Estou jogando uma versão beta de Amnesia: The Dark Descent que a Frictional Games me enviou e gostaria de iniciar este Hands on dizendo logo de cara que o game é assustador. No bom sentido, é claro. Trata-se de um fantástico título para quem aprecia games de horror. Um ótimo título, também, para quem adora games com histórias complexas, repletas de fatos que vão sendo descobertos aos poucos. E, também, trata-se de um excelente jogo para quem adora explorar. Sou do tipo de pessoa que, em qualquer game, perde bastante tempo explorando tudo o que for possível, então, também por este motivo, adorei Amnesia: The Dark Descent.

O jogo será lançado em Setembro deste ano, segundo a Frictional, e já se encontra em  pré-venda, com desconto, na loja da desenvolvedora e no GamersGate. Também existe uma página dedicada ao título no Steam, mas lá não existe, pelo menos por enquanto, nenhuma opção que nos permita realizar a compra do game, mesmo em pré-venda. Bom, Amnesia: the Dark Descent é um dos melhores games de horror que já joguei. A escuridão é uma constante, seja ela “física” ou na forma de uma presença que sempre acompanha (e atormenta) o protagonista. Aliás, vale ressaltar que entrevistei o Thomas Grip, da Frictional Games, e nesta entrevista ele forneceu muitas informações interessantes a respeito do game.

O desenvolvimento de Amnesia começou há 3 anos atrás, e se servir de incentivo para que você compre o game, vale lembrar que ele é fruto do trabalho da mesma empresa que criou a fantástica série Penumbra. Vale ressaltar também que o game foi desenvolvido com a engine HPL2, também criada pela Frictional.

Amnesia: The Dark Descent representa, realmente, um mergulho na escuridão. Este é um game que deve ser jogado em uma sala escura e com fones de ouvido, para uma melhor experiência. Ele possui tantos e variados detalhes sonoros, que é imprescindível que você os ouça perfeitamente, para aproveitar a experiência aterrorizante que o jogo proporciona. Gráficos belíssimos e uma escuridão que muitas vezes só é quebrada com uma “ajudinha extra” ajudam a compor um conjunto que fará com que qualquer apreciador de games de terror se sinta extremamente contente ao jogar o título.

No game, você encarna um cara chamado Daniel, que propositalmente provocou em si mesmo uma perda de memória. Não vou mencionar como, para não estragar a surpresa. Ele acorda sozinho em um castelo extremamente assustador, e começa a andar a esmo pelo mesmo, tentando descobrir o que aconteceu. É muito interessante quando você encontra “lembretes” escritos por você mesmo, antes da amnésia, e dirigidos a você mesmo, explicando determinadas coisas durante o gameplay.

Durante todo o game você sente medo. Uma sensação de que algo tenebroso está à espreita. Um sentimento que faz  com que você fique, digamos, arrepiado. E isto é sentido “virtualmente” pelo próprio protagonista: ele ofega, treme e geme de medo, conforme a situação em que se encontra. Quando ele se depara com algo assustador, algum evento sobrenatural, etc, isto sempre acontece, e se reflete na queda de sua sanidade.

Cada evento sobrenatural presenciado pelo Daniel vai fazendo com que sua sanidade caia, o que se traduz em visão distorcida da realidade, mãos tremendo, dificuldades para correr e mais uma série de coisas. A sanidade pode ser recuperada, é claro, através de poções que você encontra pelo caminho e vai armazenando em seu inventário, para utilizar quando for necessário. No inventário, aliás, existe a imagem de um cérebro, e quando você posiciona seu mouse sobre ele, consegue visualizar “quanto” de sanidade ainda lhe resta, ou seja, se sua cabeça anda boa ou não. 🙂

Como a escuridão é uma constante no game, você pode utilizar uma lanterna a óleo, lembrando que a mesma deve ser “alimentada” com óleo, o qual você deve encontrar e armazenar em seu inventário. Utilize a lanterna com parcimônia, dada a escassez do óleo. Existem também tochas posicionadas em algumas paredes, as quais iluminam o caminho em determinados pontos, e você também pode acender lareiras ou velas em candelabros, utilizando “tinderboxes” (espécie de isqueiros antigos) que vai encontrando pelo caminho e também armazenando em seu inventário. Estes são mais comuns, portanto, dê preferência a eles sempre que possível.

Durante as andanças pelo castelo, o Daniel constantemente se depara com eventos estranhos. Objetos se movendo sozinhos, susurros, e muitas vezes uma espécie de tontura toma conta dele, ao entrar em alguns locais e se deparar com uma núvem escura rodopiando. Tudo, em Amnesia: The Dark Descent, foi desenvolvido visando provocar sustos. Trata-se de um game escuro, e muitas vezes é impossível progredir ou resolver algum puzzle (sim, o game também possui puzzles) sem a utilização da lanterna, a qual é um show à parte.

Os problemas pelos quais o Daniel passa atualmente são devidos a certos eventos em seu passado, e em uma das notas escritas por ele mesmo antes da amnésia que experimenta agora, ele pede a ele mesmo para matar um determinado personagem. Também não vou dar muitos detalhes a este respeito, pois este é um Hands on de um game que não foi lançado ainda. Não quero estragar a surpresa. 🙂

Vale destacar o fato de que o game não possui transições, cutscenes nem nada do tipo. Você mergulha na escuridão com tudo, e nada no game desvia seu foco. Amnesia: The Dark Descent é um game muito imersivo. Quaisquer elementos que pudessem talvez diminuir esta imersão foram eliminados. Logo na abertura do game você já tem uma idéia do que está por vir. Uma bela e triste música, contendo o som de um órgão ao fundo e um coral meio que tenebroso lembram que você está iniciando um game onde os sustos serão uma (muito bem vinda) constante.

A trilha sonora durante o game também ajuda a incrementar o clima de terror. Ela acompanha toda a ação, ou melhor, toda a sequência de eventos atemorizantes, de uma maneira inesquecível. A música consegue se mesclar de forma perfeita com o gameplay, de forma tal que ela passa a fazer parte da experiência não como um coadjuvante, mas sim como um elemento essencial. Os efeitos sonoros também possuem esta característica, e os que foram desenvolvidos para assustar, realmente assustam.

Os gráficos de Amnesia: The Dark Descent são belíssimos. Madeira, rochas e paredes com texturas extremamente bem feitas, contraste entre luz e trevas super perceptível e bonito, e uma presença assustadora e sempre presente, que causa arrepios no Daniel e no jogador, também. Este é Amnesia: The Dark Descent, título desenvolvido por uma empresa que, em minha opinião, é mestre em criar games de horror.

Não vou negar que também adoro games no estilo de Left 4 Dead, Resident Evil e tantos outros que “brincam” com o horror, digamos. Entretanto, estes são títulos que misturam horror com tiros. São shooters sobre uma base de terror. Este não é o caso de Amnesia: The Dark Descent. Aqui não há tiros, pancadaria, sangue, nem nada do tipo: trata-se de um game de  puro e imersivo terror.

Gravei um vídeo de gameplay de Amnesia, o qual segue abaixo. Espero que vocês consigam sentir um pouco do clima do game: 🙂

Link direto para o vídeo:

http://www.youtube.com/watch?v=IIFjYbC9lXU

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