InnerSpace é um título bem diferente. Um indie game desenvolvido por um pequeno estúdio chamado PolyKnight Games, sediado em Dallas, no Texas. Em InnerSpace, a exploração é essencial, e o jogador poderá se sentir irritado e deliciado diversas vezes durante o gameplay. Você pilota um veículo que ora é aéreo e ora é aquático, e tem de explorar mundos moribundos, pelos quais deuses majestosos ainda perambulam.

Lançado no último dia 16, para Nintendo Switch, PS4, Xbox One, PC, Mac e Linux, o jogo conta com um enredo bastante peculiar. Você é o Cartógrafo, trabalhando sempre em conjunto com o Arqueólogo, o qual permanece preso em uma espécie de submarino, viajando pelos mares.

Innerspace

Da página do jogo no Steam:

Nos últimos dias do Inverso, você precisa ajudar o Arqueólogo a recuperar as últimas memórias antes que elas desapareçam para sempre. Voe por céus milenares e oceanos abandonados para descobrir a história perdida de um reino que está desaparecendo, onde civilizações inteiras morreram, mas por onde os deuses ainda caminham.

InnesSpace é um jogo de voo exploratório passado no Inverso, um mundo de planetas virados do avesso onde a gravidade empurra para fora, em vez de para o interior

Em InnerSpace, você explora mundos que estão morrendo. Mundos de um universo, de uma realidade, chamada Inverso, onde tudo é virado do avesso. E Justamente aqui está um dos destaques do jogo: não há horizontes, não há “em cima”, não há “embaixo”, e a gravidade faz força para fora, para o exterior de cada planeta, ao invés de para baixo, para o interior. É um tanto quanto confuso, e não somente a princípio, e também aqui estão os grandes problemas do jogo (falarei mais disso adiante).

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Tudo em InnerSpace está do avesso. Imagine algo como um vídeo em 360º do avesso, e você terá uma pequena noção do que estou falando. Tudo bem, este exemplo pode não corresponder muito bem ao que vemos no jogo, mas é apenas para dar a você uma pequena noção das estranhezas que nele encontramos.

No Inverso, semideuses ainda existem, e você irá encontrar com eles, gigantescos, voando pelos ares ou nadando pelos oceanos. No Inverso, civilizações ancestrais desapareceram (os Antigos), e é seu papel, como ajudante do Arqueólogo, encontrar relíquias antigas e informações para criar um registro delas, para documentar sua história para a posteridade.

No jogo, você pilota um veículo aéreo que pode ser aprimorado com peças criadas pelos Antigos, veículo este que também pode se transformar rapidamente em uma espécie de submarino e então mergulhar em oceanos imensos. Para realizar tais melhorias, é preciso dispor de Vento, no jogo uma grande fonte de energia, o qual também é coletável.

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O jogo é focado na exploração. Não existem missões primárias ou secundárias, não existe um direcionamento a respeito do que fazer agora ou daqui a pouco. Não existem guias, e o único tutorial disponível ensina apenas o básico a respeito do manuseio de seu veículo. Vale também a pena lembrar que, no jogo, você é uma espécie de inteligência artificial desenvolvida pelos Antigos, trazida de volta à “vida” pelo Arqueólogo.

Bem, mas o foco em InnerSpace é realmente a exploração, e vale lembrar que o jogo não apresenta nenhum tipo de violência. Trata-se de uma experiência criada, pelo menos a princípio, para ser algo calmo, relaxante, “viajante”, mesmo. Os cenários um tanto quanto surreais podem colaborar para isto, dependendo do estado de espírito do jogador, e a trilha sonora totalmente eletrônica ajuda a fazer com que entremos no clima.

Você pode jogar como bem entender. Explorar qualquer lugar, em qualquer direção, de cabeça para baixo ou não, lembrando que isto é algo um tanto quanto relativo, uma vez que o jogo não deixa claro em nenhum momento qual é a perspectiva correta para a definição de “em cima” ou “embaixo”.

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Explore, navegue, mergulhe, voe rápida ou lentamente, colete vento, fale com o Arqueólogo, realize upgrades em seu veículo, faça contato com os gigantescos semideuses, assombre-se com os visuais estranhos, surreais, deixe-se levar pela experiência, a qual é totalmente livre de violência, vale lembrar mais uma vez (sim, não existem combates e você não morre). InnerSpace pode ser considerado um jogo de voo, mas a experiência aqui é bem diferente daquela proporcionada por aqueles com os quais estamos acostumados.

Confesso que a proposta do título me cativou bastante, a princípio. Ao acompanhar as notícias pré-lançamento, imaginei que a experiência me proporcionaria momentos realmente memoráveis. Me empolguei bastante. E me decepcionei. Como disse acima, o problema de InnerSpace está diretamente ligado a seu maior diferencial.

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Nos mundos do avesso, você facilmente se perde. Você facilmente perde o senso de localização. Você facilmente se vê perdido em câmaras onde é difícil distinguir o que está em cima e o que está embaixo. Não existem horizontes, e você geralmente até mesmo mergulha nos oceanos sem querer (como também pode deles escapar sem desejar – culpa, muitas vezes, da gravidade invertida).

O level design de InnerSpace deixa o jogador confuso, tonto, perdido, mesmo, sem saber ao certo qual passo dar a seguir, para onde ir, quem procurar ou o que buscar. O foco está todo na exploração, veja bem, mas é um tanto quanto difícil explorar ambientes confusos, surreais e repletos de estruturas que em nada lembram algo por nós conhecido.

Veja bem: não existem edifícios, casas, construções propriamente ditas (esqueça tudo isto) – tudo é surreal, onírico, diferente, estranho, apesar de belo. Nos vemos facilmente entediados, senão irritados, dentro de mundos belos, que até pedem para ser explorados, mas que não nos oferecem um mínimo de condições para tal.

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Obviamente, temos de depreender através daquilo tudo que foi dito pelos desenvolvedores, que setas, indicadores de caminho e elementos relacionados estavam fora de cogitação desde o início: o jogo é focado na exploração livre. Nas perambulações através do Inverso, na busca e na coleta de relíquias antigas, no contato com os deuses ancestrais, na busca e na descoberta. Mas tudo isso acontece em meio a cenários confusos e que nos deixam totalmente perdidos, sem o mínimo senso de direção.

Ficha técnica

Título: InnerSpace

Gênero: indie, aventura

Desenvolvedora: PolyKnight Games

Publisher: Aspyr Media

Data de lançamento: 16 de Janeiro de 2018

Plataformas: Xbox One, PlayStation 4, PC, Nintendo Switch

Versão analisada: PC

Fatalmente nos vemos entediados (senão irritados) após alguns minutos tentando, sem sucesso, descobrir qual é o próximo objetivo. Após alguns minutos tentando encontrar relíquias e batendo em “rochas” sem parar. Após alguns minutos passeando e sem encontrar nada que faça com que a história avance.

O contato com os semideuses é quase sempre repleto de subjetividade – temos de tentar descobrir o que fazer sem um mínimo de ajuda. O próprio Arqueólogo se mostra perdido, e nos diz apenas para irmos de encontro ao próximo objetivo, pura e simplesmente (“vá lá e tente”, e assim por diante).

Juntemos a isto os cenários confusos, apesar de bonitos, e temos um conjunto bastante perturbador em mãos. Sim, ao jogar InnerSpace, também me senti um tanto quanto perturbado com as tais câmaras que representam os mundos: é tudo tão surreal, tão onírico, tão estranho, que as sucessivas tentativas (muitas sem sucesso) acabam resultando em uma enorme perturbação. Nossos sentidos são desafiados a todo instante, ao tentarmos identificar, em meio às maluquices dispostas pelo cenário, semelhanças com nosso mundo real e/ou com cenários existentes em outros jogos. Os supostos mundos de sonho podem rapidamente se tornarem mundos de pesadelo.

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O título da PolyKnight Games não leva muito tempo para ser finalizado. Quer dizer, ele não deveria levar, uma vez que o Inverso conta com seis câmaras, ou mundos, todos não lá muito grandes. Mas com todos os problemas expostos acima, muitos jogadores podem levar muito mais tempo para finalizá-lo (isto se o finalizarem realmente, e não o desinstalarem dentro de pouco tempo).

InnerSpace conta com uma proposta interessante e realmente é um indie game interessante e desafiador. Focado na exploração, ele não consegue, entretanto, manter o interesse do jogador justamente devido a problemas com elementos que deveriam ser seus maiores trunfos: os mundos do avesso e a gravidade ao contrário. Trata-se de um jogo capaz de causar grande irritação nos mais incautos, devido à perda constante do sentido de localização. Trata-se, no mínimo, de um jogo para poucos.

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