Quake III

Quake III Arena está perto de completar seu 14º ano de existência. O jogo da lendária id Software, mesmo já tendo pendurado as chuteiras há um bom tempo, porém, protagonizou uma intrigante história ocorrida em 2011 mas que só agora se espalhou pela internet. Intrigante e, de certa forma, assustadora.

Antes de narrá-la, primeiro vamos relembrar de algumas coisas: Quake III Arena é um jogo de tiro multiplayer lançado em 1999. Sua mecânica e seu motor gráfico formam a base de dezenas de shooters atuais. Apesar de ser multiplayer, o jogo conta com um “modo de treino” contra oponentes controlados por computador (bots). A inteligência artificial (IA) desses bots foi elogiada à época por ser programada de forma a descartar estratégias ineficientes e manter apenas aquelas que favorecem o bom progresso do time dentro da partida.

Dessa forma, com o passar do tempo da partida, a IA “aprende” quais são as melhores táticas e descarta as piores. Visto que as partidas são finalizadas em poucos minutos, esse aprendizado é quase imperceptível e sem muitos resultados práticos. Porém, o que aconteceria se uma partida durasse…. QUATRO anos?

Quake III

Vamos à historinha:

Em 2011, um usuário anônimo postou no fórum 4chan suas descobertas intrigantes. Ciente do comportamento peculiar da inteligência artificial de Quake III Arena, ele resolveu rodar um servidor pirata com 16 bots lutando entre si, sem parar, no mesmo mapa. A expectativa era ver como os bots se adaptariam àquela condição.

Ele liga o servidor e inicia a partida. Quatro anos se passam e, depois de quase já ter esquecido do que fez, ele resolve voltar ao servidor e ver o que diabos, afinal, aconteceu. Como estariam os bots? Será que o servidor ainda está funcionando?

Bem, ele descobre que os bots estão simplesmente parados. Nada acontece, eles estão simplesmente parados em suas posições, desarmados, sem atirar e sem ferir ninguém. Ele checa o status do servidor, temendo que o sistema estivesse enguiçado, mas está tudo completamente normal.

O tal jogador resolve então entrar na partida pra ver como os bots vão reagir. E é aqui que a coisa fica realmente bizarra: os bots, aliados e inimigos, apenas olham na direção dele e o seguem ao longo de todo o mapa, mas sem apresentar nenhum comportamento ofensivo.

“O que aconteceria se eu atirar em um deles?”, indagou-se o jogador. Assim que o bot escolhido como alvo recebeu dano, todos os bots do servidor correram em direção às armas mais próximas, equiparam-nas e mataram o jogador. Antes que ele tivesse a chance de ver se os bots retornariam à guerra ou se continuariam como estavam, o servidor dá crash e desliga.

Fim.

Quake III

Verdadeira ou não, a história é, no mínimo, intrigante. Ela ganhou uma fama viral essa semana depois que uma screenshot contendo a narração da história no 4chan foi publicada no Twitter. Como não há vídeos e nem provas mais consistentes do fato, quem quiser acreditar vai ter que confiar na palavra do jogador anônimo. Há, porém, uma foto postada que exibe arquivos de 512 MB supostamente carregando os registros da inteligência artificial de cada bot. Veja bem: ao todo, são 8 GB de dados acumulados em quatro anos de tentativa e erro.

Entretanto, antes de soltar qualquer opinião cética sobre a narrativa acima, vamos pensar por um instante: a IA do jogo foi programada para aproveitar apenas as estratégias favoráveis, certo? Todas as estratégias que não funcionam e acarretam derrota são descartadas, correto? Então, será que após todo esse tempo, os bots perceberam que a melhor estratégia é simplesmente… a paz?

Não sei o que me assombra mais: essa conclusão ou o fato de terem criado uma Inteligência Artificial capaz de pensar para chegar a essa conclusão. SkyNet, oi?

Enfim, o único jeito de atestar a veracidade dessa história é repetindo o experimento, o que provavelmente já está sendo feito depois da divulgação dessa história. Pena que teremos que esperar alguns anos pra ver se o caso procede. 🙁

Artur Carsten

Catarinense, amante da música eletrônica, estudante de medicina e jogador nas inexistentes horas vagas. Ocasionalmente, escreve artigos e coloca em dia a pilha interminável de jogos comprados em promoção no Steam. Já passou pelo Campo Minado, Continue, Guia do PC, Gemind e Oxygen e-Sports.

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