(Review) Dishonored: The Brigmore Witches – Vilão ou herói?

Brigmore Witches

Nunca fui fã de histórias em quadrinhos, mas durante minhas poucas aventuras por obras de super heróis sempre notei algo em comum: o vilão quase sempre é o personagem que mais nos marca. Talvez porque são eles que se dão bem durante grande parte da história (até a hora do confronto final). Ou, quem sabe, isso se deve ao fato de que mesmo os figurões mais malvados carregam consigo traços de humanidade que levam um pouco de nobreza e legitimidade aos seus atos de crueldade.

Assim como The Dark Knight fez com o Coringa e a trilogia Star Wars fez com Darth Vader, o segundo capítulo da história do regicida Daud, The Brigmore Witches, nos conta uma trama cujas glórias e triunfos dificilmente serão lembradas. Se “a história é escrita pelos vencedores”, o privilégio de olhar através dos olhos do perdedor pode ser capaz de colocar um grande ponto de interrogação na nossa cabeça: seria Daud o vilão ou o herói?

Ficha técnica

Título: Dishonored: The Brigmore Witches

Gênero: Ação furtiva em primeira pessoa

Desenvolvedora: Arkane Studios

Publisher: Bethesda Softworks

Data de lançamento: 13 de agosto de 2013

Plataformas: PC, Xbox 360, Playstation 3

Versão analisada: PC

Preço: R$ 19,99 (Steam), US$ 9,99 (PS Store), 800 Microsoft Point (XBLA)

Brigmore Witches

Começando exatamente do ponto em que The Knife of Dunwall parou (é possível importar o save anterior), o último DLC de Dishonored continua a busca de Daud pela entidade conhecida como Delilah. A missão foi oferecida pelo misterioso The Outsider como forma de Daud se redimir da culpa pelo assassinato da imperatriz e sequestro da pequena herdeira ao trono pelos conspiradores, o que mergulhou o império numa crise política e levou Corvo Attano, o herói do jogo-base, à beira da forca.

Em The Knife of Dunwall, descobrimos quem é Delilah. Em The Brigmore Witches, temos que chegar até onde ela está. Sim, “ela” pois trata-se de uma bruxa com poderes descomunais. O universo de Dishonored sempre integrou elementos de natureza mística à sua trama de orquestração política ao melhor estilo V de Vingança, mas nunca tomou o riquíssimo acervo de bizarrices paranormais como centro de sua temática. Até agora.

As três missões contidas no DLC vão tomar pouco mais de cinco horas para serem completadas, dependendo do quanto você está disposto a explorar os becos escuros, esgotos pútridos, ruas desertas e apartamentos abandonados da belíssima Dunwall. Nunca me canso de destacar o impressionante trabalho dos designers do jogo ao criar uma versão distópica da Londres vitoriana, cujos elementos steampunk se confundem com aqueles vistos na City 17 de Half-Life 2.

Brigmore Witches

Como sempre, o jogador tem ampla liberdade para escolher como completar cada missão. Abordagens letais podem ser mais fáceis, espalhando sangue e caos por todos os lados. Entretanto, as consequências provavelmente serão bem ruins. Já a abordagem furtiva requer sucessivas tentativas e erros, mas são altamente recompensadoras pelo resultado positivo no fim das contas. Em The Brigmore Witches, suas escolhas são capazes até de alterar o destino que Daud originalmente teve na trama do jogo-base.

A primeira missão é uma desafiadora releitura da famosa prisão Coldridge. Enquanto Corvo Attano escapou dela no início de Dishonored, Daud tem a tarefa de infiltrá-la e resgatar um de seus moradores. Um dos pontos altos do DLC ocorre aqui: você tem a chance de entrar na prisão disfarçado de Overseer, os soldados de elite que combatem heresias pelo império. Evitar que o disfarce caia precocemente e Daud fique cercado de inimigos requer criatividade e muita perspicácia, além de altas doses de adrenalina, especialmente na hora da fuga.

Na segunda missão, visitamos o distrito têxtil de Dunwall, com suas fábricas, docas, lojas, shoppings e apartamentos. Tudo isso ocupado por gangues que batalham pelo controle da região, agora deserta devido a praga que assola a cidade. Dessa vez, não há alvo para eliminar, mas um certo equipamento que precisa ser recuperado. Como ele está sob controle de uma dos grupos rivais, é necessário um pouco de diplomacia para acalmar os ânimos ou, se você não tem tempo pra isso, pode optar por uma maneira instantânea — e macabra — para resolver a situação.

Brigmore Witches

A história culmina na terceira e última missão. O quartel-general de Delilah e seu exército de bruxas e lobos zumbis (!) é uma mansão isolada no meio de um pântano. A fase é longa e oferece um espaço imenso para exploração e planejamento de táticas furtivas. Acredite: as aterradoras bruxas de Brigmore não são os inimigos que você vai querer enfrentar em combate aberto. A fachada da mansão e o pântano oferecem visuais belíssimos que contrastam fortemente com o interior da casa, arruinada pela mágica e pela natureza, lembrando um pouco do castelo de Amnesia: The Dark Descent.

Infelizmente, o ponto forte do DLC também é o seu maior defeito. É apenas nos últimos instantes da história que entendemos os motivos pelos quais Delilah precisa ser caçada. É uma revelação impactante, mas que, além de demorar demais para ocorrer, acontece de maneira quase imperceptível. Ao menos, é essa revelação que coloca em dúvida a índole de Daud. Sua missão é muito mais nobre do que parece, mesmo realizada quase em total anonimato. Uma pena que demora tanto tempo pra notar isso e até lá, pode ser tarde demais para alterar seu destino, dependendo das suas escolhas.

Brigmore Witches

Introduzidos em The Knife of Dunwall, os “favores” continuam disponíveis ao início de cada missão. De novidade, temos um poder especial que permite puxar objetos e inimigos distantes e deixá-los vulneráveis ao seu golpe final; os “corrupted charms”, quase iguais às suas versões normais, exceto por fornecerem vantagens ao custo de outras; e as “stun mines” e “baffle dust”, ambos melhorias para armas já existentes. A primeira são minas que descordam quem se aproximar e a outra é uma bomba de fumaça que desorienta os inimigos e causa um breve período de amnésia.

Vale destaque ainda as sidequests, como algumas deixadas pela misteriosa Granny Rags da trama do jogo-base. Em uma delas, por exemplo, temos que preparar um ritual de casamento pra lá de macabro onde os noivos estão, bem… sem vida. Outras ainda incluem pequenas missões de assassinato ou busca de algum objeto perdido como favor a NPCs.

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Conclusão

The Brigmore Witches consegue repetir em pouco mais de cinco horas de jogatina praticamente a mesma qualidade vista no jogo-base — em alguns momentos, faz até melhor. O DLC mais do que compensa o trabalho razoável feito no seu antecessor, que quase não trouxe novidades, e vai longe. A conclusão digna para uma história intrigante, centrada em um dos personagens mais interessantes do universo de Dishonored, faz jus a um das melhores jogos de 2012.

Dessa vez, o conteúdo visto em Brigmore Witches honra o seu preço (R$ 20) e, sem dúvida, é uma recomendação obrigatória aos fãs. O único problema é ter que passar por The Knife of Dunwall para conseguir aproveitar The Brigmore Witches ao máximo. Fora isso, temos aqui nada mais, nada menos do que uma aula de como se fazer DLCs, elevando a qualidade do jogo-base e preparando terreno para uma continuação. Que venha Dishonored 2!

Nota

8,5/10

Artur Carsten

Catarinense, amante da música eletrônica, estudante de medicina e jogador nas inexistentes horas vagas. Ocasionalmente, escreve artigos e coloca em dia a pilha interminável de jogos comprados em promoção no Steam. Já passou pelo Campo Minado, Continue, Guia do PC, Gemind e Oxygen e-Sports.

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