hackers e, mesmo War Z tendo um sistema anti-trapaças eficiente, a Hammerpoint não aplica as devidas punições, para evitar perder seus consumidores ou enfrentar um gigantesco processo de reembolso. É mole?

Toda essa chuva ácida aconteceu em novembro. Apesar da desenvolvedora não ter rebatido diretamente as acusações e ter apenas soltado um tópico de perguntas e respostas abordando vagamente algumas das polêmicas, a montanha de jogadores que confirma os abusos só cresce. E a chegada do jogo no Steam, além de iniciar uma nova polêmica, também aumentou as provas de que os zumbis não são a única coisa podre por trás de The War Z.

Lembra quando falamos no começo desse artigo que The War Z alcançou, com uma rapidez assustadora, o 1º lugar na lista de jogos mais vendidos do Steam naquele instante? Pois bem. As dezenas de milhares de jogadores que contribuíram para esse feito foram, na verdade, enganados por informações mentirosas contidas na página do jogo na loja do Steam. Por quase 24 horas (até que centenas de reclamações obrigaram os desenvolvedores a reformular o texto), a página exibiu funcionalidades que The War Z jamais possuiu.

Começamos com o fato de que The War Z é, de acordo com seus desenvolvedores, um jogo em estágio beta — ainda que em determinados momentos o próprio jogo indique que a versão seja, na verdade, um alfa (versão de testes ainda mais precária que a beta). Independentemente do fato de ser beta ou alfa, The War Z foi lançado no Steam de qualquer jeito, sem nenhuma informação a respeito do seu estágio de desenvolvimento. Ou seja, colocaram a venda um produto não-finalizado e não fizeram a menor questão de avisar isso ao seus (potenciais) compradores.

Screenshot do texto original, com as “correções” escritas em vermelho. Clique para ampliar.

Seguindo a leitura, a página de venda dá a entender que o jogo possui “vários mundos” com “várias áreas” (veja bem: no plural!), quando, na verdade, só há apenas um único mapa oficial na versão vendida através do Steam. Na mesma frase ainda é possível encontrar outra afirmação falsa: os “mapas” possuem entre 100 a 400 km², enquanto, na prática, o tal único mapa do jogo tem dimensões de apenas cerca de 72 km².

Calma que ainda não acabou. Outra funcionalidade descrita confirma que é possível alugar servidores privados para agradar a jogatina de clãs. A verdade? Essa funcionalidade jamais existiu, por mais que a desenvolvedora tenha planos de implementá-la no futuro, o que, obviamente, não dá o direito de colocar uma informação falsa dessa maneira.

Mais abaixo, a página também diz que você pode gastar pontos de experiência adquiridos ao longo da jogatina na compra de diversos skills (habilidades especiais). Preciso mesmo dizer que esse sistema jamais existiu em The War Z?

Como se não fosse suficiente, as informações falsas são repetidas várias vezes ao longo da página. Mais a frente, é possível ler que o jogo possui dois modos de jogo (Normal e Hardcore), sendo que o Hardcore não existe. O número de jogadores por servidor é dito como “até 100 jogadores”, enquanto o máximo não passa de 50 em servidores públicos. É uma besteira atrás da outra, na maior cara-de-pau.

Os jogadores furiosos conseguiram atrair a atenção da Valve, que é dona do Steam, para tomar providências. Afinal de contas, para que uma empresa possa vender seu produto por lá, é preciso obedecer um rígido código de uso que, provavelmente, inclui cláusulas contra propaganda enganosa.  Para deteriorar ainda mais a já pútrida imagem da criadora de The War Z, muitos desses jogadores, que reclamaram por não ter recebido o que foi prometido e apontaram defeitos no jogo (como a abundância de hackers, já denunciada pelo ex-moderador que descrevemos acima), foram sumariamente banidos do fórum do Steam pelos desenvolvedores do jogo.

O funcionário da Valve, Al Farnsworth, confirmou que a empresa vai abrir uma investigação contra o jogo, devido ao número exorbitante de usuários que se dizem vítimas da montanha de sacanagens cometidas pela produtora de The War Z. Como a jurisdição da Valve sobre o jogo se limita à venda em seu site, isso imediatamente o coloca em sério risco de ser retirado do sistema.

Numa entrevista realizada pela GameSpy (link da entrevista completa aqui, em inglês) com o produtor do jogo, Sergey Titov, são feitos alguns vagos pedidos de desculpa, por mais que a empresa tente se ausentar de qualquer culpa e insista em dizer que tudo não passou de um falha de interpretação dos jogadores. Vários pontos polêmicos de toda essa novela também são debatidos.

Não vamos transcrever toda a entrevista aqui, mas se você comprou The War Z, foi vítima de propaganda enganosa ou (ainda) tem algum interesse em adquirir o título, eu recomendo fortemente a leitura integral. É interessante e até engraçado notar a acidez das perguntas intimidadoras feitas pela GameSpy e ver o produtor se contradizendo diversas vezes, sendo que seu inglês não o ajudou muito, já que há diversas frases de interpretação duvidosa nas respostas. Ah, Sergey Titov é o “gênio” por trás do jogo que detém o recorde de pior game da história: Big Rigs: Over the Road Racing. Ao que aparenta, seu currículo procede.

Quer um conselho? Fique longe desse jogo. Há problemas em todos os níveis de produção de The War Z, desde a ideia (em certos níveis, copiada de DayZ) até a sua venda (propaganda enganosa na página de venda no Steam). Se você já comprou o jogo, seja através do Steam ou do site oficial, certifique-se de que você não tenha sido vítima de nenhum desses abusos. Ao menor sinal, exija um reembolso, através das centrais de suporte existente nos dois lugares.

Pra quem tem interesse de algum dia jogá-lo (eu confesso que, até então, estava bastante interessado em The War Z), o melhor é esperar até que toda a confusão seja resolvida e a verdade venha à tona, considerando que o título está sob sério risco de ser retirado do Steam e perder muitos fãs. Note que por mais que existam milhares de acusações graves contra o jogo e seus desenvolvedores, não foi possível confirmar a maioria delas. Encare esse artigo como uma base parcial de informações e, se você realmente tem interesse, faça uma pesquisa por sua própria conta. Não esqueça que, por melhor que sejam, todo jogo tem seus problemas.

Artur Carsten

Catarinense, amante da música eletrônica, estudante de medicina e jogador nas inexistentes horas vagas. Ocasionalmente, escreve artigos e coloca em dia a pilha interminável de jogos comprados em promoção no Steam. Já passou pelo Campo Minado, Continue, Guia do PC, Gemind e Oxygen e-Sports.

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