Elite: Dangerous será lançado no próximo dia 16 de Dezembro, exclusivamente para computadores. Na verdade, o jogo se encontra em fase beta há alguns meses, tempo este durante o qual a desenvolvedora britânica Frontier Developments vem nele trabalhando bastante. O jogo foi financiado através do Kickstarter, onde arrecadou £ 1.578,316.

Trata-se de um jogo pertencente à clássica série de space sims Elite, cujo cocriador, David Braben, é também CEO da Frontier Developments. Este é, também, o quarto título da franquia. Um título “perigoso”, devo dizer logo de início, pelo menos para quem gosta do gênero e, como eu, é fascinado pelo espaço sideral e por assuntos relacionados (incluindo jogos eletrônicos, claro). Podemos realmente “perder” horas e horas a fio em um jogo como este, com um “espaço aberto” tão fantástico e crível.

Elite: Dangerous

Estou jogando o beta de Elite: Dangerous (atualmente versão 3.05), e este é apenas um primeiro artigo contendo as primeiras impressões de um comandante novato. Impressões e experiências já vividas dentro do universo persistente do jogo, universo este “equipado” com bilhões de sistemas estelares (a promessa dos desenvolvedores é de 400 bilhões, em uma galáxia inspirada na nossa Via Láctea).

Mesmo agora, observar o mapa estelar da galáxia ou até mesmo o mapa que exibe apenas o sistema no qual você se encontra é algo fantástico, dada a enorme quantidade de sistemas, estrelas, planetas e estações. Estações, aliás, que funcionam com fins os mais diversos.

Elite: Dangerous

Também é possível digitar diretamente o nome de um sistema estelar qualquer no sistema de navegação, e rapidamente sua localização será exibida no mapa. Isto é muito útil quando você precisa definir a melhor rota de um ponto a outro, levando em consideração, por exemplo, paradas necessárias para reabastecimento ou reparos em estações no meio do caminho.

O jogo é extremamente realista, vale também dizer. A descomunal galáxia está pronta para exploração. Ela pede para ser explorada. Para sermos mercadores, contrabandistas, aventureiros, mercenários. Para explorarmos sistema atrás de sistema em busca de novas maravilhas, de novos trabalhos, de novos perigos, de novos cinturões de asteroides, quem sabe.

Não tenho condições de julgar até que ponto as palavras abaixo, dos desenvolvedores, são verdadeiras e/ou refletem realmente o que acontece no jogo. De qualquer forma, aí vão elas:

É muito comum em games espaciais disfarçar a escala para fazer as coisas parecerem melhores e funcionarem, entretanto, isto resulta em localizações espaciais sendo condensadas. No Elite tudo está na escala que deve ser, então os planetas estão no tamanho correto e as distâncias entre os objetos também estão corretas. Utilizando a engine Cobra, podemos adaptar nossas soluções para se ajustarem ao jogo, e não o contrário“.

Elite: Dangerous

Como eu disse, sou um novato em Elite: Dangerous. E vale também deixar claro logo de início que não é nada fácil pilotar. Nem um pouco! Muitos sugerem a utilização de um sistema HOTAS, o que certamente deixa tudo mais fácil. Entretanto, também é possível jogar com um controle (como o do Xbox 360, por exemplo) ou com o conjunto teclado + mouse. Eu optei por este último modo.

Elite: Dangerous

O realismo neste último título da Frontier está também presente no momento de lidarmos com nossas naves espaciais. Temos de manobrá-las com cuidado, pilotar com cuidado (até mesmo porque perdas totais podem incorrer em determinados gastos, principalmente se nem tudo na nave estiver segurado – incluindo eventuais cargas).

Bem, confesso que foram muitas as vezes em que desisti de “simplesmente aterrissar” (ainda não consegui comprar um docking computer). Não foram poucas as vezes em que fechei o jogo e fui fazer outra coisa, já bastante nervoso. Mas eu sempre voltava. Continuei insistindo. E, agora, posso dizer que aterrissar é o menor dos meus problemas.

Elite: Dangerous

Yaw, pitch, vários eixos, roll, vários propulsores, throttle, módulo frameshift drive (que permite os saltos para o hiperespaço e também o modo supercruise, por exemplo), etc: dê uma olhada no manual de pilotagem, à partir da página 15, para ter uma ideia.

Voltando à pilotagem (e ao realismo), é interessante também lembrar que sua nave pode permanecer “presa”, ou “travada” de algum modo, dependendo de algum corpo próximo, com maior ou menor força, dependendo da massa do objeto em questão (seja uma estação espacial, um planeta ou uma estrela).

Existem indicadores luminosos no painel relacionados a isto, bem como existem controles para que você distribua a energia conforme a necessidade, entre os motores e o escudo, por exemplo. Com o indicador “mass locked” aceso, você terá não só problemas para manobrar, mas também não conseguirá alcançar altas velocidades; o hyperdrive também não poderá ser acionado. É preciso, antes, “se desgrudar”.

Elite: Dangerous

Voltando às aterrissagens, agora. Este é, talvez, um dos elementos que pode fazer com que muitos jogadores acabem se afastando de Elite: Dangerous. É muito difícil, chega a ser bem chato, no início. Principalmente porque assim que você solicita permissão para pousar, você deve concluir o processo dentro de mais ou menos 5 minutos, sob pena de ser hostilizado e abatido pelos mandachuvas do lugar.

Elite: Dangerous

“Barbeiragens” no momento da aterrissagem também podem resultar em problemas, a permissão pode ser revogada, etc. Portanto, é sempre bom treinar, antes, e para isto existe uma série de tutoriais, incluindo um que trata justamente a respeito de aterrissagens.

Mas assim que você domina sua nave e os controles, assim que você encontra uma configuração ideal no que diz respeito ao mapeamento dos comandos, e após algumas horas de treino, tudo se torna mais fácil, inclusive a aterrissagem (você perceberá então que é muitas vezes mais difícil localizar o ponto de entrada em estações como Freeport, por exemplo).

Obviamente, o jogo permite que você altere o mapeamento dos controles à vontade, e eu acabei dando um pouco mais de trabalho para meu mouse: mudei a rolagem lateral (roll) para os botões esquerdo e direito, e configurei para que o armamento primário e secundário seja ativado com a barra de espaço e o ALT esquerdo, respectivamente.

Elite: Dangerous

Já estou conseguindo juntar alguns créditos transportando cargas diversas, como parte de missões ou não. Nem penso, por enquanto, em encarar a vida de mercenário. Com a ajuda de outro jogador, descobri uma rota bem interessante: compro Auto-Fabricators no sistema de Aulin, na Aulin Enterprises, e vendo-os por um ótimo preço em Chu Hub, no sistema de Styx. Aí mesmo, em Chu Hub, compro Indium (um tipo de minério), volto para Aulin Enterprises e faço a venda lá. Venho repetindo estas viagens, por diversas vezes, e a minha conta bancária tem crescido.

Alguns destes “portos espaciais” também contam com um “commodities market” muito interessante, que lista todos os itens separados por categoria, com seus respectivos preços para compra, para venda, quantidades em estoque (se for o caso) e como vai a demanda. Muito bom para fazermos negócios.

Elite: Dangerous

Já até consegui vender uma carga “sem querer” e sem esforço. Outra carga cujo prazo de entrega eu perdi (veja abaixo). Ocorre que no local onde eu estava, Romanek’s Folly (se não me engano), no sistema de Morgor, havia uma certa demanda justamente pelos itens que eu tinha no compartimento de carga. Foi um dinheiro muito fácil.

Mas me pergunto se conseguirei levar esta vida de mercador espacial por muito tempo, uma vez que o espaço está cheio de piratas, mercenários e até mesmo outros jogadores que simplesmente gostam de demonstrar poder, sem mais nem menos.

Elite: Dangerous

Minha nave ainda é uma Sidewinder, com pouco poder de fogo e alcance limitado. Não realizei, ainda, nenhum tipo de upgrade no armamento, nos compartimentos de carga, no casco e nem tampouco nos motores. Estes upgrades, quando realizados, me permitirão alcançar sistemas mais distantes e, é claro, possibilitarão maior liberdade, mais diversão e ganhos maiores (já perdi alguns jobs por falta de atenção, aliás, e com resultados trágicos: o sistema destino ficava alguns anos luz à frente da capacidade de minha pobre Sidewinder – mas o pior vem abaixo).

Na primeira vez em que isto aconteceu, foi até engraçado. O tempo para a entrega havia se esgotado e, pelo que eu entendi, os bens em meu “porta-malas” automaticamente se transformaram em itens roubados. Não prestei atenção a um alerta de “wanted” no painel de minha nave, certa vez, quando entrei em Styx.

Elite: Dangerous

Eu ainda estava feliz e contente no hiperespaço. Assim que o salto terminou e cheguei perto da estação Chu Hub, bastou um rápido scan por parte deles para que eu fosse considerado um criminoso (creio que devido à carga que carregava, ou, então, a algum bug bem sinistro): a resposta veio rápida, e minha nave foi explodida.

Outro dia fui também literalmente destroçado por um tal de CMDR Tyger. O pior de tudo é que tive tempo e condições para fugir. A Sidewinder emitiu vários avisos: havíamos sido escaneados, o “inimigo”, poucos segundos depois, estendeu seus hardpoints, etc.

Mas fiquei estranhamente tranquilo, talvez por não acreditar que o cara iria atirar contra mim (eu mesmo já “varri” várias outras naves, sem ter no entanto disparado contra elas, após a identificação).

Elite: Dangerous

Pois bem, quando me dei conta, quando acordei, era tarde demais. Até tentei saltar para o hiperespaço, mas com o tempo de carregamento de 5 segundos, foi quase impossível. Digo quase, pois pensando friamente, mais tarde, e conversando com outros jogadores, fiquei sabendo que eu poderia ter realizado uma série de manobras evasivas durante estes 5 segundos, manobras que, talvez, teriam me salvado.

Mas Elite: Dangerous está me deixando cada vez mais entretido. Cada vez mais me maravilho com os sistemas que visito, com as estações espaciais diferentes, com os planetas e sois que observo. Enormes estrelas com suas ejeções de massa coronal também representam um espetáculo e tanto, tanto que em uma destas observações fui obrigado a sair rapidamente, o mais rápido que pude, pois minha observação descuidada estava acabando com minha pobre Sidewinder aos poucos (esqueci de qualquer cuidado, aqui, mesmo com os vários alertas emitidos pelos sistemas da nave).

Elite: Dangerous

Sidewinder

Os gráficos do jogo são realmente muito bonitos, e sua trilha sonora está totalmente de acordo: no hiperespaço, falando nisso, podemos ouvir uma música de fundo, enquanto observamos a indicação relativa aos anos-luz restantes para o objetivo, que é extremamente instigante, capaz de nos fazer desejar nunca mais sair da viagem fantástica.

Do site do jogo:

Cada ponto no vasto starscape cósmico da Via Láctea é um sistema estelar, e dentro existe uma maravilhosa mistura de planetas, luas, cinturões de asteroides, anéis, cometas ou maravilhas cosmológicas aguardando para serem descobertas.

A Via Láctea possui 400 bilhões de sistemas estelares; cada um pode ser explorado. Dê um salto no hiperespaço em direção ao desconhecido e testemunhe alguns dos mais belos fenômenos naturais no universo“. E não para por aí.

Fique com um trailer de Elite: Dangerous:

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