Electronic Arts quer ser “100% digital”

Tenho escrito até que bastante a respeito da Electronic Arts ultimamente. Infelizmente, não tenho escrito a respeito de boas notícias envolvendo a empresa. A gigante, que lançou há poucos dias atrás o Mass Effect 3: Extended Cut, para a “alegria dos fãs”, e que também pretende transformar seu serviço de distribuição digital de jogos eletrônicos para PC, o Origin, em uma versão melhor do Steam, pretende ser uma empresa 100% digital em um futuro próximo. Claro, o Origin está “na parada”.

Frank Gibeau, da EA Labels, disse o seguinte:

Será em um futuro próximo. Está chegando. Temos uma visão clara e estamos animados sobre isso. O varejo é um grande canal para nós. Temos excelentes relacionamentos com nossos parceiros lá. Ao mesmo tempo, o relacionamento mais importante é a conexão que nós temos com o jogador. Se o jogador quer obter o jogo através de um download digital e este for o melhor modo para que ele o consiga, é isto o que vamos fazer. Isto traz uma série de melhorias para o nosso negócio. Isto nos permite guardar mais daquilo que criamos. Isto nos permite fazer algumas coisas realmente interessantes a partir do ponto de vista do serviço; podemos ser muito mais personalizados com o que estamos fazendo“.

Bem, fico um tanto quanto surpreso com parte desta frase de Gibeau, principalmente porque ele declara também que o mercado de jogos eletrônicos é grande (como se ninguém soubesse disso), e menciona a Ásia, o Brasil e a Rússia dentre as localidades que estão no foco da EA. Bem, há até algum tempo atrás o Origin que tínhamos por aqui era extremamente castrado (não que hoje o “Origin mundial” seja muito melhor, é claro).

Frank Gibeau também cita o rápido crescimento dos serviços e ofertas digitais da EA, e afirma, realmente, que a EA será uma empresa 100% digital. “É inevitável“, diz ele. Sou grande entusiasta da distribuição digital, e creio, realmente, como já disse por aqui diversas vezes, que o futuro dos games está neste modelo de negócio/distribuição. E mais uma vez a gigante EA deixa clara sua intenção de marcar presença em um “nicho”, digamos, onde outros já fazem bonito.

Até aí tudo bem. Mas se observarmos as atitudes da empresa nos últimos tempos, bem como o que andam dela dizendo, e aliarmos a tudo isto o fato de que ela não está tão bem quanto alardeia, as palavras de Frank Gibeau soam meio que estranhas. Seria esta uma forma de, mais uma vez, quem sabe, tentar tapar o sol com a peneira?

Não creio que o Origin, por exemplo (olha ele novamente) esteja caminhando como deveria. Creio que a EA teria condições de desenvolver, manter e nos oferecer um serviço muito melhor, dada sua história, seu tamanho e sua capacidade. A não ser que mudanças realmente radicais ocorram na maneira como a empresa enxerga o mercado de games e, mais ainda, o seu cliente, o jogador, o consumidor, não consigo acreditar em nada disto.

Exaurir IPs e empresas não é um bom caminho. Muito pelo contrário: isto cansa, e se os resultados negativos deste “modelo de negócio” não vierem a curto prazo, pode ser que eles acabem destruindo esta tal “empresa 100% digital em um futuro próximo”. Não tenho nada contra a EA nem tampouco contra o Origin e/ou as franquias da empresa. Gosto de diversos títulos da empresa (motivo este, aliás, pelo qual sinto muito em ver a BioWare e Mass Effect em suas mãos).

Gostaria muito de ver um Origin forte e concorrendo com Steam, GamersGate e tantos outros, pois nós seríamos beneficiados. Acredito, contudo, que a EA deveria pensar mais no jogador, mais naquilo que oferece (na qualidade, principalmente), e “fazer algumas coisas realmente interessantes a partir do ponto de vista do serviço“. Ser 100% digital mas falhar miseravelmente na oferta, na disponibilidade e na qualidade dos serviços não adiantará nada.

Provocar a ira da comunidade de jogadores também não é nada saudável, principalmente quando temos algo totalmente digital pelo qual pagamos e podemos ser impedidos de a ele ter acesso devido a comentários mal interpretados em canais de suporte da empresa. “EA 100% digital”: você acredita? Confia? Deseja?

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