É interessante a maneira como alguns estúdios independentes têm lançado seus jogos, ultimamente. Sem finalizá-los, disponibilizando no mercado versões alfa ou beta que, muitas vezes, carecem de bastante conteúdo, de novas ideias e até mesmo de sentido (este não é o caso, de Betrayer, entretanto).

Não podemos nos esquecer também de que o Steam Early Access é um serviço e uma ferramenta bastante útil, nestes casos, ao colocar desenvolvedores e jogadores em contato de maneira mais direta ou, no mínimo, permitindo que muitos novos e interessantes trabalhos vejam a luz do dia de forma muito mais simplificada e rápida. Permitindo, quem sabe, que muitos desses projetos cheguem a seu estágio final, estágio este que talvez não fosse alcançado de outra maneira.

Betrayer

Tudo bem que existem casos em que o acesso antecipado a um jogo eletrônico pode ser danoso tanto para os estúdios de desenvolvimento quanto para os jogadores, mas em outros não (a Bohemia Interactive com Arma 3 que o diga). Betrayer é um game em desenvolvimento pela Blackpowder Games, empresa que é composta em grande parte por profissionais que trabalharam na Monolith e que foram responsáveis pela criação do primeiro F.E.A.R. e do FPS No-one Lives Forever.

Trata-se de um jogo de ação e aventura em primeira pessoa com grandes doses de suspense e terror. Um título bastante interessante, repleto de mistério e com gráficos pra lá de charmosos. Betrayer conta com grande parte dos gráficos em preto e branco. Além disso, o vermelho é utilizado de forma bem forte em diversos momentos e elementos, quase sempre para destacar algo importante em meio à vastidão muitas vezes monocromática.

Betrayer

No jogo, “despertamos” em uma praia deserta e cheia de destroços. Um naufrágio parece ter ocorrido. Ao olharmos para o horizonte, ou pelo menos para onde ele deveria estar, podemos até mesmo sentir um enorme desconforto, dado o impacto que aquele branco intenso é capaz de causar.

Desta praia somos meio que forçados a pegar uma ladeira tortuosa em direção a uma floresta obscura, e logo nos deparamos com uma estranha garota envergando roupas vermelhas. Suas roupas são compostas pelo mesmo “material” de outros elementos vermelhos presentes no jogo. Trata-se de um vermelho forte, chamativo, cintilante, muitas vezes, claramente destoante de tudo que o cerca.

O ano é 1604, e a trama do jogo nos coloca em contato com fantasmas de soldados e com a certeza de que uma grande tragédia ocorreu ali. Estamos em um mundo monocromático (quase sempre), onde existem árvores e folhagens as mais diversas que são muitas vezes movimentadas por mãos invisíveis.

Betrayer

O vento também pode chegar sorrateiro, em muitos momentos, e a vegetação pode ser bastante agitada, como que anunciando os horrores que se lançarão a seguir em nossa direção. Figuras encapuzadas que flutuam em nossa direção e guerreiros que parecem ter vindo das profundezas do inferno representam alguns dos desafios com os quais temos de lidar, quase sempre armados apenas com velhas armas do século 17, incluindo mosquetes que demoram uma eternidade para serem carregados, e arco e flecha (mais armamento típico é prometido pela Blackpowder Games, através de atualizações futuras).

Em algumas situações temos também de interagir com elementos que escurecem ainda mais o cenário, fazendo com que uma espécie de filtro escuro (e angustiante) seja aplicado ao jogo, trazendo então uma noite estranha e perigosa que nos revela novos e interessantes perigos e pistas.

Em Betrayer temos de explorar bastante, e durante estas explorações vamos coletando pistas e notas de vários tipos. Muitas chegam a mencionar a estranha garota de vermelho, além dos espanhóis. Existem também informações que nos levam a perguntar com frequência o que ocorreu ali, por que tudo ficou em preto e branco, por que aqueles “fantasmas de armadura” nos atacam?

Isto sem falar em “fantasmas amigáveis” com os quais podemos conversar. Um deles é o fantasma do Capitão William Eastgrove, outrora no comando de um forte na região. Através destes diálogos, ficamos sabendo um pouco mais a respeito deles e, prestando atenção em suas frases mais perguntas vêm à nossa cabeça: “- que diabos está acontecendo?”

Betrayer

Onde estão os os colonos? Porque existem flechas indígenas espalhadas pelo Forte Henry? Por que a estranha garota nos ajudou? Que são aquelas estranhas figuras espalhadas pelo forte, que mais se parecem com corpos carbonizados? O que as deixou ali e/ou porque elas estão daquele jeito?

Em Betrayer os combates podem ser cruéis. Baús espalhados pelo mapa nos levam a caminhadas que podem fazer com que sejamos vistos por alguns daqueles “soldados do além”, e aí, todo cuidado é pouco. O tempo entre preparar uma pistola ou um mosquete para um novo tiro pode ser o tempo necessário para sermos mortos impiedosamente.

Betrayer

O arco pode ser mais rápido, mas pode ocorrer de as flechas simplesmente ricochetearem nas armaduras, dependendo da situação. Para piorar (ou melhorar) as coisas, podemos ouvir sons bem estranhos enquanto caminhamos em meio à floresta (e existe um botão específico para isto).

Em Betrayer também podemos encontrar moedas e outros tipos de tesouro. Tudo isto pode ser acessado a qualquer momento em nosso inventário, da mesma forma que as notas e as pistas. Existem inclusive locais pré-determinados para as devidas trocas de moeda por equipamento (armas, munição, charms, etc), e podemos beber água em grandes barris para recuperar nossa energia.

Estranhos totens também são vistos enquanto perambulamos, incluindo alguns ligados, de alguma maneira, a portões travados por alguma energia escura. A área já disponível para exploração no atual build do jogo é grande, e os desenvolvedores prometem aumentá-la ainda mais.

O jogo brinca bastante também com os contrastes entre o preto, o branco e o vermelho, sendo que inimigos e os pontos de interesse também podem ser detectados (algumas vezes para nossa infelicidade) devido a isto. Explorar, em Betrayer, também é essencial, e ao caminhar você pode e deve olhar constantemente para todos os lados, pois nem tudo o que é interessante e útil é vermelho (algumas coisas brilham de forma esbranquiçada, apenas).

Betrayer

Este é um jogo em primeira pessoa muito promissor. A curiosidade fica muito grande pouco tempo após iniciada a campanha. Queremos saber mais a respeito daquele local misterioso. Queremos descobrir o porquê das cores estarem ali ausentes.

Aqui, também, de nada adianta partir para cima do inimigo com tudo, até mesmo porque o “tudo” que temos não é quase nada (armas antigas, também decoradas com pequenos toques vermelhos, com pouca munição e que requerem um tempo bem grande para serem recarregadas).

Betrayer se encontra atualmente à venda no Steam, e custa R$ 24,99.

Poderá gostar também

Pin It on Pinterest