Às vezes me pego pensando no que Elite: Dangerous tem de tão especial para me fazer “perder” tanto tempo. Quer dizer, a resposta às perguntas que surgem após tal pensamento são várias, e eu consigo entender plenamente o porquê do jogo da Frontier Developments me ser tão caro.

Eu nem preciso me preocupar muito com estes porquês, é claro. Afinal, o jogo me diverte bastante, me proporciona momentos excelentes. Enfim, não tenho arrependimento algum, não fico pensando: “-Ah, deveria estar jogando outra coisa ao invés disso”. Muito pelo contrário.

Mas mesmo assim fico surpreso com o tanto que estou jogando. Me surpreende o fato de novamente ter encontrado um título extremamente imersivo. Um título que me pegou de jeito, que me cativou bastante. Um título que, pelo menos por enquanto, não enjoa. Jogo todos os dias, cada vez mais fascinado, e o interesse só aumenta.

Elite: Dangerous

Já escrevi vários textos sobre ele, textos que também acabam sendo “diários de gameplay” (ou diários de bordo?), narrando experiências, acontecimentos (alguns engraçados), etc. Parece que quanto mais exploro o enorme universo aberto do jogo, mais certeza tenho de que há muito mais a ser explorado.

OBS: grande parte das screenshots deste texto foram capturadas através da utilização da debug camera, recurso introduzido recentemente no jogo.

Experiência de jogo melhorada com um Joystick Hotas

Já fazem cerca de 15 dias que estou jogando ED com um Hotas (Hands On Throttle-And-Stick), mais precisamente um Thrustmaster T.flight Hotas X.

Apesar de um início bastante conturbado, posso dizer que tudo melhorou bastante. A experiência de jogo foi muito melhorada com o Hotas, a imersão aumentou, e pilotar a nave ficou muito mais fácil, após a fase de adaptação.

Thrustmaster T.flight Hotas X

Obviamente, este é um dos modelos mais em conta. Mas mesmo assim ele é excelente, principalmente para quem jogava com teclado e mouse (enfim, me atende perfeitamente). O Hotas X, como você pode ver na imagem acima, conta com uma alavanca de throttle separada, independente (além disso, o conjunto pode ser destacado – no meu caso, o throttle fica à esquerda do teclado e o controle à direita).

Uma das coisas mais bacanas nele é o seu hat switch, aquele pequeno botãozinho no joystick, à esquerda do botão 2. Ele pode ser configurado para olhar ao redor (headlook). No meu caso, além disso, o hat switch também serve para gerenciar e controlar os pips, ou seja, me ajuda no gerenciamento e na distribuição de energia da nave (sistemas, motores e armas).

Eu acabei usando um dos diversos botões do joystick como “shift“, e assim, posso mapear um grande número de comandos para ele (e ainda posso mais, pois é possível usar mais de um botão desta maneira). No caso do hat switch, usado sem o “shift” ele controla os pips, e com o “shift” ele cuida do headlook.

Também acabei deixando os botões da lateral direita do throttle com funções secundárias. Separadamente, utilizo-os para o controle dos propulsores verticais (cima/baixo) e para o FSD (Frame Shift Drive). Já com o “shift“, eles me ajudam na abertura e no fechamento do compartimento de carga, no acendimento das luzes da nave e também no acionamento do trem de pouso.

É claro que ainda existem muitas possibilidades em relação aos botões (é possível usar mais botões como “shift“, por exemplo), ao mapeamento de comandos, e ainda estou mexendo bastante nisto tudo.

Bem, o controle dos propulsores laterais fica na alavanca de throttle, também (um grande botão localizado na parte traseira, com “dois lados”). Para girar a nave, lateralmente, basta girar o controle, e o resto você já sabe.

Uma das grandes diferenças que notei (bem básica, mas notável para quem jogava com teclado e mouse) está relacionada justamente à regulagem da potência, à alavanca do throttle.

Ao invés de ter de ficar pressionado as teclas “W” e “S” do teclado (conforme a configuração que havia feito anteriormente), a alavanca deixa tudo mais intuitivo: é possível deixá-la em qualquer posição, com a devida resposta, sendo que também existe um “ponto morto”, bem no meio (acredite, já passei por maus bocados quando “próximo” a algumas estrelas, devido à aceleração constante provocada pelo dedo que havia esquecido no “W”).

Enfim, usar este Hotas tem sido extremamente gratificante, sem contar com o fato de que a impressão de estar no controle de uma nave espacial é muito maior. Como eu disse, a imersão acaba sendo muito maior.

Sempre há algo a fazer em Elite: Dangerous – E isto não é ruim

Já perdi a conta de quantas vezes eu estava próximo a determinado objetivo e “voltei atrás”, encontrando outras coisas para fazer, adiando o tal objetivo e mesmo assim me divertindo muito. Por exemplo, participo de um grupo de jogadores de Elite: Dangerous. Neste grupo, foram criadas algumas missões, e uma delas diz respeito à exploração (no meu caso, tenho de explorar um determinado sistema, catalogar tudo o que encontrar ali, capturar screenshots, vídeos, etc).

Bem, isto está em minhas mãos há cerca de um mês. Já cheguei perto do tal sistema (na verdade, já fui até ele) várias vezes e voltei. Por que? Porque algo surgiu no meio do caminho (ou em decorrência de alguma pesquisa ou conversa) e me chamou a atenção. Simples assim, pelo menos a princípio.

Um novo sistema para explorar (fora da missão), inimigos (sim, ando melhorando minhas habilidades de combate), visuais fantásticos que me fazem “perder” tempo capturando imagens, etc.

É impressionante. Quantas vezes fiquei simplesmente passeando por um cinturão de asteroides, capturando screenshots (mais sobre isso no final do texto), observando planetas gigantes de vários tipos? Perdi a conta. Sem falar nas vez em que me aproximo de alguma estações para observá-las, apenas, bem de perto.

O sistema HIP 63835, por exemplo, me deixou boquiaberto. Sim, fui até lá conferir se havia mesmo um buraco negro, e acabei me deparando com mais de um. Foi uma jornada simplesmente fantástica, que rendeu diversas screenshots, além de momentos de puro enlevo, antes e depois.

Jornadas longas em Elite: Dangerous também podem acabar resultando em sentimentos no mínimo estranhos. Se você começa a saltar de um sistema para outro sem encontrar estações, postos avançados ou algum outro tipo de sinal de vida pelo caminho, bate uma grande solidão. Mas esta solidão acaba sendo uma espécie de “propulsor”: você começa a pensar como se estivesse realmente no espaço, em meio às estrelas, dentro de sua pequenina nave espacial.

Isto acaba se refletindo até mesmo no cuidado com sua nave, pois você sabe que se algo acontecer, se o casco sofrer danos em excesso, por exemplo, você não terá para onde correr (nada de reparos na estação mais próxima).

A Frontier Developments também acabou contribuindo muito para estas “distrações”: não pude resistir à estação Leonard Nimoy, criada após a morte do ator. Eu tinha de visitá-la! Outra distração que acabei arrumando por conta própria foi a viagem até o sistema de Lave.

Elite: Dangerous pode ser um enorme destruidor de produtividade, de vida social. Seja devido à sua natureza (um espetacular universo aberto com mais de 400 bilhões de sistemas), seja devido à ambientação (sou verdadeiramente apaixonado pelo espaço e assuntos relacionados), o game não cansa, sempre tem algo novo a oferecer, algo fresco.

Ele tem sempre uma nova experiência pronta para ser oferecida a jogadores com gostos os mais variados, experiências que podem envolver exploração, combates, caça a recompensas, comércio, contrabando, e assim por diante.

Menos fugas dos combates

É, agora não fujo muito de combates. Até andei caçando recompensas, por falar nisso. Dei uma melhorada no meu armamento, também. A Asp possui 6 hardpoints para armas, e atualmente também tenho equipados 2 burst lasers e 2 fragment cannons.

Um dos meus últimos combates aconteceu no sistema Taliesin. Ao investigar uma fonte de sinal não identificada, me deparei com uma nave da Federação perseguindo uma Cobra. Um NPC cujo status era “wanted”. Ora, resolvi entrar na brincadeira e acabei abatendo o cara, recebendo um prêmio de 46 mil e poucos CR, os quais resgatei posteriormente na estação mais próxima, através da troca do respectivo voucher.

Outra experiência semelhante e recente veio em decorrência de outra emissão de sinal que investiguei. Desta vez foi no sistema de Lawd 26, onde abati outra Cobra. Aqui existiam várias outras naves perseguindo outro criminoso: entrei na brincadeira também e “levei para casa” cerca de 18 mil CR.

Ainda não me sinto confortável o suficiente para enfrentar Comandantes reais (jogadores reais). Já tive vários encontros com Comandantes hostis, vale ressaltar, mas fugi de todos. Do jeito que a coisa vai, porém, é provável que isto mude em um futuro próximo (eu até tentei, dias atrás, enfrentar um cara que estava pilotando uma Vulture, mas fugi rapidinho quando percebi que iria levar a pior).

É também provável que o joystick Hotas seja um dos grandes responsáveis por tudo isto. Certamente tudo fica mais fácil com ele, inclusive as manobras durante os combates. Mas eu sei que devo ir com calma, pelo menos no que diz respeito a combates onde existem pessoas reais do outro lado.

Contribuindo com eventos que afetarão a galáxia

Uma das coisas mais bacanas em Elite: Dangerous são os eventos onde jogadores reais podem participar e dar suas contribuições, sendo que estas afetarão a galáxia, de algum modo.

Isto está acontecendo atualmente no sistema de Lugh, onde um grupo iniciou uma espécie de insurgência, contra a Federação. Inúmeros Comandantes estão lá (na verdade, perambular por aquele sistema atualmente é muito bacana, mesmo com todos os riscos – conversas legais demais acontecem nas estações, aliás, enquanto estamos pousados).

Existem várias maneiras de participarmos destes eventos. Uma delas é trazendo armamentos para o sistema, ou seja, trata-se de comércio. Já estou em minha terceira viagem “outros sistemas ==> Lugh”, trazendo armas para vender em Baladin Gateway.

Também existem outros tipos de atividades, como por exemplo a venda de informações e de metais diversos, que podem ser comprados em outros lugares ou então obtidos através de mineração. Sem falar em missões de assassinato, é claro, algo que muitos jogadores devem adorar.

Estes “Community Goals” (Objetivos da Comunidade) são sensacionais. Você deve primeiro confirmar sua participação, ou seja, se juntar à causa. Assim, suas atividades correspondentes a partir daí serão contabilizadas. Cada estação de Lugh permite que o jogador consulte o andamento dos objetivos (quantas toneladas já foram vendidas, por exemplo, ou quantos alvos foram abatidos), bem como dados a respeito de sua participação.

Ao final de cada um destes eventos, além das mudanças locais, que afetarão o sistema em si, temos recompensas únicas, como grande quantidade de dinheiro (estes prêmios variam conforme o nível de participação).

Ontem à noite, por falar nisso, resolvi me dirigir a uma das várias zonas de conflito em Lugh, e tomei um susto: a quantidade de pilotos lá era absurda. Lasers iluminavam o espaço ao meu redor, e em alguns momentos parecia que eu estava em uma rave. Claro: minhas habilidades atuais (ou talvez a ausência delas) não me deixaram ficar ali muito tempo, o risco era grande.

Finalizando

Esses dias passei por algo no mínimo inusitado em Elite: Dangerous. Algo bastante pessoal, até, e que me fez apreciar ainda mais este jogo. Um sentimento muito bom me atingiu enquanto eu acelerava em meio a um cinturão de asteroides, frente a um gigante gasoso belíssimo.

Algo que tento transcrever abaixo, em palavras, com base em anotações que fiz naquele momento, rapidamente, no Evernote. Besteira? Talvez, quem sabe. Ou talvez não:

Lágrimas nos olhos, agora. Cenas jamais imaginadas, cenas que jamais pensei ver com meus próprios olhos, mesmo assim, de forma “limitada”. Fantástico. Sem palavras. A vontade de chorar é forte. E pensar que nunca na vida terei a chance de ver um corpo celeste desta maneira, tão “perto”.

Elite: Dangerous me proporciona esse prazer, com as limitações pertinentes a um game, a um computador, etc, mas mesmo assim é incrível. Fiquei um certo tempo ali, “próximo” àquele gigante gasoso. Esperando, observando, divagando…

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