Quando a Ubisoft anunciou Far Cry 4, sem saber porque nem como, eu tinha certeza de que iria adorá-lo, assim que nele pusesse as mãos. Algumas vezes isto ocorre comigo, principalmente quando se trata de jogos de mundo aberto e/ou franquias das quais gosto muito. Tudo bem, fiz diversas suposições em minha mente me baseando em praticamente nada, e eu poderia “ter dado com os burros n’água”.

Felizmente eu não estava errado. Dois anos depois de Vaas Montenegro e das paradisíacas ilhas Rook de Far Cry 3 (sem contar com aquela ótima “brincadeira de primeiro de Abril que virou realidade), Far Cry 4 chega com tudo. Um petardo, como costumo dizer.

Far Cry 4

Sai o grupo de amigos de Jason Brody (protagonista de Far Cry 3) e entra em cena Ajay Ghale, um nativo de Kyrat (local onde se passa o jogo) que, no entanto, cresceu nos Estados Unidos. Não que isto seja importante, claro.

A história em Far Cry 4 pode funcionar apenas como um pretexto para que o jogador explore aquele gigantesco mundo aberto e se maravilhe com as belezas e as novidades introduzidas. Podemos tentar pensar em FC4 como uma espécie de Just Cause 2 da Ubisoft, por exemplo, no qual a narrativa está presente como algo secundário, um mero pano de fundo para o caos, os tiroteios, os fantásticos passeios e os cenários deslumbrantes que nos convidam à exploração.

Far Cry 4

O modo como a história começa, aliás, a maneira como Ajay Ghale tem seu primeiro contato com o Caminho Dourado, o grupo de guerrilheiros que luta contra o regime ditatorial de Pagan Min (um personagem bem interessante, até), é até mesmo um tanto quanto insosso. Ajay a princípio quer apenas satisfazer o último desejo de sua mãe. E vale lembrar que Ajay possui uma ligação mais profunda com este grupo, conforme ele vai aos poucos descobrindo.

Far Cry 4

Podemos até mesmo dizer que o enredo de Far Cry 3 era mais coeso, mais interessante, mais “instigante”, que o deste último título da série. Mas Far Cry 4 brilha, instiga e nos chama, bastante, tão competente ele é em outras áreas. A belíssima região fictícia de Kyrat, na qual tudo acontece, cravada nos Himalaias, é algo realmente incrível.

A verticalidade também marca uma presença muito forte, no jogo, dado o local. O jogador agora pode utilizar um arpéu para escalar montanhas (e me diga se isto não nos remete a Just Cause?), podemos pilotar um mini-helicóptero, e dependendo da região em que entramos, informações aparecem em tela de forma a nos deixar cientes da altitude em que estamos (sempre alta).

Far Cry 4

Montanhas cobertas de gelo são facilmente encontradas ao redor, e a vegetação é ainda mais luxuriante que a de Far Cry 3. Posso dizer que gostei muito mais dos gráficos deste último jogo da franquia do que daqueles de seu antecessor, que já eram lindos.

Talvez isto se deva à minha preferência por este tipo de ambientação e cenários, algo mais montanhoso, ao invés dos litorais e das terras baixas de FC3. Parece que algumas mudanças também foram feitas na paleta de cores.

Far Cry 4

Talvez isto seja devido à proposta do jogo: estamos em um local repleto de referências à Índia, ao Tibete; as religiões, os costumes, a cultura (ou elementos inspirados em tudo isto) vigentes em tais regiões, no mundo real, podem ser percebidos em vários momentos, em várias missões, em vários personagens, em vários locais. Far Cry 4 está meio que impregnado de tudo isto.

Far Cry 4

Tudo é muito mais colorido, mais vibrante, incluindo as pequenas cutscenes decorrentes dos desbloqueios das Bell Towers (correspondentes às radio towers de FC3). Muitas coisas são capazes de nos assombrar, no game. A Ubisoft realmente fez um bom trabalho com sua Dunia Engine 2 bastante modificada.

As novidades em Far Cry 4 também são muito bacanas. O jogo em si é capaz de deixar qualquer amante de títulos de mundo aberto preso por horas a fio. Temos uma variedade um pouco maior de veículos, e todos podem ser colocados no modo de piloto automático (menos o mini-helicóptero). A princípio podemos até pensar que esta é uma invenção boba e/ou que facilitará aquilo que não deve.

Até entendo isto, em partes. Mas se utilizarmos o recurso quando estamos perseguindo um inimigo, por exemplo (ou fugindo, dependendo do caso), aí sim tudo muda de figura. Com o carro sendo pilotado automaticamente, podemos então sacar uma arma secundária e trocar tiros em movimento com muito mais facilidade e precisão, podendo até mesmo acabar com os inimigos. Sim, em Far Cry 4 podemos atirar enquanto estamos dirigindo.

Far Cry 4

Atropelar animais selvagens continua sendo possível, claro, e aqui existe uma grande variedade deles, incluindo elefantes, rinocerontes, tigres, ursos, e águias que descem com tudo dos céus e atacam o jogador impiedosamente

O arpéu também é uma ótima novidade, claro, já citada acima, e dentre os veículos, temos um snowmobile e um hovercraft, capaz de encarar praticamente qualquer “estrada”, incluindo a água. A quantidade de missões principais e secundárias é bem grande.

O mapa também está recheado de atividades diversas, muito divertidas e interessantes, e um simples passeio pode resultar em um tiroteio, ao toparmos com os “Karma Events”, ajudando o pessoal do Caminho Dourado a lutar contra o exército de Pagan Min (isto sem falar nos comboios).

Os pontos de Karma também resultam em gratificações muito bacanas, incluindo descontos em armas e equipamentos. A árvore de habilidades do personagem também está lá, e uma delas é extremamente recomendada: montar em elefantes.

Far Cry 4

Assim que o jogador “aprende” a montar, basta chegar perto de um dos enormes mamíferos para nele subir e então utilizá-lo como montaria e arma (sua “trombada” é bem poderosa). O espaço para ação furtiva também está lá, principalmente nos postos avançados, como em Far Cry 3. Aliás, vez ou outra somos chamados pelo rádio para ajudar guarnições que permaneceram nos outposts liberados a lutar contra inimigos que tentam retomá-lo.

Agora também é possível armazenarmos iscas em nossa bolsa. Pedaços de carne, digamos, os quais podem ser lançados para atrair animais selvagens (não me pergunte de onde nem como eles surgem tão rapidamente).

Isto é muito útil caso você deseje dar cabo de alguns soldados inimigos sem disparar uma bala, por exemplo. Jogue uma isca enquanto está escondido, bem no meio de um posto avançado tomado pelos inimigos, e observe o pequeno caos que se formará.

Far Cry 4

E agora podemos também escolher um caminho, através das missões “Balance of Power”. Temos de decidir qual dos dois líderes contará com nosso apoio (Amita ou Sabal). Após conhecer suas motivações e planos, realizamos a escolha, e missões diferentes são então apresentadas, incluindo novos objetivos e também a permanência do personagem em questão na liderança, até a próxima missão do mesmo tipo.

Resgatar reféns também é bem divertido, e também uma ótima oportunidade para abordagens stealth. E por falar em stealth, vale mencionar um novo tipo de inimigo, os Hunters. Silenciosos, mortais, eles também agem furtivamente, usam arco e flecha e contam com habilidades bastante especiais, como por exemplo fazer com que diversos animais se voltem contra o protagonista.

Far Cry 4

Visualizá-los também é muito difícil, quase sempre, o que os torna mais perigosos ainda (e eles não aparecem no mini mapa).

Far Cry 4 é realmente um paraíso vertical aberto. Um ótimo título para quem gosta de jogos open-world, ação furtiva, cenários deslumbrantes e muita, muita ação. Pelo que vejo, mal comecei a explorá-lo.

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