Quando não podemos jogar um jogo pelo qual pagamos e quem não pagou pode
A Ubisoft já chegou a remover o seu “always on” DRM de alguns de seus jogos. Claro, após muita discussão com os jogadores, pressão da imprensa, etc. Entretanto, este sistema imbecil continua funcionando em diversos títulos da empresa. Este sistema que deixa ilesos aqueles que não pagaram pelo jogo, e penaliza quem pagou.
Este sistema que exige conexão constante à internet mesmo no caso de partidas singleplayer. O cúmulo do absurdo, não? De qualquer forma, até que é possível contornarmos alguns problemas relacionados, mesmo com raiva, desde que tudo funcione “do lado de lá”. O mínimo que se espera de uma empresa que utiliza um DRM como este é transparência e servidores sempre online.
Mas isto mudará. Temporariamente, mas mudará. Na próxima semana a Ubisoft mudará alguns de seus serviços online de data center, e a empresa não informa quanto tempo este processo durará. A “mudança” começará na próxima terça-feira, 07 de Fevereiro, e a partir daí, jogos como, por exemplo, H.A.W.X. 2, Might & Magic: Heroes 6 e The Settlers 7 simplesmente não funcionarão.
Ou seja, quem comprou os games acima não poderá jogar. Por quanto tempo? Ninguém sabe, e a empresa nem faz questão de informar este “pequeno” detalhe. É como ir no caixa de uma padaria, morrendo de fome, comprar um lanche e, com o ticket em mãos, aguardar em um balcão vazio até que algum atendente tenha a boa vontade de lhe atender.
E enquanto isso muita gente estará rindo à toa. Versões piratas dos jogos que, em suas versões normais, possuem este “DRM-tralha”, funcionarão sem problemas, pelo menos no que diz respeito aos modos singleplayer. Para que exigir conexão constante, eu me pergunto? Para que tratar jogadores de forma tão desrespeitosa?
Que “gênio” (ou gênios) inventou este DRM que a Ubisoft ainda tem coragem de dizer que é muito bom? Sabemos que DRM não serve para nada. É lixo. Não reduz a pirataria e ainda representa um incentivo para crackers e afins, ao mesmo tempo que deixa jogadores “legais”, muitas vezes, com sérios problemas nas mãos.
Será que a Ubisoft pensa nisto tudo? É impossível sequer imaginarmos que todos estes fatores não passem pela cabeça dos executivos da empresa. O que me deixa perplexo é a insistência em algo que não serve para nada. Bom, serve sim: muitos jogadores certamente já enxergam a gigante francesa com outros olhos.
A lista abaixo contém jogos que serão afetados e jogos que não serão afetados pela manutenção:
Games afetados
- Assassin’s Creed – Mac;
- Tom Clancy’s H.A.W.X. 2 – PC;
- Might & Magic: Heroes VI – PC;
- Splinter Cell Conviction – Mac;
- The Settlers 7: Paths to a Kingdom – PC;
- The Settlers – Mac;
Games não afetados
- Anno 2070;
- Assassin’s Creed: Revelations;
- Driver: San Francisco;
- Just Dance 3;
- The Settlers Online;
Será que os criadores deste “maravilhoso” sistema pensaram nas futuras, possíveis e necessárias manutenções nos servidores? É claro que sim. Será que eles se importaram com isso? É claro que não.
(Via: Rock, Paper, Shotgun e Gamespot)
Leia maisEA: Origin gera mais de US$ 100 milhões e SWTOR tem mais de 1,7 milhões de assinantes ativos
Enquanto a THQ vai mal das pernas, a Electronic Arts anuncia aos quatro ventos seus lucros e sucessos. O Origin, seu serviço de distribuição digital de games para PC (que não parece gostar muito do Brasil), foi responsável por uma receita de mais de 100 milhões de dólares em 2011, sendo que mais de 9 milhões de clientes estão registrados junto ao mesmo. Obviamente uma certa parcela destes clientes se registraram devido à obrigatoriedade de possuir uma conta junto ao serviço para jogar games publicados pela EA.
Battlefield 3 e FIFA 12 venderam, cada um, mais de 10 milhões de unidades, e Star Wars: The Old Republic já possui mais de 1,7 milhões de assinantes ativos. O MMORPG da BioWare, aliás, o qual não está disponível no Brasil, vendeu mais de 2 milhões de unidades em pouco mais de um mês. A EA também menciona que as vendas da PopCap, estúdio adquirido em Julho do ano passado, cresceram 30 por cento em 12 meses.
Outras façanhas, grandes, é claro, também foram anunciadas pela empresa, como por exemplo lucros Non-GAAP de mais de 1 bilhão de dólares no ano calendário de 2011. Vale ressaltar que estes números absurdos foram obtidos através de transações digitais. É muito dinheiro. Muita gente está comprando jogos da EA. Muita gente assinou e joga SWTOR, também, e a EA está rindo à toa, mesmo que todos saibamos a respeito de sua voracidade e enorme vontade de ganhar o máximo possível sem oferecer muita coisa em troca. Claro, isto não é uma regra, mas acontece com bastante frequência.
“Estamos satisfeitos por reportar um forte trimestre impelido por Battlefield 3, FIFA 12 e uma forte manifestação de nossos games e serviços digitais. Star Wars: The Old Republic está desenvolvendo uma comunidade de jogadores comprometida, com mais de 1,7 milhões de assinantes ativos, e crescendo“, disse John Riccitiello, CEO da EA.
Infelizmente esta “comunidade de jogadores comprometida” mencionada, em relação a SWTOR, deixa de fora os jogadores brasileiros, pelo menos através das vias normais e esperadas. A publisher também espera, até o quarto trimestre do ano fiscal 2012, gerar uma receita líquida Non-GAAP de 925 milhões a 975 milhões de dólares.
Ainda no campo das grandes realizações da EA, a empresa menciona que o MMORPG Star Wars: The Old Republic vai de vento em popa e, segundo ela, é o MMO pago com o maior crescimento de todos os tempos. Ela também menciona que o uptime dos servidores do jogo é de mais ou menos 99.5%. Particularmente, tenho muita curiosidade em testar SWTOR, entretanto, o não lançamento do jogo no Brasil me decepcionou bastante, principalmente devido ao fato de que não existem razões para este tipo de tratamento que exclui determinados países.
“Estamos verdadeiramente honrados pelo incrivelmente forte apoio de nossos jogadores que estão apreciando Star Wars: The Old Republic. Nossa equipe inteira trabalhou duramente durante as férias para entregar uma experiência polida no lançamento, e a resposta ao game, de nossos fãs e críticos, tem sido excepcionalmente gratificante“, disse o Dr. Ray Muzyka, co-fundador e gerente geral da BioWare.
Infelizmente, também, toda esta experiência e este trabalho não podem ser apreciados no mundo inteiro, e muitos brasileiros, por exemplo, estão de fora dos números abaixo, relativos a SWTOR:
- Mais de 239 milhões de horas in-game, ou mais de 332.000 meses, e mais de 27.000 anos in-game;
- Mais de 20 bilhões de NPCs mortos;
- Mais de 148 bilhões de créditos gastos;
Outra novidade divulgada pela EA diz respeito ao Origin (novamente). O serviço conta com mais de 27 parcerias, e hoje sete novas publishers firmaram um acordo para a distribuição de seus jogos no serviço, incluindo, pasmem, a Remedy e Alan Wake para PC. Dentre as novas publishers, pode-se citar, por exemplo, Focus Home Interactive, Iceberg Interactive, Strategy First, Macro Games, Selectsoft and Legendo Entertainment.
Claro, isto tudo “não pertence a nós”, brasileiros. Fico me perguntando quando a Electronic Arts irá liberar o Origin para o mundo todo, se é que ela o fará. Se ela conseguiu atingir números tão significativos com um serviço que exclui no mínimo um país, o que não seria possível com um serviço aberto, como o Steam, por exemplo?
Como concorrer neste mercado tão agressivo com tantas restrições a si mesmo? E mais: como continuar agradando ao mesmo tempo em que não se tem o devido respeito por quem ajuda a pagar seu almoço? Talvez “o buraco seja mais embaixo”, não sei, mas o fato é que, sinceramente, não consigo entender a EA, em diversos aspectos. Quem sabe com o tempo.
Leia maisOs DLCs e as práticas e sistemas que podem alterar negativamente o futuro dos jogos eletrônicos

A inspiração para este texto veio de um excelente artigo escrito pelo C. Aquino, no Retina Desgastada (leitura recomendadíssima). Hoje em dia vivemos em um mundo onde jogos eletrônicos não são mais nossos, quando os compramos. Ok, compramos o direito de utilização, e não o direito de realizar engenharia reversa, modificar o software, etc (mas muitas vezes nem mesmo o direito de utilização nos é dado, após a compra).
Isto é algo que todos sabemos, e que faz parte de nossa “vida de jogador” desde quando jogávamos em velhos consoles como NES, Master System, Mega Drive, etc. Isto é algo, aliás, comum a qualquer software que seja vendido no mercado. A não ser que obtenhamos junto ao desenvolvedor o código fonte e o direito de modificá-lo, temos apenas a licença de uso do mesmo. O mesmo se aplica aos games que jogamos em nossos computadores e consoles.
Melancólica estrada
A indústria de games está caminhando em uma direção muito triste. Sofremos “nas mãos” de DRMs que funcionam apenas para quem pagou pelo jogo. Podemos ficar sem jogar determinado título que adquirimos enquanto jogadores que possuem “versões alternativas” não passam pelo mesmo problema. Podemos sofrer, também, com DLCs que nada mais fazem que desbloquear conteúdo já presente no jogo que compramos, como bem disse o Aquino. E a indústria de games também descobriu que lançar um jogo e entupir as prateleiras (virtuais ou não) de DLCs é uma ótima ideia para encher cofres já bem abarrotados de dinheiro.
Além disso, temos também empresas da área que trabalham com afinco para extraírem tudo o que podem de suas franquias, lançando uma sequência atrás da outra e, muitas vezes, sequências e/ou jogos pertencentes à mesma série que não possuem nenhuma inovação. Nada que faça com que valha a pena comprá-los. Obviamente muitos de nós acabamos sendo pegos nesta armadilha. Seja por gostarmos muito da franquia, seja por termos de analisar o jogo em questão, seja por ingenuidade, seja por [você decide aqui sua motivação, neste caso].
Não existe mais hoje em dia, salvo algumas exceções, aquela preocupação com o jogador que existia antigamente. Podia nem se tratar de preocupação, mas no caso de jogos vendidos em cartuchos, por exemplo, não era possível o lançamento de patchs para corrigir bugs e falhas grotescas que observamos atualmente mesmo em grandes títulos. Desenvolvedoras e publishers, antigamente, tinham de realizar um trabalho bem feito, e nada mais. Tinham de nos entregar nada mais nada menos do que aquilo que esperamos quando compramos um jogo.
É claro que os jogos antigos também não estavam livres de bugs, mas não existia a enorme quantidade de problemas que observamos atualmente (sem falar no desrespeito), como por exemplo a incompatibilidade de Batman: Arkham City com o DirectX 11. Aliás, este problema continua sem solução: o último update foi lançado em 07 de Dezembro de 2011, e nem a Warner nem a Rocksteady se mexeram.
Parece que nos tornamos algo supérfluo para uma indústria gigante que desenvolve apenas para ganhar prêmios, reviews positivos e notas altas no Metacritic. Isto é absurdo, é claro, pois prêmios e boas notas estão relacionados à vendagem, de certa forma. Disse isto apenas para demonstrar a maneira como enxergo o trabalho de muitas desenvolvedoras e publicadoras, que tratam jogadores como um mero número em suas bases de dados.
Hoje vivemos em um mundo conectado, e a internet é parte importantíssima do mercado de jogos eletrônicos. Esta mesma internet é que nos entrega, por exemplo, DLCs muitas vezes desnecessários. Quero deixar bem claro que não possuo nada contra DLCs, desde que possuam conteúdo de verdade. Lair of the Shadow Broker, para Mass Effect 2, é um belíssimo exemplo de um fantástico DLC. Aliás, digo o mesmo do DLC Overlord, mesmo este último não sendo tão grandioso quanto Lair of the Shadow Broker. Até mesmo Arrival foi muito bom.
Mas a verdadeira questão é: seremos para sempre “massacrados” desta forma? Podemos optar entre comprar ou não um DLC, por exemplo, mesmo sabendo que muitas vezes não comprar significa ficar de fora de uma certa parte da brincadeira. Mas DRMs nos são impostos. Franquias consagradas são muitas vezes estragadas pela grande ganância de empresas que não querem qualidade, e sim dinheiro no bolso através de lançamentos constantes.
Não estou dizendo que bons jogos não são lançados. Eles são, é claro. Mas uma grande parte das desenvolvedoras e publishers parece pensar nos jogadores como beta testers. Beta testers, aliás, que pagam para passar raiva. Pré-vendas são realizadas sem que, muitas vezes, nenhum benefício seja oferecido aos compradores. Grandes jogos muitas vezes passam despercebidos pelo grande público, enquanto os “grandes com mais do mesmo” vivem iluminados por holofotes fortíssimos.
Analistas e grandes sites especializados muitas vezes podem até mesmo receber para falar bem de determinados títulos, e se alguém fala mal de um jogo, como aconteceu recentemente com o (infelizmente) sofrível AMY, ainda temos de aguentar as empresas responsáveis dizendo que as notas baixas se devem ao fato do jogo ser difícil, como se este fator tivesse alguma relação com a qualidade ou não de um jogo eletrônico.
O fato é que caminhamos para um futuro que, pelo menos por enquanto, não parece nada promissor. Temos jogos promissores sendo anunciados. Temos bons títulos no mercado. Temos empresas sérias e que respeitam o jogador. Mas tudo isto está inserido em um mercado um tanto quanto podre, e todos sabemos que uma maçã podre pode estragar as outras em seu redor. Mas estamos aqui, e gostamos de games. De uma forma ou de outra, sempre somos afetados por tudo isto, e muitas vezes, até, por livre e espontânea vontade.
Leia mais1C Company em breve também estará no Origin, da EA
A 1C Company é a maior desenvolvedora e publisher Russa, creio eu. A empresa também trabalha com localização e distribuição de jogos eletrônicos, com foco na Europa central e no Leste Europeu. Fundada em 1991, a 1C company possui diversos estúdios de desenvolvimentos internos, e dentre as séries que foram desenvolvidas por seus próprios estúdios podemos mencionar, por exemplo, IL-2 Sturmovik e Theatre of War. A empresa também trabalha com mais de 30 estúdios independentes, e já produziu mais de 100 projetos juntamente com os mesmos, tanto para PC quanto para consoles.
Aqui, podemos mencionar, por exemplo, games como Rig’n'Roll, Soldiers: Heroes of World War II, King’s Bounty: The Legend, King’s Bounty: Armored Princess, King’s Bounty: Crossworlds, Off-Road Drive e Real Warfare 2: Northern Crusades. Trata-se de um portfolio muito interessante e variado, e de uma das empresas que mais admiro nesta grande e muitas vezes estranha indústria de jogos eletrônicos. A 1C, aliás, acaba de anunciar que seus títulos estarão disponíveis no Origin, da EA, em breve.
Jogos como Men of War: Assault Squad GOTY Edition, Men of War: Condemned Heroes e King’s Bounty: Warriors of the North em breve farão parte do catálogo do Origin. Resta-nos saber se estes títulos serão adicionados apenas ao Origin internacional, como ocorreu com o MMORPG Rift, recentemente.
Pelo andar da carruagem, não consigo me desvencilhar desta ideia, da mesma maneira que não consigo encontrar razões para que a Electronic Arts não venda todos os jogos do catálogo de seu serviço de distribuição digital para o mundo inteiro. Títulos da 1C Company podem ser encontrados no Steam, no GamersGate e no Green Man Gaming, por exemplo. Estes bloqueios que o Origin nos “enfia goela abaixo”, tenho certeza, não são determinados pelas publishers, e sim pela Electronic Arts. A razão, entretanto, permanece uma incógnita.
“Estamos absolutamente encantados por trabalhar com o Origin para levar os títulos da 1C para mais jogadores, daqui em diante. O sucesso de nossas franquias fora do território russo, como Men of War e Kings Bounty, foi construído quase inteiramente através de vendas digitais, e acreditamos que o Origin será o maior colaborador para nosso contínuo sucesso em 2012“, comentou Darryl Still, diretor de publicação internacional da 1C UK Ltd.
É claro que todos as empresas que começam a trabalhar com o Origin fazem lá seus elogios ao serviço. Isto é até natural e funciona até mesmo como uma espécie de marketing para o novo canal através do qual seus jogos serão distribuídos. Entretanto, duvido muito que o Origin, pelo menos por enquanto, consiga superar as vendas de outros canais de distribuição digital em relação aos títulos da 1C. Duvido muito de muitas coisas, aliás.
É triste percebermos que, mais uma vez, a Electronic Arts deixa o Brasil (e sabe-se lá quais mais outros países) de fora. Bom, nem chega a ser tão triste, poque temos outros serviços semelhantes (e melhores) à nossa disposição (inclusive brasileiros). Mas existem os jogos da própria EA, e em relação a estes, a EA acaba meio que nos “empurrando” o Origin, uma vez que seu cliente é necessário para jogarmos seus títulos.
Boa sorte à 1C Company, de qualquer forma, e espero ver um dia seus ótimos jogos em promoção e à venda no Origin do Brasil.
Leia maisOrigin começa a vender (poucos) jogos de outras publishers, mas não no Brasil
Parece mesmo que o Brasil, pelo menos por enquanto, está fora dos planos da EA quando o assunto é seu novo “serviço de distribuição digital” Origin. A empresa anunciou hoje que já iniciou um processo para adicionar jogos de 11 publishers ao catálogo do serviço, incluindo a Trion Worlds, desenvolvedora do MMORPG Rift, e a Robot Entertainment, criadora do ótimo Orcs Must Die!
A EA menciona que mais 9 publishers terão seus jogos adicionados ao catálogo do Origin, muito em breve, e Rift, aliás, já se encontra disponível, em duas versões: a Ashes of the History Edition e a Standard Edition, por US$ 29,99 e US$ 19,99, respectivamente. Entretanto, o título não está disponível no Origin Brasil, da mesma maneira que Star Wars: The Old Republic.
Acho isto um tanto quanto estranho, para não dizer outra coisa. Se a Electronic Arts deseja mesmo criar um serviço de distribuição digital competitivo (é o que se espera, com gigantes como o Steam no mercado, por exemplo), porque dificultar as coisas desta maneira? Acesse o Origin.com através de qualquer proxy e você verá tanto Rift quanto SWTOR à venda.
Aliás, duvido muito destes “muito em breve” mencionados pelo pessoal da EA. Em Outubro de 2011 a empresa anunciou a transformação do Origin, digamos, em algo mais amplo. Warner, THQ e Capcom foram mencionadas. No entanto, o que foi incluído até agora no serviço é muito pouco. Poucos jogos destas publishers podem ser encontrados no Origin, mesmo fora do Brasil, e as palavras de David DeMartini, vice-presidente sênior do Origin, naquela ocasião, fazem agora menos sentido:
“Desde o lançamento, tivemos um apoio esmagador, tanto das publishers quanto dos desenvolvedores em toda a indústria de jogos eletrônicos, os quais reconheceram o Origin como uma oportunidade para entregar mais de seus grandes conteúdos diretamente para os consumidores em todo o mundo.” Bom, outros serviços também não fazem o mesmo, e o fazem melhor? Onde está a inovação e os recursos que, necessariamente, teriam de ser inclusos em algo que pretende concorrer com o Steam? Cloud saving apenas não basta. A EA está demorando demais.
Confesso que não possuo mais qualquer tipo de restrição em relação ao serviço Origin, mas estas atitudes da EA são extremamente irritantes, e podem fazer com que muita gente realize boicotes, principalmente em casos de jogos que também estão disponíveis em outros lugares, como é o caso do MMORPG da Trion Worlds. Tive boas surpresas, aliás, com o suporte técnico da empresa, nos últimos dias. Fui muito bem atendido, consegui adicionar à minha conta junto ao Origin todos os games da EA que possuía no Steam, e inclusive ganhei diversos cupons de desconto. O que não consigo entender é esta falha em atender a demanda, por exemplo, de muitos brasileiros que certamente gostariam de ter comprado Star Wars: The Old Republic diretamente “da fonte”.
Uma olhada rápida no Origin através de um proxy mostra que até mesmo Saints Row: The Third, da THQ, será adicionado ao serviço, e títulos como Batman: Arkham Asylum, Dead Rising 2: Off The Record e Bastion já se encontram disponíveis para download. Se esta indisponibilidade na loja brasileira é temporária ou não, ninguém sabe. Só o que sei é que não existe nenhum motivo para que isto ocorra, muito pelo contrário.
É justamente devido a isto, a estes bloqueios ridículos, que hoje utilizo o Direct2Drive apenas para baixar os jogos que infelizmente comprei lá. Como a EA quer, por exemplo, competir com o Steam, demonstrando medo, removendo seus títulos da loja da Valve e não lançando novos títulos por lá?
Quando veremos (se é que veremos) o Origin inovador e cheio de conteúdo exclusivo anunciado por John Riccitiello, que disse o seguinte: ”Ao longo do tempo, o Origin irá crescer com novas funcionalidades e novo e único conteúdo, o qual os consumidores não conseguirão obter em nenhum outro lugar”? Este “ao longo do tempo”, talvez, pode significar uma ou duas encarnações.
A empresa de John Riccitiello também menciona que as seguintes empresas terão seus jogos inclusos no Origin, no decorrer dos próximos meses: CD PROJEKT RED, Freebird Games, Recoil Games, Autumn Games, 1C Company, inXile entertainment, Paradox Interactive, Core Learning Ltd. e N3V Games. Do jeito que as coisas andam, é óbvio que não veremos tudo isto no Origin Brasil. Mas, e daí? Outras lojas os vendem sem qualquer restrição.
“O Origin é focado no fornecimento de escolhas para os consumidores e os games que eles jogam. Desde grandes franquias até títulos independentes de alta qualidade, estamos trazendo o melhor conteúdo da indústria para um lugar. Estamos muito animados por receber novos parceiros e uma variada nova linha de títulos para o Origin hoje“, disse Craig Rechenmacher, vice presidente de desenvolvimento de negócios e marketing do Origin.
Estranhas palavras, principalmente quando percebemos que o catálogo do serviço oscila em torno de 100 games, sendo que o Brasil, por exemplo, “está fora da jogada”. Um dos grandes problemas disto tudo, aliás, é o fato de que a EA possui em suas mãos grandes franquias adoradas por muita gente, como por exemplo Mass Effect, Battlefield, Dead Space, Need for Speed, etc. Mass Effect 3 para PC, aliás, não será lançado no Steam, o que forçará os fãs da série a utilizarem o Origin, de uma forma ou outra.
Não consigo entender também o entusiasmo de Jim Butler, diretor de marketing global da Trion Worlds, quando ele diz o seguinte:
“O Origin se estabeleceu como um destino para os melhores títulos disponíveis atualmente no mercado digital em evolução, então, ele definitivamente é um lugar que a Trion quer estar“. Estas palavras denotam, para mim, uma grande “puxação de saco”, e nada mais, infelizmente.
Aliás, que “escolhas” são essas que Craig Rechenmacher menciona? “Algo pré-formatado”?
Leia maisQuando trocar a placa de vídeo de seu PC pode deixar você sem jogar
O pessoal do site Guru3D estava realizando alguns testes de performance com o jogo Anno 2070, da BlueByte / Ubisoft, o qual possui um limite de até 3 ativações, e acabou descobrindo que o sistema de DRM utilizado no jogo também conta trocas de placas de vídeo (e possivelmente outros tipos de hardware) como novas instalações. A equipe do site acabou sendo impedida de continuar com os testes quando resolveu instalar uma GPU NVIDIA GTX 590. A simples instalação desta placa contou como mais uma instalação, e o limite foi “estourado”.

Bom, tudo já foi resolvido, a Ubisoft mais uma vez teve o seu nome envolvido com problemas relacionados a DRM, e a desenvolvedora, a BlueByte, garantiu que placas de vídeo não seriam mais monitoradas, digamos, no momentos de identificar PCs. Opa, mas quer dizer que o “buraco é mais embaixo”. Quando uma empresa diz que removeu determinado tipo de hardware do “hash utilizado para identificar o PC“, isto pode significar que mais itens “indevidos” podem estar sendo monitorados pelo sistema de DRM para acompanhar e limitar o número de instalações.
Será que, talvez, uma troca de um simples pente de memória pode contar também como uma nova instalação? Que critérios seriam, portanto, utilizados por desenvolvedoras e publishers no momento de impor limites a quem comprou o seu game (claro, quem comprou ali no camelô da esquina vai rodar o game até no liquidificador, e vai trocar o copo centenas de vezes)?
Brincadeiras à parte, acredito que até mesmo este limite de 3 instalações seja ridículo, mesmo com a informação de que novas instalações sejam liberadas se necessário. A Ubisoft, aliás, chegou a dizer que “o DRM estava trabalhando como pretendido. Bom, se uma empresa pretende irritar seus clientes, e concorda com o fato de um cliente ser obrigado a ficar sem jogar temporariamente simplesmente devido a um upgrade em seu PC, além de fazer com que ele muitas vezes tenha de esperar um bom tempo antes de poder usufruir de algo pelo qual pagou, é possível, então, que esta mesma empresa não dê muita atenção ao fato de que ao assim agir ela está fomentando indiretamente o “mercado negro” que deseja justamente combater diretamente? Afinal, todos sabemos que um jogo “pirateado” não representa um jogo não vendido.
Muita gente, aliás, pode comprar Anno 2070, por exemplo, e sofrer um bocado caso atinja o número máximo de ativações. Muita gente não fala inglês (idioma padrão no momento da solicitação do suporte técnico), e as dores de cabeça que podem se originar deste “simples esquema” para combater a cópia ilegal de jogos no PC pode justamente ter efeito contrário ao desejado. Será que podemos culpar alguém que, por exemplo, comprou o jogo original, teve problemas com o DRM, não conseguiu jogar e resolveu, então, partir para a “pirataria”, justamente para poder utilizar o produto pelo qual pagou?
Longe de mim afirmar que a pirataria deve ser elogiada, ou que ela é a solução. Muito pelo contrário. A pirataria é um grande mal, todos sabemos disso e bla, bla, bla. Entretanto, estas grandes empresas também não colaboram nem um pouco, e tratam o jogador pagante como alguém que está em posse de algo roubado, enquanto aqueles que baixaram o jogo ilegalmente estão pouco se importando com tudo isto. Eles vão instalar o jogo onde bem entenderem, quantas vezes quiserem, e trocas de placas de vídeo jamais será um problema para eles.
Ficar sem jogar quando você tem tudo em mãos para fazê-lo, inclusive a vontade, é inadmissível. Já passei por problemas semelhantes no passado, justamente com a série Assassin’s Creed. Problemas na comunicação entre minha máquina e os servidores da Ubisoft (problemas “do outro lado”) me deixaram sem jogar por algumas horas, sendo que no momento da compra meu dinheiro foi aceito bem rapidamente, é claro. Até quando teremos de conviver com situações assim?
Algo tão básico como jogar um jogo eletrônico (nem tanto muitas vezes, ok) pode se tornar motivo de irritação e angústia, quando os jogadores se deparam com títulos de determinadas empresas que deveriam prestar mais atenção na concorrência.
(Via: Joystiq)
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