Rock Band iOS will no longer be playable

Muito se fala atualmente em distribuição digital. Fala-se que em um futuro não muito distante games em caixa deixarão de existir. Todos os jogos eletrônicos serão vendidos única e exclusivamente via download. Eu mesmo sou grande entusiasta da distribuição digital: melhores preços (pelo menos no tocante a títulos para PC), entrega extremamente mais rápida e muita comodidade. É claro que o espaço disponível em seu HD pode muitas vezes ser um empecilho, mas todos sabemos que liberar espaço é muito fácil.

As vantagens da distribuição digital são claras, e não me restam dúvidas de que ela “é o futuro”, como dizem. Que é um caminho sem volta. Mas seria este caminho seguro? Nos últimos dias pudemos acompanhar as notícias sobre Rock Band para iOS: usuários foram alertados de que o jogo iria simplesmente deixar de funcionar no dia 31 de Maio de 2012. Não estamos aqui falando do desligamento de servidores, o que, como todos sabemos, representa o fim do modo multiplayer de um game, quando isto acontece.

Estamos falando, infelizmente, da hipótese do jogo deixar de funcionar totalmente. Mesmo seu modo solo. Ou seja, jogadores do mundo inteiro compram um título e, de uma hora para a outra, podem ser avisados de que tal jogo simplesmente deixará de funcionar. Além de uma falta de respeito, trata-se de uma espécie de delito contra nós praticado: ora, nos disseram que estávamos adquirindo um produto e, na verdade, estávamos apenas pagando um aluguel, uma taxa que nos daria o direito de usá-lo por algum tempo (não especificado em local algum).

Obviamente a Electronic Arts (sempre ela) entrou em ação logo depois, disse que o jogo continuaria funcionando e ainda pediu desculpas pela confusão. A primeira mensagem, onde podíamos ler “Thanks for rocking out with us” chegou a me soar como uma afronta. E aí eu me pergunto: será que a distribuição digital é segura? Mesmo o caso acima tendo sido aparentemente um erro, o desrespeito não deixou de existir, e o medo surgiu em nossas mentes, mais uma vez.

Aliás, o que compramos, quando optamos, por exemplo, pela versão digital de um game para PC? No máximo um manual em PDF, alguns extras (também digitais) e um link para download do título, trocando em miúdos. Se a empresa que nos vendeu o jogo falir de uma hora para outra, ou se por algum motivo indevido nossas contas (junto ao Steam, por exemplo) forem banidas, todo o investimento que fizemos é perdido.

Nossas coleções de games em versão digital nada mais são que links para download atrelados a políticas de uso. Temos de “dançar conforme a música”, e se o dono da festa achar que estamos fora do ritmo ou que nosso comportamento é inadequado, mesmo que nada disto esteja acontecendo, somos obrigados a abandonar a festa.

Sou um grande defensor da distribuição digital. A comodidade de adquirir um jogo no dia de seu lançamento, por exemplo, é sensacional. A possibilidade de mantermos nossos jogos armazenados em servidores alheios e disponíveis através de um prático e completo cliente, como o Steam, por exemplo, à partir de qualquer lugar, é maravilhosa. Existe até mesmo aquela história (não me lembro bem qual sua origem nem tampouco se ela é verídica – se alguém puder confirmar, agradeço) a respeito da Valve, segundo a qual a empresa teria dito que caso “problemas ocorram” todos os usuários terão um prazo para baixarem seus games.

Mas e quem possui, digamos, 400, 500, 1000 games no serviço de distribuição digital da Valve? Haja espaço, banda e paciência para um trabalho hercúleo como este, não? Obviamente os sites de distribuição digital estão trabalhando constantemente em prol da melhoria de seus serviços, e a hipótese de um Steam ou de um GamersGate, por exemplo, falir, pelo menos por enquanto, é muito improvável. Mas o risco de perdermos acesso às nossas coleções digitais sempre existe, por mínimo que seja.

Atitudes como as da Electronic Arts em relação a Rock Band para iOS servem para aumentar ainda mais o medo dos jogadores. Sabe-se lá quantas pessoas deixaram de comprar títulos da empresa, devido a isto (bom, ela merece, não é?)? Ou, pior, sabe-se lá quantos futuros adeptos da distribuição digital estão agora repensando a maneira como irão adquirir seus games?

Se a indústria de jogos eletrônicos como um todo vê futuro na distribuição digital, como a EA provavelmente vê, é inadmissível que acontecimentos deste tipo ocorram. A simples mensagem assustadora e a subsequente, desmentindo tudo, formam um conjunto que pode prejudicar bastante as vendas de games via download. Já imaginou se Mass Effect 3 também parar de funcionar? Ou se isto ocorrer com algum outro game que requer o Origin, por exemplo?

Claro: ME3 não vai parar de funcionar, principalmente agora que conta com multiplayer e que pode vir a se transformar em uma fantástica máquina de fabricar dinheiro, com o lançamento, quem sabe, de uma série de DLCs voltados justamente para quem está se divertindo no modo online do jogo. Mas como ficamos nós, jogadores, no meio disto tudo?

Creio que a indústria de jogos eletrônicos deveria pensar em maneiras de fazer com que os jogadores se sintam mais seguros. E isto envolve publicadoras e vendedores, pois são estes que se encontram no último lance da escada, antes do título chegar às mãos do consumidor final. Sites como o GOG.com, por exemplo, que vendem games sem DRM, podem servir de exemplo. Aliás, seria muito bom se os DRMs deixassem de ser utilizados, pois já está mais do que provado que eles são ineficientes e não acabam com a pirataria, além de muitas vezes prejudicarem quem pagou pelo game.

Será que estamos seguros? Será que teremos sempre em mãos o segredo do cofre onde se encontram nossos jogos em versão digital? Ou teremos de conviver sempre com o “fantasma do desaparecimento”? Mais uma vez, ressalto que adoro a distribuição digital. Mas este último acontecimento envolvendo Rock Band iOS me deixou com medo. Como dizem, “onde há fumaça há fogo”. Ou então algum estagiário deve estar agora procurando um novo emprego.

E você, o que pensa disto tudo?

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