Como você pode ser assustado por Amnesia: A Machine for Pigs

O pessoal da Frictional Games nos enviou Steam keys para acesso antecipado a Amnesia: A Machine for Pigs (aguardem pelo nosso review), título que será lançado no próximo dia 10 de Setembro e que já se encontra em pré-venda.

Thomas Grip, em nossa última entrevista, já havia dito que o novo jogo “é apenas ambientado no mesmo universo e história alternativa (de Amnesia: The Dark Descent). Nenhum dos personagens ou locais são os mesmos“. E quando iniciei Amnesia: A Machine for Pigs pela primeira vez, a primeira pergunta que me veio à cabeça foi: “como este jogo pode me assustar”?

Amnesia: A Machine for Pigs

Obtive rapidamente não uma, mas várias respostas, todas fornecidas diretamente pelo mais novo simulador de pesadelos criado pela desenvolvedora independente sueca em parceria com a The Chinese Room (Dear Esther). E tais respostas foram convites irrecusáveis para entrar em um universo escuro, gelado e, ainda assim, extremamente chamativo.

Logo no início somos brindados com uma música aterrorizante e atonal que faz com que instintivamente levemos as mãos até o controle de volume, pois tal som machuca. Ele causa dor. Não no sentido literal, claro. Mas é como se estivéssemos sendo expostos a algum tipo de “vírus musical”, ou a algo maléfico que insidiosamente, caso não façamos nada, penetrará em nossa mente e nos fará enlouquecer.

O ano é 1899, e o industrial Oswald Mandus acorda após uma grande febre. Ele também se esqueceu de muitas coisas, como o protagonista do primeiro game da franquia, e como se não bastasse, também existem máquinas que o assombram (e ao jogador). O universo do jogo é repleto de escuridão, e buscando ajuda no excelente artigo do Artur Carsten a respeito de jogos de terror, posso dizer que o que temos ali é uma mistura espetacular de terror psicológico e suspense.

Perdi as contas de quantas vezes pressionei freneticamente a letra “R” em meu teclado (se você joga algum FPS no PC sabe o que isto quer dizer). E, naquele ambiente hostil, sozinho, eu não tinha uma arma em minhas mãos. Tinha, isto sim, uma velha e fraca lanterna. Uma lanterna que nem podia ser utilizada como arma, caso necessário, pois não era possível lança-la.

Amnesia: A Machine for Pigs

Isto é algo já tradicional na franquia, claro. Desde Amnesia: The Dark Descent o jogador é privado de qualquer tipo de arma, e é justamente este um dos elementos que ajudam a tornar a experiência aterrorizante. Amnesia: A Machine for Pigs pode (e vai) nos assustar também através da nossa própria ansiedade.

Em diversos momentos leves sugestões são fornecidas pelo jogo. Um quadro posicionado de maneira “estratégica”. Uma lâmpada apagada. Um sussurro. Um assobio. Uma sombra no final de um corredor, que se confunde com alguma outra coisa.

Nossa ansiedade pode chegar a um nível tão grande que podemos sair correndo em disparada, e aqui podem ocorrer, é claro, respostas diferentes, dependendo do jogador. Os mais corajosos podem se lançar de encontro à possível ameaça, e outras pessoas podem correr em sentido oposto.

Amnesia: A Machine for Pigs

O interessante, nestes casos (pelo menos em alguns deles), é que o tal quadro poderia ser apenas uma mera obra do acaso, posicionado de maneira totalmente inocente. A tal lâmpada poderia não ser nada mais que isso. Um simples objeto para iluminação. A tal sombra poderia ser apenas uma simples e mera sombra, mesmo, e o sussurro, bem, ele pode até mesmo ser o chiado de alguma máquina entrando em funcionamento (aqui, entretanto, existem motivos para preocupação).

Sim, Amnesia: A Machine for Pigs também tem a ver com máquinas, assim como com crianças e com porcos (além de outras coisas). Suínos fazem parte da trama de uma forma bem estranha. Pouco a pouco, algo doentio começa a ser percebido pelo jogador, e as notas que lemos, em determinados momentos, parecem algo escrito por um louco ou por um demônio.

Até mesmo coisas já batidas demais em jogos e filmes de terror se tornam, neste jogo, neste “Nightmare Simulator”, assustadoras. Vozes de crianças chamando pelo papai. Bolas caindo escada abaixo. Vultos se esgueirando enquanto movimentamos a câmera (um vulto em especial, porém, não é nada comum), fugindo rapidamente de nosso campo de visão.

Amnesia: A Machine for Pigs

Tudo isto seria comum e até mesmo motivo para muitas risadas, caso não estivéssemos falando deste jogo. A atmosfera é opressora ao extremo, e você é tão infernizado por pequenos detalhes intrigantes e/ou horripilantes (muitos deles escondidos em locais nos quais você jamais imaginou serem capazes de conter algo tão grotesco), que seus nervos pouco a pouco vão sendo destruídos.

Pouco a pouco você vai perdendo as forças e sentindo medo até mesmo de “dobrar uma esquina”. Que dizer, então, daqueles momentos cruciais onde o perigo realmente se mostra? Bem, mas será que existe perigo ali, mesmo? Uma porta antes “inofensiva” e trancada que libera fumaça e gritos horripilantes quando você a força pela segunda vez pode muito bem fazer parte daqueles elementos restritos ao campo do suspense. Veja bem: apesar de tudo, nada dali saiu, por mais terríveis tenham sido os breves e barulhentos momentos. Bem, pelo menos, nada que pudesse lhe ferir.

Amnesia: A Machine for Pigs também lida bastante com sentimentos primitivos, com coisas relacionadas a pureza e impureza, e isto podemos até mesmo depreender a partir de seu título. Quando você caminha por instalações imundas que ora lembram um frigorífico e ora nos remetem diretamente a um matadouro, e se depara com corpos putrefatos de porcos, é muito fácil começar a perder o controle e chamar o SAMU (galões de água benta também servem).

Mandus e sua fábrica não são muito bem vistos nas redondezas, pelo que parece, e anotações mencionando porcos, deuses, limpeza e libertação sempre soam bastante perturbadoras, principalmente porque a insanidade parece delas fluir. Em Amnesia: A Machine for Pigs você se verá acendendo todas as luzes que puder, mesmo que muitas vezes não perceba nenhum efeito benéfico após fazer isto.

Você terá medo de portas fechadas. De portas trancadas. Terá medo de abrir portas. Você chegará ao cúmulo de fechar uma porta pela qual acabou de passar, como se algo maligno tivesse ficado para trás e estivesse em seu encalço (imagine se tal ação surtiria algum efeito?).

Vozes femininas entoando um canto estranho e repleto de notas dissonantes farão seu coração congelar dentro do peito, e você poderá até mesmo se ver forçado a parar. Isto mesmo, salvar e fechar o jogo. Mais uma vez a Frictional Games entrega ao mercado um jogo de horror puro.

Amnesia: A Machine for Pigs

Um jogo de horror onde somos joguetes nas mãos de forças escuras e hostis, onde podemos ser assustados de diversas e terríveis maneiras. Mais uma vez temos em mãos um título de terror no qual entramos na pele do protagonista e podemos esquecer qualquer esperança de vencer, de ouvir uma música alegre, de chegar a um final feliz.

Antes de você começar a jogar Amnesia: A Machine for Pigs, dê uma lida no artigo do Artur (link acima). Apague as luzes, utilize fones de ouvido, de preferência, e prepare-se. Ou não: você vai mesmo querer jogar algo assim? 😉

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11 Comments

  1. Sem sombra de dúvida o autor do texto sabe como cativar seus leitores e deixou a todos nós, curiosos em conhecer um pouco mais sobre o universo de Amnesia.

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    • Muito obrigado, bonfim0alex. 🙂

      E olha, pode se preparar. A Frictional está com um petardo nas mãos. Pra quem gosta do gênero, A Machine for Pigs vai ser compra obrigatória.

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  2. O Marcos sempre faz isso, me deixa louco querendo comprar o jogo hehehe

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    • Olá Gustavo! 🙂

      Hehehehehehe…

      Isso quer dizer que já comprou na pré-venda? Está com um descontinho lá…rsrs 😉

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      • Ainda não comprei, mas estou querendo, ele e o Outlast tão me deixando louco para joga-los hehehe

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        • @Gustavo Késsimos,

          Olha Gustavo, Outlast também parece ser muito bom. E ouvi falar que usa a UE3. E no mesmo esquema do Amnesia: sem armas, nem nada do tipo. Vamos todos comprar pacotes de fraldas, como disse um amigo recentemente…hehehe 🙂

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  3. Que maldade, Marcos! Como se eu já não estivesse ansiosíssima pra jogar, vem seu preview aumentar meu desespero. rsrs

    =)

    PS: Ansiosa também pelo review de vocês. \o/

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    • Olá Rebeca! 🙂

      Maldade? rsrsrs Precisa ver o que tem dentro do jogo. 😉

      Bom, é um jogo de horror puro, mesmo, como eu já esperava. O time da Frictional (e, segundo o pessoal de lá, devemos agradecer muito também à The Chinese Room) realmente sabe o que faz. Eu estava muito, muito ansioso, antes de colocar as mãos nesse jogo.

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  4. Esse jogo não vale a pena! Acredite!

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Trackbacks/Pingbacks

  1. (Gameplay) Um curto passeio em Amnesia: A Machine for Pigs - […] desde que não entreguem muita coisa, desde que não forneçam spoilers. Ontem mesmo publiquei um artigo a respeito deste…

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