Que a Valve gosta do PC ninguém duvida. O Steam e o sucesso da plataforma são as maiores provas disto, e mesmo que o site tenha começado a distribuir alguns games também em versão para Mac, o foco da empresa continua sendo o PC. Gabe Newell, chefão da empresa, diz que continua “tremendamente animado com o futuro dos jogos para PC“.

Enxergamos [o PC] como o centro da inovação de tudo o que está acontecendo, sejam microtransações, MMO’s, free-to-play’s, ou algo como o CityVille, o qual – após seu primeiro mês – possui 84 milhões de pessoas jogando“, continua Newell. “Para nós, isto é apenas um indicativo do porquê as plataformas abertas são onde as inovações vão ocorrer“, finaliza o co-fundador da Valve.

É natural que o Gabe Newell pense assim. É natural que o Steam seja uma das poucas últimas fortalezas dos games para PC. Não que faltem sites de distribuição digital de games, mas o que falta é a criatividade e a preocupação com o gamer que a dulpa Steam/Valve oferecem, dentre outros inúmeros fatores. Ontem, aliás, Newell enviou sua equipe atrás da Intel, durante a CES 2011, para que eles ficassem de olho nos novos processadores Intel Sandy Bridge, de 32nm, os quais contam com chip gráfico integrado dentro do próprio processador.

O chefão da Valve mais uma vez solta uma de suas bombásticas frases, dizendo que “a empresa criou a versão para PC de Portal 2 com esta tecnologia (Intel Sandy Bridge) em mente“. Sendo a plataforma mais utilizada no mundo, é até estranha a ocorrência de fatos que contribuem para que os games para PC sejam cada vez mais adiados, penalizados, etc. A pirataria pode até estar no cerne destes problemas todos, mas o Newell e sua turma estão aí para provar que ainda “há luz no fim do túnel”.

Não creio que o PC esteja morto, e nem mesmo caminhando para seu fim, enquanto plataforma de jogos. Creio, isto sim, que deve haver uma mudança nas mentes dos gamers, dos distribuidores e dos desenvolvedores. O cenário independente de desenvolvimento de jogos pode muito bem dar enormes lições a diversas empresas da chamada indústria de games. É preciso também que a “grande indústria” “abra sua mente” e não se foque somente nos consoles, estes sim representantes de plataformas fechadas com um tempo de vida muitíssimo mais curto.

Nada contra os consoles, que fique bem claro. Aliás, adoro meu Xbox 360 e o uso bastante. O fato é que não se pode esquecer de que existem diversos fatores que ligam determinados games e/ou gêneros aos PC’s. Já imaginou jogar StarCraft em um console? Ou um simulador complexo como Trainz Sim 2010? E além do fator “ligação”, existe o fato de que o PC é meio que um “tudo em um”. Joga-se, ouve-se música, trabalha-se, etc. Uma “empresa de games” que conseguir se “manter forte” nos PC’s, conseguirá um feito e tanto, e abraçará um mercado muito amplo. Parcerias com outros desenvolvedores dos mais diferentes nichos também podem, de repente, se tornarem uma constante.

Particularmente, sou adepto da idéia de que seria muito melhor se todos os jogos fossem lançados para todas as plataformas. Sabemos que isto é, no mínimo, extremamente difícil de ocorrer. Mas o PC deve estar sempre no meio disto tudo, mesmo que a manutenção de um PC para games, dependendo do que se deseje rodar no mesmo, seja cara.

O PC gamer, apesar dos apesares, ainda faz parte de um grupo enorme. Tanto é que a versão para PC de Call of Duty: Black Ops foi baixada ilegalmente mais de 4,27 milhões de vezes em 2010. Este fato, ao mesmo tempo em que mostra o tamanho da “comunidade” de PC gamers, apresenta também o grande motivador de tanto medo por parte de desenvolvedores e publishers.

Uma mudança de conceitos também seria bem vinda ao “cenário gamer” atual. É necessário que se enxergue um game como uma obra que possui um valor que vai além do meio físico no qual ela está contida, principalmente, e também é preciso que as pessoas parem de justificar o injustificável. Um game é um produto. Um bem. Um produto como outro qualquer. Como um notebook, por exemplo. Podemos citar bens mais caros ou mais baratos, mas um game não deixa de ser um produto. Sendo assim, qualquer tentativa de obtê-lo por outro meio que não o “normal”, é errado. Nem mesmo a justificativa de que os DRM’s estão se tornando cada vez mais abusivos é justa, em minha opinião.

Se eu não tenho dinheiro para comprar um Home Theather, não vou comprá-lo. O mesmo se aplica a qualquer game. De minha parte, também estou animado com o futuro dos games para PC. E você? 🙂

(Via: ComputerAndVideoGames)

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