Estaria o tradicional modelo de venda de games ao qual estamos acostumados com os dias contados? Incluo aqui até mesmo a distribuição digital e os tradicionais gigantes da área, como o Steam, por exemplo. Serviços através dos quais você compra o game e realiza o download do mesmo para seu PC. Serviços onde mesmo a distribuição sendo digital, sempre tempos o game instalado em nossa máquina. Fica aqui a pergunta: seria o futuro dos games para PC baseado em cloud computing?

O OnLive, por exemplo, foi o primeiro a trabalhar em cima desta idéia, e o único impedimento para que o serviço funcione no mundo inteiro é a inexistência de servidores próximos. Mas, mesmo assim, de vez em quando, mesmo aqui no Brasil, conseguimos jogar uma ou outra demo através do seu respectivo cliente, e a experiência é muito agradável, vale ressaltar. É claro que perde-se um pouco de qualidade gráfica, isto quando os lags não atrapalham, mas, em suma, o serviço é totalmente viável. Ocorre que acaba de entrar em fase beta um novo serviço bem semelhante ao OnLive, chamado Gaikai.

O Gaikai, porém, é diferente do OnLive, pois não vende games. Ele trabalhará em cima da distribuição de demos visando promover os games, e para isto oferece diversas ferramentas para que lojas, desenvolvedores e publishers analizem e otimizem suas “campanhas”.

Algumas demos, inclusive, já podem ser jogadas através do Gaikai: Dead Space 2, Mass Effect 2 e Spore, dentre outros. Para utilizar o Gaikai, desde que, é claro, você não seja impedido devido à distância em que se encontram os servidores (a empresa fica na Califórnia), você só precisa de um computador básico, de um navegador de internet e dos plugins Flash e Java instalados no mesmo. Todo o trabalho de processamento é realizado nos servidores do serviço, e o cliente recebe, então, o vídeo do game via streaming.

A rede do Gaikai já está presente em 12 países e 24 data centers, e a meta da empresa, segundo o seu CEO, David Perry, é ampliar o serviço até uma escala global. É interessante notarmos que trata-se de, além de um serviço semelhante em partes ao OnLive, de um novo modelo de negócios. Anunciantes, muito provavelmente criadores e distribuidores de games, poderão criar diversas campanhas, e rodá-las inclusive dentro de seus próprios websites.

Um gamer pode, por exemplo, dentro do próprio site do desenvolvedor, jogar a demo de um game que jamais rodaria no hardware que ele tem atualmente em mãos. Além disso, esta notícia a respeito do Gaikai me faz notar que cada vez mais ouve-se falar em cloud computing. Cada vez mais temos serviços relacionados, nas mais diversas áreas, e é claro que o mercado de games não iria ficar de fora.

Particularmente, ainda tenho medo de serviços deste tipo quando se trata de games. Me parece, por exemplo, no OnLive, que apenas alugamos o jogo, uma vez que, resumindo bem basicamente, “jogamos um vídeo”. Nada é instalado em nossos computadores, a não ser o cliente do serviço. Se a empresa, por exemplo, falir, amanhã ou depois, as dificuldades para recuperarmos aquilo pelo qual pagamos serão bem maiores.

Eu adoro a distribuição digital, mas ainda estou em cima do muro no tocante a qual meu modelo de compra preferido, se digital ou físico. É claro que, devido à distribuição digital, consigo acesso muito mais rápido a títulos que, de outra forma, demorariam 4, 5, 6 semanas para chegarem às minhas mãos, via importação. É claro que todos sabemos, entretanto, que tudo aponta para um mundo gamer onde todos os games serão vendidos única e exclusivamente via download. Mas mesmo assim creio que a maioria dos gamers sentirá falta das caixinhas, manuais impressos e demais badulaques.

Mas vamos aguardar. Este assunto ainda vai render ótimas discussões. Cloud computing nos games pode representar velocidade, menos gastos, etc. Mas, não sinto muita segurança no tocante à disponibilidade e à continuidade dos serviços oferecidos, pelo menos por enquanto. E você, o que pensa disto tudo? 🙂

(Via: Shacknews)

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