Lançado para Xbox 360 e Playstation 3 em Março deste ano e, felizmente, para PC durante este mês, I Am Alive, anunciado durante a E3 2008, é um jogo muito interessante. Espetacular, até, eu diria. Podemos dizer que no novo survival horror da Ubisoft existem 3 elementos chave: sobrevivência, limitações e escolhas. Tudo isto meio que nos constrange, de diversas maneiras, e faz com que sejamos, no game, nada mais que seres humanos normais.

Todos estes 3 elementos podem se relacionar e até mesmo dependerem um do outro em diversos momentos do jogo, para que acontecimentos e situações verdadeiramente complicados nos sejam oferecidos, cada um deles com desdobramentos diferentes e bem interessantes. Fiquei muito feliz com o lançamento de I Am Alive para o PC, e não podemos deixa de notar o sucesso do jogo nesta plataforma, aliás: ele ainda se encontra na lista dos mais vendidos no Steam, na frente de petardos como, por exemplo, Sleeping Dogs, The Walking Dead, Portal 2 e Darksiders II. Um feito e tanto para um jogo totalmente singleplayer, não?

Jogo I Am Alive

Não creio, entretanto, que podemos tratar I Am Alive como um mero survival horror, pelo menos não se levarmos em consideração os títulos geralmente pertencentes a este gênero. No papel de Adam Collins, um homem comum que após uma grande catástrofe (conhecida como “O Evento”) que dizimou grande parte da população mundial sai em busca de sua esposa e de sua filha, o jogador terá de lidar com situações um tanto quanto inusitadas.

Em grande parte do jogo somos meio que colocados contra a parede, e não estou aqui falando apenas das escaladas fabulosas que são capazes de nos fazer perder o fôlego. Ocorre que temos aqui um jogo onde a sobrevivência depende do enfrentamento de situações extremamente tensas, durante as quais quase sempre temos de chegar quase ao limite. Tudo isto é “aprimorado” pelo fato de que Adam é um simples homem. Um ser humano normal.

Nada de super poderes, nada de armamento superpoderoso, nada de armaduras resistentes. Collins anda por Haventon armado apenas com uma machete, um arco e uma pistola. Mas não se engane: dispare uma flecha e preste bastante atenção à situação como um todo, pois você terá de recuperá-la caso deseje utilizar o arco novamente.

Jogo I Am Alive

Estou jogando I Am Alive e já passei das 6 horas de jogo, por falar nisso. Até agora, não tive mais que cinco balas no pente de minha pistola, e passei por diversos momentos alarmantes com a mesma descarregada (claro, só o jogador sabe disso, e esta vantagem é um dos detalhes mais bacanas do jogo). E a escassez de recursos não pára por aqui. É importantíssimo não deixar de explorar nenhum ponto do cenário, pois um painkiller ou uma garrafa d’água deixados para trás podem representar a diferença entre a vida e a morte poucos minutos depois.

O jogo “brinca” com o fato de jogarmos como um simples homem. Um homem que não possui nenhum tipo de vantagem sobre seus inimigos além daquelas que o jogador nele “inserir”, através de sua estratégia, de sua tática e de seu cuidado. I Am Alive também é um jogo onde podemos vencer inimigos simplesmente através da dúvida.

Jogo I Am Alive

A melhor maneira de morrer rapidamente é apontar a pistola para qualquer pessoa de forma rápida e sem pensar nas consequências. Muitas vezes, mesmo descarregada, sua pistola pode ser mais eficaz que sua machete. A incerteza é uma grande aliada, em diversos “encontros”. Ao nos depararmos com grupos de humanos mal intencionados e armados com pistolas e facões, a melhor estratégia é, sempre, analisar rapidamente a situação, conferir o posicionamento dos inimigos e quais deles estão portando armas de fogo.

Atirar primeiro nestes últimos é quase sempre muito bom, mas isto não quer dizer que esta maneira de agir sempre dará certo. Deixar que algum deles, armado com uma machete, se aproxime de você para que você o mate com sua arma branca também é uma boa escolha, dependendo da ocasião. Note que em muitos casos você também pode ser surpreendido por um tiro ou até mesmo por um inimigo armado com uma faca chegando pelo lado. Há momentos em que sacar a pistola representa morte certa, e existem momentos em que os inimigos se rendem a você, e chegam a se ajoelhar.

Jogo I Am Alive

Isto acontece após você eliminar alguns deles com sucesso e, claro, a escolha de terminar com eles lhe é oferecida. A escolha do momento certo para atacar ou não, qual arma usar, qual inimigo atingir primeiro, etc, também é importantíssima e faz toda a diferença. Deixe alguém com uma pistola em punho “livre e solto” enquanto descarrega sua raiva em outro inimigo com sua machete, e você verá rapidamente “a luz”.

O sistema moral do jogo é um tanto quanto falho neste quesito, porém: não sofremos nenhum tipo de punição por dar cabo de um moribundo (muitos pedem socorro), e o “finish him” aqui é bem violento, diga-se de passagem. Por outro lado, podemos ajudar pessoas que encontramos pelo caminho oferecendo comida e outros itens, e somos recompensados devido a isto, mas também podemos sofrer as consequências por dar algo que possuímos em pouca quantidade.

Os perigos em I Am Alive podem surgir de onde menos esperamos, também. Um túnel aparentemente tranquilo (apesar de soturno) e repleto de corpos caídos no chão pode também nos deixar claro, depois de algum tempo, que “os mortos podem retornar à vida”. O jogo também permite que sejamos mortos por mais coisas que “simples” homens famintos e armados.

Jogo I Am Alive

A stamina é queimada rapidamente conforme o esforço que fazemos. Correr e lutar faz com que ela se esvaia. Até mesmo os momentos em que estamos pendurados ou escalando paredes rochosas ou prédios fazem com que a stamina seja gasta de uma forma assombrosa. Quanto maior o esforço, mais rápido ocorre o gasto, e saltos mais longos, por exemplo, são úteis, conforme o caso, mas também representam mais riscos.

Enquanto escalamos um prédio gigante, temos de observar bem o ambiente e tentar definir qual será o melhor caminho. Estratégia aqui é muito importante, e existe inclusive um item no game (também escasso) que pode ser “plantado” em muros para nos fornecer um ponto de descanso (piton). A correta utilização deste item, juntamente com os itens consumíveis que restauram a stamina do personagem (além de uma boa dose de ousadia, é claro, pois após a stamina ser esgotada podemos forçar o protagonista durante poucos segundos – segundos que podem nos levar até algum ponto seguro) fazem parte de uma boa receita para o sucesso em I Am  Alive.

Claro, tudo isto é um reflexo de nossa “humanidade verdadeira” dentro do jogo eletrônico. Afinal, ninguém consegue permanecer pendurado na beira de um abismo para sempre. Ninguém é capaz de correr sem perder o fôlego para sempre. Existem diversos itens que ajudam a recuperar a stamina e a saúde do protagonista, entretanto, e você deve explorar bastante para ter sempre um bom estoque deles à disposição.

A grande sacada de I Am Alive é o fato do jogo focar no quesito “sobrevivência” de uma maneira bem especial. Temos de sobreviver naquele mundo pós-apocalíptico (tendo inclusive de lidar com perigosas tempestades de areia capazes de nos matar) enfrentando limitações geralmente não presentes em outros jogos estilo survival horror. Aqui não temos hordas de zumbis nem tampouco munição à vontade.

Temos humanos famintos, muitos dos quais já mudaram seus hábitos alimentares, e temos de sofrer com nossa humanidade, com nossas fraquezas. Somos iguais a todos, ali, e Adam Collins pode ou não se dar bem em cima da IA do jogo dependendo de como o jogador encara a aventura, de suas escolhas e de sua estratégia e cuidado. Nem mesmo correr de forma indiscriminada somos capazes, pois uma barrinha cinza localizada na parte superior da tela nos assusta a todos os momentos (claro, a vermelha também é bem preocupante).

Jogo I Am Alive

Escalar um simples cano para fugir da névoa assassina também pode ser um verdadeiro martírio, pois, claro, também nestas situações temos de ficar de olho na stamal, ops, stamina. Em determinados momentos podemos sentir um alívio tão grande ao alcançar um ponto seguro, após momentos angustiantes em que o coração do personagem principal batia desenfreadamente, que somos forçados inconscientemente a apertar o pause. É como se o esforço e o cansaço de Collins fosse a nós transmitido.

Continuo me aventurando neste mundo pós-apocalíptico criado pela Ubisoft Shanghai. Estou gostando bastante, e é notável como o jogo faz questão de deixar bem claro o tempo todos que somos simples seres humanos. Seres humanos em uma jornada pessoal. Pessoas que acabam também se deparando com personagens e dramas externos que fazem da experiência como um todo algo muito imersivo e tenso.

Um detalhe que pode frustrar alguns jogadores, entretanto, é a utilização dos replays. Até entendo que tentaram fazer com que sistemas das antigas funcionassem em um jogo como este (pode ter funcionado para alguns jogadores – eu mesmo não me preocupei com isto, por exemplo).

Você ganha replays após completar missões, por exemplo, dentre outras ações. Cada replay permite que você utilize os checkpoints. Caso você gaste todos, será obrigado a reiniciar o nível. Claro, o jogador também pode jogar no nível de dificuldade easy e esquecer completamente este “problema”. Mas aí uma parte da dificuldade e das limitações que ajudam a tornar I Am Alive diferente vão embora. Sobreviver pode se tornar mais fácil, neste caso, e não creio que isto seja adequado em I Am Alive, afinal, o lado survival simulator do título seria bem prejudicado.

E você, está jogando I Am Alive? Ainda está vivo? Quais suas impressões? Ou pretende adquirir o jogo?

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