A Sabrina Carmona, editora do blog Planeta Gamer, criou um projeto chamado “Empresas Brasileiras“, o qual tem por objetivo divulgar e ajudar as empresas brasileiras de desenvolvimento de games. Se dermos uma olhada na lista de empresas que já estão participando do projeto, podemos perceber que muita coisa boa já marca presença no mesmo, e é claro que tudo isto tende a crescer, pois a Sabrina manja muito a respeito da área, como vocês irão perceber pela entrevista abaixo.

Desenvolver games não é fácil, como todos nós sabemos. Se manter no mercado, então, é mais difícil ainda. E se isto é difícil lá fora, para os pequenos, imaginem aqui no Brasil, onde “naturalmente” tudo é mais difícil. Vocês poderão, portanto, saber mais a respeito do projeto “Empresas Brasileiras” através do meu artigo a seu respeito e também através da entrevista que a Sabrina, muito gentilmente, concordou em nos conceder:

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1) XboxPlus: Olá Sabrina. Em primeiro lugar, muito obrigado por nos conceder esta entrevista. Para iniciarmos, você poderia falar um pouco a respeito de você? Profissão, interesses, há quanto tempo joga vídeo games, quais são suas plataformas e gêneros preferidos, etc? 🙂

Sabrina Carmona: Bom, eu sou formada em Tecnologia em Jogos Digitais pela PUC-SP, faço mestrado em Comunicação e Semiótica na mesma instituição pesquisando games. Jogo videogames desde a barriga da minha mãe, mas se isso não contar, podemos colocar um Master System II como meu primeiro console “oficial”. Hoje jogo bastante no PC e no PS3, mas pretendo muito em breve ter um Xbox 360 Slim para poder curtir os excelentes jogos dessa plataforma. O que mais gosto de jogar é adventure e claro, FIFA! Não consigo viver sem meu futebolzinho virtual.

2) XBP: Há quanto tempo existe o blog Planeta Gamer?

SC: O Planeta Gamer é bem novinho, fez 1 ano em Maio.

3) XBP: Qual foi, ou quais foram, os principais fatores que levaram você a criar o projeto “Empresas Brasileiras”?

SC: Acredito que a grande inspiração para o Empresas Brasileiras foi a dificuldade que eu percebi que existia quando uma pessoa tentava entrar para a área.  Meus colegas de sala e mesmo conhecidos de outros cursos que queriam trabalhar com games estavam com dificuldades de entrar para o mercado. Conseqüentemente as empresas de game que eu conhecia não eram tão grandes, sendo difícil conseguir mercado. Pensei então em fazer algo que pudesse aquecer o mercado de games e expandir a indústria. Mas o que uma garota como eu podia fazer? Resolvi usar o Planeta Gamer como veículo de comunicação para o Projeto e comecei a usá-lo para divulgar as Empresas de desenvolvimento de Games no Brasil. Com isso, elas teriam uma maior visibilidade, conseqüentemente maior investimento, assim crescendo e precisando de mais mão-de-obra qualificada, que seriam estes profissionais que não entraram na área ainda.

4) XBP: Como está o projeto neste momento, e o que mais você pretende fazer para fazer com que ele cresça e mais empresas sejam inclusas?

SC: Neste exato momento o projeto acaba de dar seu segundo passo. É com grande satisfação que anuncio a parceria com o projeto Desenvolvedores pelo Brasil, da IndieGames Brasil. O que isso significa para nós? Bom, agora, além de termos uma maior visibilidade das empresas, teremos um banco de dados o qual o profissional interessado na área poderá deixar seu contato, sua descrição e seu portfólio para que as empresas possam analisar quando tiverem uma vaga a ser preenchida. Desta forma, a comunicação entre profissional – empresa será feita mais facilmente.

5) XBP: Além da página no projeto, o que mais uma desenvolvedora recebe em troca, ao entrar no “Empresas Brasileiras”?

SC: A desenvolvedora recebe a página no Planeta Gamer, e conseqüentemente uma visibilidade considerável na internet, pois as visitas do blog estão cada vez mais consideráveis. Além disso, no Twitter, o link da página desta empresa é espalhado por várias pessoas. Os apoiadores do projeto também atualizam seus blogs / sites com essa nova empresa. Como você pode ver, é uma corrente de informações que navega pela web, sendo assim, a visibilidade desta empresa aumenta muito mais. E agora, com o crescimento do Empresas, essas desenvolvedores terão um banco de dados de profissionais para “caçar seus talentos” a qualquer momento que precisarem.

6) XBP: O que uma empresa, ou um desenvolvedor de games brasileiro, precisa ter/fazer para participar do projeto? Existe algum pré-requisito? Se sim, qual, ou quais?

SC: Ser brasileiro. Se forem, a única coisa que eles precisam fazer é entrar em contato comigo no sabrina<arroba>planetagamer<ponto>com<ponto>br e me mandar algumas informações. Depois disso, a página é criada o mais rapidamente possível.

7) XBP: Você recebe algum feedback das empresas que fazem parte do projeto? Como funciona isto?

SC: Sim, temos uma lista de emails a qual eu vou atualizando essas empresas do que está acontecendo com o projeto. Isso é feito de tempos em tempos.

8 ) XBP: Qual sua visão do mercado nacional de games? O que falta, o que sobra, o que deveria ser melhorado na legislação brasileira e como, em sua opinião, os desenvolvedores poderiam transpor suas ideias do papel para a realidade?

SC: O mercado de games brasileiro é interessante. Ele está crescendo exponencialmente, e ele tem profissionais muito talentosos. O que falta é investimento, e também uma comunicação e cooperação entre esses desenvolvedores. Ainda está nos meus planos o terceiro passo que irá ajudar muito nesta parte. Mas vamos deixar as surpresas para o momento certo.

9) XBP: Como você vê a presença de desenvolvedores brasileiros no Steam (como a Invent4, por exemplo)? O que falta, em sua opinião, para que mais empresas “marquem presença” no serviço de venda de games da Valve?

SC: Eu acho isso fantástico. Eu inclusive tenho orgulho de nossas empresas que conseguem se destacar desta forma. Eu acho que qualquer serviço de venda de jogos que possuem “nossas” empresas é fenomenal. O que está faltando para mais empresas distribuírem seus jogos é investimento da indústria para que elas consigam desenvolver mais e mais.

10) XBP: O projeto “Empresas Brasileiras” recebe algo em troca pela divulgação dos games e empresas de desenvolvimento que dele fazem parte?

SC: Sim. O projeto recebe a satisfação de estar em contato com essas empresas, e de poder fazer parte de uma indústria tão fantástica como a de games.

11) XBP: Como é feita a divulgação dos projetos?

SC: Os projetos dessas empresas são colocados em sua página do projeto. Na medida em que eles vão tendo mais coisas para divulgar, é acrescentado lá. Mas em breve teremos outra solução para isso também.

12) XBP: Há algo que você gostaria de dizer para desenvolvedores que, por algum motivo, ainda estejam escondidos, com projetos em mente e/ou no papel?

SC: Quero dizer que arriscar é lutar pelo sucesso. Ninguém consegue ser referência sem algum dia ter passado por poucas e boas. Quero dizer também se algum dia qualquer empresa ou desenvolvedor precise de ajuda, que comunique e informe alguém que esteja disposto em ajudar. Temos que criar uma cultura cooperativa para crescermos juntos, afinal somos todos uma indústria só.

13) XBP: Sabrina, gostaria de lhe agradecer pelo seu tempo. Foi um enorme prazer te entrevistar. Desejo muito sucesso a você, ao seu blog e ao projeto “Empresas Brasileiras”. 🙂

SC: Eu que agradeço o convite!

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E é isto. Muito bacana, não? Quem puder, divulgue este projeto fantástico. Todos os brasileiros amantes de games agradecem, desenvolvedores ou não. 🙂

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