COD: Black Ops 2 terá microtransações e armas com bacon

bacon

Parece mesmo que as grandes empresas da indústria de jogos eletrônicos descobriram o potencial das microtransações. Bem, pode-se dizer que elas conseguem cada vez mais nos surpreender com o tipo de lojas in-game que lançam, bem como com o nível de itens que nelas vendem. Que o diga a Electronic Arts com as microtransações em Dead Space 3, todas elas voltadas à montagem de armas.

Felizmente, a empresa que anda deixando muita gente nervosa (infelizmente) com SimCity teve a “gentileza” de criar um exploit para permitir que aqueles jogadores que já gastaram bastante com o jogo possam também modificar suas armas sem pagar um tostão.

Aliás, será que isto pode abrir (ou já abriu) um precedente para reclamações por parte de quem já pagou por itens dentro do jogo? Sendo algo inserido de propósito no jogo, ao mesmo tempo em que existe a possibilidade de compra, será que estas pessoas poderão solicitar reembolso? Ou será que assim fazendo elas correm o risco de serem banidas e perderem não somente Dead Space 3 mas também todos os seus títulos no Origin? Estas empresas andam cada vez mais criativas, não?

E a empresa da vez no que diz respeito a microtransações é a nossa querida Activision. E, claro, Call of Duty: Black Ops II, da Treyarch, está na parada: o FPS terá microtransações. É, estamos falando a respeito da mesma franquia que conta com o tal Call of Duty Elite.

Em meio à sua jornada rumo ao sucesso e a mais milhões e milhões de dólares nos cofres, a empresa de Bobby Kotick lançará amanhã, exclusivamente para o Xbox 360 (inicialmente – outras plataformas são citadas, mas nenhuma data é informada), uma “lojinha” in-game. Na verdade, uma série de pacotes com itens que, segundo a empresa, não afetarão o gameplay (entretanto, ninguém pode confirmar esta afirmação de Dan Amrich, da Activision, por enquanto).

E um dos pacotes, veja só, permitirá que os jogadores de Black Ops II empunhem armas envoltas por… bacon. Tudo isto seria bem divertido, e pode ser, claro, não fosse o histórico mercenário da empresa. Fico também bastante preocupado quando tomo conhecimento deste tipo de coisa, pois o precedente que tudo isto pode abrir é bastante perigoso. Microtransações eram, até há algum tempo atrás, algo exclusivo de MMOs e congêneres.

Dead Space 3 conta com microtransações em sua campanha, e Black Ops II as terá no modo multiplayer. Até que este caso não é tão “complicado” quanto o do shooter da Visceral Games, mas a situação se inverte quando percebemos que lá do lado da EA existe um “patch”, e aqui do lado da Activision, não.  Bem, a situação pode também não se inverter, claro, desde que tais itens sejam realmente opcionais e não deem início a uma verdadeira corrida de jogadores afoitos por colocarem as mãos em itens criados para permitir que o estilo “pay to win” seja utilizado.

Pacotes de personalização são prometidos, incluindo novas skins para armas e slots extras que aumentam o número de classes customizadas que podem ser criadas pelos jogadores, por exemplo. Pacotes com bandeiras nacionais também estão nos planos, veja só: todo mundo poderá, a partir de amanhã (pelo menos no Xbox 360), demonstrar que é brasileiro, norte americano, vietnamita, chinês, etc (isto não deveria ser algo gratuito?).

Claro, os pacotes com bandeiras serão vários, divididos por regiões, afinal, para que lançar tudo em um só pack e perder dinheiro, não é? E as microtransações em Black Ops 2 têm um preço, é claro. Os preços dos pacotes começam em 80 Microsoft Points (1 dólar) e vão até 160 MS Points (2 dólares).

Fico me perguntando, porém, até onde tudo isto vai. A princípio não existe nada muito ruim, aqui. O problema é: e se essa moda pega? E se ela pegar com força? Se isto acontecer, o que impede a Activision de lançar pacotes mais “parrudos”, contendo itens que provoquem, por exemplo, problemas no gameplay? Pagar para vencer?

Quando do lançamento do Call of Duty Elite, a própria Activision soltou a bela frase abaixo:

Se você quer continuar a jogar Call of Duty como sempre fez, você ainda será capaz de fazer justamente isso, incluindo a possibilidade de comprar pacotes de mapas ‘ala carte’. Com o Call of Duty Elite, estamos adicionando uma nova opção para aqueles que querem obter ainda mais do game. Mesmo os ‘haters’ podem jogar de graça

Uma nova opção“. “Aqueles que querem obter ainda mais do game“. Se a empresa resolver, de uma hora para outra, atender ao desejo destes fãs sedentos que querem mais, o que a impede de lançar itens problemáticos (não para ela, claro) e criar uma cash shop mercenária? Opa, cash shop? Mas este não é um MMO. Pelo menos por enquanto.

Tudo bem que por enquanto estamos comentando a respeito de diversas possibilidades e hipóteses. Tudo bem que estes itens iniciais serão opcionais e aparentemente inofensivos. Mas gostaria de ressaltar novamente a questão do precedente que pode ser aberto. O que impede que de agora em diante isto se transforme em uma tendência?

Que outras empresas sigam o exemplo da Activision e da EA com Dead Space 3 (cujo “problema” felizmente foi resolvido através de um exploit proposital)? Chegaremos a um momento no mundo dos games em que teremos de adquirir os jogos e ainda adquirir armas para sermos capazes de “ultrapassar aquela fase” ou “vencer aquele chefão”?

Não bastassem tantas coisas que tentam nos enfiar goela abaixo, como Season Passes (aliás, por que não incluir alguns destes items no caro Season Pass de Black Ops II – Ok, todos sabemos a resposta), ainda corremos o risco de chegar a um momento em que compraremos jogos quebrados e capengas (mais ainda, em alguns casos) que exigirão o pagamento de taxas adicionais para serem experimentados em sua plenitude?

Não chega de DLCs escondidos no disco? O que mais precisa esta indústria de games? O valor normal de um lançamento AAA, US$ 60,00, não está bom? Obviamente, muitos de nós (eu incluso) acabam caindo em muitas destas arapucas, destas estratégias mercenárias. Seja por adorarmos algumas séries, seja por qual motivo for.

Quem não comprou SimCity mesmo sabendo de todos os problemas que a necessidade de conexão constante à internet poderia trazer? Quem não comprou Mass Effect 3 mesmo sabendo da presença ainda mais nefasta e intrometida da EA, “daquele final”, etc? Afinal, somos todos jogadores de videogame, e falar em boicotes muitas vezes é extremamente difícil, e um dos motivos para tal dificuldade é justamente a concentração de grandes franquias e jogos nas mãos de poucas, gigantes e nada amigáveis empresas. Empresas que ao longo do tempo acabaram se apoderando de propriedades intelectuais, franquias, outras empresas e profissionais que, em suas mãos, acabaram sendo totalmente desvirtuados?

Será que de alguma maneira o futuro dos games está nos títulos free-to-play e no multiplayer? Se em casos como este, da Activision e das microtransações em Black Ops II, fôssemos capazes de enxergar alguma atitude da empresa no sentido a agradar aos jogadores de maneira tal que nada fosse retirado de seus bolsos (é, não existem duas CD Projekt RED, mesmo), muita coisa poderia ser mudada, pelo menos em relação àquelas pessoas que observam estas iniciativas com maus olhos. Um mimo, um presente, algo “na faixa”, etc. Mas não, isto não ocorre. Pelo menos na grande maioria das vezes.

Mas tudo bem. Se ficarmos com fome na hipótese de um futuro pós-apocalíptico, quem sabe não tenhamos lá o tal bacon na coronha de um AK-47? Brincadeira. Pelo menos no mundo real.

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8 Comments

    • @Marcio Neves Machado – RJ/RJ,

      Hahahahaha… Não pude deixar de achar isso um tanto quanto, sei lá, ridículo…rsrsrs

      @Artur Carsten,

      É. Psiquiatra ou a polícia…hehehe

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  1. Vamos ver…

    US$ 60 num jogo de qualidade questionável + US$ 50 em Season Pass (ou US$ 15 em cada pacote de mapas avulsos)+ US$ 50 no Call of Duty Elite Premium Subscription + US$ 1-2 em microtransações.
    =
    mais de US$ 160

    Chamem o psiquiatra, porque a Activision perdeu a cabeça de vez.

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  2. Quem ta perdendo a cabeça é quem paga por isso, ou os 2 lados… Ta todo mundo doido XD

    Com Dead Space 3 e EA parece q sentiu no bolso, mas na cabeça da empresa o problema foi o jogo e não as microtransações, vamos aguardar qual o proximo jogo eles vao “estragar” pq pelo q vi do DS3 o jogo n é de todo ruim.

    Quanto ao CoD larguei no MW2 pq so jogo o singlepayer, se vendessem só essa parte separada do resto eu comprava.

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    • @Anderson,

      Verdade. Olha, e o Dead Space 3 é bacana, sim. Ok, não é aquele Dead Space que todo mundo esperava, mas… Agora, microtransações em títulos singleplayer está ficando chato. O COD, esse lance, aí, não tem nada a ver com o singleplayer, claro. Mas não deixa de ser algo no mínimo questionável.

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  3. Só lamento. Boa época de Call of duty 2 e 4, RIP COD

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