A desenvolvedora de Sleeping Dogs, a canadense United Front Games, está muito feliz com o sucesso do jogo, o qual, aliás, ainda se encontra em primeiro lugar nas vendas no Reino Unido. Para o início de uma nova IP, para um jogo de mundo aberto, um título exclusivamente singleplayer, creio, aliás, que os números e o sucesso são muito significativos.

Talvez nem tudo esteja perdido e o tal e hipotético mundo imaginado por alguns jogadores e desenvolvedores, no qual teremos principalmente jogos focados no multiplayer, não chegue a se tornar uma realidade. Sleeping Dogs é um jogo de mundo aberto ambientado em uma belíssima cidade e no qual agimos como um policial disfarçado.

Nele não existe “mata-mata online” nem tampouco  modo cooperativo. Trata-se de uma experiência solo que pode ser apreciada de diversas maneiras, principalmente devido ao fato do jogo não nos obrigar (é claro) a seguir um script nem nada do tipo. O jogo da United Front Games é bonito, possui um enredo muito bom e ainda tem o diferencial de nos colocar na pele de um personagem que anda a maior parte do tempo desarmado. Enfim, este é um jogo que eu recomendo a todos.

Sleeping Dogs

Que bom que a Square-Enix conseguiu obter os direitos sobre o True Crime: Hong Kong da Activision, aliás. Jen Timms, da United Front, não deixa de mencionar o trabalho duro no título, e também diz:

Tem sido difícil para o estúdio como um todo, em alguns momentos, mas isto é importante porque eles estavam trabalhando em algo que sabiam que era realmente, realmente bom, e nós tínhamos o talento, a capacidade e o know-how.

Jen Timms também comentou a respeito das declarações de Frank Gibeau, da Electronic Arts, a respeito do fato de, em sua opinião, ser um erro lançar novas IPs no fim do ciclo de vida dos consoles. O produtor fala a respeito de correr riscos, de trabalhar para fazer com que ideias ganhem vida. Ele fala em criar algo novo, e não deixa de mencionar o fato de que a United Front é um estúdio independente.

Concordo totalmente. Aliás, não é isso o que vemos muitas vezes quando se trata de desenvolvedores independentes menores? Quantos indie games baratos e sensacionais já não foram lançados e fizeram enorme sucesso? A indústria de jogos eletrônicos precisa realmente que empresas em geral (e não só estúdios) comecem a assumir riscos e a ousar. A pensar em coisas novas. A pensar em maneiras de oferecer conteúdo fresco aos jogadores sem tentar fazê-los de bobos.

Timms também menciona o fato de que sua empresa é uma das poucas independentes existentes atualmente, e aqui parei para pensar realmente na onda de fechamentos de estúdios por grandes publishers. Pobre PopCap, aliás, que agora também corre sérios riscos, pelo que tudo indica, nas mãos da voraz EA. E pelo que podemos depreender das palavras de Timms, o sucesso de Sleeping Dogs (e também o possível sucesso de LittleBigPlanet Karting) pode fazer com que mais coisas boas sejam criadas pelo estúdio. Torço bastante para isto.

Torço, aliás, para que Sleeping Dogs seja um título lembrado por muito tempo. Que ele, quem sabe, seja o primeiro de uma franquia de sucesso, uma franquia de jogos de mundo aberto que diferem bastante de tudo aquilo com o qual estamos acostumados. Se a EA acha que lançar novas IPs agora é errado, ela que fique com esta sua opinião no mínimo estranha.

Aliás, o que são os tais ciclos de consoles? Será que esta expressão ainda faz sentido se considerarmos a grande mudança que está ocorrendo no mundo dos games, no qual o PC está mais forte do que nunca e browser-based games fazem muito sucesso e muitas vezes nos oferecem gráficos muito bons e a possibilidade de jogarmos o mesmo jogo em diversos dispositivos diferentes?

Será que ainda é certo pensarmos em “consoles de X geração” quando temos smartphones, tablets, PCs, notebooks e ultrabooks, por exemplo, dando conta do recado muito bem, para muita gente, e indo além daquilo que meros consoles podem fazer, mesmo que algumas empresas ainda tentem vender a ideia de que “um console é uma central multimídia completa indispensável na sua casa”?

Há tempos deixamos de falar em “consoles de 32 bits”, “consoles de 64 bits”, etc. Creio também que já é tempo de deixarmos de falar em “consoles de tal geração”, “fim do ciclo de vida de um console”, etc. Além disso, não existe momento certo para se fazer a diferença. Não existe nenhum mapa astral que indique o dia e a hora mais propícios para se começar a trabalhar em uma ótima ideia.

Bons jogos não devem deixar de ser lançados só porque determinados dispositivos possuem limitações que outros não possuem, mesmo que isto signifique deixar uma parcela dos jogadores de fora da brincadeira. Em tempo: no final das contas, o próprio “mundo dos games” se ajusta. Alan Wake não foi lançado para PC apesar de tudo indicar o contrário e apesar de seu pouco sucesso no Xbox 360 (infelizmente, pois o jogo é ótimo)?

Quantas outras histórias similares cada um de nós não conhece? Que venha Sleeping Dogs 2 (uma série dessas tem tudo para cair nas graças dos modders, aliás), mas, Square, por favor, chega de tentar ganhar dinheiro lançando “facilidades” para que os jogadores obtenham mais rapidamente bens e itens que podem ser adquiridos com esforço, no jogo, simplesmente jogando-o.

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