A Apple está no “topo das notícias”, digamos, durante as últimas semanas. O lançamento do iPhone 4S e a morte de Steve Jobs fizeram até com que muita gente ouvisse falar a respeito da empresa pela primeira vez na vida. E o chefão da Valve, Gabe Newell, não poupou a empresa da maçã durante a conferência “Washington Technology Industry Association’s TechNW”. Para Gabe Newell, o que parece é que, em algum momento, no futuro, a Apple irá deter em suas mãos o controle total dos jogos eletrônicos.

Newell parece ter em mente a idéia de que a “concorrente” irá matar, de alguma forma, os consoles de videogame. “Eles constroem uma coisa brilhante e cintilante que atrai os usuários e então eles controlam o acesso das pessoas àquelas coisas“, disse ele. E ele continua: “Eu suspeito que a Apple lançará um produto para as salas de estar que redefinirá as expectativas das pessoas de forma realmente forte, e a noção de uma plataforma de console separada irá desaparecer“.

O dono da Valve também demonstra preocupação em relação ao fato de, em sua opinião, o mundo estar se afastando de plataformas abertas. Bom, pelo menos em relação a jogos eletrônicos, creio que o PC é uma das maiores plataformas abertas atualmente, e existem muitos títulos gigantes exclusivos para a mesma. Talvez tenhamos aqui apenas as inquietações e pensamentos do cofundador e presidente de uma empresa que vive de jogos para computador.

Uma empresa extremamente inovadora e forte que, no entanto, parece possuir como líder alguém que pensa, talvez, “muito la na frente”. Newell tem razão em se preocupar com a Apple, é claro. Da mesma maneira que ele tem razão em se preocupar com a Microsoft, com a Sony, com o GamersGate, etc. A concorrência nesta área, nesta indústria, é muito acirrada, e temos de nos lembrar de que, pelo menos por enquanto, não temos uma hegemonia no setor. Nem sequer sabemos se isto acontecerá algum dia.

Diversos títulos são lançados com exclusividade, e diversos outros não. Temos títulos exclusivos para PC, outros para o console da Sony, outros para consoles portáteis, e por aí vai. Me parece que Gabe Newell esta sendo até mesmo um tanto quanto pessimista em relação a isto tudo. A Apple já está presente no mercado de jogos. O iPhone e o iPad são fantásticas plataformas portáteis para games, e se considerarmos somente o iPhone, temos aí um aparelho pequeno, que pode ser levado para qualquer lugar sem problema algum, e que conta com uma biblioteca de jogos variadíssima e com preços para todos os bolsos.

Quando Gabe Newell diz que está preocupado com o fato de fontes tradicionais de inovações estarem acabando, ele talvez esteja deixando vir à tona o seu lado “PC gamer/PC games seller”, e não parece estar enxergando o que acontece à sua volta. O último “Humble Indie Bundle” foi um sucesso enorme, vendendo somente jogos para PC. E acredito ainda que este medo por parte de Gabe Newell, se é que se trata de medo, ou preocupação, é infundado. O PC sempre existirá como plataforma de jogos eletrônicos. Se haverá ou não uma nova geração de consoles, somente o futuro nos dirá. Empresas como Intel, AMD e NVIDIA estão aí para sempre nos suprirem com hardware de ponta.

É fato comprovado, aliás, que o hardware do PS3 e do Xbox 360 já está obsoleto, mas isto não impede, por exemplo, que muitas desenvolvedoras ainda façam milagres. Gears of War 3 é um jogo belíssimo, e temos também de levar em consideração que um jogo não é composto apenas de gráficos. A (por enquanto) hipotética próxima geração de consoles pode muito bem focar de forma não muito forte na parte gráfica, mas sim na experiência.

Na conexão dos jogadores entre si, na criação de redes mais fortes, seguras e com mais recursos, etc. O próprio Steam e seu conjunto de funcionalidades pode ser utilizado como exemplo para recursos presentes em uma próxima geração de consoles. Se a Apple vai entrar no mercado de consoles não portáteis, ninguém sabe. Se a empresa o fizer, tenho certeza de que algo muito bacana será lançado.

Mas o mercado é enorme. Jogadores possuem gostos diferentes, e gamers existem aos milhões. Portanto, há espaço para tudo e para todos. É interessante saber o que o figurão da Valve pensa sobre a indústria de games. Resta-nos saber se tudo o que ele disse na “Washington Technology Industry Association’s TechNW” foi dito com sinceridade ou não.

(Via: VG247 e Kotaku)

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