Comprei Dead Space (o primeiro) há mais de um ano (versão para Xbox 360). Não sei por que, deixei o jogo encostado. Falha minha, eu sei, pois o game é maravilhoso. Mas sabe como é: nós, gamers, temos sempre aquelas filas enormes de jogos, e o resultado disto tudo é que muitas vezes um título acaba passando na frente do outro, outros acabam ficando encostados sem querer, etc.

Mas recentemente, comprei na EA Store a versão para PC de Dead Space 2, e sendo assim, resolvi “começar pelo começo”. Comecei, então, a jogar Dead Space. O primeirão. Vale lembrar que, pelo menos a mim, o jogo causa uma impressão de isolamento e de desolação tremendos. Os malditos Necromorphs espalhados pelos quatro cantos da USG Ishimura não ajudam a diminuir esta impressão, é claro.

Os próprios personagens com os quais o Isaac tem contato durante todo o jogo (lembrando sempre que estou no nível 9, até o presente momento), a Kendra e o Hammond, também não contribuem em nada para melhorar a vida do engenheiro que encarnamos no game. Sua namorada, coitada, é algo sempre inatingível. Aliás, a Kendra e o Hammond, pelo menos durante determinada parte do gameplay, parecem jogar uma espécie de “jogo de poder”, e o Hammond, principalmente, parece dizer muito menos do que aquilo que sabe, e até mesmo me causa suspeitas. Ele sabia realmente o que se passava na nave que foi socorrer? Bom, eu vou descobrir.

Dead Space é uma verdadeira obra prima. Eu, que adoro games dotados dos elementos sci-fi e survival horror, encontrei neste jogo de 2008 elementos mais do que suficientes para satisfazer minhas “necessidades” no momento. Você joga com a constante sensação de que “algo” está à espreita. De que algo malígno e forte observa cada um de seus passos. O pobre Isaac Clarke tem sempre de resolver os “pepinos”, e muitas vezes um “pepino” tem de ser descascado antes que um “abacaxi” possa ser fatiado, se é que me entendem.

Adoro os puzzles que o game contém, e considero a presença destes um chamativo a mais, um motivo a mais para jogar este envolvente game. Ah, sim. Dead Space é muito imersivo. Você se esquece do tempo, ao jogá-lo. Para ajudar, os savepoints são muito próximos, e sendo assim, você sempre sai correndo em busca do próximo. A questão de evolução do personagem e das armas, também, é fantástica. Você pode reforçar seu traje aos poucos, e tornar suas armas mais efetivas. Você pode melhorar seu sistema de respiração, também. Aliás, um dos momentos mais desesperadores é quando o Isaac começa a ficar sem ar, quando no vácuo, e você meio que sente aquilo que ele está sentindo, pois muitas vezes, por mais que você corra, uma solução rápida não está “à mão”.

Agora vamos falar em armas. Em minha opinião, uma única arma é necessária: a sensacional plasma cutter. É claro que uma segunda de reserva sempre é bom, mas na maior parte do tempo, estou utilizando a plasma cutter, a qual é bem eficiente e pode ter o seu tempo de recarregamento aprimorado, bem como sua capacidade no tocante a quantas cargas pode armazenar entre um recarregamento e outro. Aliás, você também pode aumentar o poder de fogo da plasma cutter. Tudo isto, é claro, é feito em máquinas que requerem, para estes upgrades, os power nodes que você encontra durante sua perambulação.

Algo que sempre observo em todos os games que jogo são os menus. E os menus de Dead Space são muito especiais. Parecem hologramas, translúcidos, muito bonitos. Só achei sofrível o mapa, o qual também é em 3D e confunde bastante o jogador. Mas há um sistema que ajuda bastante no tocante à localização de objetivos: uma faixa de luz azul pode ser acionada, mostrando a você o caminho a seguir. Mas não se engane: nem sempre ela é tudo o que você precisa para se localizar.

Dead Space consegue deixar os nervos de qualquer jogador à flor da pele, e a parte sonora contribui bastante para isto. Você ouve barulhos os mais esquisitos ecoando pela nave, como se já não bastassem os horrendos gritos dos Necromorphs. Você às bezes se depara com moribundos gritando ou chorando, todos se esvaindo em sangue. Cenas fortes e impactantes, vale ressaltar. Mesmo quando você, caminhando sozinho pelos corredores escuros, esbarra em alguma coisa e a faz cair ou se movimentar, provocando assim algum barulho, seu coração quase sai pela boca.

O jogo conta com um conjunto áudio-visual muito bem elaborado e que tem por meta causar medo ou, no mínimo, uma extrema sensação de desassossego. Aliás, em minha opinião, mesmo para um game de 2008, os gráficos de Dead Space são fantásticos. As “sessões de desmembramento” são tão realistas, e as vísceras expostas tão “perfeitas”, que é impossível não nos impressionarmos. Até mesmo um Necromorph recém morto representa um certo espetáculo dantesco, com suas vísceras expostas e se movendo, durante um determinado tempo. Para um game onde a escuridão é quase que uma constante, os efeitos de iluminação são belíssimos, e os “momentos gravidade zero” representam um show à parte.

“Voar” para outro ponto de um recinto desprovido de gravidade faz com que sintamos uma certa falta de ar, tamanho o dinamismo da cena, e tamanha é a inversão. Nestes momentos, sentimos até mesmo uma certa desorientação, e para quem acha que tudo neste aspecto é fácil, deixo aqui minha lembrança de “ter ido embora” para o vácuo gelado por diversas vezes, em determinados locais.

Se você pensa que um só Necromorph é o suficiente, pode “tirar o cavalo da chuva”. Em determinados momentos do jogo, muitos deles, dos mais diferentes tipos, aparecem. Sedentos pelo seu sangue. Gritando como loucos. Ensandecidos. Lurkers, os chatos Flyers, os monstruosos (mais ainda) Brutes, e mais alguns outros. Cada um deles mais assustador do que o outro, e dotado de características próprias. Existem até monstros que lançam uma espécie de gosma muito perigosa em você.

A questão de desmembrá-los para matá-los é um tanto quanto interessante, e mesmo assim me senti bem surpreso quando ouvi um audio log de um antigo tripulante da Ishimura falando que iria cortar todos os seus membros para não se transformar em um monstro quando morresse. Para que seu cadáver não fosse infectado, digamos.

Dead Space, apesar de também ser um game de tiro em terceira pessoa e oferecer muitos e bons momentos de ação, possui uma espécie de horror intrínseco. O horror “pinga” de cada uma das placas de sinalização ou aviso. O medo flui de cada esquina. Você não sabe de onde virá a próxima ameaça, e isto faz com que, na maioria das vezes, você ande devagar, empunhando sua plasma cutter pronto para atirar na primeira coisa que se mover. Ah, e não se preocupe. Seu dedo não permanecerá por muito tempo sem ser flexionado.

O horror não é somente “visível”, neste jogo. O medo também ocorre pela antecipação do que se tem certeza de que vai acontecer. Com um pouco de imaginação, vai-se longe. Muito longe. Eu tinha certeza do que iria ocorrer quando se iniciaram as comunicações entre a Ishimura e a USM Valor. Eu tinha certeza de que nada iria ser fácil. Lançassem mais games dotados destas características únicas e as desenvolvedoras e distribuidoras atrairiam com certeza o pessoal que é fã de verdade de “games feitos para causar medo”.

Mesmo a mais simples das situações, como a parada em uma Store para comprar algumas coisinhas, causa medo. Você sabe que neste momento é como se o game entrasse em “pausa parcial”, mas mesmo assim você quer comprar e vender as coisas logo, para poder empunhar sua arma com a maior rapidêz possível. É, terror psicológico. Isso também existe. E como.

O jogo causa asco, em determinados momentos, mas a sensação mais forte que ele causa é medo. E não estou falando aqui de um medo, digamos, “explicável”. Um medo cuja fonte podemos determinar com clareza. Ok, os Necromorphs estão lá. Lutamos contra eles. Os matamos (ou morremos nas mãos deles, muitas vezes). Mas estou falando de uma espécie diferente de medo. É o medo de estar sozinho em meio ao desconhecido, em um ambiente extremamente hostil. É um medo um tanto quanto estranho, devo ressaltar, mas ele está lá. Basta você jogar Dead Space para sentí-lo.

Enfim, jogar o primeiro Dead Space está sendo uma experiência e tanto. Pelo que ando vendo, não estou longe de terminá-lo. E assim que isto ocorrer, vou partir com tudo para Dead Space 2, porém desta vez no PC. Quero continuar na pele do Isaac Clarke por mais um bom tempo, e desmembrar mais alguns feiosos Necromorphs.

Pin It on Pinterest