Enquanto a THQ vai mal das pernas, a Electronic Arts anuncia aos quatro ventos seus lucros e sucessos. O Origin, seu serviço de distribuição digital de games para PC (que não parece gostar muito do Brasil), foi responsável por uma receita de mais de 100 milhões de dólares em 2011, sendo que mais de 9 milhões de clientes estão registrados junto ao mesmo. Obviamente uma certa parcela destes clientes se registraram devido à obrigatoriedade de possuir uma conta junto ao serviço para jogar games publicados pela EA.

Battlefield 3 e FIFA 12 venderam, cada um, mais de 10 milhões de unidades, e Star Wars: The Old Republic já possui mais de 1,7 milhões de assinantes ativos. O MMORPG da BioWare, aliás, o qual não está disponível no Brasil, vendeu mais de 2 milhões de unidades em pouco mais de um mês. A EA também menciona que as vendas da PopCap, estúdio adquirido em Julho do ano passado, cresceram 30 por cento em 12 meses.

Outras façanhas, grandes, é claro, também foram anunciadas pela empresa, como por exemplo lucros Non-GAAP de mais de 1 bilhão de dólares no ano calendário de 2011. Vale ressaltar que estes números absurdos foram obtidos através de transações digitais. É muito dinheiro. Muita gente está comprando jogos da EA. Muita gente assinou e joga SWTOR, também, e a EA está rindo à toa, mesmo que todos saibamos a respeito de sua voracidade e enorme vontade de ganhar o máximo possível sem oferecer muita coisa em troca. Claro, isto não é uma regra, mas acontece com bastante frequência.

Estamos satisfeitos por reportar um forte trimestre impelido por Battlefield 3, FIFA 12 e uma forte manifestação de nossos games e serviços digitais. Star Wars: The Old Republic está desenvolvendo uma comunidade de jogadores comprometida, com mais de 1,7 milhões de assinantes ativos, e crescendo“, disse John Riccitiello, CEO da EA.

Infelizmente esta “comunidade de jogadores comprometida” mencionada, em relação a SWTOR, deixa de fora os jogadores brasileiros, pelo menos através das vias normais e esperadas. A publisher também espera, até o quarto trimestre do ano fiscal 2012, gerar uma receita líquida Non-GAAP de 925 milhões a 975 milhões de dólares.

Ainda no campo das grandes realizações da EA, a empresa menciona que o MMORPG Star Wars: The Old Republic vai de vento em popa e, segundo ela, é o MMO pago com o maior crescimento de todos os tempos. Ela também menciona que o uptime dos servidores do jogo é de mais ou menos 99.5%. Particularmente, tenho muita curiosidade em testar SWTOR, entretanto, o não lançamento do jogo no Brasil me decepcionou bastante, principalmente devido ao fato de que não existem razões para este tipo de tratamento que exclui determinados países.

Estamos verdadeiramente honrados pelo incrivelmente forte apoio de nossos jogadores que estão apreciando Star Wars: The Old Republic. Nossa equipe inteira trabalhou duramente durante as férias para entregar uma experiência polida no lançamento, e a resposta ao game, de nossos fãs e críticos, tem sido excepcionalmente gratificante“, disse o Dr. Ray Muzyka, co-fundador e gerente geral da BioWare.

Infelizmente, também, toda esta experiência e este trabalho não podem ser apreciados no mundo inteiro, e muitos brasileiros, por exemplo, estão de fora dos números abaixo, relativos a SWTOR:

  • Mais de 239 milhões de horas in-game, ou mais de 332.000 meses, e mais de 27.000 anos in-game;
  • Mais de 20 bilhões de NPCs mortos;
  • Mais de 148 bilhões de créditos gastos;

Outra novidade divulgada pela EA diz respeito ao Origin (novamente). O serviço conta com mais de 27 parcerias, e hoje sete novas publishers firmaram um acordo para a distribuição de seus jogos no serviço, incluindo, pasmem, a Remedy e Alan Wake para PC. Dentre as novas publishers, pode-se citar, por exemplo, Focus Home Interactive, Iceberg Interactive, Strategy First, Macro Games, Selectsoft and Legendo Entertainment.

Claro, isto tudo “não pertence a nós”, brasileiros. Fico me perguntando quando a Electronic Arts irá liberar o Origin para o mundo todo, se é que ela o fará. Se ela conseguiu atingir números tão significativos com um serviço que exclui no mínimo um país, o que não seria possível com um serviço aberto, como o Steam, por exemplo?

Como concorrer neste mercado tão agressivo com tantas restrições a si mesmo? E mais: como continuar agradando ao mesmo tempo em que não se tem o devido respeito por quem ajuda a pagar seu almoço? Talvez “o buraco seja mais embaixo”, não sei, mas o fato é que, sinceramente, não consigo entender a EA, em diversos aspectos. Quem sabe com o tempo.

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