Crysis 3: primeiras impressões, multiplayer e multidões

Crysis 3 foi lançado em 19 de Fevereiro de 2013. O novo shooter da Crytek, aquela desenvolvedora alemã que adora lançar produtos que extraem o máximo de PCs e consoles, é um verdadeiro petardo. No PC, ao contrário do que aconteceu com Crysis 2 (outro bom jogo, lançado em 2011, e bem mais otimizado e leve que seu antecessor), o novo FPS está muito, muito exigente. Creio até que mais “pesado” que o primeiro título da franquia, o que pode acabar fazendo com que muita gente desista de jogá-lo no PC e acabe adquirindo versões para Xbox 360 e Playstation 3.

Mas a Crytek, de qualquer forma, acaba de lançar um ótimo jogo. Obviamente, estamos falando de uma franquia que não se tornou famosa por contar com títulos dotados de histórias profundas ou personagens memoráveis (se bem que Prophet consegue cativar, ao contrário do mudo Alcatraz de 2011). Mas a franquia tem seus pontos altos, bem como seus bons jogos.

Crysis 3

Crysis 3 se encontra em primeiro lugar nas vendas, por exemplo, no Reino Unido, na frente de outros grandes títulos, como Metal Gear Rising: Revengeance, Call of Duty: Black Ops II (olha só, hein?), Dead Space 3 e Far Cry 3. Encarando sua campanha, estamos abrindo uma janela para um belíssimo mundo virtual repleto de belezas e novidades não vistas em nenhum outro jogo da série. A CryENGINE 3 mostra mais uma vez o seu poder, e texturas de alta definição, efeitos de iluminação de tirar o fôlego e efeitos de partículas verdadeiramente surpreendentes, dentre outras coisas, nos deixam, então, atônitos.

Crysis 3

Os cenários do jogo estão maiores. Durante minhas andanças, durante a campanha, me deparei até mesmo com bonitos e pacatos veados, os quais, infelizmente, acabaram entrando em minha linha de tiro. Resquícios da tecnologia Ceph podem ser encontrados em diversos locais; robôs desativados e sujos agora ajudam a compor o cenário, aumentando ainda mais a estranheza de algumas passagens.

Prophet não deixa de falar sobre sacrifícios (inclusive os seus), e ainda diz que a C.E.L.L. não é o elemento mais perigoso com o qual os rebeldes têm de lidar. Este mesmo Prophet, aliás, não é mais humano, ou, pelo menos, não é um “mero humano”, e chega a ser engraçado ouvir as discussões filosóficas em que ele se envolve com Psycho (também protagonista de Crysis Warhead), o qual ainda sofre e reclama bastante por ter sido literalmente arrancado de seu poderoso Nanosuit.

Enfim, pretendo escrever mais sobre a campanha de Crysis 3 assim que finalizá-la, ou pelo menos quando estiver mais adiantado. Muito provavelmente publicarei um review.

Crysis 3

O multiplayer de Crysis 3

Gostaria de comentar, agora, a respeito do multiplayer do jogo. Eu já havia jogado o beta multiplayer do FPS, no qual foram disponibilizados dois modos de jogo (Hunter e Crash Site) e dois mapas (Museum e Airport). Porém, o que temos agora no jogo completo é muito, muito mais interessante e empolgante. Claro.

A Crytek quis oferecer aos jogadores algo diferente e próprio. Algo distinto daquilo que vemos em Call of Duty, Battlefield, Halo, Gears of War, etc. É claro que não temos novidades mirabolantes nem tampouco elementos totalmente inéditos e/ou inovadores. Os diferenciais é que contam, aqui, e muito.

Subir em algum elemento do cenário e aguardar para que um VTOL automatizado passe sobre sua cabeça, com o objetivo de nele entrar (saltando), durante uma partida, é muito bacana. Ontem à noite, no mapa Airport, consegui permanecer por cerca de 3 minutos dentro de um desses veículos voadores, o que resultou em cerca de 1000 XP (devido às mortes que provoquei).

Crysis 3

Acontece que dentro do VTOL existem duas metralhadoras montadas poderosíssimas, as quais podem ser utilizadas para provocar a queda do inferno sobre os inimigos. Da mesma maneira, também podemos pilotar aqueles robôs que já nos deram tanto trabalho no passado, o que não deixa de ser um diferencial e tanto, pelo menos no quesito “futurista”. Diversos elementos dos cenários podem ser agarrados e lançados contra os inimigos, também, o que acaba tornando alguns momentos muito engraçados.

Quem gosta de ficar “camperando”, aliás, pode ter menos motivos para continuar seguindo este “estilo de jogo”, aqui. Dog tags podem ser colecionadas, dog tags que podem cair de inimigos que você mata. A grande sacada é que o jogador tem de ir até o local para buscá-la: nenhum outro jogador, amigo ou inimigo, pode pegá-la.

Crysis 3

Ela é sua, mas você tem de se expor a mais perigos, quem sabe, e sair “daquele telhado”, ou “daquela janela”, para buscar o presente. Além da própria dog tag em si, o presente também carrega consigo outra vantagem: o caminho em direção a recompensas killstreak vai sendo aberto. Cada um desses presentes coletado ajuda o jogador a ficar mais perto das tais recompensas.

No multiplayer de Crysis 3 o Nanosuit é um dos elementos mais importantes, claro. Cloak mode, power mode, NanoVision e os saltos altíssimos que podemos dar fazem muita diferença, e tudo isto, aliado ao tamanho dos mapas (bem grandes), aumenta ainda mais a diversão.

Vale ressaltar que todos os mapas permitem um gameplay meio que “verticalizado”: podemos subir em prédios em ruínas (e até mesmo enveredar por suas escadarias), destroços de diversos tipos, pontes, e até caminhar sobre restos daquela tecnologia Ceph que tanto problema nos causou em Crysis 2 (lembra daqueles enormes “cabos/passarelas/faixas” de metal que se pareciam com couro de cobra? – não encontrei outra maneira de descrevê-los).

Crysis 3

Podemos saltar entre tais elementos, sem falar que uma série de itens nos enormes mapas também servem como ponto de apoio, base ou até mesmo “trampolins”. Saltar bem alto com o Nanosuit é algo quase que automático, e as kill cams também mostram o quanto os jogadores utilizam esta habilidade.

Os mapas são um show à parte (não só gráfico): além de grandes, contam com atalhos e caminhos alternativos que podem ajudar ou atrapalhar a vida do jogador, afinal, nunca se sabe onde vai estar o próximo camper (ou quando se vai dobrar uma esquipa e dar de cara com um inimigo pronto para o bote).

Um dos grandes destaques no multiplayer de Crysis 3 é o modo Hunter. Dois times se enfrentam aqui de uma maneira muito inusitada. Um grupo conterá os hunters, e deverá caçar os membros do outro. Este grupo terá personagens envergando Nanosuits com o clock mode (invisibilidade) ligado permanentemente. No outro grupo teremos soldados comuns, da C.E.L.L.

Os hunters utilizam o predator bow, aquele arco e flecha futurista exibido à exaustão nos trailers. Acontece que tão logo um jogador morre, ele renasce como um hunter, e isto não pára, ou seja, pode chegar um momento em que o número de caçadores invisíveis seja muito superior ao de soldados normais.

Crysis 3

Pode chegar um momento em que apenas um único soldado da C.E.L.L. continua vivo no campo de batalha: esse cara vai com certeza estar em maus lençóis, não é? Existem 8 modos de jogo multiplayer, incluindo o Hunter Mode. Alguns são variações de modos de jogo já bem conhecidos, mas sempre existe o fator “tecnologia in-game” para alterar até mesmo uma simples partida mata-mata.

12 belos e complexos mapas também fazem parte do jogo, por enquanto, e cada um deles permite a utilização de estratégias diferentes devido a configurações de terreno diferentes e a uma série de outros fatores. Os Nanosuits também podem ser customizados de forma tal a atingir as expectativas do jogador tendo em vista uma determinada situação. Até 3 módulos (algo como perks) podem ser equipados ao mesmo tempo, por exemplo, e é possível criar-se diferentes loadouts com armamento e configurações distintos.

Quer que o Nanosuit ative o armor mode automaticamente quando o traje começar a sofrer danos? Ok, é possível. Quer ser avisado da proximidade de inimigos? Quer dar um incremento em sua velocidade e no manejo de algumas armas? Quer se  mover mais silenciosamente? Quer restaurar a energia do traje conforme mata inimigos? Redução no “tranco” de algumas armas? Carregar uma arma extra? Ok, basta progredir no jogo, desbloquear os módulos e montar seus próprios loadouts.

A tecnologia dos Nanosuits também ajuda a tornar o multiplayer de Crysis 3 mais, digamos, estratégico. No mínimo, somos obrigados a ter mais cautela. Todo cuidado é pouco quando se trata da energia do traje especial: corra e salte loucamente e veja o seu nível de energia despencando vertiginosamente. Todos os poderes especiais do traje utilizam energia, é claro, e até mesmo “simples” disparos, dependendo do armamento utilizado, podem resultar em perda de energia, o que pode ser um grande problema quando se está cercado de inimigos ou na asa de um avião caído mirando nos inimigos com cuidado.

Crysis 3

Aprender a controlar, digamos, os poderes do Nanosuit, utilizar as habilidades certas nos momentos certos, e analisar detalhes de cada mapa tendo em vista descobrir possíveis furos, brechas e/ou maneiras de pegar inimigos desprevenidos são alguns dos pontos principais para se dar bem no multiplayer do shooter. Isto além de, é claro, utilizar e evoluir as armas a fim de desbloquear os seus respectivos e necessários acessórios. O novo rifle de assalto Typhoon é um extra e tanto, falando nisso.

O predator bow, com sua flexibilidade no tocante aos diferentes tipos de flecha que podem ser utilizadas (sem falar no estilo), é outra novidade muito bem vinda. Uma novidade, porém, que é um tanto quanto difícil de se lidar (manejar o arco com eficiência requer muito treino), e que também pode drenar a energia de seu Nanosuit rapidamente.

Mas e a as tais multidões?

Com esta menção a “multidões” eu estou me referindo a mim mesmo. A algo que venho sentindo atualmente. A uma certa mudança no modo como tenho jogado, ou como tenho encarado determinados games. Não sei se devo chamar de cansaço, mas o fato é que ultimamente tenho dado bastante atenção a partidas multiplayer, algumas vezes simples team deathmatches. Das cerca de 100 horas de jogo que possuo em Far Cry 3, mais de 50 foram gastas no multiplayer do título, o qual é ótimo.

Já estou passando mais tempo no multiplayer de Crysis 3 do que em sua campanha. O TPS cooperativo em terceira pessoa com gráficos em cel-shading Special Forces: Team X, da Zombie Studios (Blacklight: Retribution) também tem me “roubado” algum tempo. Eu, que sempre fui um jogador solitário, agora me vejo quase que todos os dias envolvido em alguma partida online, em algum jogo.

Obviamente, continuo enxergando (e muito) o valor de uma boa história. Continuo apreciando bastante boas campanhas solo e, não, não quero que o futuro dos jogos eletrônicos se resuma a jogos de tiro em primeira pessoa única e exclusivamente online. Mas me pergunto todos os dias o que causou tal mudança em mim. O que me fez dar mais valor (e obter mais diversão) em algo que, até há algum tempo atrás, por mim passava quase que totalmente despercebido?

Até mesmo no multiplayer de Black Ops II já dei alguns tiros, se bem que o estilo continua não me agradando. Será isto devido à (muitas vezes) grande quantidade de jogos que geralmente tenho de jogar? Será este algum problema causado por alguma forma de super exposição, a qual acaba provocando em mim, então, um certo “medo de maior envolvimento” que me força a ir em direção a experiências menos imersivas?

Crysis 3

Não quero com este texto denegrir nem tampouco elogiar em excesso uma ou outra “linha de pensamento”, ou “maneira de jogar”, ou tipo de experiência. Muito menos os gostos de cada jogador. Não quero dizer que campanhas solo são melhores que mata-mata online, ou vice-versa, até mesmo porque ultimamente tenho aprendido a gostar bastante de partidas online, como já deu para perceber. Continuo também, como já disse, adorando quando um jogo possui uma boa história.

Mas me pergunto quanto tempo irá durar este meu apreço por partidas online. Será que eu mudei enquanto jogador de videogame? Ou, o que terá mudado e provocado em mim esta “alteração”, digamos? Por que tenho apreciado tanto esta tal “multidão do multiplayer”? Será que fui ajudado, aqui, pelo tipo de partidas online que tenho experimentado?

Obviamente, Far Cry 3, Crysis 3, Hawken, Team Fortress 2 (sim, joguei até TF2, ultimamente) e alguns outros que têm passado por meu PC oferecem experiências muito diferentes e mais envolventes que um COD, por exemplo. Talvez aqui esteja um dos motivos. Mas e você, já passou por alguma experiência semelhante?

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2 Comments

  1. esse é mais um must have pra mim, sabe eu entendo o que vc sente, dependendo do jogo jogadores(como nós) que precisam de uma historia boa se veem na possibilidade de estar como um anonimo no meio da batalha, algo que na campanha não se pode ter, mas que atrai muito, é claro tem jogos que o multi é melhor e outros que o single é, mas tem aqueles que inexplicavelmente nos puxam para uma jogatina que muda nossos habitos

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    • @matheus,

      Verdade Matheus. Olha, é um jogão, mesmo.

      Quanto ao que você disse, pode ser, também. Bem pensado. Tipo, experimentar um pouco, mesmo que bem pouco mesmo, de coisas que vemos na campanha, na pele de outro personagem, em outras situações, etc. Ontem passei por um local na campanha que faz parte de um local de um dos mapas (Financial District). Bacana ver um pedaço do que eu já tinha visto no multiplayer de outra forma, com mais calma.

      E você, anda jogando algo online, ultimamente?

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  1. O que você está jogando (Janeiro/2014)? - […] no Space Engineers e continuo minha jornada no Euro Truck Simulator 2. Agora estou jogando Crysis 3 em doses homeopáticas, vale…

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