Dying Light, da Techland, não é um jogo ruim. Também não é um jogo espetacular. Eu diria que ele é pouco mais que um bom jogo e, é claro, tudo isto é bem relativo.

Ao jogá-lo você poderá se irritar, poderá se divertir, poderá se arrepender por não ter ter optado por algumas horas de Euro Truck Simulator 2 (caso precise se acalmar) e poderá também pensar se fez uma boa escolha ao adquiri-lo.

Mas não se preocupe (esta frase soa até engraçada, além de me lembrar do review de Amnesia: A Machine for Pigs escrito pelo Artur Carsten): se você já comprou o survival horror em primeira pessoa da criadora de Dead Island, bem, não tem mais jeito. O negócio é fazer de tudo para aproveitá-lo ao máximo.

Dying Light

E se você ainda não comprou, bom, a aquisição pode até mesmo representar algo bom, quem sabe passando na frente de outros jogos presentes em sua fila, talvez quando alguma promoção surgir. Dying Light é uma grande mistura. Com ótimas mecânicas e semelhanças com Assassin’s Creed, Far Cry e Mirror’s Edge, ele brilha em vários momentos.

Seu mundo aberto é capaz de fazer com que os maníacos por exploração se sintam em casa. O combate e a movimentação do personagem, passado o período em que ainda temos pouca “estamina”, poucas armas e upgrades, é excelente (imagine como deve ser chutar a cara feia de um morto-vivo). Conforme vamos desbloqueando novas habilidades, novos movimentos e melhorias para as armas, o game vai ficando melhor. Saltar de um casebre a outro fica mais fácil. Fugir dos zumbis fica mais fácil.

O jogo vai ficando mais rápido, mais frenético, e chega um momento em que o jogador pode até mesmo sentir vontade de caminhar, apenas, sem correr. Se você joga no PC com o controle do Xbox 360, como eu, pode acabar tendo de fazer um esforço bem grande para não manter o analógico esquerdo pressionado o tempo todo (para correr).

O parkour acaba sendo muito natural, com a devida ajuda da câmera em primeira pessoa. Pular, correr e escalar paredes: tudo isto acaba ficando meio que no automático.

A história não é lá muito interessante, infelizmente, e isto é uma pena, pois tudo seria muito melhor com um enredo bacana, com personagens bem construídos. Infelizmente, nem a história nem os personagens são dignos de nota.

São muitos clichês, muitas missões vazias (vá para lá, venha aqui, pegue tal coisa em tal lugar, etc). O protagonista, Kyle Crane, parece até um office-boy, em muitos momentos. Um office-boy que deveria ganhar adicional de insalubridade, diga-se de passagem.

Tudo se passa em uma cidade fictícia chamada Harran, localizada na Turquia. A cidade está bem no meio de uma epidemia zumbi, e está em quarentena. O protagonista, membro de uma organização chamada Global Relief Effort (GRE), cai ali literalmente de paraquedas e tem uma missão que acaba ficando temporariamente em segundo plano.

Após a queda, ele é atacado por membros de um grupo cujo líder é um de seus alvos, e este ataque acaba resultando na morte de um membro de um outro grupo, grupo este que o acolhe.

Isto também acaba gerando um certo mal: no quartel general diversos NPCs falam sobre a tal morte, culpando Crane. Nada muito original, claro, e infelizmente não há melhora, daí em diante.

Mas, mais uma vez, não se preocupe. Dying Light não é um game que você vai jogar devido à sua história. Não é um jogo que vai te prender com uma história profunda. Trata-se de um título que pode prender você devido a outros fatores e à combinação de todos eles: mundo aberto, sobrevivência, gráficos incríveis, zumbis (por que não?) e, claro, o tal do parkour.

O ciclo de dia e noite do jogo é algo realmente fora de série. Durante o dia, podemos dizer que tudo transcorre mais ou menos tranquilamente. Os zumbis são meio bobões (mas sempre representando um grande perigo caso você seja pego em meio a um grande número deles), existem maneiras de se esconder com perfeição, etc.

À noite, entretanto, muitas coisas são invertidas: a caça se transforma em caçador. Zumbis noturnos estão sempre prontos para cair em cima de você com força total ao menor sinal de sua presença.

Eles são implacáveis, a lanterna UV até ajuda, mas não elimina nada, é claro, e ainda tem curta duração, lugares altos não mais representam segurança, e você é forçado a adotar uma atitude furtiva.

Isto não é de todo ruim, até mesmo porque o jogo deixa sempre bem claro que Kyle Crane, pelo menos em alguns aspectos, é apenas um mero ser humano (ele precisa parar para descansar entre uma corrida e outra, entre uma sessão de espancamento de zumbis e outra, etc).

A escuridão pode ser um grande problema, em diversas áreas, mas o ato de acender a lanterna para enxergar pode fazer com que um Volatile (ou vários) perceba a sua presença e então acabe com sua festa. Eles são rápidos, muito fortes e não desistem facilmente.

À noite, a cidade de Harran se transforma em um verdadeiro pesadelo, e em vários momentos o jogador pensa se não seria melhor estar em alguma safe house, se preparando para dormir e aguardar o nascer do sol (o jogo de certa forma permite que evitemos a noite).

Mas experimentar tal pesadelo (muito bem vindo, diga-se de passagem) também tem outra vantagem além da diversão e do medo: XP em dobro. Escapar de Volatiles à noite, por exemplo, resulta em 2 vezes mais pontos (Agility e Power). Fica fácil perceber que optar pelos perigos da noite de Harran pode fazer com que o seu personagem evolua mais rapidamente.

Como em Far Cry, o jogador também pode coletar plantas para a fabricação de poções que fornecem boosts temporários. Para sermos mais rápidos, para podermos enxergar melhor na escuridão, para ficarmos mais resistentes, etc.

Procurar e coletar estas plantas também faz parte da brincadeira, e não foram poucas as vezes em que sofri ataques enquanto estava no meio de uma destas atividades. O sistema de crafting do jogo também é bacana, e até mesmo os medkits devem ser obtidos desta forma.

É realmente uma pena que Dying Light seja tão bom em determinados aspectos e em outros não. É uma pena que sua história não seja original, interessante, e que seus personagens sejam tão fracos. As missões, tanto principais quanto secundárias, poderiam ser mais variadas, fugirem um pouco do esquema “serviço de entregas”.

Por outro lado, a variação dia/noite realmente impressiona e proporciona momentos bem assustadores, muito nervosismo e loucas perseguições. O parkour também é responsável por muita diversão, e a movimentação é sempre muito fluida.

Os zumbis também não deixam de proporcionar lá o seu show à parte, passiva ou ativamente. Descobrir novas maneiras de matá-los é sempre muito interessante, principalmente quando você consegue fazer com que um ataque o outro.

O cenário também pode ser usado contra eles, e existem até mesmo elementos para os quais olhamos e pensamos: eles estão ali como “instrumentos de morte”. São espetos, arame farpado, lanças, etc. Chamar a atenção de um grupo de zumbis com explosivos também é de grande valia, em momentos em que precisamos retirá-los do caminho.

Portanto, não se preocupe: Dying Light pode ser um bom jogo. Ele pode te divertir bastante. Ele poderia ser melhor, muito melhor? Certamente. Mas o “pacote” que foi entregue pela Techland, pelo menos por enquanto, é desse jeito.

Por outro lado, existe também um “detalhe” que pode fazer com que o investimento (caso você venha a adquirir o jogo) seja mais interessante. O modo multiplayer assimétrico (Be the Zombie), no qual podemos entrar na pele de um zumbi e combater outros jogadores, é sensacional.

Temos superpoderes, temos tentáculos que auxiliam na movimentação, enxergamos melhor, somos mais rápidos e mais fortes. Mas, por outro lado, somos suscetíveis à tal lanterna UV que tanto nos ajuda no jogo normal.

Além disso, a Techland já está trabalhando em ferramentas de modding, e uma atualização gratuita está prestes a ser lançada para o título. O pacth trará, segundo a desenvolvedora, diversas melhorias e novidades, incluindo um novo modo de jogo, o “Hard Mode”. Vamos aguardar.

Poderá gostar também

Pin It on Pinterest