O tal do Call of Duty Elite, mais novo “rebento” da copiadora com toner infinito da Activision, é um serviço muito polêmico. Não consigo me livrar da ideia de que se trata de algo criado com a intenção de arrancar mais dinheiro dos jogadores, pura e simplesmente, mesmo percebendo que o serviço conta com algumas coisas interessantes (tenho de dar a mão à palmatória). É claro que eu não farei parte da “Elite de Call of Duty”, mesmo porque dificilmente jogo COD online. A Activion, aliás, anunciou o preço do Call of Duty Elite: US$ 49,99 por ano.

Quem comprar a Modern Warfare 3: Hardened Edition ganha um ano de serviço na faixa, e se fizermos as contas, o preço mensal do mesmo sai em torno de US$ 4,16, ou seja, mais ou menos R$ 6,50. Não é caro, se pensarmos bem. Mas o que está incluso neste serviço? Bom, existe existe a versão gratuita e a versão paga de Call of Duty Elite, e é claro que grande parte dos recursos mais legais (ou não, depende do ponto de vista) estarão disponíveis somente para os pagantes.

O serviço pago inclui, por exemplo, acesso gratuito a todos os DLC’s lançados para Modern Warfare 3 (epa!) durante a vigência da assinatura, competições onde haverá inclusive a entrega de prêmios e troféus aos vencedores, benefícios exclusivos para os clãs, como por exemplo a possibilidade de melhorá-los mediante operações exclusivas para clãs, benefícios desbloqueáveis para os clãs, etc.

Quem assinar Call of Duty Elite também ganha acesso exclusivo a vídeo-tutoriais para cada arma e mapa, bem como mais espaço para o armazenamento de vídeos. Os assinantes também receberão acesso antecipado a possíveis novos recursos que forem implementados no serviço. É, eles também serão, de certa forma, “beta testers”.

É claro que tudo isto seria muito bacana, até, não fosse o histórico da Activision e o fato de que, por exemplo, a menção a acesso grátis (para os assinantes, lembre-se bem) a todos os DLC’s lançados para Modern Warfare 3 significa que a empresa está pensando em investir pesado nesta parte. Aliás, Eric Hirshberg, CEO da empresa, já deixou bem clara esta intenção, quando falou a respeito da “capacidade de continuar adicionando conteúdo para os games existentes através de DLC’s e opções online, mantendo os jogadores envolvidos em universos únicos muito maiores que os possíveis anteriormente“. Ou seja, lendo esta frase, e dando uma olhada na lista de benefícios do  Call of Duty Elite, é óbvio que veremos muitos DLC’s sendo lançados para Modern Warfare 3.

O Call of Duty Elite acabará fomentando a “máquina de criação de DLC”s” da Activision, pois é óbvio que a empresa desejará lançar a maior quantidade possível de pacotes de expansão para MW3, sejam eles  pacotes com 2 ou 3 mapas para o multiplayer, sejam eles pacotes com conteúdo removido do jogo antes de seu lançamento. Na página que descreve o conteúdo do serviço, podemos ler o seguinte: “More content than Ever, with 20 Pieces of New MW3 DLC“. Precisa traduzir?

É claro que diversos recursos estarão disponíveis aos não pagantes, como estatísticas, notícias, acesso ao serviço via navegadores, tablets e smartphones (iPhone, iPad e Android), acesso a guias para melhoria de performance, compartilhamento de vídeos com até 30 segundos de duração, etc. Mas a questão é: a Activision realmente está criando uma “Elite”. Não sei como será os comportamento dos membros desse “grupo”, mas a julgar pelos absurdos que já observei em algumas partidas onlines, é de se esperar que as coisas piorem bastante no multiplayer de Call of Duty, isto sem falar nos tais benefícios exclusivos para clãs, benefícios estes, lembrando mais uma vez, exclusivos para quem pagar pelo serviço.

Além disso, tenho certeza de que o novo serviço da Activision, o qual até Junho já havia recebido 2 milhões de inscritos para o período beta, e será lançado juntamente com Call of Duty: Modern Warfare 3, em Novembro, é mais uma maneira de ganhar dinheiro sem investir em novidades. Sem criar algo novo. Sem sair da mesmice. O próprio Eric Hirshberg disse isso, aliás. Pare ele, aliás, a demanda por novas IP’s tem diminuído. É claro. Para a Activision, pelo menos. Se a situação é confortável para a empresa, por que mudar e/ou tentar coisas novas?

Por que investir muito dinheiro em uma nova franquia, por exemplo, se é possível ganhar muito dinheiro com o Call of Duty Elite, os DLC’s de “brinde” para quem assinar o serviço e o dinheiro “arrecadado” entre quem não assinar mas desejar mesmo assim comprar os pacotes de expansão?

Pode até ser que o serviço seja interessante para quem joga muito online. Mas a mim ele não representa nenhuma tentação, além de parecer algo bem “mercenário”. É claro que não deixarei de jogar Modern Warfare 3, entretanto. Temos de separar as coisas e observar cada ação de uma desenvolvedora e/ou publisher dentro de seu contexto, principalmente quando lidamos com uma indústria tão inconstante e diferente como a de jogos eletrônicos. Aqui você encontra mais informações sobre o Call of Duty Elite. “And much more”.

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