Assassin’s Creed pode se transformar em uma série infinita

Publicado por em Dec 7, 2011 em Artigos | 16 comentários

Durante uma entrevista concedida ao [a]list, Tony Key, vice-presidente sênior de vendas e marketing da Ubisoft disse diversas coisas bem interessantes e intrigantes a respeito da franquia Assassin’s Creed, franquia esta cujo mais recente título, Assassin’s Creed: Revelations, foi lançado há pouco tempo, para PC, Xbox 360 e Playstation 3. A empresa menciona que sempre existe alguém, em alguns de seus estúdios, pensando na franquia. Segundo podemos depreender das palavras de Tony Key, aliás, a franquia poderia ser estendida de forma infinita.

Uma das dificuldades é lidar com as percepções de que [nós] não empregamos tempo suficiente desenvolvendo o game. Existe esta percepção equivocada a respeito da marca, de que nós continuamos criando [Assassin's Creed] uma vez por ano, e nós só gastamos um ano com isso… nós temos um estúdio em Montreal com 2.000 pessoas trabalhando em material. Nem todos estão no Assassin’s Creed, mas muitos estão, e então são muitos estúdios ao redor do mundo“, disse Key.

Nós não criamos games Assassin’s Creed em um ano. Isto é algo que queremos que as pessoas entendam, e espero confiantemente que a mensagem possa ser compreendida“, continua Key. Com o próximo Assassin’s Creed já previsto para 2012, estas palavras proferidas por um dos vice-presidentes da gigante francesa podem fazer com que nosso medo seja um pouco reduzido (ou não?).

Acredito (ou espero) que a franquia será conduzida de forma coesa. Ela possui enorme potencial para isto. Muitos jogos de qualidade ainda podem ser lançados dentro desta fantástica série cujo primeiro protagonista não caiu nas graças de muita gente. O final da “era Ezio”, apesar de triste, pode representar um recomeço. Um recomeço para uma das melhores séries de games que já joguei em minha vida. Não estou aqui defendendo a ideia de um Assassin’s Creed todos os anos, é claro. Mas as palavras de Tony Key me fizeram pensar bastante, e este artigo saiu como resultado de tais ponderações e também devido ao fato de que até hoje nenhum AC me decepcionou.

O que eu não gostaria de ver nesta série que tanto adoro é a sua transformação em mais uma franquia anual que repete todos anos as mesmas e “batidas” fórmulas, sem nenhuma inovação gráfica, sem nenhuma novidade em relação à narrativa, etc. Se for para Assassin’s Creed ser uma série infinita (aliás, sabemos de pelo menos uma que já o é), que pelo menos ela nos brinde a cada ano com títulos empolgantes, bonitos e que agucem bastante nossa curiosidade.

Creio até que “infinito” seja algo um tanto quanto exagerado. Mas e você, o que pensa disto tudo?

(Via: VG247)

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Indústria de games: quando o pequeno se torna grande. Existe mesmo diferença?

Publicado por em Nov 25, 2011 em Artigos, Indústria de games | 13 comentários

Já estamos aí com um novo “Humble Bundle” no ar. O “The Humble Introversion Bundle“, dedicado a jogos da desenvolvedora inglesa Introversion Software. Este novo bundle foi lançado em 22 de Novembro de 2011, ou seja, menos de um mês após o “The Humble Voxatron Debut“, o qual foi lançado em 31 de Outubro.

Bom, em 28 de Setembro tivemos o “Humble Frozen Synapse Bundle“, o qual teve como antecessor o “The Humble Frozenbyte Bundle“, em 12 de Abril. Esta iniciativa, a qual é uma verdadeira empresa, a Humble Bundle, Inc., a qual está sediada em São Francisco, nos Estados Unidos, começou em Abril de 2010, com o primeiro “The Humble Indie Bundle“. O “The Humble Indie Bundle 2” foi ao ar somente em Dezembro de 2010, e o terceiro foi lançado em Julho de 2011. O site da iniciativa, aliás, já diz que o “Humble Indie Bundle #4″ está chegando em breve. Aliás, esqueci algum bundle? Se esqueci, por gentileza, me avisem.

Não nego que se trata de uma iniciativa a princípio muito bacana, principalmente pelo apoio às instituições de caridade. Não nego, também, que seja uma ótima maneira de comprarmos ótimos jogos pagando o preço que nossa consciência ditar. Não nego, também, que gostamos. Não nego que já comprei e compro os bundles. É claro. Todos adoramos descontos e preços bacanas. Entretanto, se pararmos para pensar bem, talvez o pessoal da Humble Bundle, Inc. já esteja começando a crescer. “Crescer os olhos”, pensar em vender cada vez mais, pensar em lançar Humble Bundle’s com intervalos menores, etc.

Este ano já tivemos 3 Humble Bundle’s, e um novo já está nos planos, sendo dito inclusive o seguinte a seu respeito: “Humble Indie Bundle #4 is coming soon!“. Não duvido nada de que este novo pacote seja lançado ainda este ano, e, assim, teremos 1 por trimestre em 2011. É claro que esta iniciativa ajuda bastante não somente aos jogadores, mas também aos desenvolvedores independentes, os quais muitas vezes não conseguem inserir seus jogos em outros canais de venda, ou enfrentam grandes dificuldades ou têm de passar por diversos percalços em sua dura caminhada. E o lado humano da iniciativa também é fantástico, é claro, com os devidos benefícios para a “Electronic Frontier Foundation” e a “Child’s Play Charity”.

Tudo isto é verdade, eu sei. O que estou querendo dizer com tudo isto é: existem mesmo grandes diferenças entre um desenvolvedor independente e outro não independente, desconsiderando-se aqui o fator monetário? Devemos mesmo classificar um título como “indie game”, como o próprio Steam faz (e indie game lá é gênero?), somente porque ele, talvez, não conte com o apoio de uma publisher? Muitos indie games não são muito mais interessantes e criativos do que os ditos “AAA”?

Será que este tipo de rótulo não seria meio que nocivo, ao criar um nicho ilusório que poderia ser explorado por grandes empresas, algumas delas até mesmo mal intencionadas? Será que a Wolfire Games criou a Humble Bundle, Inc. com boas intenções? Este último link mostra que o processo pode ter iniciado em Abril de 2011. O domínio humblebundle.com está em nome da mesma empresa, e foi registrado em Maio de 2010. Antes disso a iniciativa não tinha um domínio próprio. Aliás, será que a Wolfire continua por trás do Humble Bundle? Ou será que ela é a única responsável?

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Distribuição digital sem segurança digital

Publicado por em Nov 18, 2011 em Artigos, distribuição digital | 8 comentários

Ontem o Aquino, do Retina Desgastada, publicou um excelente artigo, o qual me fez pensar no nível de segurança com o qual contamos durante nossa vida de “jogadores inclusos na distribuição digital”. Este termo, “distribuição digital“, é até que “figura carimbada” aqui no XboxPlus, e é claro que sei que qualquer sistema/website não é à prova de falhas/invasões, mesmo o todo poderoso Steam. Todos sabemos que o serviço de distribuição digital da Valve foi “hackeado”, e o artigo do Retina Desgastada me abriu os olhos para algo muito estranho, e que é justamente o título do mesmo: “O Silêncio da Valve“.

Até agora, só o que sabemos é que o Steam foi invadido. Um comunicado oficial foi feito pelo próprio Gabe Newell, no qual ele chegou inclusive a dizer o seguinte: “Não temos conhecimento de quaisquer contas Steam comprometidas“. Isto é bem estranho, pois o Aquino alertou para o fato de que um determinado site chegou a divulgar uma lista com 45 contas Steam provavelmente roubadas, pois foram divulgados dados como “nome de usuário”, “senha” e “e-mail”.

Mais “interessante” ainda é o fato de esta lista com contas surrupiadas ter sido divulgada no dia 01 de Novembro, enquanto que o comunicado oficial de Gabe Newell foi divulgado no dia 10. Será mesmo, aliás, que nenhuma outra informação confidencial foi comprometida? Qual a verdadeira extensão dos danos? Até onde chegaram os hackers, e o que eles conseguiram realmente? Estaria esta divulgação de 45 contas ligadas à invasão do Steam? Todos sabem que eu sou grande fã não somente da Valve, mas também do Steam. A questão aqui também não é discutir a respeito de qual é a melhor plataforma de distribuição, nem tampouco o próprio Steam em si.

O fato é: a internet é meio que uma terra sem lei, e hackers aprontam com tudo e com todos. O Steam foi “hackeado”. Ponto. Que segurança temos, por exemplo, no momento de realizarmos nossas compras? Como saber realmente se a transação está sendo realizada de forma totalmente segura, quando algo nos impede de utilizar o PayPal, por exemplo, sistema fantástico que, no entanto, também não seria à prova de “problemas”?

Aliás, que segurança temos em “tempos de distribuição digital”, quando compramos um game e não recebemos sua caixa e a mídia, mas tão somente um arquivo e um serial? No caso do Steam, por exemplo, a situação é um tanto quanto mais complicada neste sentido, pois os games são protegidos pela plataforma, trocando em miúdos. Aliás, em qualquer serviço de venda de jogos via download, temos de confiar na empresa. Ou, então, jamais compraríamos. Pois na “DD” estamos comprando algo um tanto quanto intangível.

Se determinada empresa falir ou resolver, de uma hora para outra, sumir do mercado, é provável que fiquemos sem nossos games. Isto poderia ocorrer, por exemplo, no caso de uma hipotética falência do Steam/Valve (o que não creio). Caso uma terrível catástrofe ocorresse, por exemplo, e ocorressem problemas de autenticação, ou até mesmo o Steam deixasse de existir, backups de todos os nossos jogos em um HD externo talvez não valessem nada.

É claro que estou aqui levantando uma hipótese meio que absurda, e tenho certeza de que a Valve é uma empresa séria, e mesmo se algo deste porte viesse a ocorrer, ela nos forneceria alguma alternativa. Mas o fato é que na distribuição digital compramos, resumindo ainda mais, nada mais nada menos que “serial numbers”, grande parte das vezes. Compramos números, números que podem significar muita coisa agora mas que em um hipotético e, assim espero eu, muito distante futuro, talvez não signifiquem nada.

Mesmo assim continuo confiando na Valve, apesar de achar estranho seu silêncio, mesmo após a volta do fórum do Steam ao ar. O último comunicado a respeito do incidente é aquele que todos já conhecemos, no qual Mr. Gabe chega a sugerir a troca de senhas e que também fiquemos de olho nas atividades de nossos cartões de crédito, apesar de dizer que a empresa não possui evidências de roubo de dados de cartões nem tampouco de quebra na criptografia destes dados.

Ok, segurança nunca é demais. Entretanto, tudo isto é muito estranho. Onde está a Valve? Se tudo já foi resolvido (o que espero), porque não liberaram um novo comunicado? É engraçado como neste artigo fujo do tema “Valve/Steam” e volto a ele com frequência; isto talvez ocorra porque estamos lidando com o maior site de distribuição digital de jogos para PC da atualidade. Talvez “Steam” e “distribuição digital” se misturem e sejam confundidos, em nosso subconsciente.

Continuo, porém, acreditando no futuro, na evolução e nas vantagens da distribuição digital. Ultimamente, aliás, tenho jogado muito mais no PC do que em consoles, e não sinto que isto vá mudar. Mas o medo de perder acesso a tudo o que já comprei em diversos serviços é, digamos, algo que me acompanha em todos os momentos. Ele varia conforme a empresa, e pode muitas vezes ficar escondido. Mas ele está lá.

E você, qual sua opinião sobre este assunto?

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Alegrias, decepções e coisas que só a indústria de jogos eletrônicos faz por você

Publicado por em Nov 4, 2011 em Artigos, Indústria de games | 6 comentários

A indústria de jogos eletrônicos consegue nos provocar alegrias, decepções e uma enorme gama de outros sentimentos de uma forma realmente interativa e intensa. Nós, na verdade, permitimos que seja assim. Acompanhamos o hype de cada novo jogo anunciado, sofremos durante a espera, sofremos mais ainda quando o lançamento é adiado, conseguimos algumas vezes pressionar desenvolvedores para que melhorem seus games, lancem conteúdo gratuito e corrijam problemas de forma mais rápida, e também fazemos parte de um mercado que lida com grandes doses de emoção cercada e muitas vezes cerceada por muito dinheiro.

Um jogo eletrônico é uma experiência interativa que pode construir, destruir, ensinar, embevecer, divertir, fazer bem, causar mal estar, etc. A lista aqui seria longa. Enxergo os jogos eletrônicos como a mais poderosa opção de entretenimento interativo atualmente existente, pois além da grande quantidade de plataformas, gêneros de games e mercados existentes, todo e qualquer game requer do jogador pelo menos um mínimo de atenção, reflexão e ação de acordo com as informações transmitidas, sem falar no fato de que todo jogo eletrônico é um verdadeiro conjunto áudio-visual que permite que o jogador “meta o dedo”, faça besteira, erre e aprenda sem que seja necessário sair de sua casa, o que certamente causará mais atividade elétrica em sua massa cinzenta.

O fato de muitos jogos, principalmente os mais recentes, contarem com gráficos extremamente realistas, como o recém lançado Battlefield 3, por exemplo, faz com que a experiência como um todo assuma ares de uma película. De um filme interativo. Obviamente nem todo bom jogo deve contar com gráficos espetaculares, mas a evolução da indústria meio que segue determinados caminhos fixos, e a excelência gráfica é algo que muitas empresas buscam.

Conseguimos nos decepcionar com os games de forma muito forte, também, justamente devido a esta interatividade com a qual eles são dotados, dentre outros elementos, pois trailers, informações e screenshots divulgados antes do lançamento do título em questão muitas vezes não representam a verdade, e nestes casos aquele jogador que, por exemplo, já comprou o game durante o período de pré-venda, poderá se “decepcionar em tempo real” justamente “brincando” com algo que, a princípio, parecia ser maravilhoso.

Passamos por experiências assim, em 2011. Brink, da Splash Damage, se mostrou uma verdadeira arapuca. E Duke Nukem Forever deveria ter permanecido no limbo onde se encontrava. Pobre Gearbox. Todas estas experiências negativas com jogos eletrônicos causam grandes doses de stress ao jogador, principalmente quando pensamos que muitos jogos ruins foram comprados após grande esforço financeiro por jogadores que acreditavam que eles seriam maravilhosos.

Estamos vivendo uma época bem estranha, no mundo dos games. Pré-vendas bem estranhas são iniciadas, com pequenos detalhes inclusos nas “letrinhas minúsculas” que, no final de tudo, fazem grande diferença. As empresas parecem esconderem as coisas não somente dos jogadores, mas também de suas assessorias de imprensa, e quando os fatos são devidamente esclarecidos, talvez grande estrago já tenha sido causado à marca e à imagem da empresa, mesmo quando se trata de um ótimo game.

Analistas de mercado dotados de poderes não lá muito especiais conseguem prever que títulos pertencentes a franquias renomadas renderão mais de 1 bilhão de dólares já nas primeiras 6 semanas pós lançamento, e MMO’s que muita gente não prestava atenção conseguem receber mais de 100.000 novos usuários pouco tempo depois de se tornarem gratuitos. Sim, estou falando do DC Universe, jogo que sempre achei bem interessante.

O próprio modelo free-to-play acaba, muitas vezes, não se mostrando atrativo simplesmente pelo fato de que determinados títulos contam com “cash shops” que inserem automaticamente os gamers que jogam de forma gratuita em uma espécie de “pelotão desarmado”. Isto sem falar com os “jogos gratuitos de mentira”. Tudo isto conta com interatividade. Toda esta interatividade pode fazer com que um jogador passe a ter mais amor ainda por jogos eletrônicos, mas também pode fazer com que ele se decepcione tremendamente com os mesmos, a ponto de fazê-lo diminuir sua presença e atuação em meio ao universo que move este passatempo infelizmente (pelo menos para nós, no Brasil) tão caro.

DLC’s caça-niqueis enfrentam a boa vontade de empresas que lançam conteúdo de qualidade de forma gratuita, mas ainda aqui existem aqueles jogadores que agem e compram, por exemplo, pacotes com 2 ou 3 mapas por 15 dólares. A indústria de games também conta com oferta e procura, e todos são livres para desenvolverem e comprarem aquilo que bem entenderem.

Mas é óbvio que nem tudo anda mal, na indústria de games. Este ano mesmo tivemos ótimas surpresas. Bulletstorm, da People Can Fly / Epic Games, provou que um FPS pode ser belíssimo, divertido e cheio de humor. Hard Reset mostra até hoje que pequenas empresas podem, de forma independente e com muita criatividade e esforço, criarem verdadeiras obras primas. Crysis 2 mostra que um antecessor com história rasa pode contar com uma sequência com uma história bem melhor, e que muitos jogos podem ser divertidos, venderem bem e serem emocionantes mesmo para quem se preocupa apenas com seus gráficos.

Deus Ex: Human Revolution chegou em 2011 apostando em altos desafios para o jogador, e revivendo uma franquia famosa de maneira espetacular. Homefront, apesar de seus problemas, mostra que é possível mudar-se o “esquema” dos FPS’s de guerra anuais, com uma história diferente e exibindo os vencedores em inúmeros títulos protagonizando papel de perdedores e tendo de lidar com uma invasão em seu próprio país, sofrendo muito devido a isto, aliás.

A CD Project com seu The Witcher 2 deu grandes lições a outras grandes empresas, mostrando que o cliente pode (e deve) ser agraciado com updates e atenção constantes, conteúdo gratuito e material extra, e que isto não representa nenhuma perda à empresa, muito pelo contrário.

Desenvolvedores independentes e/ou pequenos estúdios também se tornam cada vez mais fortes, e lançam jogos que rapidamente se tornam um sucesso, vendem bastante, etc. Orcs Must Die! conseguiu entregar mais inovações no campo dos jogos estilo tower defense, e Bastion mostrou que muitas vezes grandes empresas prestam atenção nas pequenas que trabalham com amor àquilo que fazem. O ciclo nunca pára. EDGE nos apresenta algo simples e desafiador, mostrando que diversão e qualidade nem sempre estão ligadas a gráficos de ponta e a jogabilidade complexa. Os exemplos são inúmeros, qual seria o seu? :)

As decepções, alegrias, tristezas, medos, incertezas e fraquezas estão presentes na indústria de games de maneira bem forte, talvez devido ao fato de erros e acertos serem não somente noticiados, mas sim vistos, ouvidos, jogados e destrinchados. Talvez tenha chegado um momento em que a indústria deva começar a perceber que os jogos eletrônicos não são meros brinquedos jogados em um mercado que pouco se importa com o impacto que eles causarão.

E, talvez, também seja necessária mais interatividade de nossa parte, até mesmo longe de nossos controles, mouses, teclados, televisores, consoles e monitores. O Nuuvem está aí, mostrando que o mercado brasileiro pode contar com um serviço de distribuição digital de qualidade, mesmo com toda a bur(r)ocracia que grassa nos órgãos governamentais responsáveis pela classificação dos jogos.

Aliás, temos um longo futuro pela frente. Quais seus pensamentos a respeito disto tudo?

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Gabe Newell acredita que a Apple é uma ameaça para as atuais plataformas de jogo

Publicado por em Oct 14, 2011 em Artigos | 16 comentários

A Apple está no “topo das notícias”, digamos, durante as últimas semanas. O lançamento do iPhone 4S e a morte de Steve Jobs fizeram até com que muita gente ouvisse falar a respeito da empresa pela primeira vez na vida. E o chefão da Valve, Gabe Newell, não poupou a empresa da maçã durante a conferência “Washington Technology Industry Association’s TechNW”. Para Gabe Newell, o que parece é que, em algum momento, no futuro, a Apple irá deter em suas mãos o controle total dos jogos eletrônicos.

Newell parece ter em mente a idéia de que a “concorrente” irá matar, de alguma forma, os consoles de videogame. “Eles constroem uma coisa brilhante e cintilante que atrai os usuários e então eles controlam o acesso das pessoas àquelas coisas“, disse ele. E ele continua: “Eu suspeito que a Apple lançará um produto para as salas de estar que redefinirá as expectativas das pessoas de forma realmente forte, e a noção de uma plataforma de console separada irá desaparecer“.

O dono da Valve também demonstra preocupação em relação ao fato de, em sua opinião, o mundo estar se afastando de plataformas abertas. Bom, pelo menos em relação a jogos eletrônicos, creio que o PC é uma das maiores plataformas abertas atualmente, e existem muitos títulos gigantes exclusivos para a mesma. Talvez tenhamos aqui apenas as inquietações e pensamentos do cofundador e presidente de uma empresa que vive de jogos para computador.

Uma empresa extremamente inovadora e forte que, no entanto, parece possuir como líder alguém que pensa, talvez, “muito la na frente”. Newell tem razão em se preocupar com a Apple, é claro. Da mesma maneira que ele tem razão em se preocupar com a Microsoft, com a Sony, com o GamersGate, etc. A concorrência nesta área, nesta indústria, é muito acirrada, e temos de nos lembrar de que, pelo menos por enquanto, não temos uma hegemonia no setor. Nem sequer sabemos se isto acontecerá algum dia.

Diversos títulos são lançados com exclusividade, e diversos outros não. Temos títulos exclusivos para PC, outros para o console da Sony, outros para consoles portáteis, e por aí vai. Me parece que Gabe Newell esta sendo até mesmo um tanto quanto pessimista em relação a isto tudo. A Apple já está presente no mercado de jogos. O iPhone e o iPad são fantásticas plataformas portáteis para games, e se considerarmos somente o iPhone, temos aí um aparelho pequeno, que pode ser levado para qualquer lugar sem problema algum, e que conta com uma biblioteca de jogos variadíssima e com preços para todos os bolsos.

Quando Gabe Newell diz que está preocupado com o fato de fontes tradicionais de inovações estarem acabando, ele talvez esteja deixando vir à tona o seu lado “PC gamer/PC games seller”, e não parece estar enxergando o que acontece à sua volta. O último “Humble Indie Bundle” foi um sucesso enorme, vendendo somente jogos para PC. E acredito ainda que este medo por parte de Gabe Newell, se é que se trata de medo, ou preocupação, é infundado. O PC sempre existirá como plataforma de jogos eletrônicos. Se haverá ou não uma nova geração de consoles, somente o futuro nos dirá. Empresas como Intel, AMD e NVIDIA estão aí para sempre nos suprirem com hardware de ponta.

É fato comprovado, aliás, que o hardware do PS3 e do Xbox 360 já está obsoleto, mas isto não impede, por exemplo, que muitas desenvolvedoras ainda façam milagres. Gears of War 3 é um jogo belíssimo, e temos também de levar em consideração que um jogo não é composto apenas de gráficos. A (por enquanto) hipotética próxima geração de consoles pode muito bem focar de forma não muito forte na parte gráfica, mas sim na experiência.

Na conexão dos jogadores entre si, na criação de redes mais fortes, seguras e com mais recursos, etc. O próprio Steam e seu conjunto de funcionalidades pode ser utilizado como exemplo para recursos presentes em uma próxima geração de consoles. Se a Apple vai entrar no mercado de consoles não portáteis, ninguém sabe. Se a empresa o fizer, tenho certeza de que algo muito bacana será lançado.

Mas o mercado é enorme. Jogadores possuem gostos diferentes, e gamers existem aos milhões. Portanto, há espaço para tudo e para todos. É interessante saber o que o figurão da Valve pensa sobre a indústria de games. Resta-nos saber se tudo o que ele disse na ”Washington Technology Industry Association’s TechNW” foi dito com sinceridade ou não.

(Via: VG247 e Kotaku)

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EA: sem tensão em relação à Valve – gamers: jogando COD com faca de cozinha

Publicado por em Oct 3, 2011 em Artigos, Indústria de games | 8 comentários

A EA não enxerga tensão alguma em sua relação com a Valve. Será que somente nós, jogadores, que compramos, jogamos títulos e utilizamos as plataformas de ambas as empresas, enxergamos os problemas? Aliás, será que existe algum problema, ou estamos todos fazendo uma enorme tempestade em um copo d’água? O fato é que esta balbúrdia toda entre EA e Valve “teve sua origem no Origin“, de certa forma, e as coisas ficaram mais estranhas quando John Riccitiello, CEO da EA, disse que o novo serviço não venderá somente games da Electronic Arts.

Jens Uwe Intat, da EA Europa, aliás, diz que o relacionamento entre as duas empresas continua indo bem, e que espera que as duas continuem trabalhando juntas. É claro que agora sabemos que muitos problemas (apesar de grande silêncio por parte da Valve), principalmente a  remoção de Crysis 2 do Steam, foram causados devido a conflitos entre algumas regras da Valve em relação à sua plataforma de distribuição e a liberdade que a Electronic Arts deseja manter em relação a seus títulos.

O fato da transformação da EA Store no Origin foi algo bem estranho, a princípio. Estranho até o momento em que não sabíamos que a empresa tinha a intenção de criar um concorrente ao Steam, vendendo não somente seus próprios games. Óbvio que ela tem todo o direito de fazer isto, mas se alguém neste pequeno planeta deseja competir com uma plataforma como o Steam, deve pelo menos tentar fazer as coisas direito.

E o que temos hoje no Origin é um arremedo de uma plataforma de distribuição digital de games. Nem se sabe se a função de atualização automática dos games funciona, e o cliente é pobre ao extremo. O próprio site, por enquanto, pelo menos, é também pobre, e não chega nem a fazer cócegas ao Steam (levando-se em consideração tanto seu catálogo quanto seu apelo visual e seus recursos). Isto pode mudar (e vai, pelo que estamos observando), mas creio que algo assim deveria ter sido lançado com pelo menos alguns recursos chamativos, algumas promoções bacanas, e com uma loja mais atrativa.

A Valve é operada por pessoas muito inteligentes, e eu diria que isto também é verdade em relação à Electronic Arts, somos todos bons homens de negócios“, disse Intat ao site Gamesindustry. O figurão da EA ainda continua: “Então, sobre a Valve, quando eles estão buscando por distribuidores para seus produtos, examinando qual publisher poderia efetivamente fazer isso, eu acho que nós somos a melhor publisher no planeta, tanto na Europa quanto na América do Norte“.

Uma grande dose de arrogância aqui, não? Mas, infelizmente, não deixa de ser uma grande verdade o fato de que a EA é uma das maiores, senão a maior e mais bem estruturada publicadora de jogos eletrônicos do mundo. Vejo nas palavras de Jens Uwe Intat uma certa dose de ameaça, também. Hoje em dia temos muitos grandes e pequenos estúdios de desenvolvimento de games que são de propriedade de diversas publishers.

Se levarmos em consideração, por exemplo, a Zenimax, temos sob suas asas a Bethesda, a id Software e inúmeras outras publishers e desenvolvedoras. No meio disto tudo, temos também a Take-Two e a 2K Games, Rockstar Games, etc. Ou seja, vejam só quantos jogos e franquias estão aqui “englobados”: Doom, RAGE, BioShock, Borderlands, GTA, L.A. Noire, Max Payne, Civilization, e diversos outros. Parece que cada vez mais caminhamos para um mundo de “mega corporações gamers” onde o dinheiro é tudo e o jogador não é nada além de um provedor. De dinheiro.

Isto pode ser observado até mesmo nas tais pré-vendas que oferecem apenas itens in-game como “prêmio”. RAGE mostra isto bem claro, e até mesmo para Deus Ex: Human Revolution foram recentemente lançados alguns DLC’s que nada mais são do que conteúdo já “entregue” a quem comprou o jogo em pré-venda, em determinados locais. Um dos tais DLC’s chega a contar com o absurdo de oferecer créditos in-game para quem o adquirir. Isto é um absurdo seja durante a pré-venda seja após a mesma, pois acredito que qualquer progresso dentro de um jogo eletrônico, seja ele relativo a habilidades ou financeiro (mesmo que virtual), deva ser obtido pelo esforço do próprio jogador.

Estamos chegando a um ponto onde, sinceramente, muitas empresas nos causam medo. Eu, pelo menos, me sinto assim. Voltando à Electronic Arts, Jens Uwe Intat fala também em concorrência. Mas a concorrência pode ser ameaçada a partir do momento em que a possibilidade de escolha é removida. À partir do momento em que a EA, por exemplo, removeu Crysis 2 do Steam, enquanto o mantém no Origin e em diversos outros sites de distribuição digital, ela eliminou a gigante Valve e seu Steam como concorrentes em relação àquele produto.

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