Algo que muitos de nós esperávamos finalmente aconteceu ou, melhor, foi anunciado. A Electronic Arts anunciou que o MMO Star Wars: The Old Republic, da BioWare (infelizmente um estúdio de sua propriedade) contará com uma opção free-to-play a partir do próximo Outono (no hemisfério norte – ou seja, a partir de algum momento durante a nossa Primavera).

O SWTOR free-to-play permitirá que os jogadores evoluam até o nível 50, com algumas restrições, e dentre elas a empresa menciona as abaixo (claro, existem outros fatores estranhos que devem ser levados em consideração):

  • O serviço online do jogo pode ser descontinuado após 30 dias de uma hipotética notícia no site www.swtor.com (ora, um MMO sem “serviço online” deixa de existir);
  • O MMO pode ser jogado oficialmente somente na América do Norte, na Europa e em alguns outros locais (Brasil de fora, é claro);
  • Assinaturas podem ser canceladas a qualquer momento;

Os jogadores querem flexibilidade e escolha. O modelo baseado somente em assinaturas apresentou uma grande barreira para muitas pessoas que queriam fazer parte do universo de ‘The Old Republic‘”, disse Matthew Bromberg, gerente geral da BioWare Austin.

Bem, o Star Wars: The Old Republic free-to-play permitirá que os jogadores obtenham acesso a todas as 8 classes do título (acesso ilimitado, novo conteúdo e funcionalidades, segundo a empresa, estarão disponíveis, neste caso, através de microtransações ou então através do pagamento de uma assinatura).

Claro, a EA não é boba, e não deixou de notar o enorme crescimento do mercado de títulos F2P. O que ela parece não entender, entretanto, é que talvez um free-to-play total poderia salvar seu MMO de um possível fracasso e até mesmo ajudá-la a melhorar sua situação frente aos jogadores, ao mercado e aos investidores.

Desde o lançamento, temos ouvido o feedback de nossos fãs, adicionando novo conteúdo e refinando ‘The Old Republic’ a um ritmo alucinante. Acreditamos que estamos em uma posição na qual podemos ajudar a melhorar o serviço cada vez mais, não somente através da adição contínua de novo conteúdo, mas também tornando o jogo disponível para muitos outros fãs de Star Wars, aumentando as populações nos mundos e a vibração da comunidade“, disse Jeff Hickman, produtor executivo de Star Wars: The Old Republic.

Até o final de 2012 a opção free-to-play será disponibilizada no MMO, e existirão, portanto, dois modelos:

  • Modelo pago: através de mensalidade ou game time cards, os jogadores terão acesso ilimitado e também receberão mensalmente uma certa quantidade (não divulgada) da nova moeda que será implementada no MMO juntamente com o lançamento do modelo F2P (Cartel Coins);
  • Free-To-Play: evolução até o nível 50 (lembre-se das restrições acima) e possibilidade de “desbloquear algumas restrições” através da compra e utilização das Cartel Coins;

A Electronic Arts também anunciou que o jogo será vendido a partir de Agosto por US$ 14,99 (não foi informado o tempo de duração desta promoção, porém), com um mês de assinatura incluso. Segundo a empresa, a BioWare também aumentará a frequência de updates, sendo que o primeiro desta leva será lançado justamente em Agosto.

Tudo isto seria, ou é (depende do ponto de vista), muito bacana, não fosse a maneira como a EA vem lidando com os jogadores, com suas franquias e com o próprio mercado nos últimos tempos (aquela papagaiada com o final de Mass Effect 3 é um grande exemplo). Além disso, o lançamento deste Star Wars: The Old Republic free-to-play parece também ser um ato de desespero.

A EA vem agindo de maneira no mínimo estranha. A empresa deseja ser 100% digital, mas começou errando e insiste em diversos erros com seu sofrível serviço de distribuição digital Origin (o qual ela pretende transformar em uma versão melhor do Steam, aliás). Suas ações sofreram uma grande queda, recentemente. John Riccitiello parece estar sendo testado, e SWTOR parece ser justamente o grande desafio para o executivo.

O MMO, aliás, não vai tão bem quanto a empresa diz, e já perdeu milhares de assinantes, assinantes que fazem falta, claro, pois o desenvolvimento do jogo retirou mais ou menos 200 milhões de dólares dos cofres da desenvolvedora e publisher. E mesmo que o processo que elegeu a EA como a pior empresa dos Estados Unidos não tenha lá sido muito justo, não podemos desconsiderar este “prêmio”, é claro, principalmente quando levamos em consideração as atuais práticas da empresa. Afinal, muita gente se lembrou dela neste momento, não é? De graça não foi e, como dizem, “onde há fumaça há fogo”.

Os investidores estão preocupados, é claro, e quando David DeMartini, vice-presidente sênior de comércio global da EA, diz que “não espera um Origin melhor que o Steam em menos de 12 meses” (como se, por exemplo, em 14 meses fosse possível criar algo que pelo menos lembrasse muito vagamente o Steam com seus quase 10 anos de estrada), não consigo deixar de imaginar que temos aqui uma tentativa de acalmar o mercado e de desviar a atenção de todos os problemas, falhas e práticas muitas vezes ridículas de sua empresa.

Este novo MMO free-to-play que teremos em breve no mercado é justamente um dos elementos que colaboraram para a queda no valor das ações da EA, pois muito se esperava e, como sabemos, não muito foi alcançado, pelo menos não se levarmos em conta as grandes expectativas em torno do título.

Aliás, será que a era dos grandes, caros e não gratuitos MMOs está chegando ao fim, como John Smedley, da Sony Online Entertainment, quis dizer? Será SWTOR aquele que apagará as luzes, talvez, quem sabe, forçado pela força do “movimento free-to-play”? Recentemente a EA também deixou bem claro sua visão de um mercado no qual seremos bombardeados com DLCs.

Um mercado, trocando em miúdos, onde as empresas lucrarão bastante com este tipo de conteúdo, com jogos freemium, etc (prática, é claro, que pode ser extremamente nociva para os jogadores, pois hoje em dia dificilmente vemos o lançamento de DLCs com conteúdo de verdade). Será que a EA caminha para o sucesso ou para o fracasso? E, no meio deste processo, como seremos nós afetados? O que você acha?

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