Cevat Yerli, CEO da Crytek, acredita que o futuro do PC como plataforma de jogos é ser utilizado para jogos online. MMO’s e similares, digamos. Ele acredita no modelo free to play, onde os jogos seriam gratuitos e os jogadores pagariam por transações in-game. Um mundo onde os não pagantes conviveriam com anúncios que ajudariam também a custear toda a infra-estrutura do game. Yerli parece possuir também uma grande predileção por games sociais e casuais, o que não deixa de ser louvável, em minha opinião.

Entretanto, ele acredita que o mercado de games para PC irá entrar em declínio. E pelo que podemos depreender de suas palavras, isto se dará tanto no modelo digital de venda quando no modelo de venda de games em caixa. Não nego o grande apelo que games online possuem, seja de que gênero forem. Existem até mesmo games que podem ser jogados diretamente no navegador, como o MonstersGame, por exemplo, e que nada mais são do que “luta, luta, luta, evolui, evolui evolui, luta, luta, luta”. Divertidos, entretanto. Aliás, ninguém pode negar o fenômeno que é World of Warcraft, da Blizzard.

Já está mais do que provado que WoW conta com fãs que fazem de tudo para jogá-lo, para se aprofundar em suas diversas facetas e no enorme universo em que ele insere o gamer, e até mesmo para participarem de eventos como a BlizzCon 2010. É óbvio que games online, sejam via cliente ou via navegador, possuem um grande apelo, e games jogados através de redes sociais como o Facebook, por exemplo, conseguem unir a casualidade gamer com a casualidade social.

Cevat Yerli também menciona o fato de que os games online são melhorados com o tempo, muitas vezes com o apoio da comunidade de jogadores. Mas nem por isto games “não online” estariam fadados ao limbo. A Valve dá mostras frequentes de que dá muita atenção aos seus games. Team Fortress 2 já sofreu tantos updates que chega a ser algo absurdo. Indie games e pequenas desenvolvedoras constantemente implementam melhorias e novidades em seus games, muitas vezes de forma gratuita e fornecendo novo fôlego aos games.

Acredito que o “problema”, se é que existe algum, é que muitas empresas descobriram a verdadeira mina de ouro em que podem se transformar muitos MMO’s. Estas minas podem ruirem, também (vide o caso APB). Aliás, a única empresa na qual confio atualmente para me dedicar a um MMO é a Blizzard (acredito até que já tenha dito isto por aqui).

Cevat Yerli parece demonstrar um certo descontentamento com o modelo atual de distribuição de games para PC. E até mesmo com o que é jogado nos PC’s, e de que forma é jogado. Acho louvável ele deixar bem claro que “o usuário é o rei“, e acredito mesmo que em questão de qualidade e no quesito “AAA”, poderemos em breve comparar games online com games normais/retail.

A idéia de uma comunidade forte em torno de um game é algo fantástico, e funciona para qualquer tipo de gênero/modelo. Acredito, entretanto, que o CEO da Crytek se esquece de que, resumindo, não existem motivos para quaisquer tipos de restrições no tocante ao lançamento de games para PC, a não ser a demanda por parte dos usuários (a qual ele chega a mencionar em seu texto). E temos de convir que a demanda por games para PC ainda é muito forte. E sempre será, em minha opinião.

E não só por games online. O PC pode, sim, se transformar em uma plataforma forte, ou melhor, crescer ainda mais enquanto plataforma de jogos. Serviços como o OnLive, apesar de limitados pelo fator geográfico, mostram também que nem só de MMO’s e afins vive o mercado de games para PC, e nada impede que um serviço destes, no futuro, conte com servidores espalhados pelos quatro cantos do mundo, o que eliminaria, portanto, o “problema geográfico”, e demandaria apenas um hardware básico por parte do usuário, para jogar qualquer tipo de game.

É notório também o esforço de empresas como a Valve no campo dos games para PC. E a recente notícia de que a Microsoft entrará novamente com tudo na área, tendo em mente ampliar a gama de gêneros e games em seu mercado online, somente reforça a idéia de que existe campo para tudo e todos. MMO’s e similares sempre terão seu público cativo. Games “normais” para PC também. Jogadores podem se sentir atraídos por qualquer gênero e plataforma, em qualquer momento de suas vidas, e em relação a isto, é impossível prevermos “como” será o futuro dos games no PC. Somente voltado a games online, entretanto, tenho certeza de que não o será.

(Via: Kotaku)

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