Confesso que gostei da experiência proporcionada por esta “série” que criei aqui no XboxPlus, a “Joganndo e comentando”. Através da mesma, posso compartilhar com vocês as experiências que vou obtendo em alguns jogos meio que em tempo real, e isto é bacana pois escrevo a respeito do que vi até o momento, ou seja, não se trata de um review onde “o caminho das pedras” já foi trilhado. São sempre experiências parciais, e muitas vezes tal maneira de escrever a respeito de um game, pelo menos a mim, faz com que eu me recorde de coisas que estão ainda bem frescas na memória.

Não que eu não jogue games para reviews com o notebook ao lado ou então utilizando ALT+TAB e realizando anotações no Microsoft Word, mas “jogar e comentar”, mesmo que o intervalo entre a jogatina e a escrita seja de algumas horas, me permite criar textos mais “frescos”, e também pode proporcionar o surgimento de interessantes discussões a respeito do game. Aliás, já publiquei dois artigos nesta série, onde escrevi a respeito de minha experiência enquanto jogava o primeiro Dead Space. Vocês podem encontrá-los aqui e aqui. Mas, o “game da vez” é o fenomenal Assassin’s Creed: Brotherhood, sequência de Assassin’s Creed II, de 2009.

Lançado em Novembro de 2010 para Xbox 360 e Playstation 3, o título da Ubisoft é um verdadeiro “must have” para quem aprecia aventura, combates complexos, estratégia, história, cenários de tirar o fôlego e inúmeros outros quesitos os quais eu poderia mencionar em mais algumas dezenas de linhas. Vale ressaltar que foi um dos games que aguardei com mais ansiedade em 2010, mas somente o adquiri em 2011. A versão para PC de Assassin’s Creed: Brotherhood, infelizmente, sofreu um atraso, e somente será lançada em Março.

Assassin’s Creed: Brotherhood começa onde AC2 parou. Aliás, ele se inicia a partir da grande burrada, em minha opinião, que o Ezio cometeu no final do título anterior da franquia. Eu, em seu lugar, naquele momento, teria… opa, sem spoilers. 🙂 Mas, é claro, esta mesma “burrada” é a premissa para Brotherhood, portanto, a Ubisoft está perdoada. E olhe que não estamos falando de forma alguma de um título caça-níqueis, antes que alguém pense nisto. Brotherhood impressiona desde o início, corrige falhas de seu antecessor e nos apresenta uma Roma belíssima.

O protagonista, Ezio Auditore da Firenze, envelheceu e está mais maduro, além de mais forte e perigoso quando em combate. Nota-se isto desde o princípio, já no primeiro momento em que você pressiona o botão X (estou jogando a versão para Xbox 360) para sacar sua espada e enfrentar alguns guardas desavisados. É um tanto quando engraçada, também, uma das cenas iniciais, quando Ezio, acompanhado de seu tio, entra em Monteriggioni. A recepção por parte do povo é ao mesmo tempo engraçada e impressionante.

Aliás, a vila é palco de acontecimentos catastróficos e tristes, que novamente “empurram” Ezio em direção ao seu “ofício”. Não que ele desse mostras de haver parado, em algum momento. Mas digamos que tudo foi meio que apressado. Novas armas estão disponíveis em Assassin’s Creed: Brotherhood, muitas delas, de fogo. A presença de canhões pode ser percebida logo no início do game, e de forma tal que o gamer possui papel importantíssimo no desenrolar das cenas em que os canhões entram em ação.

Desde Assassin’s Creed II a Itália renascentista foi retratada com extremo realismo e beleza. Agora, em Brotherhood, os jogadores poderão passear por uma Roma maravilhosamente retratada, e uma das dicas para você se impressionar bastante é: visite o Coliseu. Aliás, existe algo que gosto bastante na série. Uma ferramenta que ajuda bastante o gamer a se inteirar do que está ocorrendo. O jogo segue, de certa forma, a história. Ele toma a história real como premissa e introduz uma trama fictícia em meio a tudo. Durante o gameplay, portanto, o jogador poderá se deparar com locais, acontecimentos e personagens históricos, e a respeito de tudo isto podem ser obtidos detalhes, através da interface Desmond – Animus. Adoro “perder tempo” lendo estas notas.

Voltando a Roma, em Assassin’s Creed: Brotherhood ela é maravilhosa. Surpreendente, cheia de vida e de detalhes. Até hoje me lembro de que demorei muito para finalizar AC2 justamente devido à beleza das cidades e ao fato de ficar perambulando por bastante tempo nas mesmas, muitas vezes sem um objetivo definido. O mesmo começa a acontecer agora, no sucessor de Assassin’s Creed 2: já passei um certo tempo andando pela cidade. Observando a maravilhosa arquitetura de cada uma das construções. Recuperando, quando possível, áreas que foram deixadas ao léu. Entrando e observando uma imponente catedral. Provocando os guardas só para poder enfrentá-los e matá-los,  utilizando o complexo e fantástico sistema de combate do game, que agora permite que o Ezio mate até com as mãos nuas.

Existem alguns novos detalhes muito interessantes neste novo game. Foi introduzido o conceito de sincronização total ou parcial em cada memória. Ou seja, você deve seguir determinadas “regras” para obter sincronização total nas memórias que joga. Por exemplo: fulano de tal deve ser morto com as lâminas escondidas. Mate-o com a espada, e você obterá sincronização parcial. Ainda não sei bem ao certo o impacto que isto terá no desenrolar do gameplay, mas creio que se trate mais de uma questão que visa incentivar os jogadores a serem mais precisos e criativos do que qualquer outra coisa.

A quantidade e a variedade de missões também foi enormemente aumentada, e pode ocorrer do seu mapa virar uma verdadeira bagunça, repleto de ícones relativos às mais variadas missões. São missões relacionadas aos ladrões, inícios de memórias, missões relacionadas às cortesãs (sim!), etc. Confesso que o game assusta, no início, e ainda estou nesta parte do “susto inicial”. São tantas coisas a se fazer, tudo está tão mais complexo e grandioso, que muitas vezes você parece andar a esmo, sem um destino certo. Mas acredito que isto passe logo. Preciso jogar mais.

Roma também conta, infelizmente, com diversas torres espalhadas pelos quatro cantos da cidade, as quais pertencem aos Borgia. Cada torre está em meio a áreas fortemente guardadas, e cada uma delas representa uma área de influência dos próprios Borgia. São áreas até que meio decadentes, com lojas e outros estabelecimentos comerciais fechados, etc. Soldados patrulham a área constantemente, a qual é exibida em vermelho no mapa, e você pode, então, matar o capitão responsável pelo turno, a fim de eliminar a nefasta opressão ali presente.

Vale ressaltar que, para completar estas “missões” com êxito é necessário, após matar o capitão, queimar a respectiva torre que contêm os estandartes. Uma bela cena acompanha a queima de cada torre, e vale ressaltar que muitas vezes alguns objetivos se encontram em meio às tais áreas de influência. Portanto, uma hora ou outra será necessário lidar com as mesmas. Além disso, finda a influência dos Borgia naquela área, você é capaz de revitalizar a área. Bancos, ferreiros, etc: qualquer estabelecimento comercial outrora fechado e em decadência pode ser revitalizado e aberto, desde que você possua o dinheiro necessário para tal.

Vale também mencionar que o capitão de cada uma destas áreas de influência frequentemente se esconde, colocando seus soldados na linha de frente, e muitas vezes sai correndo. Se você deixá-lo escapar, terá de aguardar até o próximo turno para tentar tudo novamente. Explorar a cidade é uma delícia, e se você comprar mapas do tesouro, por exemplo, poderá ir enriquecendo aos poucos enquanto faz isto. Renovar os bancos e/ou visitá-los frequentemente também é uma boa pedida, pois você poderá realizar saques que muito o ajudarão na compra de armamento, remédios, etc.

“Investir nos bancos”, aliás, é uma boa, pois frequentemente você pode visitá-los para receber dinheiro. Algo muito parecido com o que ocorria em Monteriggioni, com Claudia. E vale destacar o fato de que você é mantido sempre ciente de quanto está sendo arrecadado, através de avisos em forma de texto que aparecem vez ou outra em tela.

Agora, algo que me proporcionou enorme prazer logo no início do jogo foi protagonizar uma cena meio que parecida com uma das presentes no trailer de Assassin’s Creed: Brotherhood divulgado durante a E3 2010. Um soldado a cavalo vinha em minha direção e eu, então, imediatamente assumi posição defensiva. Assim que ele chegou ao alcance da minha espada, desferi o golpe, o cavalo foi “lá para onde você bem sabe”, o soldado caiu e eu pude, então, ir em sua direção a fim de “finalizar o trabalho”. Muito empolgante. É claro que, até agora, já repeti esta façanha uma série de vezes. 😉

O game é repleto de elementos que motivam o jogador a explorar. Você pode decidir, por exemplo, que hoje sua sessão de Assassin’s Creed: Brotherhood será voltada somente à busca e sincronização com os inúmeros pontos de visão espalhados pela cidade. Isto é muito importante, aliás, pois além de representarem savepoints, os pontos de visão também ampliam o mapa, aumentando a área acessível da cidade.

Aliás, em Roma, muito mais do que nas cidades visitadas em Assassin’s Creed 2, um cavalo sempre será útil. Diversos objetivos se encontram muito distantes um do outro, e você pode então, muito facilmente, chamar (ou roubar) um cavalo para atender às suas necessidades. Em relação aos armamentos, a coisa ficou agora um pouco mais difícil, em Brotherhood. Para alguns ítens, não basta possuir o dinheiro necessário: alguns deles contam com alguns pré-requisitos, que podem ir desde a realização de determinada missão até a posse de determinada baínha.

Os combates ficaram mais violentos, porém permitem a realização de diversos golpes não existentes nos títulos anteriores da série. Você pode chutar seus inimigos, o que é muito útil para baixar a guarda daqueles oponentes mais poderosos. É possível também utilizar duas armas diferentes para acabar com um inimigo: corte-o com a espada e logo em seguida dispare um tiro contra o mesmo. É possível também agarrar os inimigos, e até mesmo matá-los com as próprias mãos.

Digamos que a Ubisoft pegou a mesma fórmula fantástica que utilizou em Assassin’s Creed II e aplicou o que havia de melhor na mesma em um novo jogo que, no entanto, indubitávelmente, é um título da franquia Assassin’s Creed. E eu diria que não apenas mais um título: Brotherhood, em minha opinião, é, até o momento, o melhor representante da série. A trilha sonora está mais sombria (mas ainda assim belíssima e totalmente de acordo com o contexto), assim como o próprio Ezio. Parece que o peso de anos e anos em luta, seja por vingança ou não, trouxeram ao protagonista uma experiência e uma frieza que são, acima de tudo, muito bem vindas, apesar de alguns cidadãos de Roma não aprovarem, em determinadas situações.

Aliás, continua aquela interação constante entre o protagonista e cada um dos NPC’s que perambulam por Roma. Derrube-os e ouça xingamentos em italiano. Esbarre nos mesmos e ouça palavras um pouco menos “complicadas”. Cometa por 3 vezes o erro de matar algum civil e você terá de reiniciar a partida a partir do último checkpoint.

Assassin’s Creed: Brotherhood é um game adorável. A guerra travada entre os Templários e os Assassinos é fantástica e digna de um filme. Trata-se de uma viagem através da história que tem por objetivo não somente proporcionar uma experiência de jogo. ACB é muito mais do que isto. Ele fornece emoção, raiva, tristeza e diversos outros sentimentos em doses muitas vezes fortes e que podem fazer com que você se sinta não em um jogo, mas em algum outro tipo de experiência interativa (qual seria? 🙂 ).

Mas, sem sombra de dúvidas: depois que você mergulha no game, é difícil sair. 🙂

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