A conferência da Microsoft na E3 2011 terminou há pouco. Bom, quando terminar de escrever este artigo bem mais tempo terá passado, talvez. Comecei a assistir a conferência já desanimado, e ao término da mesma, minha sensação foi de total apatia. A Microsoft, de uma maneira geral, nada mais fez do que demonstrar mais um pouco o Kinect e os novos jogos com suporte ao acessório. Ok, existiram alguns bons momentos durante a conferência, isto não posso negar. Mas estes foram eclipsados pela aparição constante do ex-Projeto Natal.

Coisas boas: Halo: Combat Evolved Anniversary com co-op e sete mapas clássicos, com o lançamento previsto para Novembro, Gears of War 3 com o Ice-T jogando, Modern Warfare 3, Youtube e Bing na Xbox Live e… opa, o que mais mesmo? (até o Youtube na Live é questionável, se pensarmos bem). Estou esquecendo de algo? Alguém se lembra de mais alguma coisa interessante? Particularmente, fiquei totalmente decepcionado. Minecraft com suporte ao Kinect no Xbox? Quem precisa disso? Qual a vantagem? Onde o Markus Persson está com a cabeça? No dinheiro, óbviamente.

Once Upon a Monster, Kinect fun labs, Kinect Sports 2, Dance Central 2, etc: nada disto me empolgou. E, o pior de tudo: Kinect no Mass Effect 3. Coitado do Shepard: também virou um cachorro, agora. Chegaremos a ver gente jogando ME3 da seguinte maneira?

“- Shepard, atire”. “- Shepard, pegue a Jack”. “Shepard, só no Paragon, hein?”.

Agora estou com medo de Mass Effect 3, sendo um grande fã da franquia. Será que tentarão “aliviar” as coisas para a devida introdução do suporte ao Kinect no jogo? Justo no último da série? A Microsoft focou sua conferência durante a E3 2011 quase que única e exclusivamente no Kinect. Até achei o Kinect Star Wars legalzinho, gráficos bacanas, etc, mas a jogabilidade não convenceu.

Tempo de resposta bem ruim e muito “pula-pula” para o meu gosto. Parece que a gigante de Redmond está pretendendo estender a vida útil do Xbox 360 durante os tais 5 anos através da utilização do Kinect, e se ela assim o fizer, infelizmente, veremos cada vez mais “Minecraft’s para Xbox 360” e chegaremos a ver também o lançamento de “Dance Central 25”.

Será que tudo agora depende do Kinect, no tocante ao console da Microsoft? Ok, é uma tecnologia fantástica, mas lançar apenas games casuais, alguns deles “revestidos” de uma capa mais séria, não adianta nada para quem, como eu, por exemplo, gosta de jogar com o controle nas mãos. Qual a necessidade, me digam, de usar o Kinect no Mass Effect 3? Vejo até problemas aqui: quem não domina o inglês vai encontrar problemas no momento de dar ordens à equipe bem no meio do combate. Será um desastre.

E, independentemente de qualquer coisa: existem games que exigem atenção, cuidado, leitura, lógica, etc, e tudo são coisas meio que contrárias à utilização do Kinect, o qual está sendo demonstrado, muitas vezes, como uma espécie de “acessório academia”. Seria o Kinect uma espécie de “salvador da pátria” do Xbox 360? Será que o console morreria logo, sem o acessório? Caramba, temos bons jogos exclusivos, a Xbox Live é fantástica, o próprio console em si, sua dashboard, seus recursos, etc, são muito bons. Então: qual o problema, se é que existe um, realmente, e não estou apenas sendo chato?

A conferência inteira foi um tal de Kinect pra lá, Kinect pra cá que, sinceramente, me deixou irritado. Ah, é claro, me lembrei agora: Halo 4. O Master Chief em tela foi uma visão maravilhosa. Talvez por isto tenham deixado o Halo 4 para o final da conferência. Cientes de que nada de novo tinham a apresentar, os chefões da Microsoft podem ter tentado esconder tudo de feio que apareceu com uma pequena mostra do retorno do Master Chief.

Mesmo assim, tudo o que “rolou” antes não me sai da memória, e agora, mais do que nunca, eu fico com a impressão de que, talvez, estejam mesmo certos aqueles que dizem que o PC é a verdadeira e real plataforma para games. A melhor, quem sabe? Não sei, ainda tenho de repensar muitas coisas, e digamos que este artigo terá continuação. Mas a Microsoft me decepcionou. Esta é a minha opinião. Em mais um ano. Em mais uma E3.

Se um console de última geração precisa de um acessório voltado a games casuais para sobreviver, como muitos de nós podemos “ler nas entrelinhas”, então talvez tenha chegado sua hora. Ou, pelo menos, talvez tenha chegado aquele momento crítico em que todos sabemos que o mesmo está com os seus dias contados. Certamente o Kinect será compatível com o próximo console da MS, e aí, tudo estará bem.

Pelo menos, para aqueles menos críticos e que, quem sabe, entraram agora no tal “mundo dos games”. Para aqueles que preferem um sensor de movimentos e reconhecimento de voz a um bom e velho controle. Talvez o velho gamer dentro de mim esteja falando mais alto, neste momento, mas, poxa: Mass Effect 3 + Kinect? Essa foi de matar.

Não vou negar que até sinto que deve ser “bacaninha” jogar uma meia horinha de Kinect Sports. Mas cansa. Onde está a imersão? Onde está o enredo? Mesmo Kinect Star Wars terá 0% de imersão. Aliás, isto é o que periféricos como o Kinect provocarão, caso adotados em massa e suportem inclusive games do mesmo estilo de Mass Effect 3: imersão zero. Games jogados apenas pela experiência física que proporcionam e, talvez, quem sabe, devido aos gráficos. Nada mais. Esqueçam enredo, preocupação com detalhes, leituras de codex, interesse nos personagens, etc.

Talvez eu esteja sendo meio ácido neste post, mas será que o Xbox 360 precisa tanto assim do Kinect? Será que a Microsoft não está exagerando, dando mais importância ao periférico do que ao hardware principal? O ex-projeto natal não é apenas um acessório? Ou daqui a pouco teremos mais games para Xbox 360 com suporte ao Kinect? E, o pior de tudo (pesadelo), games que exigirão o uso do sensor? Aí é o fim do Xbox, para mim.

Vamos aguardar. Com muita paciência. E você, o que achou da conferência?

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