Ontem, ao escrever um artigo sobre a “Green Man Gaming”, que entrará no mercado de distribuição digital de games em breve e promete comercializar “games usados digitais”, bem como permitir que seus usuários vendam seus games comprados via download através do site, alguns pensamentos me vieram à cabeça.

Aliás posso dizer que comecei a pensar nisto logo depois do recente episódio ocorrido no Steam, onde o cidadão que desejava vender sua conta com 139 games foi supostamente impedido (e provavelmente teve sua conta banida ou bloqueada, vai saber).

O que diferencia os games vendidos em lojas físicas, daqueles vendidos via download?

Qual a diferença entre um game comprado “digitalmente”, via download, e um game comprado na loja, encontrado em uma prateleira, com sua caixinha, manuais, mídia, etc?

Não estou me referindo aqui à diferença “física”, digamos. Pois todos sabemos que games em caixinha contém diversas coisas que os distribuídos digitalmente não contém, como manuais, mídia, livros (algumas vezes), e diversos outros tipos de conteúdo. Mas isto não vem ao caso agora. Estou me referindo ao “conteúdo” em si, ao game, ao software que está sendo vendido.

Por que podemos vender e/ou trocar um game retail, enquanto que um comprado em sites de distribuição digital não? Tecnologia para rastrear estas transações e impedir abusos, com certeza não falta.

O que difere um de outro? Ao comprar um game, seja através da tão falada distribuição digital (via download), seja comprando-o em uma loja física, não gastamos nosso dinheiro, de qualquer forma, e este não foi devidamente distribuído a quem é de direito (varejistas/vendedores digitais, desenvolvedores, distribuidores e quem mais tiver direito a alguma parcela sobre a transação)?

Dos alertas que vejo nas caixas dos games que compro, o único que tem algo a ver com o que estamos discutindo aqui é o que fala a respeito da proibição do aluguel. Bom, eu, pelo menos, não alugo meus games. 🙂

A pirataria realmente é um problema nestes casos?

É claro que, em se tratando de games/software, a pirataria é um fator a ser levado em conta, e daí talvez venha o medo que impede os vendedores digitais a implantarem algo nestes moldes. Mas será que o modelo de DRM do Steam não está preparado para isto, por exemplo? Será que é tão difícil assim transferir um game de uma conta para outra, quando ocorrer uma hipotética venda e/ou troca?

Comprando games “no escuro”

Pois da maneira como os serviços de distribuição digital trabalham hoje, onde algumas vezes não temos uma demo do jogo à disposição, muitas vezes compramos um game no escuro. Nestes casos, podemos não gostar do jogo, mas podem existir pessoas que o apreciem. Não seria então o momento de, caso possível, trocamos ou vendermos o dito cujo, caso fosse permitido?

Finalizando

Talvez a “Green Man Gaming” seja o ponto de partida, o início de um talvez longo caminho, até o momento em que todos, vendedores digitais, distribuidores e desenvolvedores entendam que o gamer (pelo menos grande parte deles) não quer “dar chapéu” em ninguém. Quer, apenas, ter a liberdade de fazer o que quiser com algo que comprou, o que neste caso é a licença de uso para poder jogar um simples game. Licença esta que poderia muito bem ser transferida.

Alguns podem até argumentar que desenvolvedores e distribuidores perderão dinheiro, neste caso, mas o modelo de negócios que o “Green Man Gaming” propõe prevê o pagamento de royalties aos mesmos, a cada vez que um jogo for vendido. Não sei como eles irão sustentar algo assim, eles já devem ter todo o plano de negócios montado. Se a coisa vai dar certo, aí é o que não se sabe. Ainda.

De qualquer maneira, que venha logo a “Green Man Gaming”, e que venham mais serviços semelhantes. E que os atuais e grandes já estabelecidos olhem com atenção para estes modelos, e que repensem muitas de suas atitudes. Pois apesar da modernidade que envolve a distribuição digital, ela ainda continua cercada por velhas e prejudiciais práticas que chegam até a ofender o gamer honesto.

Coitado do dave311freak. Pode ser que ele tenha perdido mais de US$ 2.000,00, sem ter feito nada para merecer tal prejuízo, em minha opinião. Tivesse ele todos os games que tinha no Steam em versão retail, na caixa (ou pelo menos os assim disponíveis), isto não teria ocorrido, com certeza.

Aliás, não sei se é pensar longe demais, mas penso que tal prática poderia até mesmo ser implantada, quem sabe, nas redes online do Xbox 360 e do Playstation 3, Xbox Live e PSN, respectivamente. Quem sabe um dia, ainda mais sabendo-se que a distribuição digital “é o futuro” (vou sentir falta das minhas caixinhas, manuais impressos e demais badulaques). 🙂

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