Pouco tempo se passou desde que comecei a jogar Elite: Dangerous. Mas posso dizer que o jogo já me proporcionou muitos momentos de prazer intenso e muita diversão (e muita raiva, também – malditos piratas!), além de momentos em que simplesmente “parei tudo” e fiquei observando maravilhas diversas no espaço sideral.

Você pode dar uma olhada nos textos que já escrevi a respeito do “game espacial” da Frontier Developments através dos links abaixo:

Aliás, fica aqui a dica de um excelente texto escrito pelo Carlos Aquino, do Retina Desgastada, sobre o passado da série, incluindo passagens sobre David Braben e Ian Bell, os criadores (Braben é o CEO da Frontier Developments, vale lembrar).

Bem, em meu artigo mais recente, narrei minha longa jornada (talvez nem tanto) desde o sistema de Aiabiko até Eranin. Algo em torno de 70 anos luz, mais ou menos. Um “pulinho”? Talvez. Durante esta viagem, me deparei com diversas maravilhas no espaço, incluindo sistemas binários e anãs brancas.

Foi uma jornada um tanto quanto estranha, também, dada a enorme solidão. Sistemas vazios, estações que pareciam totalmente automatizadas e nas quais vez ou outra eu topava com calados NPCs. Tudo isto à bordo de uma Hauler, uma nave cargueira, totalmente despreparada para o combate (nesta minha segunda Hauler, nem mesmo um mining laser cheguei a instalar).

Também cheguei a fazer algum dinheiro, durante este período, escaneando diversos corpos celestes e vendendo os dados obtidos em diversas estações.

Elite: Dangerous

Ah, sim, vieram os wipes. Vários, antes desta jornada de Aiabiko a Eranin. Tive de recomeçar (todos os jogadores tiveram, é claro), por mais de uma vez, com uma Sidewinder básica. Básica mesmo.

No wipe at launch – Oba!

Aliás, por falar em wipe, Edward Lewis, da Frontier Development, confirmou hoje que não haverá mais nenhum. Nada mais de “limpezas”. Não mais perderemos nosso dinheiro, nossas naves, nossos upgrades. O jogo será lançado oficialmente no próximo dia 16 de Dezembro, e nós, que já estamos jogando, continuaremos com nosso progresso, com nossas queridas naves, da maneira que elas estão agora.

Vida nova, nave dos sonhos e combates, após a longa jornada

Mas eu gostaria de falar agora da “vida nova”. Do meu recomeço, após chegar ao sistema de Eranin. Cheguei a Azeban City com cerca de 59.000CR em caixa. Muito longe, ainda, de meu objetivo, que era uma nave Cobra Mk. III, cujo preço é de mais de 379 mil CR. Nem mesmo minha Hauler ajudava muito, neste ponto. Eu podia dá-la como parte do pagamento, mas ela custa pouco mais de 50.000.

Comecei, então, uma espécie de… grinding, talvez? “Grinding espacial?” O fato é que permaneci por ali, viajando pelos sistemas de Eranin, Aulin, Styx, Rakapila, Morgor, etc. Indo e voltando. Decolando carregado e aterrissando carregado. Sem realizar upgrade algum em minha nave, exceto pelos compartimentos de carga (aumentei sua capacidade para 18).

Elite: Dangerous

Foi o começo de uma vida nova, em Elite: Dangerous. Uma verdadeira vida de mercador espacial, muitas vezes adquirindo meus adorados auto-fabricators em Aulin Enterprise e os revendendo, com boas margens de lucro, em Edwards Ring, também no sistema de Aulin.

Procurei, durante este período, não me afastar muito desta “rota de sucesso”, até mesmo porque vez ou outra apareciam alguns “jobs simples”, de entrega, muito atrativos, pagando mais de 11.000 CR. Trabalhos simples, meros “fretes”: eu aceitava o trabalho, a carga me era entregue e tudo o que eu tinha de fazer era entregá-la no destino, sã e salva, para receber rapidamente o pagamento.

Elite: Dangerous

Cobra MK III

Foi assim que, aos poucos, fui vendo minha conta engordar. Passei dos 100.000 CR bem rapidamente, 180.000. 200.000. 250, 280 mil CR, etc. E aí comecei a perceber que faltava pouco tempo para adquirir minha sonhada Cobra Mk. III. Foi também a partir daí que comecei a ser constantemente atacado.

Elite: Dangerous

Cobra MK III: tem espaço pra mais um

Tentativas de interdição começaram a ocorrer com bastante frequência, quanto mais próximo eu estava da Cobra. Não sei se isto é algo inerente ao código do jogo, ou não. Creio que não, mas a coincidência foi muito grande. Como minha nave era “fraca” e como eu queria mais do que tudo conseguir o dinheiro para a aquisição, eu sempre fugia, abandonando os piratas e suas ameaças.

Manobras evasivas, força total nos motores, aqueles segundos desesperadores de espera, para o resfriamento e o posterior carregamento do frameshift drive, e finalmente o salto: meu coração ia a mil por hora. É bacana como conseguimos nos prender e imergir de uma maneira tão forte, neste jogo.

Alguns destes piratas espaciais conseguiam me “arrancar” do supercruise, e me ameaçavam. Diziam eles que tudo o que eu tinha de fazer era abrir o compartimento de carga, ejetar a carga e deixar que eles levassem os bens. Claro, jamais acreditei nisto, e sempre fugi. Sempre.

Claro, problemas ocorreram, algumas vezes. Tive de pagar multas devido a contratos de entrega não cumpridos a tempo, e por menores que fossem tais multas, eu sofria. Era como se uma mão gelada me afastasse de meu objetivo, a tal Cobra. Uma nave tida como “pau pra toda obra”: poderosa, apropriada para combates, para comércio, para exploração. Mas continuei. Claro, me divertindo bastante e apreciando cada minuto dentro do universo de Elite: Dangerous.

Elite: Dangerous

Foi no ultimo dia 05 de Dezembro que finalmente adquiri minha nova nave, na estação de Whitson Hub. Minha Cobra Mk. III. A Hauler foi dada como parte do pagamento, afinal, não vejo porque manter uma segunda nave, pelo menos, não por enquanto. Foi fantástico com ela decolar pela primeira vez.

A Cobra é uma nave e tanto. Logo de início, temos um excelente espaço para carga, com abertura para grandes expansões. Olhar para os lados e observar o outro assento, além do espaço interno (bem maior que o da Hauler, por exemplo), provoca um prazer bem grande. Nós realmente “nos sentimos”, dentro da danada da nave. Sem falar que o “ronco” de seus motores soa bem diferente do da Hauler, assim como o desta soa diferente da Sidewinder. É fora de série.

Além disso, no início, é até bem estranho controlá-la, pilotá-la. Ela é mais rápida que a Hauler, responde mais rapidamente (velocidade de cruzeiro de até 280 m/s, contra os 200 m/s da Hauler), boost speed de ± 400 m/s (contra os 300 m/s da Hauler), e por aí vai.

Escudos mais resistentes e velocidade máxima de salto (sem carga e upgrades) de cerca de 10 ly (e me parece que pode-se fazer com que ela chegue a até cerca de 18, com as devidas melhorias) também fazem parte do pacote. Também achei a manobrabilidade da Cobra muito boa, vale ressaltar.

Após a compra, fiquei com pouco dinheiro em caixa, e então, estou segurando a mão nos gastos. Mas não pude evitar a compra de um discovery scanner básico, já devidamente mapeado como arma secundária. A Universal Cartographics que me aguarde (assim espero).

Imagino como será, então, quando eu conseguir adquirir a gigantesca Anaconda, dos mesmos fabricantes da Cobra. Este vídeo, em especial, dá uma pequena amostra do “brinquedo”:

Mas voltando à Cobra Mk. III, foi também com ela que abati meu primeiro pirata. Foi com ela que tive coragem suficiente para entrar em combate (após ser ameaçado). Estava eu indo fazer uma rápida entrega em Romanek’s Folly, no sistema de Morgor, quando fui interditado.

Quando percebi que o tal Tony Goldberg (um NPC) estava em uma Eagle e tinha o status de “novato”, não pensei duas vezes, principalmente após ler as ameaças no painel de comunicação, incluindo várias a respeito de uma tal “entrega de meus restos ao vazio”.

Elite: Dangerous

O pirata, ainda vivo

Armei meus hardpoints e comecei a perseguir o pirata. Foi uma batalha lenta, eu não tinha experiência, mas insisti. E, pena que eu não estava com nenhum software de gravação aberto no momento. Mas vale dizer que abati o tal Tony Goldberg. Foi muito bacana (este também foi outro que me abordou dizendo que “queria somente minha carga”). Dê uma olhada na imagem abaixo. São os últimos momentos do infeliz:

Elite: Dangerous

Elite: Dangerous – abatendo um pirata

E Elite: Dangerous vai, assim, pouco a pouco, me deixando mais imerso. Me deixando mais viciado. Me fazendo nele imergir com mais força. E agora que finalmente temos a certeza de que não haverá um novo wipe com o lançamento, no próximo dia 16, podemos jogar com mais calma, com a certeza de que tudo o que fizermos terá realmente importância, continuidade e valor, naquele gigantesco universo persistente.

E agora começo a planejar minha grande viagem. Para o nosso Sistema Solar. Me tornarei, quem sabe, uma espécie de mercador-explorador. Como me sairei?

Poderá gostar também

Pin It on Pinterest