Dragon Age: Inquisition – oportunidades, escolhas, consequências e imersão

Neste texto quero falar a respeito de minha experiência com Dragon Age: Inquisition. De como estou adorando o título, do quão imersivo ele é, de como ele me lembra de Mass Effect, e de como me apaixonei pelo mais novo trabalho da BioWare.

Não sou especialista na franquia, nem de longe; também não vou escrever a respeito (ou o farei bem pouco, se for o caso) de detalhes técnicos e/ou de elementos que muitos de vocês já conhecem, desta ou de outras séries, ou até mesmo de outros RPGs. Evolução de personagens, pontos de experiência, etc. Devo dizer que gostei bastante do sistema de crafting, porém, e o tenho usado bastante. Vou também tentar evitar spoilers o máximo que puder.

Dragon Age: Inquisition

O que eu gostaria de deixar bem claro desde o início é que este texto narra um pouco de minha jornada em Thedas. Uma jornada, digamos, até que bastante pessoal, cheia de elementos que me fazem deitar à noite e com eles sonhar. Sério, me pego muitas vezes, deitado, pensando em acontecimentos do jogo.

Em diálogos. Em combates. Em personagens. Em como me deixo levar pela fantasia. Em situações as mais diversas pelas quais passei durante o gameplay. Nas decisões que tomei. Em como o meu personagem, um Rogue humano, reagiu. Ou melhor, em como eu forcei sua reação.

Dragon Age: Inquisition

Dragon Age: Inquisition é mais um daqueles jogos grandiosos nos quais podemos nos perder. Deliciosamente. Um RPG com um gigantesco mundo aberto que nos convida à exploração, à leitura de pergaminhos, bilhetes, páginas, notas. No qual nos pegamos explorando determinada região por bastante tempo, sem objetivo, e por incrível que pareça, ao nos darmos conta do “tempo perdido”, desejamos mais.

Dragon Age: Inquisition

Com pouco mais de 34 horas de jogo, sei que ainda estou no início da jornada. Acabei de receber o “cargo” de Inquisidor. O ataque descomunal, violento, que destruiu a “pequena vila” que servia de refúgio às minhas forças ainda está fresco em minha memória. Ainda posso ouvir os sons da batalha, a rude canção entoada pelas espadas. Os gritos dos que morreram.

Dragon Age: Inquisition

Ainda consigo me lembrar do desespero que passei tentando salvar moradores, personagens sem muita importância, aldeões que gritavam em desespero enquanto as forças lideradas por um antigo e poderoso magister do Império Tevinter atacavam sem parar, impiedosamente.

Sim, o RPG também deixa nas mãos dos jogador a árdua tarefa de (tentar) salvar pessoas comuns que viviam em Haven. Enquanto conduzimos nosso grupo de guerreiros em direção a diversos objetivos, visando repelir o inimigo, também temos de nos virar para evitar que outros morram. Outros que muitas vezes nem guerreiros são. Mais à frente, aliás, podemos também ser lembrados de suas existências, da perda, da falta que eles porventura fazem.

Dragon Age: Inquisition

Haven se torna, com este ataque, palco de uma batalha fantástica, épica. Apesar do inimigo ser mais poderoso, mais impressionante, é impossível não nos impressionarmos também com os acontecimentos, com todo o drama, com os sacrifícios feitos, incluindo aqueles ocorridos em eventos anteriores, eventos estes que acabaram culminando na destruição total deste nosso primeiro refúgio.

Dragon Age: Inquisition

Como em Mass Effect, Dragon Age: Inquisition também nos faz pensar muito antes de cada decisão, antes de cada diálogo. A roda de diálogos também é uma arma, poderosíssima, aliás, e a ameaça de arrependimentos terríveis está sempre ali, à espreita.

Como em Virmire, em Mass Effect, temos decisões dificílimas a tomar. Da mesma forma que sofremos ao sermos obrigados a optar entre Kaidan ou Ashley, nesta outra obra prima da BioWare, também aqui, em DA:I, podemos ficar com um gosto bem amargo na boca.

Dragon Age: Inquisition

Não falta emoção, doçura, amor, ódio, raiva, amargura, em Inquisition. Motivos para nos emocionarmos: eles estão sempre presentes. A BioWare sabe realmente como criar narrativas envolventes, personagens fantásticos, com os quais passamos a nos importar dentro de pouco tempo.

Como passar incólume pelo espetacular acontecimento logo após a derrota em Haven? Um momento de desespero, é claro, pelo menos a princípio. De tristeza extrema. O pequeno acampamento onde o protagonista chega, esgotado, encontrando suas forças (ou o que restou delas) totalmente sem esperança, é mais uma oportunidade para a BioWare brilhar. Para a desenvolvedora demonstrar seu talento, sua força, a grandiosidade que é capaz de introduzir em suas obras.

Ali, sem que esperemos, enquanto guerreiros cansados debatem sem chegar a lugar algum, sem direção, quase em desespero, Mother Giselle (outro personagem fantástico) se transforma em uma pequena vela que, aos poucos, começa a iluminar quem está ao seu lado, afastando a escuridão com maestria.

Dragon Age: Inquisition

Esta luz logo é propagada. Outros a percebem, a recebem, a aceitam e a retransmitem. Esta luz vem na forma de uma canção. Uma lindíssima canção, “The Dawn Will Come“. Ouça:

Devo confessar que este momento, esta cutscene, me deixou extremamente impressionado. Tudo isto que aconteceu no acampamento me emocionou profundamente. É realmente arrepiante. Pouco a pouco outros começam a acompanhar Mother Giselle, que vem caminhando lentamente em direção ao protagonista, com os olhos voltados para o chão.

Leliana, Cullen, soldados, um a um, até que uma pequena multidão, cantando em uníssono, se ajoelha em frente ao futuro Inquisidor. Outros momentos memoráveis se seguem. A jornada até Skyhold (uma cutscene também acompanhada por uma belíssima música), a companhia do mago Solas, a transformação em Inquisidor.

São tantos os momentos emocionantes, as frases memoráveis, as músicas tocantes, os cenários fantásticos, que é realmente difícil se focar em apenas um. É mais fácil se deixar levar e permitir que tudo retorne à memória depois, levemente, em meio a sonhos e pensamentos.

Dragon Age: Inquisition

Parece que o jogo como um todo é um amálgama que tem por objetivo tirar o nosso fôlego, nos fazer chorar, nos alegrar, nos entristecer, nos arrepiar, nos fazer sentir raiva, ódio, medo, nos fazer afundar em sua trama intrincada e muito bem construída, nos envolver.

Dragon Age: Inquisition é um RPG realmente fora de série, e eu fico ainda mais feliz por saber que tenho muita coisa para dele extrair, ainda. Muitos diálogos, muitas oportunidades. Consequências que poderão me deixar com raiva, deixar minha boca amarga ou me fazer soltar um grito de alegria.

Dragon Age: Inquisition

Eu não poderia finalizar este texto sem mencionar o primeiro julgamento com o qual me deparei em Skyhold, nossa nova fortaleza. Sim, como Inquisidores, podemos julgar prisioneiros. Seus destinos estão em nossas mãos, acessíveis rapidamente através da roda de diálogos.

E, não. Mesmo sendo este primeiro acusado quem era, eu não o condenei à morte, apesar de ter desejado matá-lo, se pudesse, durante a missão “da viagem no tempo”, quando contra ele lutei.

Dragon Age: Inquisition

Na verdade, já há algum tempo eu tinha bastante pena dele. Como acontece em bem poucos títulos, Dragon Age: Inquisition é capaz de fazer com que deixemos de sentir ódio de nossos inimigos, de personagens contra os quais já lutamos ferrenhamente, de uma forma bem rápida. O jogo nos fornece todas as motivações, todas as explicações, tudo o que precisamos para julgar a situação, dentro do contexto correto.

Dragon Age: Inquisition

Como em poucos jogos, aqui podemos nos sentir tocados pela desgraça alheia de uma maneira bastante intensa, bastante diferente, bastante única (e muitas vezes, nos surpreendemos com nossas próprias reações). Personagens com os quais realmente nos importamos: eles podem estar dos dois lados, amigos ou inimigos.

Aliás, citando agora uma pequena side-quest, quem não riu da conversa com o pobre fantasma nas ruínas da velha Crestwood? De sua aparente prepotência, de sua arrogância? Quem conseguiu recusar a missão que ele ofereceu? 😉

Ah, sim, eu também passo horas criando meu personagem, alterando detalhes de sua aparência física, e depois odeio o resultado. 😀

Agradeço ao amigo Bruno pelas conversas que me levaram a jogar este título espetacular. 🙂

 

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