Dishonored foi lançado para PC, Xbox 360 e Playstation 3 em 09 de Outubro de 2012. Desenvolvido pela francesa Arkane Studios (Arx Fatalis), trata-se de um jogo simplesmente espetacular. Com cerca de 13 horas de jogo, posso dizer que as aventuras de Corvo Attano, ex-guarda-costas da imperatriz de Gristol, representam uma verdadeira carta de amor aos jogadores solitários.

Em tempos em que suporte a partidas multiplayer é inserido onde não devia, Dishonored chega ao mercado oferecendo ao jogador uma experiência exclusivamente singleplayer. E o diretor do jogo, Harvey Smith, disse ao site Kotaku que ninguém pressionou sua empresa, de maneira alguma, para que o jogo contasse com multiplayer.

Dishonored Game

Esse “ninguém”, claro, pode ser entendido como a publisher do título, a Bethesda. A mesma de Skyrim, aliás, outro jogo fantástico e totalmente singleplayer. Smith não poupa elogios ao pessoal da Bethesda, também, e não deixa de mencionar o grande apoio recebido pela Arkane “a cada passo ao longo do caminho“.

Ainda conversando com o pessoal do Kotaku, Harvey Smith deixou bem claro que não tem certeza a respeito de uma continuação do jogo. Ele possui sentimentos conflitantes em relação a isto. Ele ao mesmo tempo deseja uma sequência, mas também ao mesmo tempo não a deseja. Apesar de não ter dito nem que sim nem que não, tendo a acreditar (claro, com uma boa dose de otimismo) que a chance de visitarmos o Império das Ilhas e a cidade de Dunwall mais uma vez, em um Dishonored 2, por exemplo, é bem remota.

O relacionamento entre a publisher e a desenvolvedora, aqui, parece ser muito bom, e pelo que Smith disse ao Kotaku, é muito provável que Dishonored continue sendo uma experiência solo. Uma experiência sensacional, aliás. A Bethesda respeitou a vontade da desenvolvedora, tanto é que o jogo que chegou ao mercado não conta nem mesmo com suporte a modo cooperativo. A publisher, subsidiária da ZeniMax, investiu seu dinheiro em um jogo que talvez para outras empresas represente (pelo menos a princípio) um possível fiasco.

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Afinal, estamos vivendo em um mundo no qual parece haver uma necessidade de conexão constante entre os jogadores, com multiplayer cooperativo e competitivo sendo muitas vezes enfiado goela abaixo dos jogadores. Tal necessidade, é claro, se deve também à própria exigência do mercado, pois sabemos o quão atrativos são inúmeros MMOs e outros gêneros de jogos eletrônicos que permitem que as pessoas se reúnam, disputem partidas uma contra as outras, etc. Obviamente não podemos nos esquecer também do mercado milionário das microtransações.

E tudo isto foi deixado de lado em Dishonored, assim como foi deixado de lado em Skyrim. Tudo isto também foi deixado de lado em Sleeping Dogs, aliás. Não estou aqui dizendo que o multiplayer é algo nocivo. Depende muito da abordagem da empresa, do jogo em questão, de como o multiplayer é implementado e, é claro, do perfil do jogador. Mas não dispenso uma boa campanha solo de maneira alguma, e a simples menção a um possível futuro sem singleplayer me soa totalmente assustadora.

E por falar nisso, não consigo enxergar espaço para multiplayer em Dishonored. Mais ainda: não vejo necessidade. O novo título da Arkane é tão rico em possibilidades, tão bacana, tão desafiador e possui tamanha identidade própria, que basta você realizar a primeira missão para por ele ser arrebatado.

Gráficos que lembram bastante BioShock, um mundo estranho, bonito e no qual a magia convive lado a lado com uma estranha tecnologia, poderes especiais que nos ajudam a criar o assassino perfeito, e muito mais: este jogo é um verdadeiro must have, muito mais recomendado se você apreciar ação stealth.

Dishonored Game

Dishonored não provoca cansaço, pelo menos não tão facilmente. Podemos nos movimentar por bastante tempo em tetos, sacadas, ruelas estreitas e casas abandonadas, buscando por itens coletáveis enquanto nos preparamos para realizar nossas missões. Podemos possuir o corpo de um rato (aqueles mesmos que devoram seres humanos bem rapidamente) e nos esgueirarmos por buracos estreitos, buscando alternativas diferentes para atingirmos nosso alvo.

Utilizar o “Blink” para nos movermos rapidamente de um local a outro (inclusive com a possibilidade de eliminarmos inimigos entre uma pausa e outra) é sempre emocionante, e matar ou não em uma determinada missão é, também, escolha nossa (podemos simplesmente fazer os inimigos dormirem). Claro: o “caminho não letal” é sempre mais difícil, mas também provoca resultados diferentes (os finais do jogo também serão diferentes).

Nosso nível de “Chaos” também pode ser visualizado entre uma missão e outra e, claro: mais mortes representam mais ratos, mais praga, mais contaminados. Ou seja, mais problemas. Dishonored é um parque de diversões. Um parque de diversões feito sobre medida para quem adora ação furtiva.

Toda a suposta diversão e todos os possíveis desafios que um modo multiplayer poderia nos oferecer aqui ficam de lado quando nos deparamos com uma IA sofisticada, com um enredo riquíssimo que pode ser melhor compreendido inclusive através de conversas que escutamos, de arquivos de áudio e de inúmeras notas que encontramos pelo caminho, e com uma arte impecável. É impossível não se deixar levar pela beleza de Dishonored, e esta beleza está presente em diversos elementos do jogo.

Caçar Runas e Bone Charms torna o jogo mais divertido. Tais caçadas também nos colocam em risco, e exigem planejamento e cuidado. Por outro lado, cada nova runa representa mais um passo para a compra ou o upgrade de um poder especial importantíssimo. E que dizer então das missões secundárias? Já “perdi” bastante tempo correndo atrás de pessoas e itens não obrigatórios, mas nem por isso a diversão foi reduzida.

Dishonored é um petardo. Uma espetacular carta de amor aos jogadores solitários. Se você gosta de jogos de ação stealth, se você adora jogos imersivos e dotados de uma história grandiosa e rica em detalhes, não deixe de conferir este título. E parabéns à Arkane Studios e à Bethesda. Que o respeito à visão artística dos criadores continue.

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Não deixo de ficar extremamente feliz quando me deparo com este tipo de notícia e comentário. Pode até ser que tudo mude, claro. Mas o futuro de Dishonored parece muito promissor, mesmo que jamais vejamos uma sequência do título. Certamente ele vai ser lembrado por muito tempo.

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