Clash of Clans: Episódio I – Defendam as muralhas!

Esse é o primeiro episódio de uma minissérie de “diários de jogatina”, narrando minhas frustradas tentativas de defesa e mais frustradas ainda tentativas de ataque no viciante Clash of Clans, jogo de estratégia gratuito para iOS. Novos episódios devem ser lançados semanalmente. Ouça o ressoar dos tambores e o eco das trombetas e junte-se ao clã! Boa leitura!

Clash of Clans

Desde que conheci esse jogo, não se passou um dia em que eu não reservasse ao menos 10 minutos pra dar uma checada no meu vilarejo-futuro-império. Quase como cuidar do seu jardim ou levar seu cão pra passear, lá estava eu, todo dia, construindo muralhas, atualizando construções, coletando ouro, recolhendo elixir e treinado tropas. A verdade é que quando eu conheci o jogo e a ideia por trás dele, a primeira coisa que me veio na cabeça foi uma inevitável comparação com os inesquecíveis (e frustrantes) tamagotchis.

Eu explico: Clash of Clans é um jogo multiplayer de estratégia em tempo real, com pitadas de tower defense, para iOS (iPhone, iPad e iPod Touch). É gratuito, mas possui uma porção premium. E não, não comprei nada nele utilizando dinheiro real — e nem pretendo. A ideia é criar e gerenciar uma vila de bárbaros, desenvolvendo-a até um enorme império. A jogada aqui é que, na ausência de um “escudo” de invulnerabilidade, seus assentamentos podem ser atacados por outros jogadores enquanto você estiver fora do jogo, assim como você também pode reunir tropas e atacar outros jogadores enquanto estiver jogando.

Clash of Clans

Logo, construir defesas é uma tarefa primordial se você não quiser acordar no outro dia, ligar seu aparelho e receber a notificação de que alguém rapou sua cidade do mapa enquanto você estava no 15º sono. Ainda que sua vila apareça destruída (ou danificada) para o jogador que a atacou, ela nunca será completamente destruída. Em outras palavras, não há game over aqui. Os saqueadores só podem levar uma determinada porcentagem de seus recursos e sua vila é sempre reconstruída em sua totalidade assim que você abre o jogo novamente. A maior penalidade é perder alguns troféus (uma espécie de score) e ter a coleta de recursos comprometida.

Aliás, até o ponto onde cheguei (estou no Level 21), existem basicamente dois tipos de recursos: ouro e elixir. Ambos são coletados automaticamente (e lentamente) por construções na sua vila, como minas e bombas coletoras. Para que o jogador possa utilizar esses recursos, eles precisam ser armazenado em baús ou tanques gigantes. E é preciso que o jogador faça essa transferência. Caso contrário, parte da “colheita” pode ser perdida durante um saque. O ouro é utilizado na compra e atualização de várias construções, como o centro da cidade, coletores de elixir, muralhas, torres, armadilhas, canhões e morteiros. Já o elixir serve basicamente pra fins ofensivos, sendo consumido no treinamento de tropas e na construção de quartéis e laboratórios.

Clash of Clans

A coleta de recursos é muito lenta, o que obriga o jogador a atacar vilas de outros jogadores e saquear seus recursos. No início do jogo, talvez valha mais a pena utilizar o modo single-player. Mesmo que saquear vilas defendidas pelo computador seja bem menos rentável do que atacar outros jogadores, a dificuldade aqui é crescente e familiariza o jogador com os momentos de combate. Essencialmente, você “despeja” suas tropas ao redor da vila inimiga, priorizando os pontos fracos, e seus guerreiros, arqueiros, duendes e destruidores-de-muro fazem o resto, sendo controlados automaticamente depois que estão em campo.

Atualizar construções também demora: quanto mais avançadas elas são, mais tempo vai levar. E isso pode levar dias. Isso mesmo, dias. E no caso de construções de defesa, elas são desativadas durante as reformas, deixando sua vila ainda mais vulnerável. Aqui nos resta apenas duas opções: esperar ou… pagar. As “gemas” são os recursos premium do jogo e, quando usadas, tornam instantâneas qualquer construção ou atualização. Algumas poucas são recompensas de quests, mas a ideia mesmo é comprá-las com dinheiro real (US$ 5 a US$ 100, dependendo da quantidade).

As imagens ao longo desse texto mostram a evolução do meu humilde vilarejo. A disposição de suas construções pode ser modificada a qualquer momento e confesso que quase sempre altero a posição de alguma coisa depois que sofro um saque, buscando sempre corrigir as fragilidades e proteger meu centro da cidade a todo custo! Para ajudar, o jogo fornece um replay do ataque inimigo, para que você possa rever o combate e detectar as falhas.

Clash of Clans

Depois de ter visto minha vila sendo dizimada várias vezes por causa de pequenos buracos abertos pelos inimigos nas muralhas, vi a necessidade de não apenas criar várias “camadas” de muralhas, mas de dispor as construções de modo a manter aquelas que dão maiores recompensas ao inimigo (como os depósitos de recursos) mais bem defendidas e centralizadas. Os laboratórios, quartéis e acampamentos não contém recursos e por isso podem ficar do lado de fora das muralhas. Vale lembrar que a quantidade de muralhas é limitada pelo nível do seu centro da cidade.

A estratégia deu certo. Entre os últimos quinze ataques que sofri (um sistema de matchmaking faz com que os combates só ocorram entre jogadores de níveis semelhantes), minhas defesas foram capazes de segurar bravamente mais da metade deles. Em apenas um saque, o jogador atacante foi capaz de destruir meu centro da cidade. Todos os demais foram dizimados em algum ponto antes de alcançar o coração da vila.

As coisas ficaram mais fáceis depois que finalizei a construção do castelo e pude me juntar a um dos vários clãs existentes. Como membro de um clã, é possível requisitar doações de tropas para sua vila. Tais tropas ficam guarnecidas no interior do castelo e são mobilizadas quando a vila está sob ataque. É claro que como um bom bárbaro, muitos clãs exigirão a recíproca: doar para receber! Caso contrário, você pode ser expulso ou, no mínimo, não ter seus pedidos de doação atendidos.

Clash of Clans

Nessas últimas 2 semanas que comecei a jogar, concentrei minhas atenções a fim de compreender a mecânica de jogo. Aprender como construir defesas eficientes e como atacar sem sair no prejuízo. Mesmo com uma proposta e um visual casual até demais, a ideia por trás de Clash of Clans tem generosas pitadas hardcore, exigindo alguma dedicação por parte do jogador. No desespero por recursos, cheguei a empreender uma avassaladora série de saques, mas tive que suspender a campanha pois minha vila estava sob constantes e insustentáveis ataques. Por enquanto, a ideologia da “melhor defesa é o ataque” não deu muito certo pra mim.

A saída foi investir pesado em atualizações para acelerar a coleta de recursos e, então, utilizá-los em construções de defesa. Note nas imagens como minhas muralhas, torres, canhões e armadilhas passaram por diversas mudanças. O morteiro ao centro tem alcance suficiente para atingir qualquer inimigo nas muralhas. As tropas do castelo defendem o flanco esquerdo. O norte está defendido por uma camada extra de muralhas e armadilhas. O flanco direito e o sul estão coberto por torres e canhões e abrigam coletores e armazéns de recursos, aliado a mais uma camada de muralhas.

Ao visitar a vila de jogadores de níveis altos, como os tops nacionais ou mundiais, nota-se que ainda há muito o que fazer. Mesmo com todo esse trabalho na defesa, sempre restará alguma falha a ser explorada pelo jogador mais atento. Enquanto escrevi esse texto, fui atacado no canto sudeste da vila, onde as muralhas são mais fracas e nem todos os canhões têm alcance. Dessa vez, felizmente, a muralha interna e as armadilhas evitaram um desastre maior, impedindo que o saqueador levasse grande parte dos meus suados recursos.

Clash of Clans

Artur Carsten

Catarinense, amante da música eletrônica, estudante de medicina e jogador nas inexistentes horas vagas. Ocasionalmente, escreve artigos e coloca em dia a pilha interminável de jogos comprados em promoção no Steam. Já passou pelo Campo Minado, Continue, Guia do PC, Gemind e Oxygen e-Sports.

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11 Comments

  1. @Artur, o Clash of Clans parece bem legal, apesar de ser descaradamente do tipo pague para ganhar. Pelo log dá para saber qual foi o safado que te atacou e se vingar, ou pelo menos tentar?

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    • @Hideki T,

      Não sei não, Hideki. Comecei a jogar (aliás, hoje fiz meu primeiro ataque – um desastre – perdi, apanhei, levei um coro, tomei um sarrafo, etc…hehehe). Mas, pelo que vi, aquele elixir que pode ser coletado quebra o galho pra muitas coisas. Só não consegui ver o replay.

      @Artur Carsten,

      Cara, como consigo visualizar essas informações, replays, quem me atacou, quem ataquei, etc, com detalhes? Ou será que no início quando vou lá no atacar, é sempre contra a máquina? Nossa, esse primeiro ataque foi um massacre total. Ok que eu fiz besteira e fui com muita sede ao pote (ou aos potes…hehehe).

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      • tem como sim cara!!! Abaixo do botao replay tem o botao vingança

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        • É, Elvis. Já andei me vingando (e muitas vezes me lascando, também…hehehe). 😉

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  2. @Hideki T: é, realmente, pagando pelos recursos premium, as coisas ficam absurdamente mais fáceis, rsrs. Mas não diria que ele é pay-to-win não, já que você só ataca/é atacado por gente que está no mesmo nível que você.

    Sim, o jogo exibe todas as informações de quem te atacou (nome, nível, clã, quantas unidades utilizou, quantos recursos roubou, o quanto ele conseguiu destruir da sua cidade, etc) e inclusive disponibiliza um botão pra se vingar do atacante haha. Basta clicar e lá está você sitiando a cidade do safado que te atacou hehe.

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  3. @Marcos A.T. Silva: clica no ícone de uma cartinha no canto inferior esquerdo da tela. Aparece tudo lá.

    Os primeiros ataques do jogo são contra o computador. Só depois que você finaliza o tutorial que é liberado o multiplayer. A diferença é que no modo Single Player você ataca vilas de “goblins” e no Multiplayer são de bárbaros.

    E relaxa, as primeiras batalhas são desastrosas mesmo hehe. Aconselho ver alguns tutorias no youtube que ajudam bastante a entender a lógica por trás dos cercos e tal.

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    • @Artur Carsten,

      Achei. Valeu. Poxa, finalizei o tutorial, e “caí no mundo”. No dia seguinte, abro o jogo e vejo que fui atacado por outro jogador. E minhas defesas aguentaram o tranco! 😀

      Todo feliz, fui lá, fiz umas melhorias, etc e tal. Parti pra atacar: me lasquei…hehe Agora estou aqui tentando atualizar o centro da cidade e outras construções, pra poder construir mais muros e defesas. De casual esse jogo não tem nada mesmo, viu. E, já tive até que trocar elixir por moedas e/ou vice-versa. Mesmo assim, ainda me encontro “travado”. Bacana demais o jogo.

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  4. Parece bem legal mesmo o jogo.
    Os 2 ÚNICOS momentos que eu lamento por ter um celular com Android:
    1 – Quando eu vejo capinhas legais pra iPhone
    2 – Quando eu vejo esses joguinhos legais só pra iOS.

    De resto, não troco. Mas parece ser muito legal mesmo. Tower Defense é o tipo de jogo ‘casual’ que eu mais gosto.

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    • @Fefa,

      Legal demais, e ainda vou pegar o Artur pra me dar umas dicas…hehehe 🙂

      Poxa, a princípio pensei que o Clash of Clans tinha saído pra Android também. Falando em tower defense, você chegou a jogar o Anomaly Korea?

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  5. Eu não conhecia esse Anomaly. Acabei de ver no market, parece interessante.

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    • @Fefa,

      O Korea? Puxa, uma pena. Ele saiu em um daqueles Humble Bundle pra Android. E é bacana demais. Um spin-off, né. 🙂

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